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terça-feira, 19 de outubro de 2021

PF mira acusados de fundar milícia, e filha candidata fala em perseguição...


12.nov.2020 - Carminha Jerominho posta foto com o tio, o ex-policial Natalino José Guimarães, alvo de ação da PFImagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

12/11/2020 14h37

 Acusados de fundar a antiga Liga da Justiça, grupo paramilitar surgido na zona oeste do Rio que se tornou uma das maiores organizações criminosas do país nos últimos anos, os irmãos Jerominho e Natalino Guimarães foram alvo hoje de manhã de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal. A ação visa apurar suposta prática de organização criminosa e lavagem de dinheiro ligados a crimes eleitorais.

Foram cumpridos 12 mandados em casas, comitês de campanha e empresas ligadas aos investigados. Segundo a PF, integrantes da milícia estariam mirando cargos no Legislativo e no Executivo para retomar poder na zona oeste do Rio. Ao UOL, Carminha Jerominho (PMB), filha de Jerominho e candidata a vereadora, fala em perseguição política a três dias do pleito. Segundo ela, que também é investigada, foram feitas apreensões no seu comitê de campanha.

selo milicia nas urnas - Medo e demência/UOL - Medo e demência/UOL
Imagem: Medo e demência/UOL

Capítulo 1 - Mais de dez 'candidatos das milícias' são investigados por proibir a presença de rivais em seus territórios e coagir eleitores

Capítulo 2 - Mesmo atrás das grades, bombeiro acusado de chefiar milícia e investigado por homicídio busca reeleição para vereador

Capítulo 3 - Ministério Público do Rio apura se plano de poder do Bonde do Ecko motivou assassinato de candidato suspeito de integrar milícia

Capítulo 4 - Grupos são acusados de cobrar 'taxa eleição' para bancar campanhas, comprar votos e cometer homicídios com motivação política

ilustracao para série milícia nas urnas - medo e demência/UOL - medo e demência/UOL
Imagem: medo e demência/UOL

A PF constatou movimentações financeiras atípicas de mais de R$ 1 milhão no começo do ano. De acordo com a investigação, o grupo é suspeito de usar restaurantes e farmácias para lavagem de dinheiro usado para financiar campanhas.

Sem citar nomes, a PF informou que dois investigados já foram presos em operações anteriores e não poderiam concorrer por causa da Lei da Ficha Limpa. Contudo, apoiaram a candidatura de parentes para dar início a um plano de retomada do poder político na zona oeste do Rio.

A PF informou ter apreendido R$ 141 mil em dinheiro e outros US$ 2,5 mil em um dos alvos da ação batizada de Sólon. Em outro endereço, os agentes encontraram R$ 180 mil. A PF não divulga os nomes dos alvos, mas Carminha confirmou que os agentes foram em endereços ligados à família Jerominho.

Ela negou contudo ter havido apreensão de dinheiro nesses locais, informação endossada pelo próprio Jerominho em vídeo publicado hoje nas redes sociais.

Segundo Carminha, só foram apreendidos os celulares do policial civil aposentado e ex-vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, e do seu irmão mais novo, o ex-policial civil e ex-deputado estadual Natalino José Guimarães.

"É inacreditável o que está acontecendo. Isso é perseguição política, só para desestabilizar a campanha. E nada encontraram. Os meus adversários políticos estão preocupados, porque eu vou ganhar a eleição", disse Carminha.

Em vídeo gravado em um galpão com cerca de 50 apoiadores, Jerominho se posicionou sobre a ação. "Os adversários estão apavorados com o crescimento da minha filha. Ela vai ganhar e vai ter a votação maciça da zona oeste. Preciso do apoio de todos vocês nessa luta", disse.

Jerominho disse ser favorável à política de abate

Em entrevista ao UOL em fevereiro, Jerominho revelou a intenção de ser prefeito do Rio e se referiu ao surgimento dos grupos paramilitares como "reação ao esculacho", em alusão à atuação de traficantes na área.

Na época, disse ainda ser favorável à política de abate de Wilson Witzel (PSC), governador afastado do Rio. Condenados por formação de quadrilha, Jerominho e Natalino foram soltos em outubro de 2018 após cumprirem dez anos de prisão.

Com mais de 300 mil habitantes, Campo Grande é o bairro mais populoso do país. Localizado a 48 km do centro, possui o batalhão da PM-RJ (Polícia Militar do Rio de Janeiro) com o menor efetivo da capital, na relação com o número de moradores.

