Sargento Victor Lemes Vaz é suspeito de ter feito disparo de arma em bar embriagado durante folga e resistiu com violência ao ser abordado por policiais no local. Amigo que também era sargento e estava com ele na hora tentou liberá-lo
Márcio Leijoto
Victor Lemes durante audiência de custódia em que se definiu pela manutenção de sua prisão (Reprodução)
A corregedoria da Polícia Militar do Estado de Goiás (PM-GO) abriu uma investigação para apurar a conduta dos primeiros sargentos Victor Lemes Vaz da Costa e Bruno Alencar Honorio da Silva durante uma abordagem policial em que ambos foram denunciados por disparo de arma de fogo em um bar no Setor Alto da Glória, em Goiânia, na noite de domingo (22). A postura de Victor é considerada mais grave por ter agredido os policiais durante a ocorrência.
Um vídeo que circulou na internet mostra Victor reagindo à abordagem e entrando em luta corporal contra quatro policiais fardados. Quando isso aconteceu, o sargento já estava no bar havia oito horas. Bruno chegou duas horas antes. Eles estavam com os respectivos cônjuges para comemorar um aniversário. Durante o dia, outras pessoas estiveram na mesa junto a eles, porém no momento do disparo havia somente os dois casais.
Um garçom contou na delegacia que ao ouvir um barulho de tiro vindo da mesa em que os clientes estavam e ao chegar nela Bruno teria dito se tratar de um disparo acidental.
Victor, que estava de folga com Bruno, foi autuado em flagrante por desacato e por violência contra policial em serviço, crimes previstos no Código Penal Militar (CPM). Ele se encontra preso desde então. Já Bruno responde por recusa de obediência, crime com previsão de pena menor, e se encontra em liberdade. O disparo em si e o uso da arma não são destacados nos inquéritos abertos até o momento. Na audiência de custódia, foi ressaltada a gravidade envolvendo a violência contra os policiais durante a abordagem.
Os agentes de segurança presentes afirmam que, além de reagir com violência física, Victor também ofendeu e ameaçou os colegas de farda em serviço, dizendo, inclusive, que iria matá-los. Bruno tentou liberar o amigo, segundo os policiais, se passando por integrante da corregedoria da PM-GO, mas também acabou sendo detido por não apresentar sua identificação nem obedecer às ordens de se manter afastado.
A arma foi encontrada na bolsa de uma das mulheres dentro do carro. Na audiência de custódia, adefesa de Victor fala dos excessos contra os colegas como uma certeza, da qual o sargento se diz arrependido, porém trata do uso da arma na mesa como uma hipótese. Segundo o policial, a agressividade seria explicada pela ingestão de bebida alcoólica junto com o uso de medicamentos para depressão e estresse pós-traumático, doenças estas adquiridas em decorrência do serviço.
As testemunhas afirmam que Victor era o mais exaltado. Um segundo garçom afirmou que Bruno chegou a comentar com a esposa que teriam de aguardar a chegada da viatura policial após o disparo dado na mesa, porém o outro colega se levantou dizendo que não iria esperar e foi buscar a caminhonete até a porta do bar.
Não foi ouvida nenhuma testemunha que tivesse presenciado o disparo. Uma delas afirmou que a conversa na mesa foi ficando mais intensa conforme os dois ingeriam bebida alcoólica, por meio de brincadeiras e provocações, mas sem animosidades. Logo após ouvir o tiro, um garçom disse ter olhado para a mesa e visto Victor deitado no colo da namorada, mas sem ferimentos.
Um dos policiais afirmou em depoimento que foi atingido no rosto por um tapa desferido por Victor e que o mesmo "deu socos e tapas em vários de seus colegas, demonstrando total descontrole". O caso se arrastou de 23 horas até 3 da manhã, quando Victor e Bruno foram levados até a corregedoria da PM-GO.
Victor estava preso desde março de 2023 pela morte de Douglas Araújo da Silva, de 19 anos, durante uma abordagem junto com outro policial, Rodrigo Troiani Ruela. O caso aconteceu em abril de 2022 em uma rua de Anápolis. Segundo a acusação, Douglas estaria com uma arma de brinquedo usada em airsoft e foi morto ao ser atingido por 15 disparos. Em 5 de dezembro deste ano, ou seja, 17 dias antes da confusão no bar, um júri absolveu Victor e Rodrigo e os dois ganharam a liberdade. O entendimento dos jurados é que a ação dos policiais não se configuraria um crime.
