Essa e a verdadeira cara da nossa Segurança Publica

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Nunca ninguém elogiou a ditadura com tanto entusiasmo, denodo e servilismo como Mino Carta. E posso provar o que digo, é claro!

31/05/2012
 às 7:21


“Como é de conhecimento do mundo mineral, quem fez a VEJA, quando podia ser lida, foi o Mino Carta. O Robert(o) [Civita] lia a Veja na segunda feira, depois de impressa, porque o Mino não deixava ele dar palpite ANTES de a revista rodar.”
A afirmação acima é de Paulo Henrique Amorim, amigo de Mino Carta, e, surpreendentemente, trata-se de uma verdade. Mino, com efeito, fazia o que achava melhor. Seu patrão só ficava sabendo na segunda-feira. A sua ditadura unipessoal na revista acabou no começo de 1976. A ditadura no Brasil ainda duraria muito tempo.
Pois bem, as novas gerações, especialmente os jovens estudantes de jornalismo, que hoje eventualmente leem e ouvem Mino Carta conhecem pouco da história da profissão. Não raro, seus professores se ocupam de proselitismo ideológico raso e não incentivam a pesquisa. O material que destaco abaixo é público. Está no arquivo digital da VEJA.
Na revista de 1º de abril de 1970, Mino decidiu fazer um balanço dos seis anos de poder militar no Brasil. A longa reportagem, com texto final de Elio Gaspari e Luís Adolfo Pinheiro, era apresentada num editorial assinado pelo então diretor de redação. Outros podem ter cantado as glórias do regime militar, mas ninguém como Mino. Outros podem ter enxergado virtudes no poder de farda. Mas ninguém como Mino. Outros podem ter coberto os chamados “setores castrenses” de elogios e mimos. Mas ninguém como Mino. Segue o seu editorial na íntegra. Comento depois.
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Voltei
A essa altura, imagino muitos jovens “progressistas” mais irados que menino cagado, como se diz nos Pampas. Sim, este Robespierre da “imprensa nativa”, como ele costuma se referir aos demais veículos de imprensa, achava que os militares 
“surgiram como o único antídoto de seguro efeito contra a subversão e a corrupção, nascidas e criadas à sombra dos erros voluntários e involuntários dos líderes civis”. Como vocês sabem, o “direitista Reinaldo Azevedo”, o Judas pronto a ser malhado pela esquerdopatia de salão, jamais escreveu ou escreveria algo parecido. Como não sou demagogo nem estúpido e prezo o estado de direito, não tento enganar incautos pregando, por exemplo, a revisão da Lei de Anistia.
Quando publiquei um outro texto demonstrando a verdadeira pena de Mino Carta, alguns tentaram ensaiar uma defesa: “Não foi ele que escreveu! Era a revista!” Errado! O que vai acima é um texto assinado. Ele, sim! Aquele que mandava em VEJA e não permitia pitaco de patrão. Mino não precisava que ninguém o forçasse a lustrar as botas do quartel. Ele o fazia por conta própria, por gosto, por vocação,  pela vontade de servir.
Mino ia longe. Enxergava o que ninguém mais alto do que ele conseguia enxergar. Leiam lá o que diz sobre os governos de farda: “E, enquanto cuidavam de pôr a casa em ordem, tiveram de começar a preparar o país, a pátria amada, para sair de sua humilhante condição de subdesenvolvimento”.
Sabem o que é mais fabuloso? Mino continua fanaticamente governista hoje, como sabem. A razão supostamente nobre que pretexta para ter aderido ao lulo-petismo é justamente a dita luta do ApeDELTA para tirar o país do… subdesenvolvimento!!! Já naquele tempo, como se nota, ele tinha esse estilo que eu definiria como “contestação a favor do poder”.
A reportagemA reportagem a que ele se refere, com texto final de Elio Gaspari e Luís Adolfo Pinheiro, também é um primor. Ali já se percebe a semente de um estilo que renderia muitas metáforas a um deles: assim como Lula é, nos dias hodiernos, o homem “do andar de baixo” que veio dar lições “ao andar de cima”, naqueles dias, esse papel era reservado aos militares. Querem ver?
