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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Capitã da PM morta em BH deixa filho de outro relacionamento

 Com perfil acadêmico destacado e atuação na área de segurança, a capitã Michele Leão Azevedo deixa um menino de 10 anos, fruto de um casamento anterior

Melissa Souza
Repórter
Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Repórter de Gerais com passagem na equipe de redes sociais, além de apoio em áreas como Cultura, Tecnologia, Nacional e Internacional como estagiária.
21/07/2026


Filho da capitã Michele tem 10 anos e é fruto de um relacionamento anteriorcrédito: Imagens cedidas ao Estado de Minas

A morte da capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, investigada como possível feminicídio em Belo Horizonte, é marcada pelo luto familiar. A militar deixa um filho de 10 anos, chamado Guilherme, fruto de um casamento anterior. Ele está no espectro autista.

O principal suspeito do crime é o companheiro de Michele, o sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, que foi preso em flagrante. Ele levou a capitã ao Hospital Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, alegando inicialmente que ela havia sofrido uma queda de escada.

As lesões no corpo e no rosto da vítima, no entanto, indicavam agressões físicas graves e levaram as forças de segurança a apurar o caso como homicídio praticado em contexto de violência doméstica. No hospital, um tenente da PM o flagrou tentando descartar 18 comprimidos de ecstasy no banheiro da unidade. O militar também foi autuado por tráfico de drogas.

  • Eduardo Abner acumula outros episódios conturbados em seu histórico. Em 2023, foi preso por dirigir embriagado. Além disso, uma nota divulgada pela Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra/PMBM) revelou que ele atuava na segurança da casa do ex-governador Romeu Zema (Novo) antes de integrar a diretoria da entidade, da qual se desligou em junho do ano passado.

Testemunhas e investigadores apontam que o casal vivia um relacionamento instável, marcado por idas e vindas, além de indícios de violência psicológica e moral contra a capitã.

  • Em depoimento, o suspeito afirmou que o casal havia feito uma festa em casa com consumo de álcool e drogas. Ele declarou que, após a saída dos convidados, eles mantiveram relações sexuais consensuais e alegou que as práticas íntimas do casal costumavam envolver agressividade.

Para o delegado Saulo Castro, no entanto, a gravidade e o padrão das lesões indicavam clara intenção de machucar e matar a vítima. A Justiça avaliará a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva durante audiência de custódia.

O sargento segue custodiado no 34° Batalhão da PM, na Avenida Américo Vespúcio, à disposição da Justiça.

'Aniversário general': coronel da PM de SP estava em grupo de WhatsApp com preso em operação contra o PCC

 Operador financeiro da facção pediu em troca de mensagens R$ 100 mil para pagar policiais do Deic, mostra áudio. Outros policiais também são citados nas conversas.

Por Bruno Tavares, Isabela Leite, Ancelmo Caparica, Marília Barbosa, TV Globo e g1 SP — São Paulo

Preso em operação do MP, investigado pediu R$ 100 mil para pagar policiais do Deic, diz áudio

Preso em operação do MP, investigado pediu R$ 100 mil para pagar policiais do Deic, diz áudio


O Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (21) uma operação para desarticular um grupo apontado como responsável por operar o sistema financeiro do PCC. Segundo a investigação, o coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo Luiz Carlos Pereira Martins fazia parte de um grupo do WhatsApp "de caráter social e pessoal" em que estava também Cléber Azevedo dos Santos, que teria ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) (leia mais abaixo).

Além disso, entre as provas reunidas na investigação está um áudio atribuído a Cleber, preso na ação, em que ele pede R$ 100 mil em dinheiro para, segundo a mensagem, pagar policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

No áudio, registrado em 23 de julho de 2025, Cleber diz a um homem identificado como Bruno que um cliente chamado Caio precisava trocar uma transferência bancária por dinheiro em espécie.

"Deixa eu te falar. Aquele meu cliente lá, o Caio, ele precisa de R$ 100 mil aí pra trocar. Quer mandar TED e pegar em (dinheiro) vivo, porque ele precisar pagar os 'polícia' [sic] do Deic, porque ele teve um problema. Tem R$ 100 mil pra ajudar ele aí?", afirma a gravação.

A TV Globo entrou em contato com o advogado de Cleber e com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo para pedir um posicionamento sobre o conteúdo do áudio. No entanto, não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

'Aniversário general'

Um grupo de WhatsApp com o nome "aniversário general", ativo ao menos até 21 de novembro de 2023, reunia o coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo Luiz Carlos Pereira Martins, Cléber Azevedo, apontado como "companheiro" do Primeiro Comando da Capital (PCC), e Robson Martins Souza, segundo o Ministério Público de São Paulo.

De acordo com a investigação, as mensagens trocadas no grupo tinham "caráter pessoal e social, com referências a eventos e celebrações". Para os promotores, o conteúdo demonstra uma relação de proximidade entre os participantes que ia além de contatos ocasionais.

