Essa e a verdadeira cara da nossa Segurança Publica

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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Entre 21 testemunhas, apenas delegado depôs 'na frente' de tenente-coronel…

Beatriz Gomes

Do UOL, em São Paulo

Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto está preso sob acusação de feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, e fraude processual

Imagem: Reprodução/Redes sociais… - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2026/07/01/caso-gisele-audiencias-testemunhas-junho-2026.ghtm?cmpid=copiaecola

O terceiro dia de audiências do processo sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana, 32, baleada na cabeça em fevereiro, terminou por volta das 16h30 de hoje com dez pessoas ouvidas. O UOL apurou que, entre 21 testemunhas de acusação que prestaram depoimento até esta quarta, apenas uma delas fez declarações "na frente" do tenente-coronel da PM e viúvo da vítima, Geraldo Leite Rosa Neto, 53.


Rosa Neto é réu por feminicídio e fraude processual e está preso desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital. Ele nega ter cometido o crime e afirma que a mulher se suicidou.

O que aconteceu

A única testemunha a prestar depoimento com a presença de Rosa Neto foi o delegado responsável pela investigação do caso. Lucas de Souza Lopes, do 8º Distrito Policial (Brás), foi ouvido na modalidade virtual na segunda-feira (29) em razão do jogo do Brasil na Copa do Mundo. Até o momento, o tenente-coronel ouviu apenas a versão da autoridade policial. Na data, uma vizinha do casal também depôs, porém, sem a presença do réu.

Ontem, o segundo dia de audiências terminou com uma testemunha protegida e outros nove depoentes ouvidos pela Justiça durante cerca de cinco horas e meia. Policiais militares, inclusive amigas da vítima, e bombeiros que atenderam à ocorrência prestaram depoimento, bem como uma sargento da Corregedoria da PM. A 11ª testemunha prevista para depor não compareceu por motivos pessoais. Não há informação se ela deve depor outro dia.

Hoje, outros nove depoentes compareceram ao fórum para dar suas versões. Entre elas, os pais de Gisele (Marinalva e José Simonal de Santana), o irmão da policial, Pedro, a filha dela, o ex-companheiro e pai da menina, e policiais militares. Uma perita criminal que atuou no caso, e cujo depoimento estava previsto para hoje, foi remarcada para amanhã por falta de tempo. Rosa Neto foi encaminhado ao presídio mais cedo hoje porque as testemunhas não falaram diante dele

Antes de deporem, familiares de Gisele afirmaram à imprensa que não queriam ver Rosa Neto na audiência e solicitariam que ele não ficasse presente ao prestarem depoimento. "Eu não quero ver a cara desse verme. Eu quero justiça", disse Marinalva. Os depoimentos são acompanhados pela magistrada do caso, Michelle Carreiro, a Promotoria, os advogados de defesa e de acusação, além do acusado —exceto se for determinada a retirada dele da sala.

Código de Processo Penal prevê que as testemunhas sejam ouvidas sem a presença do réu. Embora a regra geral seja o depoimento diante de todas as partes, em respeito ao contraditório e à ampla defesa, o juiz pode determinar a retirada do acusado ou adotar medidas alternativas quando há risco de a presença do réu causar humilhação, medo ou constrangimento à testemunha —especialmente em casos sensíveis, como violência sexual ou doméstica—, sem prejuízo à defesa, que continua acompanhando a oitiva para permitir o direito de defesa.

Ninguém depôs [na frente do tenente-coronel]. Todas as pessoas se negam, pela postura dele, em depor na sua presença. Inclusive, ele foi levado para o Romão Gomes. Foi levado antes porque ninguém quer [falar na frente dele]. Amanhã, não, amanhã acho que as testemunhas dele [de defesa] vão depor na frente dele. É um temor. Estão vindo muitas coisas aí, mas nada que nos surpreenda pela conduta dele.José Miguel da Silva Júnior ao UOL

Advogado de defesa do tenente-coronel confirmou que o cliente foi levado para o presídio antes do término da audiência. "Foi porque algumas testemunhas, conforme estabelece o Código de Processo penal, não quiseram prestar depoimento na presença dele. É lei, então, nós respeitamos. A lei está aí posta e a defesa respeita o que está escrito na lei", declarou Eugênio Malavasi à reportagem


Com absoluta tranquilidade estamos colhendo a prova para a formatação de eventual postulação de acusação e, evidentemente, a defesa irá postular a impronúncia [não ida a júri popular] do tenente-coronel em virtude da ausência dos indícios do feminicídio. Mas eu vou aguardar o término da instrução processual, com o exercício da autodefesa dele, que é o interrogatório, para que nós concatenemos, efetivamente, a linha defensiva. Eugênio Malavasi, defensor do tenente-coronel, ao UOL

Relembre o caso

Geraldo Leite Rosa Neto e a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, ambos da Polícia Militar de São Paulo
Geraldo Leite Rosa Neto e a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, ambos da Polícia Militar de São PauloImagem: Reprodução/YouTube/Brasil Urgente

Gisele foi atingida por um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro. Ela foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, na capital. A morte foi constatada às 12h04 do mesmo dia.

