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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

'História do Crime': Patrícia Acioli, a juíza executada por enfrentar policiais criminosos

 Magistrada foi executada com 21 tiros na porta de casa, em Niterói, em 2011. Investigações apontaram que o crime foi planejado por policiais militares e terminou com 11 condenações. O caso é tema de mais um episódio da série 'História do Crime', no GloboPop.

Por Carol Simões, g1

História do Crime Patrícia Acioli: a juíza executada por enfrentar policiais criminosos

História do Crime Patrícia Acioli: a juíza executada por enfrentar policiais criminosos


A execução da juíza Patrícia Acioli, em agosto de 2011, marcou a história do Judiciário brasileiro e expôs uma rede de crimes envolvendo policiais militares no Rio de Janeiro.

Conhecida por atuar contra milícias, grupos de extermínio e corrupção policial em São Gonçalo, Patrícia foi assassinada com 21 tiros ao chegar em casa, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

  • O caso Patrícia Acioli é o 12º episódio da série "História do Crime", que está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do História do Crime, para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.
Juíza Patrícia Acioli foi morta a tiros na porta de casa, em Niterói. — Foto: Reprodução / TV Globo

Juíza Patrícia Acioli foi morta a tiros na porta de casa, em Niterói. — Foto: Reprodução / TV Globo

Relembre o caso

Ao longo da carreira, Patrícia Acioli ficou conhecida como uma juíza "linha dura". Segundo as investigações da época, ela foi responsável pela prisão de mais de 60 policiais ligados a milícias e grupos de extermínio.

Devido à sua atuação, passou a sofrer ameaças.

A polícia descobriu que o nome da magistrada aparecia em uma lista com 12 pessoas marcadas para morrer, encontrada com um acusado de comandar uma milícia em São Gonçalo.

Patrícia chegou a ter escolta do Tribunal de Justiça por cinco anos, mas estava sem proteção quando foi assassinada.

Carro da juíza Patrícia Lourival Acioli, assassinada no início da madrugada desta sexta-feira — Foto: Bruno Gonzalez / Agência O Globo

Carro da juíza Patrícia Lourival Acioli, assassinada no início da madrugada desta sexta-feira — Foto: Bruno Gonzalez / Agência O Globo

Na noite de 11 de agosto de 2011, poucas horas antes de morrer, a juíza havia decretado a prisão preventiva de policiais militares suspeitos de envolvimento na morte do jovem Diego da Conceição, em uma comunidade de São Gonçalo.

Entre eles estava o PM Sammy dos Santos Quintanilha, que anos depois também seria condenado pelo homicídio de Diego e por fraude processual. Segundo as investigações, esse caso foi o estopim para o assassinato da magistrada.

Na madrugada de 12 de agosto, Patrícia Acioli foi surpreendida por criminosos ao chegar em casa e morreu no local.

A investigação

Mapa do trajeto feito pela juíza Patrícia Acioli no dia em que foi assassinada em Piratininga, Niterói — Foto: Níkolas Espíndola/G1

Mapa do trajeto feito pela juíza Patrícia Acioli no dia em que foi assassinada em Piratininga, Niterói — Foto: Níkolas Espíndola/G1

As investigações mostraram que a execução havia começado a ser planejada cerca de um mês antes e que houve pelo menos duas tentativas frustradas de matar a juíza antes da emboscada.

A polícia concluiu que três dos policiais cuja prisão preventiva havia sido decretada por Patrícia participaram diretamente do assassinato.

As investigações também apontaram que o então comandante do 7º BPM (São Gonçalo), o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, foi o mandante do crime.

Segundo o Ministério Público, Patrícia investigava um esquema de corrupção dentro do batalhão, envolvendo policiais ligados a grupos de extermínio.

Ex-tenente-coronel da Polícia Militar Cláudio Luiz de Oliveira e a juíza Patrícia Acioli — Foto: Reprodução

Ex-tenente-coronel da Polícia Militar Cláudio Luiz de Oliveira e a juíza Patrícia Acioli — Foto: Reprodução

Julgamento

O julgamento do tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira aconteceu em 2014 e durou quase 20 horas. O júri concluiu que ele encomendou o assassinato da juíza.

Cláudio foi condenado a 36 anos de prisão, em regime fechado, por homicídio triplamente qualificado e formação de quadrilha armada.

Outro condenado foi o cabo Sérgio Costa Júnior, que confessou ter participado da execução da juíza. Em delação premiada, ele revelou detalhes do planejamento e da execução do crime.

Ao todo, 11 policiais militares foram condenados pelo assassinato de Patrícia Acioli. Somadas, as penas ultrapassam 250 anos de prisão.

Manifestantes em protesto pela morte da juíza Patrícia Acioli em Niterói. — Foto: Foto: Tássia Thum/G1

Manifestantes em protesto pela morte da juíza Patrícia Acioli em Niterói. — Foto: Foto: Tássia Thum/G1

Patrícia Acioli: a história da juíza assassinada por PMs no RJ | G1

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