'Minha campanha é pobre', diz Carminha

Carminha disse que ficou sabendo da ação pela televisão, por volta das 6h. Em seguida, foi até a casa do pai. A candidata disse que todos os gastos foram encaminhados a um contador, que irá prestar contas até o fim da campanha.

"A minha campanha é pobre, mas as pessoas não acreditam. A gente só faz barulho mesmo, com alguns voluntários nas comunidades. Meu pai e meu tio são lideranças políticas inquestionáveis", disse ao UOL.

Informações divulgadas na plataforma DivulgaCand apontam que ela recebeu R$ 83.100 —R$ 50.00 doados pela direção nacional do seu partido, R$ 33.100 de pessoas físicas e R$ 2.100 de outros recursos não informados. Até o momento, desembolsou R$ 17.000 em adesivos, R$ 3.600 em atividades de militância, R$ 3.200 em publicidade, R$ 3.000 em serviços contábeis e R$ 2.100 em outras despesas, totalizando um gasto superior a R$ 27.000.

Carminha também reclamou do prejuízo causado para a sua campanha devido à apreensão dos celulares de Jerominho e Natalino.

"O celular é hoje a principal ferramenta de campanha, porque conseguimos atingir muita gente pelas redes sociais e listas de transmissão no WhatsApp. Com a apreensão, incapacitaram o meu pai e o meu tio de fazer campanha", lamentou.

Movimentações financeiras atípicas, diz PF

Segundo a PF, foi possível verificar "movimentações financeiras atípicas nas empresas ligadas aos investigados, sendo que tais valores possivelmente seriam destinados nos gastos de campanhas eleitorais", em levantamento feito com base em análise de relatórios de inteligência financeira.

Os mandados foram expedidos pela 16ª Zona Eleitoral, especializada em crimes praticados por organização criminosa, lavagem de dinheiro e outros ilícitos conexos a crimes eleitorais.

Não houve prisões em razão da lei que proíbe o cumprimento de mandados de prisão de candidatos a menos de 15 dias para o pleito e de eleitores a menos de cinco dias da votação, no domingo (15).

PF mira acusados de fundar milícia, e filha candidata fala em perseguição - 12/11/2020 - UOL Eleições

domingo, 18 de abril de 2021

Ex-vereadora Carminha Jerominho é presa suspeita de receptação de celulares roubados

Carminha é filha de Jeronimo Guimarães, condenado por chefiar a maior milícia do estado do Rio


A ex-vereadora Carminha Jerominho foi detida por suspeita de receptação de celulares roubados no Rio de Janeiro. Ela alega inocência e diz que comprou os aparelhos em uma loja de forma legal, mas a polícia já sabe que os celulares foram roubados do terminal de carga do Aeroporto Tom Jobim no ano passado. Nesta edição do Boletim JR 24 Horas, veja também: Equipes de resgate buscam vítimas de desabamento em mina de ouro na Indonésia.




Carminha Jerominho, filha de condenado por chefiar milícia, não consegue se eleger no Rio

Essa é a segunda vez que ela falha ao tentar voltar ao cargo



Carminha Jerominho, filha de condenado por chefiar milícia, não consegue se eleger no Rio Foto: Facebook / Reprodução

RIO - Carminha Jerominho (PMB), filha de Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, condenado por chefiar a maior milícia do Rio, não conseguiu uma vaga na Câmara dos Vereadores do Rio. Ela obteve pouco mais de 4 mil votos. Essa é a segunda vez que Carminha — que é alvo de investigações da polícia por conexão com a milicia — falha ao tentar voltar ao cargo: em 2012, ela se candidatou e também não conseguiu ser eleita.

Leia mais:Berço de milícias, Zona Oeste do Rio tem boca de urna e santinhos pelas ruas

Em 2008, Carminha conseguiu se eleger mesmo estando presa após ser acusada de usar a milícia para coagir eleitores na Zona Oeste. A filha de Jerominho estava dentro da penitenciária federal de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, quando saiu o resultado da eleição. Um ano depois da prisão e de ser eleita, a herdeira do clã foi cassada por arrecadação irregular de verba, mas voltou ao cargo em 2011 por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

OperaçãoPF faz buscas nas casas de Jerominho e Natalino em operação contra milícia na eleição do Rio

Na semana passada, a campanha de Carminha foi alvo de uma operação da Polícia Federal  que mirou comitês de campanhas e empresas ligadas à prática de lavagem de dinheiro conexos a crimes eleitorais na Zona Oeste do Rio. Agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão nas residências de Jerominho e seu irmão, José Guimarães Natalino — ambos soltos desde o ano passado, após de passarem mais de dez anos na cadeia.

