
O ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Junior afirmou que as Forças Armadas “perderam confiabilidade” durante o governo de Jair Bolsonaro. Para ele, a presença militar na gestão e a pressão por uma ruptura institucional após a eleição de 2022 ampliaram a desconfiança de uma parcela da sociedade sobre as corporações. Com informações de .
Baptista Junior, que comandou a Força Aérea Brasileira no governo Bolsonaro, relata sua atuação contra as pressões para manter o então presidente no poder no livro “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”, da Autêntica Editora. Ele foi testemunha central no processo que condenou Bolsonaro e militares de seu primeiro escalão à prisão por tentativa de golpe.
Ao avaliar o saldo da gestão para os militares, o ex-comandante disse que a imagem das Forças sofreu prejuízo. “As Forças perderam confiabilidade, talvez seja essa palavra”, afirmou. Ele avaliou que já existia uma parte da população com percepção negativa sobre os militares, mas que esse grupo cresceu.
O brigadeiro afirmou confiar na recuperação dessa credibilidade, desde que as corporações mantenham uma postura de Estado. Segundo ele, as Forças Armadas não devem atuar para defender “A ou B”, mas cumprir sua função institucional.
Pressão por golpe e transição para Lula
Baptista Junior declarou que não esperava que Bolsonaro levasse adiante a defesa de uma tentativa de golpe, embora o então presidente soubesse que não teria unanimidade entre as Forças Armadas. “Eu não achei que ele fosse tão longe porque Bolsonaro sabia que não ia ter unanimidade nas Forças Armadas para um golpe”, disse.
Ele apontou os dias 14, 22 e 24 de novembro de 2022 como os momentos de maior tensão. Naquele período, Bolsonaro acreditou que o Instituto Voto Legal havia identificado um erro nas urnas eletrônicas, segundo o ex-comandante.
O então chefe da Aeronáutica também propôs antecipar a troca dos comandos militares antes da posse de Lula. A intenção, afirmou, era sinalizar à sociedade que não haveria ruptura e que os novos comandantes seriam escolhidos pelo presidente eleito. Após conversar com o ministro da Defesa, José Múcio, ele alterou a data para que a passagem de comando ocorresse depois da posse.
Depois dos ataques golpistas de 8 de Janeiro, Baptista Junior disse que enviou a Bolsonaro, que estava nos Estados Unidos, uma imagem de televisão com uma fala do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, atribuindo aos militares parte dos erros do ex-presidente. “Depois de tudo isso, quem vai levar toda essa carga são as Forças Armadas. O senhor podia ter acabado com isso”, relatou ter dito a Bolsonaro.
Segundo o ex-comandante, Bolsonaro respondeu que não seria capaz de mudar o pensamento de seus apoiadores. Baptista Junior sustentou que o então presidente poderia ter mandado as pessoas para casa e reconhecido a derrota eleitoral.
O militar afirmou que perdeu amigos por não aderir à ruptura institucional e rejeitou a ideia de que sua postura legalista significasse apoio a governos ou práticas que critica. “O que eu fiz foi cumprir a lei, e não quero ser herói por causa disso”, disse.
Baptista Junior também relatou o rompimento com o ex-ministro Walter Braga Netto, a quem atribuiu a ordem para que um major atacasse comandantes militares e seus familiares. “Colocar a família nisso passou do limite”, afirmou, acrescentando que esse episódio representa um ponto de ruptura entre os dois
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