Em depoimento, Rosa Neto afirmou que, no dia dos fatos, foi ao quarto de Gisele por volta das 7h para dizer que queria se separar. O homem afirmou ter dito que ainda a amava, mas entendia ser melhor se separar porque o relacionamento não estava funcionando. De acordo com ele, após a declaração, a esposa se levantou de forma "exaltada", mandou que ele saísse do quarto e bateu a porta. Ele alega ter pegado uma toalha para tomar banho em seguida.

Um minuto após entrar no banho, o PM declarou ter ouvido um barulho, que pensava ser uma porta batendo. Mas, ao abrir a porta, se deparou com Gisele no chão, ferida na cabeça e segurando a arma de fogo. Ele disse ter acionado o resgate, a Polícia Militar e ter ligado para um amigo que é desembargador. À polícia, o homem afirmou que a esposa se suicidou.

Mãe da vítima disse à polícia que o relacionamento da filha com Rosa Neto era "extremamente conturbado". Ela afirmou que o genro era uma pessoa abusiva e muito violenta, que proibia a vítima de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrá-la rigorosamente para realizar várias tarefas domésticas.

O caso foi registrado inicialmente como suicídio consumado, mas a Polícia Civil alterou o registro para "morte suspeita" após o depoimento da mãe da vítima. A ocorrência foi investigada pelo 8º Distrito Policial e é apurada pela Corregedoria da Polícia Militar.

Corpo de Gisele foi exumado no dia 6 de março e passou por nova perícia e exames complementares. A perícia apontou que o corpo da soldado tinha "lesões contundentes" na face e na região cervical provocadas por pontas de dedos e escoriação compatível com a pressão de unhas. Um novo laudo pericial realizado pelo IML (Instituto Médico Legal) concluiu que as marcas foram provocadas por um adulto durante uma agressão.

Mensagens extraídas do celular do PM revelaram episódios de ofensas, humilhações e até violência física praticadas por ele contra a esposa. Em um dos textos, Rosa Neto disse para Gisele o que considerava um relacionamento ideal, se autoelogiou e afirmou tratar a companheira como "todo macho alfa trata a sua esposa

Em entrevista à Record TV no dia 11 de março, ele negou ter matado a esposa e declarou ter a consciência tranquila. "As pessoas têm inventado coisas, estou sendo atacado impiedosamente por inverdades. Não tenho nada para inventar ou mentir, trabalho com a verdade", disse na ocasião.

Ele foi preso sete dias após a entrevista e virou réu sob acusação de feminicídio no mesmo dia. "As provas periciais e médico-legais, analisadas pela Polícia Técnico-Científica, indicam a inviabilidade da hipótese de suicídio, além de apontarem indícios de alteração do local do crime", disse a Polícia Civil na ocasião.

Rosa Neto está aposentado e foi transferido para a reserva. O pedido havia sido feito em abril e foi aceito pela corporação. Em junho, um despacho assinado pelo coronel da PM Antônio Thomazelli Júnior oficializou a medida e transferiu à SPPrev (São Paulo Previdência) a responsabilidade pelo pagamento da aposentadoria.

Em caso de violência, denuncie

Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.

O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.

Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.

Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).

Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.



11 comentários

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Galindo Hernandez

Esse tenente-coronel  é BOLSONARISTA RAIZ ! Machista e a s s a s s i n o, claro... Não falha um !

Denunciar

Kleber J Varella

Lugar de criminoso é na cadeia.

Caso Gisele: 4º dia ouve coronel para quem tenente-coronel ligou após tiro…

Beatriz Gomes

Do UOL, em São Paulo


Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, ambos da Polícia Militar de São Paulo

Imagem: Reprodução/Redes sociais… - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2026/07/02/caso-gisele-audiencias-sp-junho-2026.ghtm?cmpid=copiaecola


O quarto dia de audiências do processo sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana, 32, baleada na cabeça em fevereiro, teve início por volta das 10h e ouve testemunhas arroladas pela defesa do tenente-coronel da PM e viúvo da vítima, Geraldo Leite Rosa Neto, 53. Rosa Neto é réu por feminicídio e fraude processual e está preso desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital. Ele nega ter cometido o crime e afirma que a companheira se suicidou.

