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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Militares perseguidos pela ditadura


Dizem que são tratados como 'segunda classe' no Exército

Vitor Abdala
Da Agência Brasil, no Rio de Janeiro




Militares perseguidos pela ditadura militar deram depoimentos à Comissão Nacional da Verdade (CNV), em audiência pública na cidade do Rio de Janeiro neste sábado (4). Entre os depoimentos de seis pessoas ouvidas hoje, o tom era de insatisfação com a aplicação da anistia aos militares punidos pelo regime de exceção que prevaleceu no país entre 1964 e 1985.
Os depoimentos ressaltaram que os militares punidos pela ditadura não tiveram a mesma anistia que aqueles que integraram o regime. As dificuldades vão da garantia de pensão para mulheres e filhas até a possibilidade de ascender às patentes que companheiros de farda contemporâneos fiéis à ditadura conseguiram.
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Intelecto de Dilma e dinheiro de Pelé foram alvo da ditadura14 fotos

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Documentos do Deops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social) de São Paulo, órgão subordinado ao Dops (Departamento de Ordem Política Social), principal órgão de inteligência e repressão durante a ditadura militar, divulgados em 1º de abril, mostram que regimes autoritários ficharam figuras públicas como o ex-jogador Pelé, o cantor Roberto Carlos, os apresentadores Silvio Santos e Hebe Camargo e o escritor Monteiro Lobato. As fichas e prontuários podem ser consultadas no site "Memória Política e Resistência", vinculado ao Arquivo do Estado. Configura algumas personalidade fichadas pela ditadura Leia mais Arte/UOL
Além disso, eles reclamam que as Forças Armadas os continuam tratando de forma diferenciada, como se fossem militares de segunda classe. "Continuamos discriminados e punidos. Não querem nos deixar voltar à condição de militar. Até hoje somos rotulados e mal recebidos nos quartéis. Você é olhado com desconfiança. Eles estão nos humilhando", disse o capitão-de-mar-e-guerra Luiz Carlos de Souza Moreira.
Expulso da Marinha, quando era capitão-tenente em 1964, por trabalhar com almirantes leais ao então presidente da República João Goulart, Moreira disse esperar uma anistia completa, assim como os militares que permaneceram nas Forças Armadas. "Eu quero uma anistia ampla, geral e irrestrita como tiveram os torturadores", afirmou.
Para Paulo Cunha, consultor da Comissão Nacional da Verdade, a anistia deveria apagar o passado desses militares, mas não é o que ocorre. "Eles ainda são vistos como párias, como pessoas não muito bem vistas. Muitos deles não têm nem herdeiros para deixar [pensões]. Eles só querem o reconhecimento de um direito", declarou.
A audiência pública de hoje também serviu para que alguns militares fornecessem informações sobre episódios antes e durante a ditadura militar de 1964, como a chamada Operação Mosquito. A ação visava a impedir a posse de João Goulart como presidente da República depois da renúncia de Jânio Quadros, em 1961.
Segundo relato do coronel-aviador Roberto Baere, o plano era impedir que o avião que trazia Jango de Porto Alegre para Brasília chegasse à capital federal. O então tenente do 1º Grupamento de Aviação de Caça da Base Aérea de Santa Cruz disse ter recebido ordens do comandante da base, tenente-coronel Paulo Costa (já morto), para preparar os caças a fim de abater o avião do vice-presidente.
Baere disse que ele e três colegas se recusaram a cumprir a missão e pediram para não ser incluídos nos planos de derrubada da aeronave. "Pedimos que ele não nos escalasse porque entramos nas Forças Armadas para defender a Constituição e não agredi-la", disse.
A decisão de um jovem oficial de pouco menos de 30 anos de idade, segundo ele, foi o motivo para a expulsão da Força Aérea três anos depois, já durante a ditadura militar. "Fui sumariamente expulso, após 50 dias de prisão incomunicável, policiado na porta por um oficial portando metralhadora, como se fosse um marginal de alta periculosidade", afirmou o coronel.
O suboficial Paulo Novais Coutinho foi expulso por se recusar a cumprir uma ordem superior, que, se levada a cabo, provavelmente ocasionaria um massacre. O então fuzileiro naval disse que, em 25 de março de 1964, foi enviado ao Sindicato dos Metalúrgicos, no centro da cidade, para dispersar uma reunião da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais, considerada ilegal pelo comando da Marinha.
"O Conselho do Almirantado determinou que os fuzileiros navais fossem reprimir a manifestação. Eu era da companhia de polícia, então fomos, um pelotão de 39 homens, para reprimi-la. Lá, a assembleia estava em sessão em apoio ao presidente constitucional do país, João Goulart. Ao recebermos uma ordem [dos superiores] para evacuar a reunião a qualquer preço. Isso resultaria em um massacre. Então, botamos a metralhadora no chão, entramos no sindicato e apoiamos o movimento", relatou o suboficial.
Segundo ele, sua atitude lhe rendeu a expulsão do Corpo de Fuzileiros Navais e oito meses de prisão. Ele disse que ficou incomunicável por sete meses e chegou a ficar detido por 30 dias no porão de um navio adernado.
A posição do Ministério da Defesa é não comentar sobre o assunto.
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Comissão da Verdade investiga violações cometidas na ditadura59 fotos

