Na noite de 14 de setembro de 2026 Luiz Fernando Soares estava em casa com a esposa, no Jardim Elisa Maria, zona norte de São Paulo, quando ouviu barulhos vindos da parte de cima do imóvel.
Ao olhar para a laje, o policial militar, que estava de folga, teria visto um homem tentando entrar no apartamento.
Era Marcelo Paulino dos Santos, que trabalhava como atendente em uma lanchonete próxima.
Luiz Fernando contou que Marcelo teria feito menção de estar armado e o ameaçado de morte. Diante da situação, o PM pegou sua arma e atirou.
Foram quatro disparos.
Marcelo foi atingido e morreu no local.
A princípio, a história parecia ser a de um policial que havia reagido a uma tentativa de invasão. Só que alguns detalhes começaram a chamar a atenção dos investigadores.
Primeiro: nenhuma arma foi encontrada com Marcelo.
Depois, veio outro detalhe. As pessoas que estavam nas proximidades disseram que não ouviram uma briga antes dos tiros. O que ouviram foram apenas os disparos.
E havia ainda a posição em que Marcelo foi atingido.
Ele estava de costas quando recebeu os tiros, o que fez a Polícia Civil começar a questionar a versão de que o policial teria precisado reagir a uma ameaça armada.
Uma das informações mais curiosas é que a única entrada para o local onde ele foi encontrado seria pela porta principal do apartamento do casal.
Testemunhas também afirmaram já ter visto Marcelo frequentando o prédio antes do dia do crime.
Mas a maior reviravolta veio quando os investigadores descobriram quem era Marcelo.
Ele havia começado a trabalhar havia aproximadamente um mês em uma lanchonete onde a esposa de Luiz Fernando era gerente.
E, cerca de duas semanas antes da morte, Marcelo teria comentado com o irmão que estava se envolvendo romanticamente com uma mulher do trabalho.
Ele não teria contado que ela era casada.
Depois da morte, os investigadores encontraram mensagens no celular de Marcelo que levantaram um relacionamento com a esposa do policial.
A informação mudou completamente o rumo da investigação.
A hipótese passou a ser de que Marcelo talvez não estivesse tentando invadir o apartamento naquela noite.
Talvez ele estivesse naquele local por outro motivo.
A esposa de Luiz Fernando, porém, negou qualquer relacionamento amoroso com Marcelo. Ela afirmou que os dois tinham apenas uma relação profissional e disse que só soube quem era o homem depois de ver uma fotografia dele na delegacia.
Luiz Fernando foi preso e passou a responder por homicídio doloso. A prisão preventiva foi decretada pela Justiça.
A investigação continua, e o que parecia inicialmente ser uma reação de um policial contra um suposto invasor acabou se transformando em um caso cercado por perguntas:
um homem morto com quatro tiros pelas costas, nenhuma arma encontrada e uma possível relação com a esposa do PM que nega tudo.