A Polícia Federal (PF) identificou um esquema de tráfico de drogas que pode envolver ao menos 40 policiais militares e guardas municipais no Pará. O caso é investigado pela Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da Polícia Civil do Amapá em conjunto com a PF.
A organização é suspeita de enviar maconha e cocaína para o Amapá e outros estados, além de manter conexões internacionais.
Ele ainda teria ameaçado e atirado contra dois jovens, além de realizar outros disparos em espetinho
Política | 18 de Março de 2026 as 11h 22min
Um policial penal, cuja identidade não foi revelada, foi detido após realizar disparos de arma de fogo e ameaçar um funcionário de um posto de combustível, em Várzea Grande, na noite desta terça-feira (17).
Segundo informações do boletim de ocorrência, o caso foi registrado por volta das 21h30, no Posto de Combustíveis Amazônia, localizado na Estrada da Guarita.
O policial foi até o local em um veículo Fiat Strada em posse de duas armas de fogo. Conforme relato do frentista, o policial o abordou oferecendo uma arma e afirmando que “queria trocar tiros”. Com a recusa, ele, então, teria ameaçado o funcionário.
Na sequência, o policial seguiu em direção à Avenida Transpantaneira, onde teria ameaçado dois jovens e efetuado disparos na direção da dupla. Em seguida, foi até um espetinho na Rodovia dos Imigrantes, onde realizou novos disparos.
Diante das denúncias recebidas, a Polícia Militar realizou rondas e localizou o suspeito, que tentou fugir após a chegada dos militares.
Durante a abordagem, a PM encontrou duas pistolas e munições. Uma das armas era timbrada com o brasão da Polícia Penal; a outra era de uso pessoal.
O homem foi encaminhado a uma delegacia para a adoção das providências cabíveis.
As investigações que apuram peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) seguem avançando no MP do Rio (Ministério Público do Rio) e a coluna apurou que a promotoria está debruçada nos dados do núcleo de familiares do ex-presidente Jair Bolsonaro em Resende, no interior do Rio. Em especial, no papel de Guilherme dos Santos Hudson, ex-colega de Jair Bolsonaro na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) e tio de Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher do ex-presidente, conta a colunista Juliana Dal Piva
Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)Imagem: Reprodução/SBT
14/06/2023 04h00
Após uma série de críticas à condução da investigação feita pela Polícia Civil ao longo de 20 anos, o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) avaliou como "possível homicídio" uma morte ocorrida durante uma operação policial conduzida pelo então tenente Adriano da Nóbrega e por Fabrício Queiroz, à época sargento, em 2003, na Cidade de Deus, na zona oeste do Rio.
No pedido de arquivamento, o MP-RJ escreveu que as provas demonstraram "mais um possível crime de homicídio do que propriamente legítima defesa dos policiais militares" e que, mesmo assim, passaram mais de 17 anos até que a polícia avaliasse essa linha de investigação.
Procurado pelo UOL, Queiroz disse que agiu em legítima defesa. Já a Polícia Civil não retornou.
Como a investigação não conseguiu comprovar a autoria dos disparos, e o prazo para prescrição — 20 anos — foi atingido em maio deste ano, o MP-RJ pediu o arquivamento do caso.
Nos autos, o MP-RJ já tinha descrito que "há grande probabilidade de que tenha ocorrido efetivamente um crime de homicídio qualificado (execução)". A coluna apurou que existe suspeita do uso de uma arma ilegal no crime
Queiroz foi denunciado junto com o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) em outubro de 2020 por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa devido ao caso da "rachadinha" na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). As provas foram anuladas por uma decisão do STJ e agora o MP do Rio refaz a investigação.
Na versão dos militares, a viatura de cinco policiais patrulhava a Cidade de Deus na madrugada do dia 15 de maio de 2003 e teria "encontrado um grupo de pessoas supostamente armado" e que teria "efetuado disparos de arma de fogo", o que fez com que os policiais disparassem também.
Depois do suposto confronto, os policiais disseram ter encontrado o corpo de Anderson Rosa junto a uma "bolsa preta". Apesar de terem declarado que ocorreu um tiroteio, Queiroz e Adriano disseram que só os dois atiraram, os outros três policiais não. Queiroz e Adriano levaram o corpo de Rosa para o Hospital Cardoso Fontes, alegando uma tentativa de socorro. No entanto, ele deu entrada na unidade já sem vida.