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Entenderam? Era “a revolução que legitimava o Parlamento, não o Parlamento que legitimava a revolução”. Os militares perceberam, como se informa acima, que as intenções ideológicas dos políticos são sempre “escorregadias”. Huuummm… Não deixa de ter lá a sua verdade. Quando vejo alguns áulicos de hoje a demonizar a oposição, noto que o sestro é antigo. Este outro trecho da reportagem é de uma fabulosa eloquência.
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Ali se mostra o danado esforço dos militares para construir uma “nova estrutura política, econômica e social para o país”, sem transigir com os “antigos inimigos”, a saber: “a corrupção e a subversão”. Mino Carta e seus rapazes saúdam o fato de que, finalmente, existe uma política sem políticos — nem mesmo aqueles que apoiaram inicialmente o golpe. Não se trata apenas de uma reportagem exaltando o poder militar. Trata-se um texto em favor da linha dura. Mino, como se sabe, é sempre muito convicto. As ideias ficarão ainda mais claras no trecho que segue. Notem que a tarefa dos militares é criar o desenvolvimento. E não estão para brincadeira, não! Trata-se de gente séria, competente e trabalhadora — não aquela bagunça do governo civil.
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Mino, Gaspari e a turma estavam empenhados em demonstrar que, finalmente, havia gente de outra natureza no poder, muito distante da vigarice civil e da baderna protagonizada por reles políticos. Estes, parece, eram talhados para se servir do poder — os outros, ao contrário, eram educados para servir. Que falem por si. Não precisam do meu auxílio. As duas imagens devem ser lidas na sequência.
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É claro que há, sim, verdades no que vai acima quanto à formação e ao espírito dos militares. A questão é saber se seu lugar é o governo. E me parece certo que não. Assim como tenho a certeza de que também não é lugar de larápios, de aproveitadores e de candidatos a caudilho. E, se restou alguma dúvida quanto aos propósitos do editorial de Mino Carta e da matéria feita sob o seu comando e a sua inspiração, o último parágrafo é de um eloquência acachapante. Leiam. Volto para encerrar.
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Pois é… A gente nota os “velhos progressistas de esquerda de hoje” já em estado larvar naqueles entusiastas do regime, não é? Afinal, os militares eram “sensíveis aos problemas” nacionais porque oriundos das “camadas mais pobres da sociedade”. Isso deve explicar a paixão  pelo ApeDELTA. Golpe? Nada disso! A gente aprende lendo o texto que “a classe política se dividiu e naufragou por suas próprias limitações”. Quando os militares decidissem entregar o cargo, haveria de ser a uma “classe política renovada”.
Uau!!!
EncerrandoOs jornalistas, o jornalismo e as empresas de comunicação retratam o poder: noticiam, analisam, opinam… Mas têm de ter claro que não são — NEM DEVEM SER — o poder. É evidente que a imprensa estava sob severa censura em 1970, mas, já escrevi aqui, se era proibido criticar, não era obrigatório elogiar. Especialmente com essa ênfase e com argumentos saídos da mais profunda convicção antidemocrática.
Mino Carta se sentia a voz do poder em 1970 e se sente a voz do poder em 2012. No passado, ele desqualificava os políticos — consumidos por suas ambições e limitações. Nos dias de hoje, os adversários dos “representantes das camadas mais pobres” são as forças de oposição e, claro, a “imprensa nativa”, que ele adora satanizar. Sentia-se poder antes. Sente-se poder agora. Ocorre que, para vestir esse figurino, precisa inventar para si mesmo um passado de contestação, falso como nota de R$ 3. Alguém poderia dizer que não mudou tanto assim. Hoje como antes, sempre aos pés do poder. Hoje como antes, de braços dados com o autoritarismo.
Lamento desfazer as ilusões de alguns moços, pobres moços! Mas também eles têm o direito de saber o que eu sei. Sim, sim, há muitos outros “pogreçista” que cantaram as glórias do regime militar. O trabalho da minha Comissão Particular da Verdade mal começou.
Texto publicado originalmente às 5h53
Por Reinaldo Azevedo

