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quarta-feira, 26 de março de 2014

Militar diz que coronel matou jornalista em 82

DO RIO


Em depoimento à Comissão Estadual da Verdade (CEV), do Rio, o coronel da reserva do Exército Paulo Malhães afirmou que o coronel do Exército Freddie Perdigão foi o responsável pela morte do jornalista Alexandre von Baumgarten, em 1982.
No depoimento, em que confirmou ter participado de ações para desaparecer com corpos de vítimas de tortura, Malhães disse que só uma delas deu errado.
"Foi no caso do jornalista de 'O Cruzeiro'. Deu cagada e o corpo voltou", disse. Segundo o coronel da reserva, os agentes, capitaneados por Perdigão, chegaram a pensar em simular um afogamento.

Comissão da Verdade

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Daniel Marenco/Folhapress
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O coronel Paulo Malhães presta depoimento na Comissão da Verdade do Rio Leia mais
"Mas havia marcas de tiros no corpo. Só quem jogava os corpos ao mar era a Aeronáutica", contou.
O corpo de Baumgarten foi encontrado na praia da Barra da Tijuca, no Rio. Ele saíra para pescar em uma traineira com a mulher, Jeanette Hansen, e o barqueiro Manoel Valente Pires. Os corpos dos dois jamais foram encontrados.
Baumgarten tinha ligações com o SNI e, em 1979, havia comprado os direitos do título da revista "O Cruzeiro" para torná-la pró-regime. O projeto, no entanto, fracassou. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Viúva de militar pede perdão a ex-preso por tortura


Viúva de militar pede perdão a ex-preso por tortura no DOI-Codi, no Rio

Hanrrikson de Andrade
Do UOL, no Rio

  • Hanrrikson de Andrade/UOL
    Maria Helena Souza fala aos membros da Comissão Estadual da Verdade em nome do marido, Amilcar Lobo, morto em 1997. Lobo era o médico-psicanalista do DOI-Codi
    Maria Helena Souza fala aos membros da Comissão Estadual da Verdade em nome do marido, Amilcar Lobo, morto em 1997. Lobo era o médico-psicanalista do DOI-Codi
Maria Helena Souza, viúva do médico psicanalista Amilcar Lobo --morto em em 1997--, que servia ao DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna) durante o regime militar, pediu perdão ao ex-preso político Cid Benjamin durante audiência da CEV (Comissão Estadual da Verdade), nesta quarta-feira (2), no auditório da Caarj (Caixa de Advogados Aposentados do Rio), no centro do capital fluminense.
Emocionada, Maria Helena foi a única depoente que aceitou responder aos questionamentos feitos pelos membros da Comissão da Verdade no decorrer da sessão. Antes dela, os militares da reserva Luiz Mário Correia Lima e Dulene Garcez, suspeitos de terem participado das sessões de tortura que levaram à morte o jornalista e dirigente do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) Mário Alves, em janeiro de 1970, se mantiveram em silêncio.
A testemunha disse que o marido participou "involuntariamente" das sessões de tortura. Sua função era analisar as condições físicas e psicológicas dos presos políticos submetidos às agressões dos torturadores, e atestar se eles poderiam ou não continuar no DOI-Codi. "Eu não o inocento. Ele teve sua participação involuntária, mas teve", afirmou a viúva em referência a Lobo.
Ao se dirigir a Cid Benjamin, que hoje trabalha no setor de comunicação da CEV, Maria Helena disse que o marido era obrigado a lidar com ameças de represália, principalmente em relação aos filhos e à família. "A vida do Amilcar foi marcada por muitas coisas que não batem uma com a outra. Descrever essa história é extremamente importante para mim e para o Brasil", disse ela.
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Comissão da Verdade investiga violações cometidas na ditadura59 fotos