A investigação, porém, apontou para outras conclusões. O caso ficou parado por muito tempo e foi retomado em julho de 2020, quando o MP-RJ verificou uma série de falhas e pediu a perícia das armas dos policiais — o que não tinha sido feito após quase duas décadas do início do inquérito.
A promotoria ainda disse que "causou perplexidade" o fato de a polícia ter devolvido os fuzis para Nóbrega "sem proceder ao imprescindível exame pericial". Ao mesmo tempo, foi periciada apenas a arma encontrada com a vítima.
Tiros para confirmar
Nos autos, foi descrito que a hipótese de assassinato ganhou força depois que o perito Nelson Massini foi ouvido pela polícia e avaliou o laudo cadavérico de Anderson Rosa, que sofreu tiros no crânio, tórax e abdômen.
No depoimento, Massini disse que, "se o primeiro disparo foi pela frente, como se imagina numa situação de confronto, os dois pelas costas foram de confirmação. Outra hipótese, se os tiros pelas costas foram os primeiros, o que contraria a posição de confronto, o tiro na região mamária foi confirmatório. Um dos disparos tem um trajeto inclinado revelando que a vítima está inclinada ou no solo".
Os fuzis só foram entregues para o confronto balístico no fim de 2020. O laudo feito pelo ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli) não achou compatibilidade entre as armas e os projéteis encontrados na cena do crime.
Segundo o MP-RJ, esse dado aponta que os disparos que mataram Rosa foram desferidos por "arma de calibre menor de uso da corporação e ou 'até mesmo de armas de fogo sem registro (extraoficiais)'".
Ao arquivar o caso, o MP também afirmou que "infelizmente a investigação começou e perdurou por 17 anos de forma completamente equivocada, pois, além de ter demorado quase um ano para instaurar o inquérito policial, a autoridade policial procurou adotar de maneira precipitada a tese de legítima defesa, descartando possível prática de crime de homicídio, tendo sido cometidas diversas falhas que dificultaram o êxito das investigações".
Foi criticado ainda o fato de, nos últimos anos, o caso ter sido encaminhado para a Delegacia do Acervo Cartorário já que se trata de um homicídio e o Rio de Janeiro possui uma delegacia especializada, a DH.
"Bonde do madruga"
A viúva de Anderson Rosa prestou depoimento para a polícia, pela primeira vez em 18 anos, em março de 2021. No depoimento, ela disse que o marido já tinha trabalhado com diferentes serviços gerais, mas estava desempregado na época em que morreu e admitiu que ele trabalhava para o tráfico, mas, segundo ela, não tinha armas. Ele não tinha, até o dia do crime, segundo a polícia, nenhum registro criminal.
A viúva disse que Adriano e Queiroz eram conhecidos como "bonde do madruga" em razão do "terror que criavam aos moradores, sempre nas madrugadas". Além disso, eram temidos pela fama de uso de "violência excessiva".
Ela disse que, no dia em que o marido morreu, estava indo trabalhar quando foi abordada pela guarnição comandada por Nóbrega e Queiroz e que os policiais jogaram os pertences dela no chão e depois "perguntaram se ela iria trabalhar ou iria para o 'puteiro'".
Horas depois, quando soube da morte do companheiro, ela foi ao local e ouviu de uma moradora que Anderson Rosa tentou fugir da abordagem dos policiais, mas foi alcançado por Adriano e Queiroz. Depois de capturado, eles teriam colocado "Anderson ajoelhado e efetuado um disparo de arma de fogo na nuca". O relato é compatível com o tiro no crânio.
Segundo ela, depois da morte, a guarnição de Adriano e Queiroz chegou a passar na frente da Associação de Moradores, onde ocorreu o velório, e "zombaram dos familiares e amigos que o velavam".
Leia a nota de Fabrício Queiroz
"Uma ocorrência policial onde minha guarnição foi recebida a tiros. Ao revidar a injusta agressão, um dos meliantes foi fatalmente abatido. Isso configura legítima defesa. O único amparo para o policial abater um meliante ou quem atentar contra sua vida ou de outrem."