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domingo, 23 de março de 2014

A história será a prisão perpétua

A história será a prisão perpétua dos criminosos da ditadura

Em 31 de março de 1964 teve início um dos períodos mais infames da história da humanidade. Eu tinha cinco anos. Meu pai abandonara a minha mãe havia pouco tempo e por isso eu e ela fomos viver com seus pais. Como o meu avô estivesse definhando devido a um câncer nos pulmões a família optou por uma prática comum à época, em São Paulo: residir em hotel.
Vivíamos no elegante hotel Danúbio, na avenida Brigadeiro Luiz Antonio, com suas termas que atraíam a nata da elite paulistana. Lembro-me de mãe e avó acendendo velas e rezando naquela tarde que ficou cravada em minha memória. Lembro-me de que estavam assustadas. Lembro-me do som dos tiros do lado de fora e de como a tensão delas me aterrorizou.
Lembro-me de como a minha família, que repudiava o golpe, só falava do assunto em privado. E de como, mesmo estando dentro de casa, só conversava aos sussurros. Pequeno como era, durante ainda alguns anos acreditei que “os generais” – como mamãe chamava a ditadura – poderiam ver o que eu fazia até quando estivesse no banheiro.
Alguns poucos anos depois, a minha família foi expulsa de um restaurante porque,  por minha mãe ter me negado uma sobremesa ou um refrigerante – não me lembro bem –, como bom moleque pirracento comecei a repetir, uma vez após outra – e em alto e bom som –, a palavra proibida: “comunista”.
Oito anos depois, em 1972, ainda residindo no mesmo hotel e agora adolescente, fizera amizade com Daniel,  que residia na rua Major Diogo.  Tinha quatro anos a mais do que eu e se tornara companheiro de pedaladas pela cidade. Nossas bicicletas se encontraram uma vez e não se separaram mais…
Até que fossem separadas.
Daniel era negro. Vivia em um cortiço com a família. Quando nossas bicicletas se encontravam ali na rua Martiniano de Carvalho e saíamos pedalando pela cidade, ele sempre me falava de um movimento em que se engajara para “lutar contra a repressão”, a qual, apesar de então estar diminuindo, ainda era intensa.
Uma vez, fui com Daniel ao colégio Equipe participar de um encontro de conspiradores contra a ditadura. Ouvi falarem em tortura, em mortes. Fiquei apavorado. Era um adolescente. Tinha 13 anos. Tive muito medo. Contei para a minha família, que ficou furiosa com o convite que recebi e me proibiu de ver meu amigo.
Por algum tempo, obedeci. Depois acabei me revoltando com a proibição. Fui procurá-lo, mas sua família havia se mudado e o próprio Daniel nunca mais fora visto. O dono da adega na rua Humaitá, onde Daniel sempre tomava “um goró” antes de sairmos pedalando, disse-me, aos sussurros, que “os homens” o tinham levado…
Era, então, 1973. Agora, tinha 14 anos. Não entendia, ainda, o por que de tudo aquilo. Como era hábito da família ler o Estadão, que assinávamos, comecei a buscar nas páginas do jornal alguma informação mais inteligível sobre por que acontecia tudo aquilo no país. Todavia, nada encontrava. O fato é que o Brasil que aparecia no jornal era um país de mentira.
Nunca mais parei de ler jornal. Percebi, tão jovem, que é preciso estar informado, ainda que mal informado, porque da informação distorcida pode partir a busca da verdade. E  nunca parei de me sentir culpado por ter me omitido, mesmo sendo um mero adolescente à época em que tantos deram as suas vidas pela democracia.
Chegou 1989, ano da verdadeira redemocratização, com a primeira eleição direta para presidente desde o início dos anos 1960. Haviam se passado quase 30 anos desde que este país pudera votar. Finalmente havíamos nos libertado do jugo daqueles vermes que colocaram o país de joelhos.
Vi os mesmos jornais e televisões que jogaram o país na ditadura agora tentando manipulá-lo por outros meios. Quando Collor surgiu e aqueles veículos começaram a bombardear Lula, logo percebi que estavam ajudando a dar outro golpe no país.
Todavia, estava empenhado em sustentar mulher e três filhos. Com dificuldade, porque aqueles foram anos terríveis para o Brasil. Assisti à farsa montada pela Globo e companhia e que redundou na eleição de alguém cuja palavra picareta eu podia ler na testa, quando ele aparecia na tevê.
Durante a campanha eleitoral de 1989, comecei a discutir política no trabalho. Entretanto, logo recebi recado da gerência da empresa de que esta não aceitava “agitação política” e que não tolerava empregados “petistas”. Vejam só. Como precisasse do emprego, calei-me de novo.
Mas, desta feita, foi por pouco tempo. Logo percebi que precisava ser livre e ousei dar um passo: pedi demissão e fui trabalhar por conta própria. Uma coisa levou a outra. Ganhei até mais dinheiro do que quando era empregado e acabei fundando o meu próprio negócio, com mais dois sócios, em 1991.
Livre, comecei a escrever ao jornal que me introduziu nas grandes questões de interesse público. E o que me surpreendeu foi que começou a publicar algumas de minhas cartas de leitor. Mas percebi, também, que o Estadão só me publicava quando não batia muito de frente com as suas idéias reacionárias de ex-mural de recados da ditadura.
