Sargento Victor Lemes Vaz é suspeito de ter feito disparo de arma em bar embriagado durante folga e resistiu com violência ao ser abordado por policiais no local. Amigo que também era sargento e estava com ele na hora tentou liberá-lo
Márcio Leijoto
A corregedoria da Polícia Militar do Estado de Goiás (PM-GO) abriu uma investigação para apurar a conduta dos primeiros sargentos Victor Lemes Vaz da Costa e Bruno Alencar Honorio da Silva durante uma abordagem policial em que ambos foram denunciados por disparo de arma de fogo em um bar no Setor Alto da Glória, em Goiânia, na noite de domingo (22). A postura de Victor é considerada mais grave por ter agredido os policiais durante a ocorrência.
Um vídeo que circulou na internet mostra Victor reagindo à abordagem e entrando em luta corporal contra quatro policiais fardados. Quando isso aconteceu, o sargento já estava no bar havia oito horas. Bruno chegou duas horas antes. Eles estavam com os respectivos cônjuges para comemorar um aniversário. Durante o dia, outras pessoas estiveram na mesa junto a eles, porém no momento do disparo havia somente os dois casais.
Um garçom contou na delegacia que ao ouvir um barulho de tiro vindo da mesa em que os clientes estavam e ao chegar nela Bruno teria dito se tratar de um disparo acidental.
Victor, que estava de folga com Bruno, foi autuado em flagrante por desacato e por violência contra policial em serviço, crimes previstos no Código Penal Militar (CPM). Ele se encontra preso desde então. Já Bruno responde por recusa de obediência, crime com previsão de pena menor, e se encontra em liberdade. O disparo em si e o uso da arma não são destacados nos inquéritos abertos até o momento. Na audiência de custódia, foi ressaltada a gravidade envolvendo a violência contra os policiais durante a abordagem.
Os agentes de segurança presentes afirmam que, além de reagir com violência física, Victor também ofendeu e ameaçou os colegas de farda em serviço, dizendo, inclusive, que iria matá-los. Bruno tentou liberar o amigo, segundo os policiais, se passando por integrante da corregedoria da PM-GO, mas também acabou sendo detido por não apresentar sua identificação nem obedecer às ordens de se manter afastado.
A arma foi encontrada na bolsa de uma das mulheres dentro do carro. Na audiência de custódia, a defesa de Victor fala dos excessos contra os colegas como uma certeza , da qual o sargento se diz arrependido, porém trata do uso da arma na mesa como uma hipótese. Segundo o policial, a agressividade seria explicada pela ingestão de bebida alcoólica junto com o uso de medicamentos para depressão e estresse pós-traumático, doenças estas adquiridas em decorrência do serviço.
As testemunhas afirmam que Victor era o mais exaltado. Um segundo garçom afirmou que Bruno chegou a comentar com a esposa que teriam de aguardar a chegada da viatura policial após o disparo dado na mesa, porém o outro colega se levantou dizendo que não iria esperar e foi buscar a caminhonete até a porta do bar.
Não foi ouvida nenhuma testemunha que tivesse presenciado o disparo. Uma delas afirmou que a conversa na mesa foi ficando mais intensa conforme os dois ingeriam bebida alcoólica, por meio de brincadeiras e provocações, mas sem animosidades. Logo após ouvir o tiro, um garçom disse ter olhado para a mesa e visto Victor deitado no colo da namorada, mas sem ferimentos.
Um dos policiais afirmou em depoimento que foi atingido no rosto por um tapa desferido por Victor e que o mesmo "deu socos e tapas em vários de seus colegas, demonstrando total descontrole". O caso se arrastou de 23 horas até 3 da manhã, quando Victor e Bruno foram levados até a corregedoria da PM-GO.
Victor estava preso desde março de 2023 pela morte de Douglas Araújo da Silva, de 19 anos, durante uma abordagem junto com outro policial, Rodrigo Troiani Ruela. O caso aconteceu em abril de 2022 em uma rua de Anápolis. Segundo a acusação, Douglas estaria com uma arma de brinquedo usada em airsoft e foi morto ao ser atingido por 15 disparos. Em 5 de dezembro deste ano, ou seja, 17 dias antes da confusão no bar, um júri absolveu Victor e Rodrigo e os dois ganharam a liberdade. O entendimento dos jurados é que a ação dos policiais não se configuraria um crime.




