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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Policial que matou mulher em abordagem é suspensa, fica sem arma e não pode sair de casa à noite

Thawanna Salmázio foi baleada após se envolver em discussão com agentes na zona leste de São Paulo

Balanço Geral Manhã|Do R7




A Polícia Militar do estado de São Paulo decidiu suspender a agente Yasmin Cursino Ferreira após a abordagem que resultou na morte de Thawanna Salmázio durante uma abordagem na zona leste da capital paulista. A decisão inclui a proibição do porte de arma pela policial e o cumprimento de recolhimento domiciliar das 22h às 5h.


O caso ocorreu no dia 3 de abril em Cidade Tiradentes, quando Thawanna foi baleada enquanto caminhava com seu marido. O casal se envolveu em uma discussão com policiais após um toque acidental no retrovisor da viatura. Durante a altercação verbal registrada por câmeras corporais, Yasmin desceu do veículo e efetuou o disparo fatal.


Além das medidas cautelares impostas à policial pelo magistrado Antônio Carlos Ponte de Souza, há investigações paralelas conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público para apurar os fatos detalhadamente. As autoridades também determinaram que Yasmin não mantenha contato com testemunhas ou familiares da vítima sem autorização judicial prévia.


PM que matou mulher na Zona Leste de SP é suspensa, fica sem arma e terá recolhimento domiciliar

 Decisão judicial desta quarta-feira (22) determinou restrições para a policial Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, entre elas não manter contato com testemunhas e familiares da vítima Thawanna Salmázio e de deixar a região sem autorização.

Por Paola Patriarca, g1 SP — São Paulo

  • A policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, que matou a moradora Thawanna Salmázio, na Zona Leste de São Paulo em uma abordagem no dia 3 de abril, foi suspensa da corporação e terá que cumprir uma série de restrições por decisão judicial desta quarta-feira (22).

  • Segundo g1 apurou, a decisão atende a um pedido da polícia com concordância do Ministério Público. Para o magistrado Antônio Carlos Ponte de Souza, há prova da materialidade e indícios suficientes de autoria da conduta criminosa, o que justifica a adoção das medidas cautelares.

  • Com isso, foi determinado que a agente está proibida de portar arma de fogo, de manter contato com testemunhas e familiares de Thawanna e de deixar a comarca sem autorização prévia da Justiça.

  • Yasmin também deverá cumprir recolhimento domiciliar no período das 22h às 5h.

PM Yasmin atirou no peito de Thawanna após discussão — Foto: Reprodução

PM Yasmin atirou no peito de Thawanna após discussão — Foto: Reprodução


A policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, que matou a moradora Thawanna Salmázio, na Zona Leste de São Paulo em uma abordagem no dia 3 de abril, foi suspensa da corporação e terá que cumprir uma série de restrições por decisão judicial desta quarta-feira (22).

Segundo g1 apurou, a decisão atende a um pedido da polícia com concordância do Ministério Público. Para o magistrado Antônio Carlos Ponte de Souza, há prova da materialidade e indícios suficientes de autoria da conduta criminosa, o que justifica a adoção das medidas cautelares.

Com isso, foi determinado que a agente está proibida de portar arma de fogo, de manter contato com testemunhas e familiares de Thawanna e de deixar a comarca sem autorização prévia da Justiça. Yasmin também deverá cumprir recolhimento domiciliar no período das 22h às 5h.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que a Polícia Militar não comenta decisões judiciais.

Morte de moradora

Polícia Civil apura demora no resgate de Thawanna

Polícia Civil apura demora no resgate de Thawanna

Thawanna morreu após ser baleada durante uma ação policial em Cidade Tiradentes. Ela caminhava pela rua durante a madrugada com o marido, quando o braço dele tocou o retrovisor de uma viatura em patrulhamento. O policial que conduzia o veículo deu ré e questionou o casal sobre andar na rua, dando início a uma discussão.

