Essa e a verdadeira cara da nossa Segurança Publica

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Queima de arquivos: O assassinato do torturador Sérgio Fleury pelos militares


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“Fleury não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria. E exorbitava”, diz ex-integrante do Dops. Foto do Globo.com.
“Não convinha aos órgãos de segurança que uma pessoa, a essas alturas com péssima imagem pública, saísse contando fatos que não interessavam aos governos militares”.
O assassinato mais enigmático, estranho, perpetrado por militares foi a do torturador Sérgio Fernando Paranhos Fleury, o delegado Fleury. Ele se destacou como chefe do Esquadrão da Morte, que executava delinquentes. Pelo menos era o que se dizia. No entanto, a verdadeira história foi contada pelo então Procurador da Justiça do Estado de São Paulo, Hélio Bicudo, atualmente com 91 anos, no livro Meu depoimento sobre o Esquadrão da Morte.
Bicudo, na introdução, revelou a verdadeira face dessa facção de extermínio: “E o ‘Esquadrão da Morte’, depois de resvalar para a pura satisfação de interesses pessoais ou de pequenos grupos sequiosos de poder, passou na verdade a servir de interesses de quadrilhas de entorpecentes, de jogo e de prostituição, através de grupos de proteção”.
Mestre em tortura, Fleury passou para o Dops, agora prendendo e torturando presos políticos. Vários deles foram assassinados em suas mãos. Com o tempo foi afastado do cargo e faleceu no dia 1º de maio de 1979, aos 45 anos. Segundo a versão oficial, em acidente no seu iate em Ilha Bela, morrendo afogado.
Ao noticiar sua morte, o jornalista Luís Padovani, na Folha de 2 de maio, descreveu como se deu o acidente, baseado no Boletim de Ocorrência, concluindo: “O corpo foi levado para Santa Casa local, onde foi assinado o atestado de óbito, tendo o médico dispensado a autópsia”. Atitude estranha!
No mesmo jornal, Edson Flosi, no texto “Amado e odiado: herói ou torturador?”, fez essa surpreendente revelação: “[Fleury] Ficou muito rico, construiu uma mansão no Alto da Boa Vista, comprou um iate que lhe custou 2 milhões de cruzeiros [dinheiro da época], apesar de sempre ganhar relativamente pouco na Secretaria da Segurança Pública”. Isto, tudo indica, foi uma das causas de seu suposto assassinato, como vamos ver a seguir.
No número 4 de “Caros Amigos”, julho de 1997, em entrevista à Ana Maria Ciccacio, Hélio Bicudo assim se referiu à morte do torturador Fleury em 1979: “Foi queima de arquivo, sim. Ao ser posto no ostracismo por aquele processo de abertura do Geisel, o problema é que Fleury começou a falar demais. Não convinha aos órgãos de segurança que uma pessoa, a essas alturas com péssima imagem pública, porque usava drogas e bebia muito, saísse contando fatos que realmente não interessavam aos governos militares”.
Quinze anos depois, em maio de 2012, o ex-delegado do Dops na época da Ditadura, Cláudio Guerra, no livro Memórias de uma guerra suja, confirma essa versão de Bicudo.
Tales Faria, do IG Brasília, em 2/5/2012, no item “Queima de arquivo”, relata: “‘O delegado Fleury tinha de morrer. Foi uma decisão unânime de nossa comunidade, em São Paulo, numa votação feita em local público, o restaurante Baby Beef’, afirma Cláudio Guerra”.
Ele, a seguir, cita vários militares, entre eles, o coronel Brilhante Ustra, que torturou a atriz Bete Mendes. Ustra abriu a reunião.
Adiante Cláudio Guerra afirmou: “Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar. Não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria. E exorbitava. […] Nessa época, o hábito de cheirar cocaína também fazia parte de sua vida. Cansei de ver”.
Tales Faria, no final, diz: “A história oficial é, de fato, que o delegado paulista morreu acidentalmente em Ilha Bela, ao tombar da lancha. Mas Guerra afirma que Fleury na verdade foi dopado e levou uma pedrada na cabeça antes de cair no mar”.
O torturador e ex-herói Fleury, ironicamente, foi morto por militares. Teve o mesmo fim que Baumgarten, dono da revista O Cruzeiro (nova fase), e pelo mesmo motivo: “queima de arquivo”. Outra coincidência: morreram no mar!
Jasson de Oliveira Andrade é jornalista.