Fabrício Queiroz, ex-policial militar e ex-assessor de Flávio Bolsonaro (SBT/Reprodução)
Por Leandro Resende 19 dez 2019, 11h24 •
Caso revelado por VEJA em junho foi citado em pedido do MP para operação contra ex-assessor de Flávio Bolsonaro realizada na quarta
O Ministério Público do Rio de Janeiro identificou que um dos seis grupos envolvidos em uma suposta organização criminosa que atuava no gabinete do então deputado estadualFlávio Bolsonaro— hoje senador — na Assembleia Legislativa do RJ era relacionado ao ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega, foragido e apontado como líder da milícia que atua em Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio.
No pedido encaminhado à Justiça para a operação de busca e apreensão deflagrada na quarta-feira 18, o MP usa um caso de homicídio ocorrido em 2003 para provar o vínculo entre Nóbrega e o ex-assessor de Flávio Bolsonaro Fabrício Queiroz, também ex-policial militar. O caso foi revelado por VEJA em junho deste ano. Nóbrega foi expulso da PM em 2014, por envolvimento com a contravenção, e é apontado como membro do Escritório do Crime, grupo de matadores que estaria à frente de homicídios não esclarecidos no Rio de Janeiro nos últimos vinte anos.
Queiroz e Adriano são investigados pela morte de Anderson Rosa de Souza, em 15 de maio de 2003, na Cidade de Deus. Em maio, VEJA revelou que às 0h30 daquele dia, durante uma ronda na favela, Souza morreu em um suposto “auto de resistência” – de acordo com a versão de Adriano e Queiroz na época, a dupla reagiu aos disparos –, a licença para matar mais usada pela polícia.
A certidão de óbito de Souza traz uma outra versão para os fatos relatados pelos colegas no boletim de ocorrência. No documento, também revelado por VEJA em junho, a vítima aparece como técnico de refrigeração, pai de dois filhos e aponta como causa da morte ferimentos por arma de fogo na cabeça, pulmão e baço. Passados dezesseis anos, o inquérito permanece em aberto. Já percorreu 72 vezes o caminho entre a 32ª Delegacia Policial, que investiga, e o Ministério Público, que pede mais apurações. A defesa de Queiroz alegou que a amizade dele e Adriano sempre foi baseada em “princípios inerentes ao ofício de policial militar”.
A dupla trabalhou junta por apenas seis meses em 2003 no 18º Batalhão, notório na época, segundo policiais ouvidos pela reportagem, pela truculência nas operações e cobranças de suborno a criminosos, e pelas frequentes incursões na favela Cidade de Deus. Em uma dessas, em 2002, Queiroz participou de outro homicídio ainda não esclarecido: no dia 16 de novembro de 2002, após troca de tiros, Gênesis Luiz da Silva, de 19 anos, levou um tiro nas costas e morreu 25 minutos depois de chegar no hospital. Moradores da favela ouvidos por VEJA e que preferem não se identificar disseram que o motivo do suposto tiroteio entre policiais e bandidos fora o não pagamento de propina para realização de um baile. O inquérito segue aberto até hoje.
Os caminhos de Queiroz e Adriano voltaram a se cruzar em 2005, quando o então deputado Flávio Bolsonaro foi à cadeia em que Adriano Nóbrega estava preso em 2005, por um homicídio de um guardador de carros, para lhe entregar a Medalha Tiradentes, principal comenda da Assembleia Legislativa do Rio. O 01 alega que a sugestão da homenagem partiu de Queiroz, assim como a ideia de nomear Danielle da Nóbrega e Raimunda Magalhães, respectivamente mulher e mãe do miliciano, para o gabinete. As duas foram responsáveis por 203 mil dos 2 milhões de reais que assessores de Flávio depositaram na conta bancária de Queiroz entre 2007 e 2018.
A mãozinha para o ex-colega de farda custou caro. De acordo com o MP, Danielle era funcionária fantasma e “tinha pleno conhecimento” de que o salário que recebia era irregular e fazia parte de uma organização criminosa. Nas mensagens apreendidas pelos investigadores fica claro, ainda, que Queiroz “não agiu sem o conhecimento de seus superiores hierárquicos”. E a conclusão que se chega é de que a dupla de ex-policiais agiu para “embaraçar a investigação” ao determinar que Danielle Mendonça não fosse prestar depoimento e não mencionasse ao telefone “os crimes praticados na Assembleia do Rio”. Indício de que a relação dos dois policiais ainda vai dar muito o que falar.