Quando a internet chegou ao Brasil, em meados da década de 1990, e o Estadão começou a publicar os endereços de e-mail dos leitores, tive a ideia de ir formando uma lista com esses endereços, aos quais escrevia textos contrariando a linha editorial do jornal ultraconservador. Minha lista de emails chegou a ter mais de mil pessoas.
Em 2005, tive a idéia de criar este blog. Dois anos depois, com leitores desta página fundei o Movimento dos Sem Mídia. Mais dois anos e o jornal Folha de São Paulo esbofeteia o país publicando um editorial que afirmou que a ditadura militar brasileira não teria sido uma ditadura, mas uma ditabranda.
Chegara a hora de fazer o que não fizera na juventude. Agora quarentão, resgataria aquele menino de treze anos assustado com o regime dos generais.
Através do blog, convoquei o primeiro ato de protesto do pós-redemocratização das vítimas da ditadura contra um dos jornais que ajudaram a jogar o país nela. Em 7 de março daquele ano, através de convocação deste blog, pelo menos meio milhar de cidadãos se reuniu diante do jornal Folha de São Paulo para protestar contra aquele editorial indigno.
#Ditabranda - Eduardo Guimarães Eduardo Guimarães lê o manifesto em frente à Folha. Ato contra a ditabranda da Folha de SP #Ditabranda - Matéria da TV Brasil Cobertura da TV Brasil sobre o ato contra a "ditabranda" da Folha de SP. 07/03/09 O ato foi tão forte, tão significativo, com presença maciça de movimentos sociais, da UNE, da CUT, do Fórum de Presos Políticos, do Tortura Nunca Mais etc., que, no dia seguinte, a Folha reconheceu, em nota, o equívoco de seu editorial. —– Folha de São Paulo 8 de março de 2009 Manifestação contra Folha reúne 300 pessoas em frente ao jornal Militantes fazem desagravo a professores, que não comparecem a evento DA REPORTAGEM LOCAL Cerca de 300 pessoas participaram ontem pela manhã de manifestação contra a Folha em frente à sede do jornal, na região central de São Paulo. O ato público tinha o duplo objetivo de protestar contra editorial publicado pelo jornal no dia 17 de fevereiro, que usou a expressão “ditabranda” para caracterizar o regime militar brasileiro (1964-1985), e prestar solidariedade aos professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato. Nenhum dos dois estava presente. A Folha publicou no “Painel do Leitor” 21 cartas sobre o assunto, 18 delas críticas aos termos do editorial, entre as quais as assinadas por Benevides e Comparato. Segundo escreveu este último, o autor do editorial e o diretor de Redação que o aprovou “deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro”. Em resposta, o jornal classificou a indignação dos professores de “cínica e mentirosa”, argumentando que, sendo figuras públicas, não manifestavam o mesmo repúdio a ditaduras de esquerda, como a cubana. Desde então, além de cartas, o jornal vem publicando artigos a respeito da polêmica, alguns dos quais com críticas ou reparos à própria Folha. O protesto de ontem foi organizado pelo Movimento dos Sem-Mídia, idealizado pelo blogueiro Eduardo Guimarães. O público era composto na sua maioria por familiares de vítimas da ditadura, estudantes e sindicalistas ligados à CUT. * Folha avalia que errou, mas reitera críticas DA REDAÇÃO O diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho, divulgou ontem as seguintes declarações: “O uso da expressão “ditabranda” em editorial de 17 de fevereiro passado foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis. Do ponto de vista histórico, porém, é um fato que a ditadura militar brasileira, com toda a sua truculência, foi menos repressiva que as congêneres argentina, uruguaia e chilena -ou que a ditadura cubana, de esquerda. A nota publicada juntamente com as mensagens dos professores Comparato e Benevides na edição de 20 de fevereiro reagiu com rispidez a uma imprecação ríspida: que os responsáveis pelo editorial fossem forçados, “de joelhos”, a uma autocrítica em praça pública. Para se arvorar em tutores do comportamento democrático alheio, falta a esses democratas de fachada mostrar que repudiam, com o mesmo furor inquisitorial, os métodos das ditaduras de esquerda com as quais simpatizam.” Otavio Frias Filho —– Quando assisti ao vídeo dos jovens que, em São Paulo e no Rio de Janeiro, durante esta semana foram apupar os velhacos torturadores que foram comemorar os próprios crimes nos clubes militares, senti que ao ter criado este blog, o Movimento dos Sem Mídia e ao ter convocado o ato contra a Ditabranda, de alguma forma me redimi de minha omissão pretérita. No Rio, militares comemoram golpe de 64, e manifestantes protestam Será aplicada à ditadura e aos seus integrantes vivos e mortos uma pena da qual jamais conseguirão se evadir. Com o empenho tardio de pessoas como eu, com a Comissão da Verdade e, acima de tudo, com a disposição desses jovens valentes que o vídeo acima mostra, a história será a prisão na qual os criminosos da ditadura cumprirão pena para sempre.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Governo argentino encontra acidentalmente