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14.ago.2013 - Em sessão das comissões Nacional e Estadual da Verdade no Rio, o advogado José Carlos Tórtima (à direita) acusa o major Walter Jacarandá de tê-lo torturado durante a ditadura militar (1964 - 1985). "Nunca é tarde, major, para o senhor se conciliar com essa sociedade ultrajada por essas barbaridades que pessoas como o senhor cometeram", afirmou Tórtima. O militar admitiu ter participado de sessões de tortura no DOI-Codi, no Rio. Foram ouvidos seis ex-presos políticos que foram presos e torturados nas dependências do DOI-Codi, localizado na rua Barão de Mesquita, na Tijuca. A audiência pública tratou da morte, no mesmo local, de Mário Alves, líder do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), em 1970 Thiago Vilela/CNV

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Cruz Vermelha vai participar da exumação


Morte no exílio15/05/2013 | 20h31Atualizada em 15/05/2013 | 20h33

do ex-presidente João Goulart...

Em reunião em Brasília, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, acertou parceria

Cruz Vermelha vai participar da exumação do ex-presidente João Goulart Guilherme Mazui/Agencia RBS
Cruz Vermelha atuou nas exumações de Salvador Allende e Pablo NerudaFoto: Guilherme Mazui / Agencia RBS
Tentativa de eliminar a suspeita de envenenamento do ex-presidente João Goulart, a exumação do corpo do gaúcho será acompanhada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
O procedimento, no cemitério de São Borja, ainda não teve a data marcada.
No próximo dia 29, em Porto Alegre, a família de Jango terá o primeiro contato com a CICV durante reunião, que também terá a participação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e do Ministério Público Federal (MPF).
O apoio do comitê foi confirmado na quarta-feira, em Brasília, pelo diretor de operações da instituição, o suíço Pierre Krähenbühl, após encontro com a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. A Cruz Vermelha é acostumada a atuar como observadora internacional na identificação de restos mortais, tendo trabalhado, inclusive, nas exumações do ex-presidente chileno Salvador Allende e do poeta Pablo Neruda.
— Temos experiência técnica e científica, além de uma rede de especialistas pelo mundo, para ajudar neste tipo de investigação — destacou Pierre.
O CICV só vai definir como auxiliará na exumação de Jango após o contato com os familiares, dia 29. Na oportunidade, as especificidades do caso serão discutidas por peritos, a fim de agilizar a definição de quais exames seriam capazes de identificar o suposto veneno que teria matado o gaúcho em 1976, na Argentina, quando já estava no exílio imposto pelos militares.
— O pedido de apoio de peritos internacionais partiu da própria família do ex-presidente e fizemos questão de atender. O comitê da Cruz Vermelha é essencial para a isenção dos trabalhos que serão realizados — avaliou a ministra Maria do Rosário.
A presença do CICV não exclui a participação da Polícia Federal na exumação, assim como de peritos argentinos e de outros países. A decisão agradou o neto de Jango e advogado do Instituto João Goulart no caso, Christopher Goulart. Ele também defende o envio das análises dos retos mortais do avô para laboratórios estrangeiros.
— O ideal seria três laboratórios diferentes. Aumentaria a transparência da exumação, sendo que um laudo poderia complementar o outro — alega.

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