MPRJ está buscando informações a respeito do passado de Fabrício Queiroz e descobriu a morte de um estudante de 29 anos que ainda não está esclarecida
Por Jovem Pan
05/10/2020
Divulgação
Fabrício Queiroz no dia em que foi preso, em agosto deste ano
Fabrício Queiroz está sendo investigado por um assassinato que teria cometido em 2003, na época em que era policial militar lotado no batalhão de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro. Na época, o sargento tinha como um de seus principais parceiros o tenente Adriano da Nóbrega, miliciano e ex-policial militar morto na Bahia em fevereiro deste ano. O Ministério Público do Rio de Janeiro está investigando o passado de Queiroz e descobriu a morte de um estudante de 29 anos que ainda não está esclarecida. Na época, Fabrício Queiroz e Adriano da Nóbrega alegaram auto de resistência, ou seja, o estudante teria reagido, e os policiais atiraram. Segundo o MPRJ, as diligências foram malfeitas, e os promotores não estão convencidos de que foi uma reação da polícia a uma ação criminosa.
O ex-policial militar está em prisão domiciliar no Rio de Janeiro e é investigado no caso das “rachadinhas” no gabinete do atual senador Flávio Bolsonaro na Alerj, na época em que o filho do presidente era deputado estadual e Queiroz era seu assessor parlamentar. Ele foi preso no dia 18 de junho deste ano, após ficar foragido e ser encontrado em Atibaia, interior de São Paulo, na casa de Frederick Wassef, ex-advogado da família Bolsonaro. Queiroz ficou preso em Bangu até o dia 10 de julho, quando foi para casa após decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro João Otávio Noronha. Em agosto, o ministro Felix Fischer, também do STJ, revogou a prisão domiciliar do ex-assessor parlamentar, porém, a decisão foi derrubada no dia seguinte pelo ministro do STF, Gilmar Mendes. Assim, Fabrício Queiroz segue cumprindo a pena em casa.
Imagens de diversas câmeras de segurança estão sendo analisadas pela polícia. Elas mostram a perseguição dos assassinos à juíza Patrícia Acioli, morta há pouco mais de um mês.
O Tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira foi expulso da corporação 7 anos depois de ser condenado a 36 anos de prisão pela morte da juíza Patrícia Acioli.
A juíza foi executada com 21 tiros em 2011, na porta de casa, em Niterói, no Rio de Janeiro. Na época do crime, Cláudio era comandante do 7° Batalhão da Polícia Militar de São Gonçalo e foi condenado pelo assassinato junto com outros 10 policiais.
Mesmo preso, o oficial continuava recebendo o salário de pouco mais de R$ 21 mil reais, mas com a decisão tomada pelos desembargadores da 4° Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, tanto Cláudio quanto os outros agentes perdem o título da corporação.
No total, 11 policiais foram condenados pelo assassinato em agosto de 2011. Juíza morreu com 21 tiros na porta de casa, em Niterói
REDAÇÃO ÉPOCA COM AGÊNCIA BRASIL
15/04/2014 - 10h49 - Atualizado 15/04/2014 10h54
O Tribunal do Júri de Niterói condenou nesta segunda-feira (14) à noite os dois últimos policiais militares acusados de participar do assassinato da juízaPatrícia Lourival Acioli, assassinada com 21 tiros na porta de casa, em Niterói, no dia 11 de agosto de 2011. Sammy dos Santos Quintanilha recebeu pena de 25 anos de reclusão em regime fechado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emboscada e para assegurar impunidade de outros crimes) e formação de quadrilha.
Handerson Lents Henriques da Silva recebeu a menor pena entre os 11 policiais denunciados pelo assassinato: quatro anos e seis meses, em regime semiaberto. Ele foi condenado apenas por violação de sigilo funcional, já que confessou ter fornecido o endereço de Patrícia Acioli para os colegas executarem o crime.
A Justiça também determinou que ambos sejam expulsos da Polícia Militar. Antes deles, nove policiais já haviam sido condenados pelo assassinato: o ex-comandante do Batalhão de São Gonçalo tenente-coronel Claudio Luiz Silva de Oliveira, condenado a 36 anos; o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopez, a 36 anos; Jefferson de Araujo Miranda, a 26 anos; Jovanis Falcão, a 25 anos e seis meses; Charles Azevedo Tavares e Alex Ribeiro Pereira, a 25 anos; Junior Cezar de Medeiros, a 22 anos e seis meses; Sérgio Costa Júnior foi condenado a 21 anos; e Carlos Adílio Maciel dos Santos, a 19 anos e seis meses.
