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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Delegado que investigou caso Tayná agora é suspeito

A Justiça de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, intimou o delegado Silvan Pereira e outros 10 policiais civis a fornecerem material genético para confrontar com o sêmen encontrado no corpo da menina Tayná Adriane da Silva, encontrada morta em junho. O objetivo é descobrir se algum deles pode estar envolvido com o crime.

Na decisão, que data do dia 11 de setembro, a juíza responsável pelo caso pede que a coleta do material genético seja feita em no máximo 24 horas.
 
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O advogado de Silvan, Claudio Dalledone Júnior, informou que o cliente vai se submeter ao exame, mas quer que a análise do DNA seja acompanhada por um perito particular. “Não conhecia a jovem, nunca viu essa menina. Ele tem a confiança integral da família e tem, principalmente, a tranquilidade do inocente”, afirma o advogado, que considera ainda que o Instituto Médico-Legal e o Instituto de Criminalística não são confiáveis neste caso>

Silvan e outras 13 pessoas são acusadas de terem torturado quatro homens que foram presos por suspeita de terem matado a menina. Em depoimento, eles chegaram a confirmar, mas foram soltos por falta de provas e postos no programa de proteção a testemunhas em virtude das denúncias de tortura.
O delegado preso era responsável pela Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo e foi o primeiro responsável por investigar a morte de Tayná. Dias depois da prisão dos quatro suspeitos, ele chegou a considerar o caso como encerrado.
As reviravoltas após a denúncia de tortura, porém, causaram mudanças nos rumos da investigação. Atualmente, o caso está nas mãos do quarto delegado e ainda não se sabe quem matou a menina.
No dia 5 de setembro, o Conselho Nacional do Ministério Público encaminhou um ofício ao Ministério Público do Paraná, pedindo que o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) acompanhe as investigações do caso. Na avaliação do Gaeco, o órgão poderia iniciar uma investigação paralela à que tem sido conduzida pela Polícia Civil.
Corpo exumado
No dia 28 de agosto, o corpo da adolescente foi exumado para, segundo o MP,  esclarecer duas questões – se a garota foi vítima de violência física quando ainda estava viva e se, no corpo dela, não havia indícios de que ela teria sido estuprada. Como o processo corre em segredo de justiça, os promotores não falaram sobre a exumação, que foi acompanhada por dois promotores, dois técnicos do Instituto Médico-Legal (IML) e um médico legista. Porém, o promotor do MP responsável pelo caso, Paulo de Lima, que participou do procedimento, explicou como o exame pode colaborar com as investigações.
“A perícia realizada no corpo de Tayná foi muito bem feita. Agora o fato é que, com as investigações, novos elementos surgiram, o que necessitou que nós fizéssemos o procedimento de exumação, que foi focado principalmente no aspecto de se buscar lesões físicas acontecidas em vida e, também, nós tratamos da questão da violência sexual ter ocorrido ou não”.
“Seria prematuro dizer, mas eu acredito que [no crime] é muito mais sensível o sinal do homicídio do que da violência sexual, mas não está descartado, de modo algum, que tenha ocorrido a violência”, afirmou o promotor. Ele ainda disse que podem existir outros indícios de culpa dos quatro homens suspeitos que foram presos e, depois, soltos. “De certa forma sim”, alegou quando questionado sobre mais indícios de culpabilidade dos quatro rapazes que trabalhavam no parque de diversões de Colombo. O corpo da menina foi encontrado em frente ao parque de diversões por moradores do município.
Tortura
O MP apresentou denúncia, no dia 1º de agosto, contra 21 suspeitos de tortura contra os quatro homens que haviam sido presos como suspeitos de matar e estuprar Tayná. Dos 21 suspeitos de tortura, 16 são policiais civis, um é policial militar, dois são guardas municipais e dois são presos de confiança. Além da denúncia por prática de tortura, alguns também foram acusados por falso testemunho, lesão corporal de natureza grave e abuso de autoridade e crime de natureza sexual.
A repercussão do caso e dos possíveis erros na investigação inicial acabou respingando na cúpula da Polícia Civil. O então delegado-geral, Marcus Vinicius Michelloto foi substituído por Riad Braga Farhat, que comandava a Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc).
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Delegado acusado de tortura no caso Tayná é preso no Paraná


Rafael Moro Martins
Do UOL, em Curtiba

  • Reprodução/GGN
    Tayná Adriane da Silva, 14, foi estuprada e morta
    Tayná Adriane da Silva, 14, foi estuprada e morta
O MPE (Ministério Público Estadual) informou, nesta sexta-feira (19), que o delegado Silvan Rodney Pereira, que comandou a delegacia do Alto Maracanã, em Colombo (região metropolitana de Curitiba),  foi preso. Pereira foi responsável por prender quatro suspeitos de terem estuprado e matado a jovem Tayná Adriane da Silva, 14. Eles teriam confessado o crime sob tortura.
Segundo o MPE, Pereira foi preso pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) com apoio da PRF (Polícia Rodoviária Federal) em Laranjeiras do Sul (município de 30 mil habitantes a 360 km a oeste de Curitiba). A cidade fica às margens da BR-277, rodovia que liga a capital a Foz do Iguaçu e a menos de 300 km da fronteira com Paraguai e Argentina..

