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sábado, 17 de outubro de 2026

Delegado da Cunha tem crise e é contido por bombeiros após perder eleição

 Delegado e outros 23 policiais civis são alvo de investigação da Corregedoria por supostamente usarem símbolos da instituição em campanhas

09/10/2026 
Reprodução/Instagram
Homem negro ao lado de urna eleitoral - Metrópoles
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O deputado Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado da Cunha, foi hospitalizado, conforme apurado pela coluna, na noite dessa quinta-feira (8/10), quando foi encaminhado ao Hospital Sírio Libanês, na capital paulista. Ele teria tido uma crise, quatro dias após perder as eleições, e foi contido bombeiros, conforme apurou a coluna. Da Cunha perdeu a reeleição para deputado federal, pelo União, quando computou 26.497 votos no domingo (4/10).

Os motivos para a crise emocional do policial são ainda apurados. A assessoria de imprensa dele foi procurada mas não havia se posicionado até a publicação desta reportagem.

Além disso, da Cunha e outros 23 policiais civis respondem na Corregedoria da Polícia Civil um procedimento por “abusos eleitorais”. O órgão fiscalizador comunicou ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), no início do mês, indícios de que da Cunha e os outros investigados tenham usado a imagem institucional da Polícia Civil em suas campanhas.

Como revelou a coluna, a demissão do Delegado da Cunha foi publicada no Diário Oficial do Estado, em 3 de setembro. No mesmo dia, por meio de uma liminar, a Justiça determinou que ele permanecesse no quadro da Polícia Civil, até segunda ordem.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) ainda vai analisar o mérito da demissão assinada pelo governador Tarcísio de Freitas, motivada “a bem do serviço público”.

Vídeos, Corregedoria e encenação

A exposição nas redes também colocou o delegado no centro de uma série de investigações.

Em 2020, Da Cunha foi acusado de obrigar a vítima de um sequestro e um criminoso a retornarem a um cativeiro já desativado para que a ação policial fosse reencenada e gravada. Ele admitiu ter feito uma reprodução da ocorrência. O processo judicial relacionado ao episódio acabou arquivado em 2024.

Em 2021, foi afastado das ruas e teve arma e distintivo recolhidos. À época, respondia a procedimentos na Corregedoria por suspeitas relacionadas ao uso da estrutura da Polícia Civil em gravações para suas redes. Naquele ano, pediu licença não remunerada.

Réu por violência doméstica

Já deputado federal, Da Cunha tornou-se réu por violência doméstica contra a ex-companheira Betina Grusiecki. O MPSP o denunciou por lesão corporal, ameaça e dano qualificado. Ele nega as acusações

Em fevereiro de 2026, sua participação na reinauguração de uma Delegacia de Defesa da Mulher, em São Paulo, provocou críticas de entidades ligadas ao combate à violência contra mulheres.

TJ-SP mantém suspensa demissão de Delegado Da Cunha da Polícia Civil

 Órgão Especial confirmou liminar que suspendeu demissão do deputado federal. Mérito da ação ainda será analisado.

Por Kleber Tomaz, g1 SP — São Paulo

Delegado Da Cunha teve a posse e porte de arma de fogo suspensa — Foto: Reprodução/Instagram

Delegado Da Cunha teve a posse e porte de arma de fogo suspensa — Foto: Reprodução/Instagram


O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve na quarta-feira (30) a decisão provisória que suspendeu a demissão do delegado Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha, da Polícia Civil de São Paulo.

Deputado federal pelo União Brasil, Da Cunha foi demitido em 3 de setembro pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), com a aplicação da pena de demissão a bem do serviço público. No mesmo dia, o TJ suspendeu a punição após recurso da defesa. Agora, o Órgão Especial confirmou a liminar.

Com isso, Da Cunha permanece no quadro da Polícia Civil até uma decisão definitiva. O mérito da ação no Tribunal de Justiça ainda não foi analisado.

"Medida liminar foi levada á análise dos 25 membros do Órgão Especial do TJ. Por unanimidade, os desembargadores mantiveram a decisão liminar que suspendeu a demissão do delegado Da Cunha", confirmou nesta quinta-feira (1º) ao g1 Wigor Nascimento, advogado do policial.

Todo o julgamento desse caso ocorre no Órgão Especial do TJ porque envolve o governo do estado. A defesa questiona a validade do processo administrativo e aponta irregularidades na tramitação.

O governo de São Paulo defendeu a legalidade do processo e afirmou ao TJ que o procedimento seguiu o devido processo legal. A gestão Tarcísio também sustentou que a demissão ocorreu pela gravidade dos fatos apurados, pela repercussão na Polícia Civil e pela violação de deveres funcionais.

O que levou à demissão

MP paulista investiga delegado que simulou flagrante do estouro de um cativeiro de sequestro

MP paulista investiga delegado que simulou flagrante do estouro de um cativeiro de sequestro

Da Cunha foi demitido após um processo administrativo que investigou sua atuação em uma ocorrência de sequestro de 2020, na Zona Leste de São Paulo.

Segundo o processo, após policiais localizarem o cativeiro, prenderem um suspeito e libertarem a vítima, Da Cunha teria determinado que os dois retornassem ao local para que a operação fosse reencenada diante de câmeras. As imagens foram divulgadas nas redes sociais do delegado e distribuídas a emissoras de televisão (veja vídeo acima).

Em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil, Da Cunha posteriormente reconheceu que as imagens mostravam uma operação encenada, mas afirmou que se tratava de uma “reprodução simulada” dos fatos.

O processo disciplinar tramitava desde 2020. A Polícia Civil recomendou a demissão em 2022, e o procedimento passou por diferentes etapas administrativas até a decisão do governador, publicada no Diário Oficial no mês passado.

Na ocasião, Da Cunha já estava afastado das funções policiais para exercer o mandato de deputado federal. Horas após a publicação da demissão, o TJ concedeu a liminar suspendendo a punição.

Agora, ao confirmar a decisão provisória, o tribunal mantém suspensa a demissão, mas ainda não definiu se o ato administrativo do governo é válido. O processo seguirá para julgamento do mérito no Órgão Especial do Tribunal de Justiça.

Delegado e deputado federal Da Cunha (PP) posa ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) após se reunir com ele em Brasília para discutirem sobre investimentos nas policiais estaduais. Foto foi publicada pelo parlamentar em 30 de janeiro de 2023 — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal/Instagram

Delegado e deputado federal Da Cunha (PP) posa ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) após se reunir com ele em Brasília para discutirem sobre investimentos nas policiais estaduais. Foto foi publicada pelo parlamentar em 30 de janeiro de 2023 — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal/Instagram

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