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quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Morre policial federal baleado por PM durante operação no RS
Homem estava internado no Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo, desde quinta-feira (2)
Giuliana Zanin, da CNN Brasil*, Gabriela Garcia, da CNN Brasil, em São Paulo e em Porto Alegre
O policial federal Michel Brasil Saliba morreu, nesta sexta-feira (3), após ser atingido por disparos de arma de fogo efetuados por um policial militar durante uma operação em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, na quinta-feira (2).
O agente estava internado no Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo, e a morte foi confirmada por outro agente da corporação federal pelas redes sociais.
Além de Saliba, outro policial também foi atingido enquanto eles cumpriam um mandado de busca e apreensão em uma operação contra contrabando de mercadorias internacionais vindas, sobretudo, de Miami, nos Estados Unidos.
Segundo a Brigada Militar do Rio Grande do Sul, o policial militar teria atirado enquanto os policiais federais cumpriam um mandado judicial contra a esposa do agente. Ele foi preso em flagrante.
O outro policial federal atingido chegou a ser hospitalizado, mas já foi liberado.
Nas redes, o delegado Matheus Mallmann lamentou a morte do colega. "Com enorme pesar, comunicamos o falecimento do Delegado Federal Michel Brasil Saliba. Que Deus conforte a família. Estamos todos em luto pela perda irreparável de um policial íntegro e trabalhador no exercício da função", escreveu.
Durante a tarde de quinta, Mallmann chegou a compartilhar nas redes um pedido de doação de sangue ao policial ferido.
A ABAMF (Associação Beneficente “Antonio Mendes Filho” dos Servidores da Brigada Militar e Corpo de Bombeiros Militar do RS) se manifestou sobre o ocorrido e informou que o PM se encontra licenciado de suas funções, a pedido próprio, para tratar questões pessoais relacionadas à saúde da mãe.
A associação também disse que, segundo informações preliminares, o policial que atirou não tinha conhecimento de que os indivíduos que arrombaram a porta da sua casa eram policiais federais e que, por isso, reagiu "de forma instintiva para proteção própria e de sua companheira". Após reconhecer os agentes, o PM teria buscado ajudar os feridos.
A Corregedoria-Geral da Brigada Militar acompanha o caso.
Em nota, a defesa do PM Daniel Machado Figueiró, representada pelos advogados José Paulo Schneider e Ricardo Almeida, lamentou a tragédia e disse que o policial não tinha conhecimento de que os homens que entraram em sua casa se tratavam de agentes do Estado.
A CNN Brasil entrou em contato com a Polícia Civil, com a Polícia Federal e com a Brigada Militar para novos posicionamentos, mas ainda não teve retorno. O espaço segue aberto.
Operação contra mercadoria ilegal
Na ação, foram cumpridos 9 mandados de busca e apreensão, expedidas 56 ordens de sequestro de imóveis, além da determinação de medidas de bloqueio de contas bancárias de 38 pessoas físicas e jurídicas investigadas. No total, os valores bloqueados podem alcançar R$ 28 milhões.
As investigações apontam que a atuação da organização criminosa teria origem em Santana do Livramento e seria responsável por coordenar a internalização irregular de mercadorias no Brasil por meio da fronteira com o Uruguai. Ainda segundo as investigações, parte do grupo atuava em Miami, de onde partiam os produtos do esquema.
O presidente Lula compartilhou em suas redes sociais seus sentimentos aos amigos colegas e familiares do Delegado Michel, e ainda acrescentou "nossos policiais federais compõem uma das instituições mais admiradas e respeitadas pelos brasileiros, e uma perda desse tipo nos enche de tristeza".
A Polícia Federal publicou uma nota de pesar pela perda do Delegado, e informou que o Diretor-Geral da PF decretou luto oficial de três dias e acompanhará junto aos demais diretores da instituição os atos fúnebres, na cidade de Bagé (RS).
O Ministério da Justiça e Segurança Pública também manifestou profundo pesar pela morte de Michel. Em nota, afirmaram que "o ministro expressa solidariedade aos familiares, amigos e colegas da Polícia Federal, reafirma o compromisso do Governo Federal de prestar todo o apoio necessário neste momento de dor e registra seu reconhecimento pela dedicação, pelo profissionalismo e pelo compromisso do delegado Michael Saliba com a segurança pública e a defesa da sociedade".
Veja nota da defesa de Daniel Machado Figueiró na íntegra
"A defesa técnica do Policial Militar lamenta o trágico desfecho desta ocorrência. Registra-se, ademais, o mais sincero respeito por toda a corporação da Polícia Federal, em especial à família enlutada.
Explica-se que o Policial Militar foi afastado da suas funções a pedido próprio, para tratar de interesse particular, envolvendo situação de saúde de sua genitora.
Importante salientar, também, que o Policial Militar sempre ostentou conduta profissional ilibada, possuindo diversos registros positivos em seu histórico funcional.
Registra-se que, segundo o relato do Policial Militar, ele não teria identificado as pessoas que arrombaram a porta de seu apartamento como Policiais, tendo reagido instintivamente para proteção própria e de sua companheira.
Após ter ciência de que se tratava de agentes da Polícia Federal, o Policial Militar buscou prestar todo o apoio necessário para o salvamento dos agentes federais.
