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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Casos de corrupção na Brigada de Trânsito da GNR voltam hoje a tribunal


ALBUFEIRA E LISBOA AGREGAM MAIS DE 200 SUSPEITOS

O sargento Joaquim Garcia é acusado de 27 crimes LUÍS FORRA/LUSA



Os militares da Brigada de Trânsito da GNR acusados de corrupção voltam hoje a tribunal, em dois casos distintos julgados em Lisboa e Albufeira.
Em Outubro do ano passado começaram a ser julgados os militares da corporação de Albufeira, a primeira a ser alvo de uma investigação, que sentou quase metade da corporação local no banco dos réus.

O julgamento dos 25 militares e dos dez empresários envolvidos começou a 15 de Outubro no auditório municipal de Albufeira. Apenas o principal acusado, o sargento Joaquim Garcia, está preso, desde 4 de Abril de 2002, altura em que a alegada rede começou a ser desmantelada com as primeiras suspeitas de perdão de multas a troco de dinheiro e outras benesses. É tido como o cabecilha da rede. Joaquim Garcia é acusado de 27 crimes: um de associação criminosa, oito de extorsão agravada, três de corrupção passiva e sete de abuso de poder.

Caso se prove o seu papel de líder na alegada associação formada no ano 2000 com o propósito de extorquir dinheiro e bens materiais aos empresários algarvios envolvidos em obras públicas na região, poderá ser condenado a um máximo de oito anos de prisão.

A estratégia adoptada pela defesa dos militares de Albufeira foi provar que o perdão de multas era uma prática habitual e consentida pelas corporações da guarda.

No caso da zona centro, a investigação da Polícia Judiciária (PJ) resultou na acusação de 173 efectivos pelos crimes de corrupção passiva, 38 dos quais em prisão preventiva, e de 25 empresários, acusados de corrupção activa por alegados pagamentos a guardas da BT.

Estes 198 arguidos vão ouvir hoje o debate instrutório que decidirá quem será efectivamente julgado. O Ministério Público está convencido de que os próprios efectivos da corporação "contactavam empresas de camionagem, empresas de transportes", a quem pediam o pagamento "de quantias monetárias ou entrega de outros géneros", em troca da ausência de fiscalização dos veículos das referidas empresas. Segundo os investigadores, se as empresas recusassem o negócio eram alvo de represálias.

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