Documentos secretos da ditadura


Em Buenos Aires
O governo da Argentina anunciou nesta segunda-feira ter encontrado novos documentos da ditadura militar (1976-1983), incluindo as atas secretas completas da junta militar.

O ministro da Defesa, Agustín Rossi, revelou que a documentação foi achada na última quinta-feira acidentalmente durante as tarefas de limpeza no edifício Condor, em Buenos Aires, onde funcionam dependências da Força Aérea argentina.
"Encontramos seis pastas originais das atas da junta militar, datadas de 24 de março de 1976 até 10 de dezembro de 1983. São todas as atas secretas da junta militar", destacou Rossi.

O ministro detalhou que os documentos estavam agrupados em 1.500 pastas para guardar papéis dentro de duas caixas fortes e dois armários.

Rossi destacou que é a primeira vez que se tem acesso a material deste tipo, que cobre desde o dia do golpe militar até o dia em que a Argentina retornou à democracia, há trinta anos.

Entre os documentos estão todas as atas secretas das juntas militares, um total de 280 atas originais nas quais os generais explanam suas posições sobre diferentes assuntos.

O ministro ressaltou que a documentação conta com a "vantagem" de estar "ordenada, classificada e até ter um índice temático".

Também foram encontrados três livros de recepção, onde estavam as comunicações para as forças militares, como pedidos de famílias que queriam saber do paradeiro de seus filhos desaparecidos.

Além disso, foram encontrados, entre outros documentos, "listas negras" de 331 perseguidos políticos, que incluiam intelectuais, comunicadores e artistas.
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Eleições legislativas na Argentina25 fotos

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27.out.2013 - Sergio Massa, oposicionista argentino, comemora os resultados eleitorais de seu partido neste domingo (27), na sede da sigla, na cidade de Tigre, na província de Buenos Aires Leia mais Enrique García Medina/Efe
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Veja imagens da trajetória da presidente argentina, Cristina Kirchner33 fotos

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7.out.2013 - A presidente argentina, Cristina Kirchner, é levada a um centro médico de Buenos Aires para realizar novos exames depois do diagnóstico de hematoma no cérebro. Kirchner, 60, foi operada na terça-feira (8) em Buenos Aires para fazer a drenagem do coágulo Leia mais Pablo Molina/AP


sábado, 15 de junho de 2013

As Crianças e a Tortura: Garoto de dois anos

Publicado em 12/06/2013 às 23h35:
 foi torturado e separado dos pais...
 A terceira reportagem de Luiz Carlos Azenha mostra o caso do preso político mais jovem da história do regime militar. Além de ser preso e torturado, ele foi mandado para fora do País sem os pais.



Exclusivo: filho volta ao lugar onde o pai foi

Publicado em 11/06/2013 às 22h05:
Torturado e morto no regime militar....
 
 Aos 16 anos, o jovem foi preso junto com o pai e torturado ao lado dele no mais temido centro da ditadura militar. Acompanhe a história na série As Crianças e a Ditadura.


Reportagem detalha uso de crianças em torturas na ditadura

10/06/2013 às 22h35:

 Exclusivo: reportagem detalha uso de crianças em torturas na ditadura militar ..
 O repórter Luiz Carlos Azenha entrevistou vítimas do regime militar para contar uma história que ainda não foi totalmente revelada. Veja no especial As Crianças e A Tortura. 

