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terça-feira, 10 de março de 2026

PM morta: laudo indica sinais de esganadura em esposa de coronel

 Laudo necroscópico mostra que PM sofreu “pressão digital” no pescoço antes de ser baleada. Também há marcas compatíveis com unhadas

Instagram/Reprodução
Imagem colorida da policial militar Gisele Alves Santana - Metrópoles
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O laudo sobre a morte da policial militar (PM) Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça dentro de sua casa, em 18 de fevereiro, revelou lesões no pescoço e no rosto da vítima, apresentando sinais de que ela teria desmaiado pouco antes de ser baleada.

No documento, elaborado após a exumação do corpo da vítima, realizada na última sexta-feira (6/3), consta que as lesões teriam sido feitas por meio de “pressão digital e escoriação compatível com marcas de unha”.

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10 imagens
Gisele Alves Santana tinha 32 anos
Gisele Alves Santana foi encontrada morta em um apartamento no Brás
Gisele teria tentado se separar do tenente-coronel, mas estava em uma relação considerada abusiva por familiares
Gisele morreu no imóvel onde vivia com marido, no Brás, no centro de São Paulo
Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita

A informação sobre o conteúdo do laudo necroscópico foi divulgada pela TV Globo e confirmada pelo Metrópoles.

Gisele, de 32 anos, foi encontrada com um tiro na cabeça em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo. Ela morava com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos.

Segundo a Polícia Civil, a morte foi investigada inicialmente como suicídio, mas posteriormente o caso passou a ser tratado como morte suspeita. Em declaração à polícia, o marido da vítima alegou que escutou o tiro enquanto estava no banho. A arma usada pertencia a ele.

Depoimentos contraditórios

O coronel afirmou ter acionado o resgate da PM e a presença de um amigo desembargador para comparecer ao local. Um delegado chegou a questionar o fato de o marido ter retornado ao apartamento para tomar banho e, em resposta, o militar argumentou que “passaria um longo período fora de casa”.

Ainda segundo seu depoimento, Geraldo afirmou que não era aceito pela família da esposa e já havia entrado com pedido de divórcio, fato que teria causado “reação negativa” na companheira — o que, segundo ele, teria motivado o suposto suicídio.

Já o depoimento da mãe de Gisele refutou a versão do genro. Ela afirmou que o casal vivia um “relacionamento conturbado” e que o tenente-coronel era “abusivo e violento”. Ela disse que o marido não deixava a filha usar batom e salto alto.

A mãe alegou ainda que, uma semana antes do ocorrido, a filha teria pedido, em ligação, que os pais a buscassem por “não suportar a pressão” e por querer se separar.

Entrada de pessoas no imóvel

Em depoimento, a inspetora do condomínio em que o casal vivia, Fabiana, contou que diversas pessoas foram até o apartamento após a morte da soldado. Segundo o relato, três policiais teriam ido até o imóvel por volta das 17h48 do mesmo dia para realizar a limpeza do local.

O relato foi obtido pelo Metrópoles. Nele consta também que o coronel Geraldo Rosa Neto teria retornado ao apartamento no mesmo dia para buscar alguns pertences antes de ir para São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

A mesma testemunha relatou, ainda, que logo após o atendimento inicial à vítima, o coronel havia permanecido no corredor do prédio enquanto falava ao telefone, além de conversar com policiais que atendiam a ocorrência. Em certo momento, ao saber que ela ainda estava viva, ele teria dito que “ela não ia sobreviver”.

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 Família da soldado contesta a versão inicial e pede que o caso seja investigado como feminicídio. Defesa do tenente-coronel Geraldo Neto afirma que ele não é investigado, suspeito nem indiciado no processo. Já o desembargador Cogan disse que eventuais esclarecimentos serão prestados à polícia judiciária.

Por Fantástico

  • Imagens e áudios inéditos mostram os momentos após a soldado da PM Gisele Alves ser baleada no apartamento onde morava com o marido, no Brás, em São Paulo.

  • O tenente-coronel Geraldo Neto ligou para a PM e para os Bombeiros afirmando que a esposa havia se matado, mas socorristas relataram inconsistências na cena.

  • Câmeras registraram a chegada do desembargador Marco Cogan ao prédio e a troca de roupa do tenente-coronel após o disparo, o que levantou questionamentos da família.

  • Laudos indicam que o local não foi preservado corretamente, e uma vizinha relatou ter ouvido o disparo quase 30 minutos antes do pedido de socorro.

  • A defesa do tenente-coronel afirma que ele não é investigado, enquanto o desembargador disse que prestará esclarecimentos à polícia.

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Fantástico teve acesso a imagens e áudios inéditos que mostram os momentos após a soldado da Polícia Militar Gisele Alves ser baleada na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, em São Paulo, no dia 18 de fevereiro de 2026.