A policial Yasmin, que estava no banco do passageiro, desceu da viatura. Nas imagens registradas pela câmera corporal do motorista, é possível ouvir Thawanna dizendo à militar para não apontar o dedo para ela. Em seguida, foi efetuado o disparo.

"Você atirou? Você atirou nela? Por quê, ca***?", questionou o também soldado Weden Silva Soares. Yasmin respondeu que atirou porque a moradora teria dado um tapa na cara dela.

ação policial foi marcada por abusos e violência desde o primeiro contato, segundo especialistas ouvidos pelo g1, e se configurou como uma “briga” entre agentes e civis, não uma abordagem, além de desrespeitar protocolos da Polícia Militar.

Na época, a soldado Yasmin estava na etapa final do estágio na corporação e fazia patrulhamento nas ruas havia cerca de três meses. Ela não usava uma câmera corporal.

Thawanna esperou mais de 30 minutos pelo resgate, apesar de haver bases do Corpo de Bombeiros a poucos minutos do local do disparo. O atestado de óbito emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou hemorragia interna aguda como causa da morte.

Socorristas ouvidos pela TV Globo afirmam que a demora no resgate contribuiu diretamente para o agravamento do quadro, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro.

Ouvidoria pede que corregedoria da PM investigue omissão de socorro no caso da morte de Thawanna, em Cidade Tiradentes

Ouvidoria pede que corregedoria da PM investigue omissão de socorro no caso da morte de Thaw,

30 minutos separaram tiro e resgate

Uma sequência de registros oficiais e imagens de câmera corporal aos quais a TV Globo teve acesso revela como se deram os mais de 30 minutos entre o disparo que atingiu Thawanna da Silva Salmázio e a chegada do resgate, na madrugada de 3 de abril, em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo.

Às 2h59, por meio do registro feito pela câmera corporal do soldado Weden Silva Soares, é possível ouvir o som do tiro dado pela PM Yasmin Cursino Ferreira.

Na sequência, ainda com a vítima no chão, o policial questiona a colega: “Você atirou? Você atirou nela? Por quê, ca***?” A policial responde: “Ela deu um tapa na minha cara”.

Linha do tempo do atendimento de mulher morta pela PM em SP — Foto: Reprodução

Linha do tempo do atendimento de mulher morta pela PM em SP — Foto: Reprodução

Segundos depois, o próprio soldado chama o Centro de Operações da Polícia Militar: "Copom, Rua Edimundo Audran, aciona o resgate”. O pedido é reforçado pouco depois: “Copom, aciona o resgate, Edimundo Audran. Menina baleada”.

Apesar dos pedidos imediatos, o Copom acionou a central do Corpo de Bombeiros apenas às 3h04, cerca de cinco minutos após a solicitação do PM. Nesse intervalo, o soldado volta a reforçar o pedido de socorro: “Reitero o resgate, Copom”.

  • Às 3h06, uma viatura de resgate dos Bombeiros foi inicialmente empenhada para a ocorrência;
  • Seis minutos depois, às 3h12, essa ambulância foi substituída por outra.

Durante esse período, o policial volta a demonstrar preocupação com o tempo de espera: “O resgate vai demorar? “Já está ficando branco o lábio dela. Cadê o resgate? Copom, reitera o resgate pra Edimundo Audran”.

  • A segunda ambulância designada para a ocorrência saiu da base às 3h17;
  • Ela chega ao local às 3h30, cerca de 30 minutos após o pedido inicial de socorro;
  • Às 3h37, a ambulância deixa o local;
  • A viatura chega ao hospital às 3h40, três minutos após sair da ocorrência;
  • No entanto, a ajudante-geral não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade de saúde.

Socorristas ouvidos pela TV Globo afirmam que a demora no resgate contribuiu diretamente para o agravamento do quadro, já que o ferimento não foi estancado nos primeiros minutos após o tiro.

Soldado da PM que matou mulher em SP é suspensa, decide Justiça | G1