 Veja também: Fotógrafo que registrou imagem Vladimir Herzog enforcado volta ao Brasil Comissão da Verdade recomenda que torturadores sejam julgados pelos crimes

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Comissão anistia 15 cidadãos, filhos de perseguidos pela ditadura




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Uma filha impedida do convívio com a mãe que estava no exílio na França por 7 anos, podendo apenas corresponder por cartas e fotos. Nesta quinta-feira, 21 de fevereiro, Vânia Alcântara de Carvalho, filha de Nina, que advogava para perseguidos políticos foi declarada anistiada política. A restrição a seus direitos não se deram apenas pela ausência materna, Nina ficou no Brasil com o pai, devido a uma decisão judicial. No processo de disputa de guarda das filhas, o juiz à época retirou a guarda da mãe, impedindo-as de se encontrarem, e fundamentou a sentença: “retiro a guarda da mãe por ela ter optado por atividades subversivas nefastas”.
Em depoimento comovente enviado por escrito, Vânia relatou à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça sobre as dificuldades vividas: “Quando eu soube que minha mãe foi embora, foi durante as férias, na casa do meu pai em 1971. Me diziam que o presidente Médici não gostava dela e por isso ela tinha ido. Aprendi a conter a dor da ausência e suprimi-la. Nas homenagens nas escolas em dia das mães era sempre uma polêmica. Uma vez, cheguei a dar um presente para a mãe de uma amiga”, contou em carta. Somente em 1978, Vânia foi encontrar a mãe na França.
Além desse processo, a Comissão de Anistia julgou 16 outros, de familiares de perseguidos políticos em uma sessão temática.  Quinze receberam a anistia. Dentre eles, o de Vera Pape Pape, que passou pelo exílio no Chile e na França. Filha de Eveline, a mãe, era militante da Polop (Organização Revolucionária Marxista – Política Operária) em Goiás. Vera nasceu em 1962 e aos três anos foi morar no Chile. Em razão do golpe militar naquele país, em 1973, foi morar na França, onde ficou até 1980. Somente em 2010, Vera foi conhecer o pai, que hoje vive na Suécia.
As anistiadas Vera Pape Pape e Sílvia Perrone, conviveram juntas durante o exílio quando eram crianças. As duas amigas não se viam há 30 anos,  o reencontro aconteceu na sessão da Comissãode Anistia.
“Em 1980 cheguei ao Brasil com documentos franceses, levei vários anos para conseguir a certidão de nascimento de brasileira, meu irmão, é portador de sofrimento mental, minha mãe tinha transtorno bipolar. Tudo isso faz que a vida fique tumultuada, mas dizem que pessoas que vivem em campos de concentração podem sair feridas, mas não necessariamente se quebram. A música me trouxe isso, quem não tem sonhos não faz música”, contou Vera, sobre como tentou superar o drama com a música. Ela é flautista.
Durante a sessão Vera reencontrou-se com outra amiga de exílio, Sílvia Perrone, elas não se viam há mais de 30 anos. Filha de deputado cassado pela Assembléia Legislativa de São Paulo, Sílvia, cujo processo também foi julgado na última quinta-feira, contou sobre a vida no exílio e da solidariedade internacional, sobre como os refugiados e exilados se ajudavam.
“Eu tenho boas lembranças da vida no Chile, nossa casa era aberta e recebíamos muitas pessoas, até irmos para a França. Foi quando caiu a ficha para meu pai que ele não poderia mais voltar, aí as coisas ficaram mais difíceis. Mas minha mãe sempre nos criou para não reclamar, pois nós éramos refugiados, era uma situação privilegiada”, contou.
Outros anistiados nessa sessão foram Teresa e Paulo Fayal de Lyra, filhos de pais banidos pela ditadura que foram viver na Suécia. Eles permaneceram apátridas e sem certidão de nascimento. “Antes achávamos que a história dos nossos pais não era nossa também. Hoje temos consciência de isso afetou a nossa família”. O pai, Carlos Fayal,  também esteve presente na sessão. Ele leu o próprio depoimento:
“Neste ato de anistia comemoramos a vida, vida nova de uma geração que se sacrificou”.
Marcos Zamikhowsky Lopes também recebeu o pedido de desculpas oficiais do Estado brasileiro e agradeceu. “Aos cinco anos fui arrancado da convivência com a minha mãe, perseguida política, que simplesmente sumiu da minha vida. Por alguns meses eu não soube se ela estaria vida ou morta. Minha infância foi traumatizante e tive que mudar muitas vezes de um país para outro, e sofri com as adaptações. Tive uma infância sem raízes e depois que voltei ao Brasil, sem falar a língua, senti-me exilado no próprio país. O dano moral é intenso e existe até hoje.”
Durante a abertura, o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, lembrou do jovem Carlos Alexandre, anistiado há três anos em sessão semelhante no Ministério da Justiça, e que cometera suicídio semana passada. Abrão pediu um minuto de silêncio em homenagem à memória dele. “É fundamental compreender as diferentes formas de repressão e os danos transgeracionais que a ditadura legou ao país e aos nossos cidadãos e trabalharmos segundo o princípio da reparação integral”, afimou Paulo Abrão.
Devido aos danos psicológicos aos cidadãos perseguidos pelos atos de exceção cometidos pelo Estado, a Comissão de Anistia criou o Projeto Clínicas do Testemunho. A intenção é dar apoio em saúde mental para vítimas de violência do Estado. A Comissão de Anistia selecionou 11 instituições para receber incentivo de até R$ 600 mil para funcionar por até dois anos, com início das atividades previsto para ocorrer em 2013.