O que aconteceu

Previsão é que 14 testemunhas, a maioria policiais militares, sejam ouvidas ao longo do dia no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste. Apenas um dos depoentes é uma testemunha de acusação —uma perita criminal. O depoimento da agente, que ocorreria ontem, foi transferido para hoje na modalidade virtual por falta de tempo. Do total, sete deverão ser ouvidos no formato virtual. A primeira pessoa a ser ouvida hoje foi a perita criminal que atendeu a ocorrência.

 A segunda pessoa foi o coronel e comandante da PM para quem Rosa Neto ligou após o disparo. Na época do crime, o coronel estava lotado e era comandante do CPA/M-5 (Comando de Policiamento de Área Metropolitano-5), responsável pelo policiamento na região oeste da capital paulista, e onde o tenente-coronel trabalhava. O coronel ouvido era superior do réu.

A energia do fórum caiu, necessitando o acionamento de gerador. Porém, o tribunal afirmou à reportagem que o episódio não afetou a audiência, sendo necessário apenas os computadores reiniciarem para o retorno dos trabalhos.

O terceiro ouvido, na forma virtual, foi um médico endocrinologista. Em interrogatório, em 18 de março (dia em que foi preso), o réu afirmou que o profissional da saúde era seu amigo e atendia ele e Gisele.

A quarta a depor foi uma advogada. Também em interrogatório no mês de março, Rosa Neto afirmou que a defensora foi a responsável por agendar datas no cartório para a assinatura do divórcio dele e da vítima nos meses de setembro, outubro e novembro de 2025.


Como o UOL mostrou, Rosa Neto fez 19 ligações em 16 minutos após o disparo que atingiu Gisele. A análise do aparelho do acusado indicou que a primeira ligação do tenente-coronel foi ao 190 (Polícia Militar), às 7h54min58s de 18 de fevereiro, porém, ele não aguardou o atendimento, que constou como não atendido no celular. Depois, às 7h55min25s, o oficial ligou para o coronel, que era seu comandante, mas a ligação foi rejeitada. Segundos depois, ele ligou novamente, porém, não foi atendido. As ligações foram feitas pelo tenente-coronel tanto através da opção "telefone" do celular, como através do aplicativo WhatsApp.

Às 7h55min53s, Rosa Neto telefona de novo para o superior hierárquico, mas a ligação é perdida e teve a duração de 0 segundos. O coronel atende a ligação apenas às 7h56min03s, com duração de 58 segundos. O agora réu e seu superior voltam a se falar às 8h02min07s por mais um minuto e 40 segundos. Cinco minutos depois, ambos voltam a conversar em uma ligação de 13 segundos. Depois, às 8h11min37s, o coronel e o comandante se falam por ligação por mais seis minutos e dez segundos.


Em relatório, a Polícia Civil apontou que as ligações revelaram a sequência comportamental do acusado imediatamente após o disparo que atingiu Gisele. Para a polícia, a postura foi "altamente incompatível com o estado de desorganização psíquica esperado de um cônjuge que teria acabado de presenciar o suicídio da esposa". Entre os destinatários das ligações também estava o desembargador e amigo de Rosa Neto, Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), que esteve no apartamento após o telefonema. Em coletiva, a Polícia Civil afastou interferências de Cogan no caso. Cogan não está entre as testemunhas que vão depor esta semana no fórum.

Audiências

Na segunda-feira (29), no primeiro dia de audiência, duas testemunhas foram ouvidas de forma remota devido ao jogo do Brasil na Copa do Mundo. Uma delas foi o delegado responsável pela investigação do caso, Lucas de Souza Lopes, do 8º Distrito Policial (Brás), e, a outra, uma vizinha do casal que acionou a Polícia Militar após ouvir o disparo.

Na terça-feira (30), o segundo dia de audiências terminou com uma testemunha protegida e outros nove depoentes ouvidos pela Justiça em cerca de cinco horas e meia. Policiais militares, inclusive amigas da vítima, e bombeiros que atenderam à ocorrência prestaram depoimento, bem como uma sargento da Corregedoria da PM. A 11ª testemunha prevista para depor não compareceu por motivos pessoais. Não há informação se ela deve depor outro dia.