JUSTIÇA PEDE A PRISÃO DE POLICIAIS ACUSADOS DE TORTURA

Desde a noite de quinta (18), o delegado era considerado foragido. Com a prisão de Pereira, estão detidos os 14 suspeitos de torturar os rapazes para que confessassem o crime que tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça de Colombo, onde Tayná foi encontrada morta no último dia 28.
Dez deles são policiais civis, um é soldado da PM e outro guarda municipal em Araucária (também na região metropolitana).
"Uma pessoa que tem mandado [de prisão] contra si e, mesmo sabendo disso, não se apresenta, é considerada foragida. Nós o monitoramos e pedimos à Polícia Rodoviária que o abordasse", explicou o coordenador do Gaeco, o promotor Leonir Batisti. Agora, Pereira será trazido a Curitiba, onde estão detidos os outros suspeitos.
"Por ora não vou manifestar. Estou em busca de informações [sobre a prisão]", afirmou o advogado de Pereira, Claudio Dalledone Junior, que conversou com a reportagem por volta das 18h. Na quinta (18), ele dissera que o delegado "nega veemente" as acusações de tortura, e que iria "se apresentar à Corregedoria da Polícia Civil".
Também nesta sexta, o Sidepol (Sindicato dos Delegados de Polícia do Paraná) emitiu nota pública em que manifesta "veemente repudio a forma diferenciada de tratamento dispensada aos integrantes da Polícia Civil".
"Doravante, qualquer preso decidirá qual integrante da Polícia Civil será preso, bastará agredir um detento e instruí-lo a dizer que foi agredido por um policial do plantão. As palavras dos suspeitos da morte da adolescente foi recebida como verdade incontestável. Todas as medidas necessárias serão adotadas para corrigir esta insanidade", prossegue o texto.

O caso

Tayná desapareceu na terça-feira (25 de junho) quando voltava para casa. Os quatro rapazes foram presos por volta das 13h da quinta (27). No dia seguinte, o corpo da jovem foi encontrado submerso num poço na região.

DELEGADOS SÃO AFASTADOS DO CASO DE MENINA MORTA

Segundo a polícia, os suspeitos confessaram ter estuprado e assassinado a garota. Os quatro trabalham num pequeno parque de diversões instalado na cidade, que foi incendiado e depredado por moradores revoltados com o crime.
Na terça (9), porém, a Secretaria da Segurança Pública informou que o sêmen encontrado nas roupas íntimas de Tayná não é de nenhum deles.
Na quarta-feira (10), integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) ouviram dos suspeitos que a confissão do estupro e da morte de Tayná ocorreu mediante tortura de policiais em delegacias.
Por conta das denúncias de tortura, a Polícia Civil afastou na quinta (11) que foram afastados temporariamente de suas "funções policiais" os delegados Agenor Salgado Filho e Silvan Rodney Pereira. Salgado era o chefe da corporação na região metropolitana de Curitiba, e Pereira prendeu os suspeitos e afirmou que eles confessaram o crime.
No domingo (14), a polícia afastou temporariamente todos os policiais da Delegacia do Alto Maracanã, localizada em Colombo.
Na segunda-feira (15), a Justiça determinou a soltura dos supeitos, que devem ficar sob proteção do Estado. O MPE deu prazo de 30 dias à polícia para que apresente um novo inquérito sobre o caso. Em nota, a Polícia Civil confirma apenas que "toda a investigação do caso Tayná está sendo refeita". 
Na quarta (17), o procurador-geral da OAB-PR, Andrey Salmazo Poubel, que assumiu a defesa dos quatro rapazes que disseram ter confessado o estupro e a morte de Tayná sob tortura, disse que "eles são inocentes [e] não têm relação nenhuma [com o crime]. Ninguém tem dúvida disso, nem os delegados que estão conduzindo o caso."
Incluídos no Programa Federal de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, os quatro foram levados para fora do Paraná.

VIZINHOS INCENDEIAM PARQUE ONDE SUSPEITOS TRABALHAVAM

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/07/19/delegado-acusado-de-tortura-no-caso-tayna-e-preso-no-parana.htm
Delegado acusado de tortura no caso Tayná é preso no Paraná - Notícias - Cotidiano