Além da participação no grupo, o Ministério Público afirma ter identificado registros de que o coronel Luiz Carlos Pereira Martins se dispôs a ajudar os investigados e a intermediar contatos com outras autoridades.

Entre os nomes citados nas conversas estão o coronel José Augusto Coutinho, então comandante da Rota, e o coronel identificado como "Patrício", que também aparece em planilhas apreendidas pela investigação como "cliente".

Em outra conversa, de acordo com a investigação, Robson Martins Souza solicitou a Odair Alves da Silveira Filho o repasse de R$ 30 mil para que um cliente pudesse "pagar os amigos", expressão que, segundo o Ministério Público, era utilizada para se referir ao pagamento de propina a agentes públicos.

Ainda conforme os investigadores, Cléber Azevedo dos Santos também questionou Amjad Ahmad sobre saldos disponíveis especificamente para "pagar a polícia".

Anotação de pagamento e buscas

A investigação também localizou uma anotação que registra um pagamento em dinheiro de R$ 1 mil em favor do coronel identificado como "Patrício". Segundo o Ministério Público, o valor teria origem em uma prática ilícita chamada "ticketagem".

Diante dos elementos reunidos durante a apuração, o juiz responsável pelo caso autorizou a extração de dados e a apreensão de CPUs de computadores utilizados por policiais civis em suas unidades de lotação, além de buscas em viaturas utilizadas por eles.

Para o Ministério Público, os elementos reunidos na investigação indicam um esquema de corrupção sistêmica, em que recursos do grupo criminoso e do PCC eram utilizados para cooptar policiais e garantir a continuidade das atividades ilícitas sem interferência.

Empresas de fachada e contas de laranjas

Segundo o Ministério Público, há registros de áudios e planilhas financeiras que citam policiais civis e militares. Eles, no entanto, não são alvos da operação desta terça nem foram denunciados ou acusados formalmente no caso.

Ao todo, 13 pessoas foram presas. Dos investigados, 11 foram detidos durante toda a operação. Outros dois alvos, que já cumprem pena em presídios — identificados como Moja e Buiu — foram comunicados das novas ordens de prisão. Cinco investigados não foram localizados e são considerados foragidos. Entre eles está o doleiro Leonardo Meirelles, que já era procurado em outras operações.

A ação é um desdobramento de três operações anteriores e aprofundou as investigações sobre um esquema considerado pelo Ministério Público como amplo e complexo para lavagem de dinheiro do PCC.

Segundo a investigação, operadores financeiros ligados ao esquema recebiam dinheiro em espécie de clientes associados ao PCC e a outras atividades criminosas. Os valores eram inseridos no sistema bancário por meio de empresas e instituições financeiras digitais, que realizavam diversas transferências eletrônicas para ocultar a origem dos recursos.

Ainda de acordo com o Ministério Público, os clientes indicavam as contas que deveriam receber os valores, movimentados por empresas de fachada e contas em nome de laranjas. Os recursos eram posteriormente utilizados para a compra de imóveis e até para o pagamento de agentes públicos, em troca de proteção e informações sobre operações.

Disputa por casa na Riviera levou investigadores a novas provas

Uma das principais provas da investigação surgiu após uma disputa entre um operador financeiro e um integrante da facção. Mensagens encontradas em celulares apreendidos mostram que os envolvidos recorreram ao PCC para resolver uma dívida de cerca de R$ 2 milhões relacionada à negociação de uma casa na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista.

Na decisão judicial, o caso é descrito como o uso de um "mecanismo paralelo de resolução de conflitos" atribuído ao PCC, em substituição à Justiça comum.

O operador envolvido na disputa é Cleber Azevedo dos Santos. Segundo o Ministério Público, ele é o autor de uma mensagem de áudio enviada a um integrante do PCC para explicar o conflito envolvendo a negociação do imóvel.

Marcelo de Morais Oliveira é um dos detidos da Operação Janus e está envolvido no imbróglio do PCC por casa na Riviera de São Lourenço — Foto: Reprodução/TV Globo

Marcelo de Morais Oliveira é um dos detidos da Operação Janus e está envolvido no imbróglio do PCC por casa na Riviera de São Lourenço — Foto: Reprodução/TV Globo

Marcelo de Morais Oliveira também está entre os presos. Segundo a investigação, ele aparece nas tratativas relacionadas às divergências sobre o pagamento da casa na Riviera e ao chamado "tribunal do crime". Em uma das mensagens, Cleber afirma que Marcelo é "companheiro do PCC", assim como ele, e agradece aos "irmão" [sic] pela atenção dada ao caso.

A investigação aponta que Cleber Azevedo dos Santos e Marcelo de Morais Oliveira divergiam sobre o pagamento de R$ 2 milhões pela negociação do imóvel.

Bloqueio de R$ 10 milhões

Durante a operação, cerca de 60 policiais do Batalhão de Choque e do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar cumpriram 18 mandados de busca e apreensão e 12 mandados de prisão.

A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em contas bancárias, aplicações financeiras, imóveis e veículos, além do sequestro de bens de 19 suspeitos e quatro empresas.