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14.ago.2013 - O major Walter Valter da Costa Jacarandá, ex-major do Corpo de Bombeiros, um dos acusados pelo sequestro e a morte sob tortura de Mário Alves, dirigente do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) assassinado em janeiro de 1970, no DOI-Codi do Rio, admitiu que participou de sessões de tortura durante a ditadura militar (1964-1985), mas disse "não se lembrar" quantas pessoas torturou, durante audiência pública que tratou da morte, no mesmo local, de Mário Alves. Foram ouvidos seis ex-presos políticos que foram presos e torturados nas dependências do DOI-Codi, localizado na rua Barão de Mesquita, na Tijuca Thiago Vilela/CNV
A testemunha relatou que havia entre os torturadores uma "sensação de impunidade muito grande". Os militares, em nome do combate ao "suposto inimigo" e à ameaça do socialismo, não achavam que um dia seriam culpabilizados pelos crimes ocorridos durante o regime, segundo ela. "Havia aquela sensação de estar com a verdade. Eles achavam que aquilo era o melhor para o Brasil. Achavam que estavam salvando o país mesmo que para isso estivessem torturando pessoas", declarou.
Maria Helena contou ainda sobre o trauma de Lobo, que teria visto, de acordo com a testemunha, um preso político ser assassinado com um tiro na testa simplesmente por ter problemas mentais. "Esse preso tinha um distúrbio e o Amilcar não conseguiu tratá-lo a tempo. Como ele não ficou bom naquele dia, decidiram que ele não servia mais", disse.
A morte do ex-deputado federal Rubens Paiva após sucessivas sessões de tortura também foi relatada pelo ex-psicanalista do DOI-Codi, segundo a viúva: "Ele comentou que isso foi algo que mexeu muito com ele [o fato de ter visto a vítima agonizando]. Ele sonhou várias vezes com essa pessoa agonizando. (...) Ele chegou a falar 'Rubens Paiva' por três vezes para que o Amilcar não esquecesse aquele nome".

Suspeitos de tortura se calam

BOLSONARO X RANDOLFE

  • A visita dos membros da Comissão da Verdade ao prédio do antigo DOI-Codi, no 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, na zona norte do Rio, no dia 23 de setembro, foi marcada por um desentendimento entre o deputado federal Jair Bolsonaro (PR-RJ) e o senador amapaense Randolfe Rodrigues (PSOL)
A audiência da Comissão da Verdade realizada nesta manhã tinha o objetivo de reunir informações sobre a morte de Mário Alves, porém os dois militares da reserva que compareceram à sessão, os então tenentes Luiz Mário Correia Lima e Dulene Garcez, respectivamente, nada falaram sobre o período no qual atuavam no DOI-Codi.
Garcez, inclusive, repetiu a mesma frase --"Nada a declarar"-- em resposta a mais de 30 perguntas feitas pelos membros da comissão. Já Correia Lima argumentou que já havia colaborado com os trabalhos da CEV no momento em que depôs "durante duas horas" na Comissão Nacional da Verdade.
Correira Lima afirmou ainda que fazia parte de uma "organização militar legalmente constituída", mas não entrou em detalhes sobre as tarefas que lhe eram designadas.
Segundo o advogado José Carlos Tórtima, que também foi torturado no DOI-Codi, Correia Lima deu um soco nas costas da militante do PCBR Angela Camargo Seixas, em 1970. A estudante, então com 19 anos, havia sido presa antes dele, e foi agredida após se calar ante aos questionamentos dos militares.
"Foi ele que espancou a Angela Seixas", afirmou Tórtima aos familiares de vítimas do regime militar que acompanhavam a audiência. Correia Lima deixou o plenário em silêncio.
O também militar da reserva Armando Avólio Filho também seria ouvido na manhã desta quarta-feira, porém não compareceu.
O neto de Mário Alves, o músico Leonardo Alves Vieira, 35, lembrou que, como já haviam faltado outras duas vezes, Correia Lima e Garcez seriam acionados judicialmente caso não comparecessem pela terceira vez à audiência da Comissão Estadual da Verdade.
"Eu nem esperava que eles viessem. Mas como a comissão já havia avisado que uma terceira convocação seria coercitiva, eles vieram por isso. (...) Estou engasgado até agora. Ficar ouvindo "nada a declarar, nada a declarar". Isso é sacanagem. Eles foram machos para torturar, mas na hora de olhar no olho e responder sobre o que fizeram, a situação é outra", disse.
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Comissão da Verdade investiga crimes contra povo indígena13 fotos