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quinta-feira, 16 de maio de 2013

HERANÇA DA DITADURA, TORTURA PRATICADA


 POR POLICIAIS É LEGITIMADA PELO SUPREMO,,,,

Supremo pode absolver torturadores
A violência policial é muito presente na vida dos brasileiros em todas as classes sociais. Ninguém escapa, mas é a população negra e que mora em favela ou na periferia que sente na pele a herança da ditadura militar. Os exemplos saltam nos jornais todos os dias. Veja o mais recente caso de tortura e morte praticado por policiais em São Paulo.
A violência e tortura policial, que ainda resiste após 20 anos de democracia, mostram que esse legado da ditadura está consolidado como prática constante no Brasil. Acontece com jovens que fazem pequenos furtos, mas a maioria dos torturados e mortos é de trabalhadores sem passagem pela polícia, inocentes. Há uma cultura, gerada pelos torturadores da ditadura militar no Brasil, que é a cultura do temor à autoridade, temor policial.
A pacificação gerada pela Lei da Anistia é uma grande falácia. A violência dos torturadores militares ou a serviço de militares durante a ditadura escapou ao controle do Estado e da sociedade. Claro que não são todos os policiais, assim como não foram todos os militares que torturaram. É preciso saber quem são e puni-los.
O Supremo Tribunal Federal, ao legitimar a Lei da Anistia, acabou por legitimar a tortura que acontece atualmente no Brasil.
Se historicamente não punimos torturadores, continuaremos a ser lenientes com essa prática horrenda.
Leia mais em Educação Política:
GILMAR MENDES: UMA DAS PIORES HERANÇAS DO PSDB PORQUE É UM LEGADO NA CÚPULA DO PODER JUDICIÁRIO E VITALÍCIO
BRASIL INCENTIVA CORRUPÇÃO NA JUSTIÇA COM PRÊMIO DE APOSENTADORIA INTEGRAL PARA JUIZ CORRUPTO
PODER JUDICIÁRIO É QUEM MAIS DESRESPEITA A CONSTITUIÇÃO E LIBERA SALÁRIOS ACIMA DO TETO CONSTITUCIONAL
OS CARGOS VITALÍCIOS DOS JUÍZES FAZEM COM QUE O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL SEJA O PODER MAIS ANTIDEMOCRÁTICO DO BRASIL


domingo, 24 de março de 2013

Tipos de tortura usados durante

A ditadura civil-militar

FONTE:
http://www.historiadigital.org/historia-do-brasil/brasil-republica/ditadura-militar/10-torturas-da-ditadura-militar/