Patrícia Acioli foi morta a tiros quando chegava em casa, em Niterói, depois de deixar o trabalho na Vara Criminal de São Gonçalo. A magistrada era considerada linha-dura no julgamento de crimes cometidos por policiais militares. Sua morte seria uma vingança tramada pelo grupo de PMs, devido às condenações de colegas.
Sargento Neri, integrante da Assembleia Legislativa de São Paulo e ex-professor da PM, critica o que chama de omissão do governador João Doria e do secretário da segurança por não mandar a corporação matar em resposta à morte de policiais: ‘eu formei aluno para matar e para sobreviver’
Para cada policial militar morto, dez pessoas devem morrer em resposta. Essa é a lei informal cobrada pelo deputado estadual Sargento Neri (Avante) em fala na Comissão de Segurança Pública e Assuntos Penitenciários da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo). Praça da Polícia Militar paulista por 26 anos, ele cobrou o governo pela morte de três policiais na semana do dia 25 de junho, data de seu discurso.
“É uma vergonha nós perdermos três policial [sic], um garoto alvejado na cabeça, e não se fazer uma operação para matar dez. A resposta por um policial morto é dez ladrões mortos. É o mínimo”, cobra Neri, em vídeo publicado pelo repórter Luís Adorno, do Uol, e posteriormente analisado pela Ponte. “Da Polícia Militar que eu venho, nós não entregávamos a viatura para outra equipe enquanto não se pegasse o ladrão. Nós não faríamos o velório do policial enquanto não estivesse no necrotério o corpo do ladrão”, completa.
Na comissão, o deputado Neri considerou que a gestão do governador João Doria (PSDB) é omissa em relação à mortalidade de policiais, considerando que só se “faz operação para inglês ver”. Ainda criticou a atuação do secretário da Segurança Pública, general João Camilo Pires de Campos. Segundo ele, “de segurança pública, teoricamente, até Victor Hugo, que é meu filho com 12 anos, entende”.
Em seu discurso, Neri exalta os 26 anos em que fez policiamento nas ruas | Foto: Arquivo pessoal
“Ser general, coronel ou delegado não quer dizer que entenda de segurança pública. E nós temos um coronel que nunca sentou em uma viatura, nunca trocou tiro, nunca fez uma abordagem, nunca prendeu ninguém. Quantos ladrões o coronel prendeu? Nenhum!”, disse o sargento aposentado. “Eu tenho 26 anos de Polícia Militar, 26 anos dentro de uma viatura e eu sei bem o que é isso. O que falta para o estado de São Paulo é um secretário que conheça de polícia”, completou.
Neri explicita que repassou esse discurso enquanto professor da PM, cargo que ocupou por 12 anos, como explica no vídeo. “Quando eu comecei a perder meus alunos, eu parei de dar aula. Porque eu não formei aluno para morrer, eu formei aluno para matar e para sobreviver”, explica. “Estamos fazendo os pais enterrarem os filhos e não fazemos nada. Não tem como fazer segurança pública com crime organizado entregando rosa. É bala e cassete! O estado de São Paulo tem que acordar”, dispara o político, que deu um soco na mesa e quebrou um copo durante o discurso.
‘Estamos naturalizando a morte’
A fala é lamentada por Rose Nogueira, jornalista e presa política torturada na ditadura militar. Ela relembra que ouviu pela primeira vez tal métrica, de dez mortos para um agente público morto, exatamente de seus torturadores no período ditatorial. “Eles espalhavam isso naquele tempo, ficavam falando. Tinham mania de repetir nos corredores, essas ameças. Eram bobagens que falavam, mas nunca teve policial morto na ditadura. Ligar uma coisa com a outra, a fala com a ação, é algo recente”, explica Rose, que condena o discurso de Neri.
“É um absurdo. Está errado matar policial e matar gente, qualquer um. O que tem que ficar claro para todos é que não tem pena de morte no Brasil. O crime mais hediondo, não tem pena de morte”, ressalta a jornalista, em entrevista à Ponte. “É errado matar policial e muito mais errado matar dez, dez vezes errado. Um crime jamais vai fica resolvido com uma vingança”, continua.
Segundo ela, é preciso destacar o valor à vida indo contra a onda posta hoje em dia de que violência se combate com mais violência. “Estamos naturalizando a morte. Isso tem que acabar. Se não, pensa bem, cada homicídio que tiver, a família, amigos ou gangue que pensasse que se matou um e vão ter que matar dez em troca… É um pensamento muito perigoso e contra a lei”, analisa.