As gravações incluem ligações feitas para serviços de emergência e imagens das câmeras de segurança do andar do prédio.

O primeiro pedido de socorro foi feito pelo marido de Gisele, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto.

“Alô. É o tenente-coronel Neto, estou no Brás. A minha esposa é policial feminina, ela se matou com um tiro na cabeça. Manda um resgate, uma viatura aqui agora, por favor”, diz ele na ligação para a Polícia Militar.

Pouco depois, ele também entrou em contato com o Corpo de Bombeiros.

“A minha esposa se matou com um tiro na cabeça. Ela ainda está viva, ela está respirando”, afirmou.

Caso da PM morta em São Paulo. — Foto: Fantástico

Caso da PM morta em São Paulo. — Foto: Fantástico

Imagens das câmeras de segurança do andar do prédio mostram o momento em que o tenente-coronel aparece no corredor.

Às 8h02, ele surge ao telefone, sem camisa. Três minutos depois, faz outra ligação.

Às 8h13, três bombeiros chegam ao local.

Um dos socorristas, com 15 anos de experiência, relatou em depoimento que achou a cena estranha e decidiu fotografá-la.

Segundo ele, a arma estava bem encaixada na mão de Gisele, de uma forma que nunca tinha visto em casos de suicídio.

Outros detalhes também chamaram atenção: o sangue já estava coagulado e o cartucho da bala não foi encontrado. O tenente-coronel afirmou que estava no banho no momento do disparo, mas estava seco e não havia água no chão do apartamento.

Áudios gravados no local mostram o momento em que o tenente-coronel fala sobre a situação do relacionamento e a vida financeira do casal.

“A gente está casado há dois anos. De seis meses para cá, a gente começou a ter muita crise”, disse.

Ele contou que os dois estavam sozinhos desde a noite anterior e que discutiram a relação.

“O jeito que a gente está vivendo não compensa. Eu estou gastando aí sete mil por mês para viver com dois estranhos. Eu quero me separar”, relatou.

Segundo o tenente-coronel, a discussão continuou na manhã em que Gisele foi baleada.

“Eu entrei no banho. Fazia um minuto que eu estava debaixo do chuveiro quando escutei o barulho. Achei que fosse ela batendo a porta. Quando abri o box, ela estava caída no chão, no sangue. Ela deu um tiro na cabeça”, afirmou.

Os socorristas conseguiram reanimar Gisele no local. Enquanto tentavam salvá-la, disseram que o marido não demonstrava desespero e permaneceu no telefone com superiores.

Às 8h55, a policial foi retirada do prédio ainda com vida, em uma maca. O tenente-coronel aparece sentado no corredor.

Ligação para desembargador

Entre os contatos feitos por Geraldo naquela manhã, um chama a atenção da família de Gisele: a ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Ele chega ao local às 9h07. Os dois sobem para o apartamento.

O advogado que representa a família quer entender por que o desembargador estava no local.

“Ele vai ter que explicar por que estava lá. Pelo relato que temos, o desembargador foi a primeira pessoa acionada após o disparo”, diz José Miguel da Silva Junior, advogado da família.

O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo. — Foto: Fantástico

O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo. — Foto: Fantástico

Às 9h18, o desembargador reaparece no corredor. Onze minutos depois, o tenente-coronel surge com outra roupa.

Testemunhas disseram que ele tomou banho nesse intervalo, mesmo após ter sido orientado por policiais a não fazer isso.

Policiais militares que participaram da ocorrência afirmaram ainda que ele voltou com cheiro forte de produto químico.

Laudos da Polícia Técnico-Científica também indicam que a cena do crime não foi preservada corretamente, o que impediu os peritos de determinar com precisão a dinâmica do disparo e quem atirou.

Um vídeo gravado após a saída dos socorristas mostra o apartamento com móveis fora do lugar, panos e produtos de limpeza espalhados pelo chão.

“O apartamento estava uma verdadeira bagunça. O local não foi preservado”, afirma o advogado da família.

Depoimento de vizinha

Outro ponto levantado pelos investigadores aparece no depoimento de uma vizinha.

Ela disse que acordou às 7h28 com um estampido forte.

A primeira ligação do tenente-coronel pedindo socorro foi feita às 7h57, cerca de 29 minutos depois.

“Essa lacuna precisa ser explicada. A família merece saber o que aconteceu”, diz o advogado.

Em nota, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto diz que, até agora, ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo.

A defesa afirma ainda que, desde o início, o tenente-coronel tem colaborado com as autoridades. A nota também diz que confia nas investigações e que Geraldo está à disposição para colaborar com a elucidação dos fatos.

A defesa do desembargador Cogan disse que ele foi chamado ao apartamento como amigo do tenente-coronel. E que eventuais esclarecimentos serão dados à polícia judiciária.

PM morta em SP: Fantástico tem acesso a imagens e áudios inéditos | G1