As torturas utilizadas no Brasil durante a ditadura militar, têm uma estreita ligação com técnicas desenvolvidas através de experimentos como os do Projeto Mkultra. Essas técnicas foram trazidas para o Brasil  pelos militares e agentes policiais que freqüentaram a Escola das Américas.
Vários membros da força policial brasileira e militares foram treinados por especialistas em tortura que vieram para o Brasil com o objetivo de difundir os métodos e meios de interrogatório compilados pela CIA. Foi o caso do conhecido Dan Mitrione
A recente liberação pelo governo americano de uma lista parcial de nomes de participantes nos treinamentos da Escola revelou também o fato de que militares brasileiros treinaram e participaram de tortura, inclusive no Chile.
No Brasil foi instalado  o Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus, comandado pelo general francês Paul Aussaresses, promotor do uso da tortura na guerra colonial da Argélia.
O GIGS foi criado por oficiais brasileiros formados na Escola das Américas.
1- Pau-de-Arara
Historia Listas DitaduraMilitar Tortura PaudeArara Tipos de tortura usados durante a ditadura civil militar
O Pau-de-Arara consistia numa barra de ferro que era atravessada entre os punhos amarrados e a dobra do joelho, sendo o conjunto colocado entre duas mesas, ficando o corpo do torturado pendurado a cerca de 20 ou 30 centímetros do solo. Este método quase nunca era utilizado isoladamente, seus complementos normais eram eletrochoques, a palmatória e o afogamento.
2- Choque Elétrico
Historia Listas DitaduraMilitar Tortura ChoqueEletrico Tipos de tortura usados durante a ditadura civil militar
O Choque Elétrico foi um dos métodos de tortura mais cruéis e largamente utilizados durante o regime militar. Geralmente, o choque dado através telefone de campanha do exército que possuía dois fios longos que eram ligados ao cor­po nu, normalmente nas partes sexuais, além dos ouvidos, dentes, língua e dedos. O acusado recebia descargas sucessivas, a ponto de cair no chão.
3- Pimentinha
Historia Listas DitaduraMilitar Tortura Pimentinha Tipos de tortura usados durante a ditadura civil militar
A Pimentinha era uma máquina que era constituída de uma caixa de madeira que, no seu interior, tinha um ímã permanente, no campo do qual girava um rotor combinado, de cujos termi­nais uma escova recolhia corrente elétrica que era conduzida através de fios. Essa máquina dava choques em torno de 100 volts no acusado.
4- Afogamento
Historia Listas DitaduraMilitar Tortura Afogamento Tipos de tortura usados durante a ditadura civil militar
No Afogamento, os torturadores fechavam as narinas do preso e colocavam uma mangueira, toalha molhada ou tubo de borracha dentro da boca do acusado para obrigá-lo a engolir água. Outro método era mergulhar a cabeça do torturado num balde, tanque ou tambor cheio de água (ou até fezes), forçando sua nuca para baixo até o limite do afogamento.
5- Cadeira do Dragão
Historia Listas DitaduraMilitar Tortura CadeiradoDragao Tipos de tortura usados durante a ditadura civil militar
A Cadeira do Dragão era uma espécie de cadeira elétrica, onde os presos sentavam pelados numa cadeira revestida de zinco ligada a terminais elétricos. Quando o aparelho era ligado na eletricidade, o zinco transmitia choques a todo o corpo. Muitas vezes, os torturadores enfiavam na cabeça da vítima um balde de metal, onde também eram aplicados choques.
6- Geladeira
Historia Listas DitaduraMilitar Tortura Geladeira Tipos de tortura usados durante a ditadura civil militar
Na Geladeira, os presos ficavam pelados numa cela baixa e pequena, que os impedia de ficar de pé. Depois, os torturadores alternavam um sistema de refrigeração superfrio e um sistema de aquecimento que produzia calor insuportável, enquanto alto-falantes emitiam sons irritantes. Os presos ficavam na “geladeira” por vários dias, sem água ou comida.
7- Palmatória
Historia Listas DitaduraMilitar Tortura Palmatoria Tipos de tortura usados durante a ditadura civil militar
A Palmatória era como uma raquete de madeira, bem pesada. Geralmente, esta instrumento era utilizado em conjunto com outras formas de tortura, com o objetivo de aumentar o sofrimento do acusado. Com a palmatória, as vítimas eram agredidas em várias partes do corpo, principalmente em seus órgãos genitais.
8- Produtos Químicos
Historia Listas DitaduraMilitar Tortura ProdutosQuimicos Tipos de tortura usados durante a ditadura civil militar
Haviam vários Produtos Químicos que eram comprovadamente utilizados como método de tortura. Para fazer o acusado confessar, era aplicado soro de pentatotal, substância que fazia a pessoa falar, em estado de sonolência. Em alguns casos, ácido era jogado no rosto da vítima, o que podia causar inchaço ou mesmo deformação permanente.
9- Agressões Físicas
Historia Listas DitaduraMilitar Tortura LesoesFisicas Tipos de tortura usados durante a ditadura civil militar
Vários tipos de Agressões Físicas eram combinados às outras formas de tortura. Um dos mais cruéis era o popular “telefone”. Com as duas mãos em forma de concha, o torturador dava tapas ao mesmo tempo contra os dois ouvidos do preso. A técnica era tão brutal que podia romper os tímpanos do acusado e provocar surdez permanente.
10- Tortura Psicológica
 Tipos de tortura usados durante a ditadura civil militar
De certa forma, falar de Tortura Psicológica é redundância, considerando que toda o tipo de tortura deixa marcas emocionais que podem durar a vida inteira. Porém, haviam formas de tortura que tinha o objetivo específico de provocar o medo, como ameaças e perseguições que geravam duplo efeito: fazer a vítima calar ou delatar conhecidos.

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