Em seu site, deputado exalta foto com Alexandre Frota, representante do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados | Foto: Divulgação
A jornalista considera ainda mais grave este tipo de fala partir de um político eleito. “Para mim o absurdo é um deputado falar sobre isso publicamente e não ser repreendido pelo presidente da assembleia, pela assembleia. Ele está lá para fazer leis e ela não pode ser só punitiva, tem que ser educadora. Então vai fazer o que, pelotão de fuzilamento? É extremada essa fala. E nem parece fala de deputado. Ele tem que fazer leis para proteger a vida, seja de quem for”, diz. “Não são todos os policiais que pensam assim, esse deputado não representa os policiais”, emenda.
Professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e integrante o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), Rafael Alcadipani considera que a fala do sargento não passa de populismo. “Esse é um tipo de situação que fica alimentando um confronto que na essência vitimiza os policiais. Esse policial militar deputado tem escolta, tem carro pago pelo governo, tem tudo e o policial na ponta tem que lidar com toda essa situação além da legalidade. Na hora que um policial mata alguém, devida ou indevidamente, nenhum desses caras pagam o advogado, nada”, avalia. “É uma conversa populista, um populismo barato que não resolve nenhum dos problemas e que vitimiza mais policiais. É por isso que esse tipo de atitude não é recomendável, nem a própria PM concorda”.
Deputado ‘cometeu crime’
Segundo o advogado Ariel de Castro Alves, o deputado Sargento Neri cometeu um crime ao propagar e exigir mais letalidade policial em seu discurso. “Ele cometeu crime de incitação à prática de assassinatos, ao extermínio de pessoas insuflando os PMs a saírem matando. Ele incita a violência policial que tem gerado mortes de muitos inocentes, já que os PMs matam pessoas que eles consideram suspeitas, mas que em muitos casos são inocentes”, explica o advogado.
Em 2017, as polícias de São Paulo mataram como nunca antes: foram 930 MDIP (Morte Decorrente de Intervenção Policial), nome técnico utilizado pela SSP para definir os homicídios cometidos por policiais contra civis. Comparado o primeiro trimestre de 2019 com o mesmo período de 2018, o estado vive atualmente crescimento de 8% na letalidade, passando de 197 para 213 mortes em apenas um ano. O MP (Ministério Público) entrou com ação na Justiça para condenar São Paulo por sua ineficiência em combater a letalidade policial, insuflada pelo Sargento Neri.
No entanto, o integrante do Condepe (Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana) diz que dificilmente haverá uma condenação por tal atitude do parlamentar. “O crime existe, mas na prática os deputados não respondem inquéritos e processos por suas opiniões, palavras e votos, conforme o artigo 53 da Constituição Federal. Eles possuem imunidade. Ao menos precisa ser processado e advertido pela comissão de ética da Alesp”, sustenta.
Por outro lado, o advogado considera que a fala explicita um entendimento que é interno dos quarteis e “entre comandantes e comandados”, de que a PM deve matar como resposta à morte de policiais. “Devemos lamentar e repudiar os assassinatos de policiais, que são crimes contra o Estado, já que os policiais representam o Estado. Mas os acusados pelas mortes de policiais devem ser investigados, detidos e processados. Quando policiais saem matando suspeitos, ocorre como nos crimes de maio de 2006, ou como na chacina de Osasco, acabam matando inocentes. O que também tem ocorrido diariamente em casos de policiamento de rotina”, diz Ariel.
Cobrança de esclarecimentos
Oficialmente, Neri foi cobrado publicamente pela Uneafro Brasil (leia o documento clicando aqui), grupo que atua na formação de jovens nas periferias do país e cobra o fim do genocídio da população negra e pobre. “O Sr. Deputado Sargento Neri […] confessa, com suas declarações, que orientou seus formandos à prática sistemática da vingança e de execuções sumárias extrajudiciais e mais que isso, deixa a entender que ele próprio, em suas mais de duas décadas de trabalho como agente do estado, também promoveu execuções sumárias extrajudiciais”, diz o documento, usando como base uma reportagem do Brasil de Fato.
Deputado se intitula “advogado” em sua biografia no site da Alesp | Foto: Reprodução
A cobrança é de explicações, posicionamento da SSP (Secretaria da Segurança Pública) e de João Doria, abertura de investigação sobre o trabalho de Neri como sargento da PM, instalação de processo disciplinar na Alesp e retratação pública.
