Prisões foram feitas neste sábado (22), após determinação da Justiça. Os agentes já haviam sido afastados preventivamente pela prefeitura após o vídeo da agressão viralizar nas redes sociais.
Por Guilherme Ferraz, g1 Vale do Paraíba e Região
Três guardas civis municipais de Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo, foram presos temporariamente neste sábado (22) por suspeita de tortura física e psicológica contra uma mulher grávida durante uma abordagem.
A Rede Vanguarda apurou que a prisão foi determinada pela Justiça após pedido da Polícia Civil e parecer favorável do Ministério Público de SP. Os três presos são Anderson Carlos Alves, conhecido como “Pantera”; Almir dos Santos Gonçalves; e Marcos Roberto Magalhães Silva.
Os agentes suspeitos já eram investigados pelo caso e haviam sido afastados preventivamente pela Prefeitura de Caraguatatuba, após a divulgação de um vídeo que mostra a mulher sendo agredida durante uma abordagem realizada pelos guardas.
Nas imagens, a mulher conversa com um guarda municipal e participa de uma ligação telefônica com outra pessoa. Ao final da chamada, há uma interação entre essa pessoa e o agente, seguida por uma agressão - veja vídeo acima.
Três guardas municipais são investigados por suspeita de tortura após abordagem a moradora em Caraguatatuba — Foto: Reprodução/TV Vanguarda
Segundo a investigação, os três guardas teriam entrado na casa da mulher sem autorização judicial. O vídeo da agressão passou a circular nas redes sociais e motivou a apuração da Polícia Civil sobre uma possível prática de tortura física e psicológica.
Em meio às investigações, a Justiça determinou a prisão temporária dos três investigados pelo prazo de 30 dias. Na decisão, o juiz considerou que a liberdade dos agentes poderia comprometer o andamento das investigações.
O magistrado citou indícios de possível influência funcional, tentativa de obtenção de depoimentos falsos e risco de intimidação da vítima ou de interferência na produção de provas, caso os suspeitos permanecessem em liberdade.
Além das prisões, a Justiça autorizou buscas em endereços ligados aos investigados. Até o momento, não há um balanço sobre o que foi apreendido nas casas dos agentes presos.
A Prefeitura de Caraguatatuba informou neste sábado (22) que dois dos agentes ocupavam cargos comissionados e já foram exonerados pela administração municipal. O terceiro é servidor efetivo e permanece afastado preventivamente das funções enquanto responde a um processo administrativo disciplinar instaurado para apurar os fatos.
Segundo a prefeitura, as medidas administrativas foram adotadas depois que a administração tomou conhecimento das imagens que circulavam nas redes sociais. O município afirmou ainda que acompanha as investigações e que não compactua com condutas irregulares praticadas por agentes públicos.
A administração municipal também informou que o processo disciplinar garante aos servidores o direito à ampla defesa e ao contraditório.
O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil. O processo tramita sob segredo de Justiça.
O g1 tenta localizar os advogados de defesa dos três guardas suspeitos que foram presos. A reportagem será atualizada caso os advogados se manifestem.
Três guardas municipais são presos por suspeita de tortura contra mulher em Caraguatatuba — Foto: Guilherme Ferraz/TV Vanguarda
Guardas são presos por suspeita de tortura contra mulher em Caraguá | G1

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