Ontem, nove testemunhas previstas foram ouvidas. Entre elas, os pais de Gisele (Marinalva e José Simonal de Santana), o irmão da policial, Pedro, a filha dela (em depoimento especial), o ex-companheiro e pai da menina, e policiais militares. O UOL apurou que, entre 21 testemunhas de acusação que prestaram depoimento até a quarta, apenas uma delas fez declarações "na frente" do tenente-coronel.

As oitivas estão previstas para ocorrer até amanhã (3/7), de forma presencial, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista. Ao todo, 40 testemunhas —de acusação e defesa— devem ser ouvidas ao longo da semana e, ao final, Rosa Neto será interrogado. As audiências servem para a produção de provas orais e esclarecimentos no processo.

Veja a sequência dos depoimentos

  • 29 de junho, às 9h30 (online): depoentes serão o delegado responsável pelo caso, Lucas de Souza Lopes, e uma vizinha do casal;
  • 30 de junho, às 9h30: entre os depoentes estão policiais militares e uma testemunha protegida;
  • 1º de julho, às 9h30: pais de Gisele (Marinalva e José Simonal de Santana), filha da PM (menor de idade, ela terá um depoimento especial), ex-companheiro e pai da filha da soldado, policiais militares e dois peritos criminais;
  • 2 de julho, às 9h30: policiais militares, incluindo o coronel para quem Rosa Neto ligou após o disparo, e duas pessoas na modalidade virtual;
  • 3 de julho, às 10h: três testemunhas escolhidas pela defesa de Rosa Neto serão ouvidas de forma virtual e, por fim, será realizado o interrogatório do tenente-coronel.

Relembre o caso

Geraldo Leite Rosa Neto e a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, ambos da Polícia Militar de São Paulo
Geraldo Leite Rosa Neto e a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, ambos da Polícia Militar de São PauloImagem: Reprodução/YouTube/Brasil Urgente

Gisele foi atingida por um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro. Ela foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, na capital. A morte foi constatada às 12h04 do mesmo dia.

Em depoimento, Rosa Neto afirmou que, no dia dos fatos, foi ao quarto de Gisele por volta das 7h para dizer que queria se separar. O homem afirmou ter dito que ainda a amava, mas entendia ser melhor se separar porque o relacionamento não estava funcionando. De acordo com ele, após a declaração, a esposa se levantou de forma "exaltada", mandou que ele saísse do quarto e bateu a porta. Ele alega ter pegado uma toalha para tomar banho em seguida.

Um minuto após entrar no banho, o PM declarou ter ouvido um barulho, que pensava ser uma porta batendo. Mas, ao abrir a porta, se deparou com Gisele no chão, ferida na cabeça e segurando a arma de fogo. Ele disse ter acionado o resgate, a Polícia Militar e ter ligado para um amigo que é desembargador. À polícia, o homem afirmou que a esposa se suicidou.


Mãe da vítima disse à polícia que o relacionamento da filha com Rosa Neto era "extremamente conturbado". Ela afirmou que o genro era uma pessoa abusiva e muito violenta, que proibia a vítima de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrá-la rigorosamente para realizar várias tarefas domésticas.

O caso foi registrado inicialmente como suicídio consumado, mas a Polícia Civil alterou o registro para "morte suspeita" após o depoimento da mãe da vítima. A ocorrência foi investigada pelo 8º Distrito Policial e é apurada pela Corregedoria da Polícia Militar.

Corpo de Gisele foi exumado no dia 6 de março e passou por nova perícia e exames complementares. A perícia apontou que o corpo da soldado tinha "lesões contundentes" na face e na região cervical provocadas por pontas de dedos e escoriação compatível com a pressão de unhas. Um novo laudo pericial realizado pelo IML (Instituto Médico Legal) concluiu que as marcas foram provocadas por um adulto durante uma agressão.

Uma denúncia anônima registrada em um IPM (Inquérito Polícia Militar) apontou que Rosa Neto tinha "instabilidade emocional". Segundo o denunciante, ele perseguia, intimidava e ameaçava a esposa recorrentemente. A Corregedoria da Polícia Militar instaurou um IPM no dia 20 de fevereiro, dois dias após a morte da soldado, para apurar o caso.


Já mensagens extraídas do celular do PM revelaram episódios de ofensas, humilhações e até violência física praticadas por ele contra a esposa. Em um dos textos, Rosa Neto disse para Gisele o que considerava um relacionamento ideal, se autoelogiou e afirmou tratar a companheira como "todo macho alfa trata a sua esposa".


Em entrevista à Record TV no dia 11 de março, ele negou ter matado a esposa e declarou ter a consciência tranquila. "As pessoas têm inventado coisas, estou sendo atacado impiedosamente por inverdades. Não tenho nada para inventar ou mentir, trabalho com a verdade", disse na ocasião.