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Desenho feito por um waimiri-atroari entre 1985 e 1986 mostra um helicóptero sobrevoando uma aldeia indígena; segundo a tradução do indigenista Egydio Schwade, as palavras significam "maiká [nome indígena] morava na sua aldeia" Leia maisReprodução/Relatório Comitê Estadual da Verdade do Amazonas

sábado, 21 de setembro de 2013

“Polícia Militar reproduz métodos da ditadura”


agressao policial a manifestante Danilo-Verpa Folhapress
Para Nadine Borges, integrante da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, policiais infiltrados são legado autoritário da ditadura
Vivian Virissimo
Prisões ilegais e policiais infiltrados são exemplos contundentes que métodos da ditadura são praticados até hoje pela Polícia Militar (PM). Essa é a opinião de Nadine Borges que faz parte da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro. Em sua avaliação, somente a investigação atenta dos fatos do passado e do presente pode evitar que ditaduras voltem a assombrar o país. "Se aceitarmos de maneira pacífica os abusos do Estado podemos novamente viver uma ditadura", alerta. Nesta entrevista, Nadine analisa a conduta da polícia nas recentes manifestações.
nadine borges reproducao
Brasil de Fato – O que motiva a comissão a monitorar as práticas atuais da segurança pública?
Nadine Borges – Não temos como investigar o passado sem nos preocuparmos com o presente. Esse ‘ontem’ não resolvido é o que permite a continuidade das violações no ‘hoje’. Além disso, um dos deveres da comissão é recomendar a adoção de políticas públicas para evitar a repetição das violações de direitos humanos.
Nas manifestações, a PM atuou com infiltrados. Como você avalia essa conduta?
O padrão é o mesmo da ditadura. A prática não mudou em nada. O que vivemos no último período demonstra que esse legado autoritário continua presente na atuação das forças policiais que são despreparadas para garantir a ordem pública e a integridade das pessoas. Detenções ilegais são práticas de Estados autoritários.
E o uso abusivo de bombas e balas de borracha para conter manifestações pacíficas?
Isso ocorre principalmente pelo despreparo dos agentes policiais. Eles reproduzem métodos da ditadura porque não recebem uma formação adequada. Policiais infiltrados desrespeitam os cidadãos que possuem ampla defesa. Pessoas foram detidas sem ter investigação contra elas. Essa arbitrariedade é resquício da ditadura que alimenta uma cultura de medo e impede a livre manifestação do pensamento, direito que foi conquistado depois de séculos de luta e resistência. Um Estado de exceção é criado quando temos medo daqueles que deveriam nos proteger.
Outro episódio envolveu Bruno Teles, acusado de portar uma mochila com coquetéis molotov. Depoimentos de policiais revelaram que essa versão era falsa. Esse tipo de comportamento era comum na ditadura?
Era. Porque foi na época da ditadura que surgiu essa ideia de prisão arbitrária. Prende primeiro e depois investiga. Isso era corriqueiro contra a militância que era detida ‘para averiguação’. Isso é similar ao que aconteceu agora. Mesmo assim, afirmo que não podemos perder a confiança no Estado, caso contrário corremos o risco de viver um estado de guerra.
Recentemente, um decreto do governo Cabral dava poderes a uma comissão que poderia violar a privacidade de suspeitos de vandalismo. A medida gerou protestos e foi descartada. Por que o Estado não pode agir dessa forma?
Porque temos uma Constituição e isso fere os princípios basilares do Estado Democrático de Direito. O Estado não pode desrespeitar a liberdade de expressão e de pensamento. Isso gera insegurança e medo de que a história se repita. Se não ficarmos atentos e alertas, a barbárie pode se repetir. Se aceitarmos de maneira pacífica os abusos do Estado, podemos novamente viver uma ditadura. É o que acontece, por vezes, na atuação da polícia em execuções sumárias que ocorrem na periferia. E, nos últimos dias, em regiões da cidade que não estavam acostumadas a viveram a truculência da polícia. Por isto repito: precisamos formar os policiais.
Após manifestação dos 300 mil, o secretário de segurança Mariano Beltrame defendeu a atuação do Exército contra o povo que pedia melhores condições de vida. Qual a sua opinião sobre isso?
O uso das Forças Armadas só pode ser justificado em casos previstos em lei. De forma alguma o que ocorreu no Rio nesses dias justificaria a presença do Exército. Por isso se fala na necessidade de desmilitarização da polícia. A polícia não pode ter o cidadão como inimigo. A polícia tem outro papel: garantir a ordem e a integridade das pessoas. Não se pode inverter isso.
Foto: Danilo Verpa/Folhapress

Fonte: Brasil de Fato
Portal Geledés