Comício de Crivella com bolsonaristas teve funcionários da prefeitura na organização e ‘guardiã’ no palco

Durante as investigações, foram identificadas movimentações financeiras atípicas na ordem de R$ 1 milhão em empresas ligadas aos investigados a partir da análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (Rifs). De acordo com a PF, esses recursos possivelmente seriam destinados para gastos de campanhas eleitorais. A "Operação Sólon" mirava também a campanha de Jéssica Natalino, filha de Natalino e candidata a vice-prefeita na chapa de Suêd Haidar (PMB), que também não conseguiu se eleger. A PF sustenta que o grupo investigado tem ligações históricas com a milícia na Zona Oeste e o objetivo de retomar o poderio político na região por meio da candidatura de parentes.

Confira:  Crivella dobra aposta no eleitor evangélico para buscar o segundo turno no Rio

Após a operação, Carminha Jerominho disse ao GLOBO que a atuação da PF repetiu um padrão de eleições anteriores, em que ela e a família já tinham sido alvos.

— Isso aí (a operação) é fruto de denúncias de adversários políticos. Toda eleição é a mesma coisa. Em 2008, fui presa. Em 2012, forjaram um lugar que não era meu comitê — declarou a candidata, em referência a um depósito de materiais de campanha onde a PF encontrou armamentos pesados naquele ano.

Outros candidatos investigados por ligação com a milícia também não conseguiram se eleger no Rio. Daniel Carvalho (PTC), filho de outro miliciano condenado, o ex-vereador Luiz André Ferreira da Silva, também não conseguiu se eleger. Ao todo, ele recebeu 1.480 votos. Já Jair Barbosa Tavares, o Zico Bacana (Podemos), recebeu mais de 11 mil votos, mas não conseguiu se reeleger. Ele ficou com uma vaga de suplente. Zico foi alvo de um atentado no último dia 2. A polícia investiga se o crime foi motivado por uma disputa entre milicianos e traficantes.

Alvos da PF por ligação com milícia têm desempenho eleitoral fraco no Rio

 De acordo com a PF, há indícios de que está em curso um movimento dos investigados "para retomar o poder que possuíam" no Rio


Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
16 de novembro de 2020 às 12:12 | Atualizado 16 de novembro de 2020 às 12:13


A família Jerominho, alvo de uma operação da Polícia Federal às vésperas das eleições, teve um desempenho eleitoral fraco no Rio de Janeiro. Carminha Jerominho, filha do ex-vereador Jerônimo Guimarães Filho, que ficou uma década preso por chefiar uma milícia na Zona Oeste do Rio, teve pouco mais de 4.200 votos e não foi eleita para uma vaga na Câmara de Vereadores. 

Carminha concorreu pelo PMB, partido que lançou sua prima, Jéssica Natalino, como vice na chapa de Suêd Haidar. Jéssica é filha do ex-deputado estadual Natalino Guimarães, irmão de Jerominho, e que também ficou preso por uma década por comandar uma milícia.

A PF chegou, na semana passada, a cumprir mandado de busca e apreensão na casa de Suêd Haidar, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Na ocasião, agentes apreenderam dois celulares, documentos e material de campanha. A candidata do PMB teve apenas 3.833 votos e foi a antepenúltima dos 14 que disputaram as eleições no Rio. 

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Na semana passada foram apreendidos R$ 350 mil em locais ligados aos irmão Jerominho e Natalino. O primeiro se lançou pré-candidato à prefeitura pelo PMB, mas desistiu em julho, alegando problemas de saúde. Suêd Haidar, que entrou em seu lugar na disputa,  é presidente nacional do PMB, partido registrado na Justiça eleitoral desde 2015. 

De acordo com a PF, há indícios de que está em curso um movimento dos investigados "para retomar o poder que possuíam na zona oeste da capital fluminense”. 

Em nota, o PMB afirmou que o partido é ficha limpa e que está à disposição da Justiça. "O Partido da Mulher Brasileira (PMB) é um partido ficha limpa e democrático nas suas filiações, nominatas e candidaturas, desde que sejam validadas e aprovadas pelo TRE. Estamos a disposição da Justiça para apuração de fatos que envolvam candidatos da nossa legenda. Hoje já somos mais de 1.050 candidatos em todo Brasil e lutamos pelo combate à corrupção”, diz a nota.

Alvos da PF por ligação com milícia têm desempenho eleitoral fraco no Rio