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terça-feira, 10 de março de 2026

PMs limparam apartamento onde esposa de coronel morreu, diz testemunha

 Soldado Gisele Alves Santana foi encontrada caída na sala, com tiro na cabeça; caso é investigado pela Polícia Civil como morte suspeita

Instagram/Reprodução
Imagem colorida da policial militar Gisele Alves Santana, morta - Metrópoles
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Três policiais militares femininas foram ao apartamento em que a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada baleada na cabeça para limpar o local poucas horas após a ocorrência. A informação consta no depoimento da inspetora de condomínio Fabiana, de 48 anos, prestado à Polícia Civil no inquérito que apura a morte da PM.

Segundo a testemunha, às 17h48 do mesmo dia do disparo, as três PMs foram ao imóvel, situado na região do Brás, centro da capital paulista. Elas teriam entrado no apartamento para realizar a limpeza do local em que a soldado havia sido encontrada ensanguentada horas antes.

De acordo com o relato da inspetora, obtido pelo Metrópoles, as policiais foram identificadas como duas soldados e uma cabo. Fabiana acrescentou que acompanhou a entrada do trio no apartamento.

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Mensagens trocadas pelo oficial indicam que o  tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, monitorava conversas de Gisele Alves
Gisele Alves Santana tinha 32 anos
Gisele morreu no imóvel onde vivia com marido, no Brás, no centro de São Paulo
Gisele Alves Santana e o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos
Caso foi tratado inicialmente como suicídio e, depois, alterado para morte suspeita

A testemunha disse que, naquele momento, o local ainda era o mesmo em que equipes de socorro haviam atendido a vítima pela manhã. Imagens da sala em que a soldado foi encontrada mostram o chão repleto de sangue, espalhado após equipes de socorristas arrastarem Gisele, para realizar manobras de ressuscitação.

Entrada de outras pessoas no imóvel

O depoimento da inspetora também relata que outras pessoas tiveram acesso ao apartamento após a ocorrência.

Segundo Fabiana, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima, retornou ao imóvel ainda no mesmo dia. De acordo com a testemunha, ele entrou no apartamento para pegar alguns pertences antes de seguir para São José dos Campos, no interior de São Paulo.

A mesma testemunha relatou ainda que, logo após o atendimento inicial à vítima, o coronel havia permanecido no corredor do prédio enquanto falava ao telefone, além de também conversar com policiais que atendiam a ocorrência.

Durante esse período, segundo a inspetora, o oficial entrou novamente no apartamento para tomar banho, mesmo após o disparo. Relatos de PMs que conduziam a ocorrência indicam que o oficial desrespeitou a orientação de ida imediata à delegacia.

As informações prestadas por Fabiana passaram a integrar o inquérito que analisa a dinâmica dos fatos dentro do imóvel.

Caso é investigado

A soldado Gisele Alves Santana foi baleada dia 18 de fevereiro dentro do apartamento em que vivia com o marido. A ocorrência foi registrada por volta das 7h57, após a informação de que uma policial militar havia sido atingida por disparo de arma de fogo na cabeça.

Equipes de resgate foram enviadas ao local e iniciaram manobras de reanimação ainda no apartamento. A vítima foi encaminhada em estado gravíssimo ao Hospital das Clínicas, onde morreu, às 12h04, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado pelo tiro.

O marido da vítima, tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, afirmou à polícia que estava no banheiro tomando banho quando ouviu um barulho e, ao sair do cômodo, encontrou a esposa caída no chão da sala, com a arma nas mãos.

A pistola utilizada no disparo foi identificada como uma Glock calibre .40, pertencente ao acervo da Polícia Militar e registrada em nome do oficial.

Morte suspeita

Inicialmente tratado como possível suicídio, o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil como morte suspeita. A Corregedoria da Polícia Militar também instaurou procedimento próprio para apurar eventuais responsabilidades administrativas e disciplinares.

Perícias, imagens de câmeras do prédio e depoimentos de testemunhas integram o conjunto de provas que tenta reconstruir o que aconteceu dentro do apartamento na manhã em que a policial foi baleada.

Metrópoles procurou a Polícia Militar. Em nota, a corporação disse que todas as circunstâncias relacionadas à morte da Sd. PM Gisele Alves Santana são apuradas por meio de inquéritos instaurados pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar. “A Instituição não compactua com irregularidades ou desvios de conduta e ressalta que, caso seja constatada qualquer ilegalidade, as medidas cabíveis serão adotadas”, finaliza o texto.

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