3 Respostas to “Queima de arquivos: O assassinato do torturador Sérgio Fleury pelos militares”

  1. Queima de arquivos: O assassinato do torturador Sérgio Fleury pelos militares | C O O LTURA Says:
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  2. Jésus Araujo Says:
    Fleury, de dolorosa memória. A quantos torturou e matou! Serviçal da ditadura, era civil, portanto não confiável. Ao prender os frades dominicanos, ele disse a Frei Tito: “Eu vou te arrebentar por dentro”. Psiquicamente arrebentado, Frei Tito teve um fim trágico, como conta Frei Beto em Batismo de Sangue, levado ao cinema com o mesmo título por Helvécio Ratton. Grotesca a explicação oficial de sua morte: tentando passar de seu iate para outro, de amigos, teria caído no mar. Fleury, tão acostumado às manobras no iate, ao mar, jovem e saudável de 45 anos, iria morrer afogado? E a proibição de autópsia (fato repetido sobre as mortes suspeitas na ditadura). Pergunto-me, e não obtenho resposta satisfatória: Que leva um ser humano a agir assim?
  3. VALTER BAIÃO DE FREITAS Says:
    O delegado Fleury, assim como todos os torturadores que infelizmente existiram no Brasil, foram e são seres humanos da pior espécie, ou seja, simplesmente monstros, porque todo ser humano que cause sofrimento a outrem, não pode ser considerado ser humano e sim monstro ou demônio voltado para o mal. Infelizmente os torturadores covardes remanescentes da ditadura militar que ainda estão vivos não pagaram pelos seus crimes pois escaparam da justiça dos homens, mas, com certeza não escaparão da Justiça Divina e daqui a algum tempo estarão pagando no inferno como o delegado Fleury e outros que já foram para o andar de baixo

Sérgio Fleury

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.



Nascimento19 de maio de 1933
NiteróiBrasil
Morte1 de maio de 1979 (45 anos)
Ilhabela, Brasil
NacionalidadeBrasil brasileiro
Ocupaçãopolicial


Sérgio Fernando Paranhos Fleury (Niterói19 de maio de 1933 — Ilhabela,1 de maio de 1979) foi um policial que atuou como delegado do DOPS de São Paulo, durante a ditadura militar no Brasil e ficou notoriamente conhecido por sua pertinácia ao perseguir os opositores do regime. Sofreu diversas acusações formais pelo Ministério Público pela contumácia na prática de tortura e homicídios contra os opositores do golpe de estado orquestrado pelos militares em 1964.1

Vários depoimentos, testemunhas e relatos de presos políticos, apontam que ele usava sistematicamente a tortura2 durante os interrogatórios que comandava na época do regime militar brasileiro. Vários dos militantes que eram capturados pelo delegado Fleury não resistiram a essas torturas e acabaram morrendo, como no caso de Eduardo Collen Leite (guerrilheiro de renome), que foi torturado por cerca de quatro meses.3
Fleury foi o principal responsável pela tentativa de captura e morte de Carlos Marighella - ícone da extrema-esquerda 4 , foi apontado como participante daChacina da Lapa e de mais uma série de casos envolvendo combate e morte de opositores do regime.5

Carreira

Bacharel em Direito, delegado (1966), atuou no serviço de radiopatrulhamento da cidade de São Paulo, ganhando notoriedade no combate enérgico às organizações armadas de esquerda, utilizando-se também de violência.
Em 1968, foi requisitado pelo DOPS, para lutar contra os movimentos de oposição ao governo militar no Brasil.
Pela sua participação nas ações desenvolvidas pelas Forças Armadas do Brasil durante a chamada "guerra subversiva", foi condecorado pelo Exército Brasileiro com a Medalha do Pacificador e pela Marinha de Guerra com o título de "Amigo da Marinha".6