Consigna-se, ainda, que a real dinâmica do ocorrido está sendo apurada pela Polícia Federal, não sendo produtivas, neste momento, quaisquer ilações e afirmações apressadas sobre o que realmente aconteceu.
Reforça-se, por fim, a necessidade de que as investigações transcorram dentro de um ambiente de extrema legalidade, imparcialidade e transparência."
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
Justiça condena ex-sargento que levou 37 kg de cocaína em avião da FAB
Decisão apontou que Manoel da Silva Rodrigues usava de cargo em missões oficiais de apoio à Presidência da República para exportar cargas de cocaína para o continente europeu
Julia Farias e Elijonas Maia, da CNN Brasil, em São Paulo e em Brasília
Avião da Força Aérea Brasileira (FAB) • Foto: CComSEx
A Justiça Militar da União condenou o ex-sargento da Aeronáutica Manoel da Silva Rodrigues a três anos de prisão em regime aberto por associação ao tráfico. Rodrigues foi detido em 2019, no aeroporto de Sevilha, na Espanha, após usar um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para transportar 37 kg de cocaína.
O ex-sargento aeronáutico fazia parte da comitiva de 21 militares que acompanhava a viagem do presidente Jair Bolsonaro (PL) a Tóquio, no Japão, onde participaria da reunião do G-20.
Atualmente, Rodrigues cumpre outra pena de seis anos de reclusão no país europeu, no entanto, em regime equivalente à liberdade condicional.
Segundo a decisão, o ex-sargento da aeronáutica desempenhava o papel de "transportador militar estratégico", uma vez que usava da imunidade alfandegária decorrentes das missões oficiais de apoio à Presidência da República para exportar cargas milionárias de cocaína para o continente europeu.
Em 2022, a Justiça Militar da União já havia condenado o sargento a 14 anos e 6 meses de prisão por tráfico internacional de drogas por conta do flagrante com o entorpecente.
Além de Rodrigues, a sentença também condenou outras duas pessoas que estariam envolvidas em um esquema para enviar as drogas para outros países facilitada pelas missões oficiais militares.
Entre elas estão Marcos Daniel Pena Borja a mais de 22 anos de prisão, apontado como o líder intelectual do grupo, e o segundo sargento Jorge Luiz da Cruz Silva, condenado a 19 anos de reclusão e identificado como o recrutador que fazia a ponte entre o financiador e os militares transportadores.
A CNN Brasil tenta localizar as defesas dos citados e o espaço segue aberto para manifestações
Relembre o caso
Segundo o Ministério Público Militar, no dia 24 de junho de 2019, a bordo da aeronave da Força Aérea Brasileira, Rodrigues teria transportado cocaína, o que caracteriza tráfico internacional de drogas.
Em fevereiro de 2020, Rodrigues foi sentenciado pela Justiça espanhola a seis anos e um dia de prisão, além de pagar multa de 2 milhões de euros.
Já em fevereiro de 2022, a Justiça Militar havia condenado o ex-sargento a 14 anos e 6 meses de prisão por tráfico internacional de drogas. Três meses depois, a FAB decidiu expulsar Rodrigues da corporação.
A FAB afirmou, em nota, que atua para "coibir irregularidades e repudia condutas que não representam os valores, a dedicação e o trabalho do efetivo em prol do cumprimento de sua missão Institucional".
Sargento investigado por morte de esposa tem prisão preventiva decretada
Eduardo Abner Pereira de Oliveira foi preso após levar a capitã Michele Leão Azevedo, já morta, a um hospital em Belo Horizonte
Helena Barra, da CNN Brasil*, em São Paulo
Capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), identificada como Michele Leão Azevedo e o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira • Imagens cedidas à Itatiaia
O sargento da Polícia Militar de Minas Gerais Eduardo Abner Pereira de Oliveira, investigado pela morte da esposa, a capitã PM Michele Leão Azevedo, teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva nesta quarta-feira (22).
A decisão, proferida em audiência de custódia, é do juiz Antônio Francisco Gonçalves, da Central de Audiências de Custódia (Ceac) da Comarca de Belo Horizonte.
O magistrado entendeu que “a segregação cautelar era necessária para a garantia da ordem pública”
Na terça-feira (21), o juízo havia decretado segredo de Justiça do Auto de Prisão em Flagrante Delito, restringindo o acesso público a informações do processo, com a intenção de resguardar direitos fundamentais dos envolvidos, como a intimidade e a vida privada.
Crime
Segundo o boletim de ocorrência, o agente foi preso em flagrante após levar a esposa, já morta, ao Hospital Odilon Behrens, na região Noroeste da Capital. A policial apresentava múltiplas lesões pelo corpo e, segundo a médica responsável pelo atendimento, tinha um quadro de assistolia, compatível com parada cardiorrespiratória instalada há tempo considerável.
Ainda conforme a ocorrência, a equipe médica identificou múltiplas lesões pelo corpo da capitã, entre elas traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, hematomas, marcas lineares compatíveis com chicotadas e um corte de grandes proporções na região frontal da cabeça. Diante dos indícios de violência, a Polícia Militar foi acionada.
Na audiência de custódia, o juiz Antônio Francisco Gonçalves determinou a expedição do mandado de prisão preventiva do sargento militar e intimou sua defesa e o Ministério Público de Minas Gerais a se manifestare
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