A Polícia Federal (PF) investiga o candidato a deputado federal Daniel Trindade (PL) por suspeita de criar e treinar uma milícia privada formada por indígenas para atuar dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, ao Norte de Roraima. Ele é apontado como responsável por incentivar crimes e tentar barrar a fiscalização ambiental na região.
Entenda 🔎: Na manhã desta sexta-feira (25), o político foi alvo da Operação Cunhambebe, que apura a formação desse grupo armado. No entanto, durante as buscas em endereços ligados a ele em Boa Vista, os policiais encontraram indícios de crimes eleitorais. Por causa da suspeita de compra de votos, ele acabou preso e levado à sede da PF.
O g1 tenta contato com a defesa de Trindade.
As apurações sobre a milícia começaram em maio deste ano, após agentes federais serem atacados durante uma ação contra o garimpo ilegal. Na época, equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Ibama fiscalizavam a comunidade Napoleão, uma das áreas mais afetadas pela extração de ouro com o uso de cianeto.
Durante a fiscalização, integrantes de um grupo tentaram bloquear a passagem das viaturas. Vídeos registrados na região mostraram os agentes sendo perseguidos por motocicletas, em meio a sons semelhantes a tiros.
A Polícia Federal descobriu que, associado a esses ataques, o Daniel Trindade ministrava um curso de segurança privada clandestino. Os treinamentos não tinham autorização do órgão e ensinavam táticas operacionais de segurança. A pedido da PF, a Justiça suspendeu o curso por 180 dias.
PF faz operação na casa do candidato a deputado federal Daniel Trindade (PL), em Boa Vista. — Foto: Kailane Souza/Rede Amazônica
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Proibições e restrições
Para tentar frear a atuação de Daniel, o juiz Victor Oliveira de Queiroz, da 4ª Vara Federal Criminal de Roraima, impôs restrições ao político. Ele está expressamente proibido de entrar em qualquer terra indígena do estado.
O candidato também não pode manter nenhum tipo de contato com os membros da Comunidade Napoleão. A decisão proíbe ainda qualquer aproximação ou comunicação com o presidente da Associação dos Arqueiros de Roraima.
Além da suspeita de criar o grupo armado paralelo, Daniel é investigado por guarda de produtos ilícitos e por expor a vida de outras pessoas a risco.
Na decisão, o juiz determinou a apreensão de documentos e aparelhos eletrônicos para perícia, e autorizou que o político seja revistado em via pública, já que viaja constantemente pelo interior em campanha.
Caso descumpra qualquer uma das proibições, o político poderá ter a prisão preventiva decretada.
Daniel Trindade (PL), alvo da Polícia Federal por envolvimento em criação de milícia e crimes ambientais. — Foto: Reprodução/Redes sociais
Veja vídeo do ataque à PRF em uma terra indígena de Roraima:
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Candidato preso pela PF é suspeito de treinar milícia em Roraima | G1


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