O documento foi enviado ao governador, João Doria; ao secretário da segurança, João Camilo Pires de Campos; ao secretário da Casa Militar, Walter Nyakas Júnior; ao procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Smanio; ao ouvidor das Polícias, Benedito Mariano; ao presidente da Alesp, Cauê Macris (PSDB); e ao presidente da Comissão de Segurança Pública e Assuntos Penitenciários da Alesp, Delegado Olim (PP).
Quem é Sargento Neri
Natural de Lins, cidade 429 km distante da capital São Paulo, Rubens Cláudio Siqueira Neri se classifica como “advogado, cristão, casado e pai de quatro filhos”, conforme sua biografia no site da Alesp. Elenca em site próprio os batalhões nos quais trabalhou, entre eles tropas da Força Tática e o comando de equipe quando atuou no 5 BAEP (Batalhão de Ações Especiais de Polícia). Exalta 18 premiações ou condecorações recebidas, como a Medalha de Tiradentes, obtida em novembro de 2016 da ABFIP (Associação Brasileira das Forças Internacionais de Paz ONU).
Neri destaca ter sido aprovado no exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em 2013. No entanto, seu nome não consta no site quando buscado tanto na OAB Nacional quanto em pesquisa na sucursal São Paulo da Ordem. A assessoria de imprensa da OAB-SP explicou que a aprovação na prova não está diretamente ligada ao exercício da advocacia, podendo a pessoa solicitar ou não sua inscrição nos quadros da OAB. No caso de Neri, ele não seguiu adiante e, sendo assim, a assessoria explica que ele não pode ser chamado de “advogado”, apenas de “bacharel em direito”.
Trecho da biografia que consta em seu site pessoal no qual cita a aprovação no exame da OAB | Foto: Reprodução
Após ter sido suplente nas eleições de 2014, Sargento Neri exerce seu primeiro mandato de fato como deputado estadual paulista, tendo recebido 34.238 votos na eleição de 2018 e integrando a Bancada da Bala, formada por ex-agentes de segurança.
Entre seus projetos de lei propõe que PMs e agentes de segurança estejam isentos de imposto ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) na compra de “armas de fogo, munição, vestuário profissional, colete balístico, blindagem de veículos e demais acessórios de segurança particular”; pede que se crie o “Dia Estadual da Valorização dos Profissionais da Segurança Pública”; prevê a criação de uma cota para “agentes de segurança pública nas universidades públicas estaduais”; e ainda apoia o projeto que visa extinguir a Ouvidoria da Polícia.
Em telefonema feito às 10h50 da quarta-feira (3/7) para o gabinete do deputado na Alesp, um de seus assessores explicou à Ponte que o Sargento Neri “não tem nada a declarar no momento” quando solicitado um posicionamento em relação à fala na comissão de Segurança Pública e Assuntos Penitenciários.
SSP: ‘respeito às leis e à dignidade humana’
Areportagem questionou a SSP e a PM sobre as falas do deputado Sargento Neri. Às 12h06 desta quarta-feira (3/7), nota enviada pela assessoria de imprensa terceirizada, a InPress, afirma que a “SSP e os demais órgãos do sistema de Segurança Pública do Estado são instituições legalistas que atuam no combate à criminalidade com absoluto respeito aos Direitos Humanos e à legislação vigente”.
“Todos os integrantes deste sistema, sejam eles os agentes em campo ou os comandantes das instituições, são capacitados para atuar com rigor na proteção da população e na garantia da lei e da ordem. Além da formação, a SSP atua para proteger os policiais por meio de programas específicos em cada uma das corporações e, diante de eventuais agressões, com a rigorosa investigação para capturar e levar à Justiça os autores desta prática”, garante a secretaria.
No entanto, a SSP não condena a fala do Sargento Neri, apenas aponta para direção distinta. “Quanto às declarações, a Secretaria da Segurança Pública informa que, assim como defende o direito à livre manifestação, preza pelo incondicional respeito às leis e à dignidade humana”, diz.
No mesmo documento, responde às críticas feitas pelo deputado de que nada fora feito quanto as mortes de três policiais militares paulistas. “Em relação aos casos citados, ao menos três criminosos já foram presos e as polícias seguem trabalhando para identificar e prender outros infratores”, garante a SSP.