Atividades

Participou da prisão dos estudantes da UNE (Congresso de Ibiúna1968); foi acusado de determinar o extermínio de militantes comunistas em São Paulo (1968-1969); chefiou a captura, seguida da troca de tiros que matou Carlos Marighella (1969) e de buscas visando a prender diversos opositores à ditadura militar ligados a este último (1971).7

A inversão da tática

Ao contrário dos métodos do Exército, empregados na repressão aos movimentos subversivos nos demais estados brasileiros, que copiavam modelos empregados pela França e pelos Estados Unidos na luta contra a insurgência, envolvendo equipamentos sofisticados e até o uso de satélites, o delegado Fleury adotou a inversão dessa tática. Um artigo publicado na revista Veja de 12 de novembro de 1969, ressaltava que o sucesso de Fleury no combate à luta armada da esquerda, deveu-se a sua experiência no combate aos criminosos comuns. Para ele, a motivação política era secundária. "Um assalto a banco, praticado por um subversivo, deveria ser investigado como um assalto comum. O subversivo que roubasse um automóvel deveria ser procurado como qualquer "puxador". A tática usada no cerco a Carlos Marighella foi a mesma empregada na captura de marginais. A revista, entrevistando um delegado do DOPS paulista, obteve a seguinte informação: "quando a gente prende um malandro, ladrão ou assassino, enfim um bandido, e a gente sabe que ele tem um companheiro, obrigamos o preso a nos levar até o barraco onde o outro mora. O bandido vai lá, bate na porta, o outro pergunta: "quem é?', e o bandido responde: "sou eu". O camarada abre a porta e entram dez policiais junto com o bandido". "Foi assim que Fleury obteve sucesso no combate à subversão: em cada dez diligências, sete eram proveitosas".8

Esquadrão da Morte

Além de acusado pela prática de tortura contra guerrilheiros, foi investigado e denunciado pelos Promotores de JustiçaHélio Bicudo e Dirceu de Mello por supostos assassinatos praticados pelo Esquadrão da Morte. O Delegado Fleury foi apontado pelo Ministério Público de São Paulo como o principal líder desse Esquadrão. Apesar de algumas condenações, não chegou a cumprir pena. Foi condecorado pelo governador Abreu Sodré (1969) e foi escolhido delegado do ano em duas oportunidades (1974 e 1976), em meio a diversas acusações de tortura e homicídios.

Anistia política e morte

Em 1978, na convenção da Arena em São Paulo, apoiou a candidatura do coronel Erasmo Dias à Câmara dos Deputados. Opôs-se à anistia política promulgada em 1979.
Foi beneficiado por uma lei que facultava a liberdade aos réus primários e com residência fixa que ficou conhecida comoLei Fleury.9
Morreu por afogamento, segundo a sua mulher Maria Izabel Oppido, presente em sua lancha na madrugada de 1º de maio de 1979. Seu corpo foi sepultado sem ter sido necropsiado, o que gerou comentários de que ele teria sido assassinado pela esquerda como vingança ou como "queima de arquivo" pelos seus antigos colaboradores da ditadura.10 11
Segundo relatos no livro Memórias de uma Guerra Suja, o ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social doEspírito Santo (Dops) Cláudio Antônio Guerra assume na condição de um ex-agente da repressão aos opositores da ditadura militar, que o também delegado Sérgio Paranhos Fleury teria sido assassinado por ordem dos próprios militares. Segundo Claudio Guerra, "o delegado Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar e não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria". Segundo o mesmo, "Fleury teria sido dopado e levado uma pedrada na cabeça antes de cair no mar, fato que justificaria a estranha ausência da necropsia do cadáver".[carece de fontes]
O delegado Fleury era conhecido e temido publicamente no Estado de São Paulo como agente apoiador da ditadura, torturador e assassino de opositores ao regime militar. Assim, quando sua morte foi anunciada pelo jornalista Juca Kfourino famoso Comício do Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, ainda durante o 1º de maio, ele teve a duvidosa homenagem de ter a notícia de sua morte festejada e efusivamente aplaudida por aproximadamente cem mil pessoas12 .

Cinema


Sérgio Fleury – Wikipédia, a enciclopédia livre