Rosa Neto está aposentado e foi transferido para a reserva. O pedido havia sido feito em abril e foi aceito pela corporação. Em junho, um despacho assinado pelo coronel da PM Antônio Thomazelli Júnior oficializou a medida e transferiu à SPPrev (São Paulo Previdência) a responsabilidade pelo pagamento da aposentadoria.

Em caso de violência, denuncie

Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.

O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.

Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.

Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).

Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.

Políticos cobram apuração de agressão a adolescente em Carrefour de Porto Alegre

 Matheus Gomes e Manuela d'Ávila, do PSOL Rio Grande do Sul, defendem a investigação do caso e a responsabilização dos envolvidos

Policial agride adolescente em Carrefour de Porto Alegre. Vídeo é de 2024, e foi obtido com exclusividade pela Alma Preta.

— Reprodução/Alma Preta e Reprodução/Redes sociais

1 de julho de 2026

Políticos do Rio Grande do Sul se manifestaram sobre o espancamento do adolescente Jonas de Lima dentro de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre. O caso foi revelado por reportagem da Alma Preta na última terça-feira (30).

O deputado estadual Matheus Gomes (PSOL-RS) e a ex-deputada federal Manuela d’Ávila cobraram a apuração do caso, defenderam a responsabilização dos envolvidos e citaram o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado pela rede de supermercados após o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, conhecido como Beto Freitas, em 2020


A reportagem apresenta relatos da família de Jonas sobre a abordagem ocorrida em 8 de junho de 2024 na unidade do Carrefour localizada no bairro Partenon, em Porto Alegre. 

Segundo a denúncia, o adolescente, a mãe Juliana Campos, e outros familiares sofreram agressões físicas, ofensas racistas e humilhações após serem acusados de furtar produtos. 

Conforme informações da reportagem, o funcionário que fez a acusação admitiu que nem ele nem o sistema de segurança registraram qualquer furto.

Em publicação em rede social,  Matheus Gomes afirmou que o episódio representa mais um caso de violência racial associado ao Carrefour e relembrou os compromissos assumidos pela empresa após a morte de Beto Freitas.

Segundo o parlamentar, o acordo firmado à época estabeleceu, entre outros pontos, a proibição da perseguição de pessoas negras nos estabelecimentos e a limitação do acionamento da polícia a situações extremas. Para ele, os fatos denunciados pela família devem ser investigados sob essa perspectiva.

“O Carrefour vê toda pessoa negra como uma ameaça. Quando eles agridem, acusam e proferem palavras racistas, não estamos falando de casos isolados”, publicou em seu perfil nas redes sociais.

Matheus Gomes também informou que encaminhará o caso à Comissão de Segurança e Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS)


Pré-candidata ao Senado pede justiça para família e lembra caso Beto Freitas

A ex-deputada federal Manuela d’Ávila compartilhou a reportagem em rede social e afirmou que as denúncias remetem ao assassinato de João Alberto Freitas, espancado e morto por seguranças do Carrefour em 2020.

Na publicação, d’Ávila destacou que a Justiça do Rio Grande do Sul analisa se houve violação do Termo de Ajustamento de Conduta firmado pela empresa após aquele caso. Segundo ela, o acordo previa a proibição do “monitoramento ostensivo de pessoas negras”, de práticas racistas e do acionamento da polícia fora de situações excepcionais.

“Seis anos depois, seguimos diante de denúncias que nos fazem perguntar: o que realmente mudou? Justiça para Jonas e sua família. Memória para Beto. E compromisso verdadeiro com uma sociedade onde vidas negras importem todos os dias, e não apenas quando a indignação vira manchete”, escreveu.

Acordo firmado após a morte de Beto Freitas

As manifestações de Matheus Gomes e Manuela d’Ávila fazem referência ao Termo de Ajustamento de Conduta assinado pelo Carrefour após a morte de João Alberto Freitas, ocorrida em 19 de novembro de 2020, em uma outra unidade da rede na capital gaúcha.

Entre as medidas previstas no acordo estão o combate a práticas racistas nas lojas, a adoção de protocolos para evitar abordagens discriminatórias e a restrição do acionamento das forças policiais.

De acordo com a reportagem, o Instituto Caminho – Raça e Acesso à Justiça, que acompanha o caso da família de Jonas, sustenta que os fatos denunciados podem indicar descumprimento das obrigações assumidas pela empresa no TAC firmado após a morte de João Alberto Freitas.


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Giovanne Ramos

Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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