Essa e a verdadeira cara da nossa Segurança Publica

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quinta-feira, 16 de abril de 2026

A desmilitarização da PM não é a solução!





 Todo pesquisador que estudar o funcionamento do sistema de segurança pública no Brasil e no mundo, deixando de lado paixões corporativistas, interesses e posicionamentos ideológicos verá, nitidamente, que o problema de segurança passa ao largo da unificação e da desmilitarização das polícias militares.

As polícias militares existem e sempre existiram no mundo todo, com outros nomes, mas atuando como polícia ostensiva, preventiva e fardada. Temos no Chile, Argentina, Portugal, França, Espanha, Itália, México e em vários outros países, sem que a sua formação militar se oponha à atividade de policiamento.

No nosso país, as PM não são produto do Regime Militar (1964-1985). Elas antecedem no tempo. Apenas citando a Polícia Militar do Estado de São Paulo, cuja existência remonta a 1831, criada com efetivo de 100 homens a pé e 30 a cavalo, para efetuarem o policiamento na púbere cidade de São Paulo. São mais de 186 anos de serviços prestados ao povo paulista e brasileiro.

Tampouco as PM servem ao Estado, como querem alguns, ressaltando que isso advém da necessidade de controle sobre os cidadãos, remontando novamente ao período de exceção. Não verificam, contudo, que nos citados “anos de chumbo” coube à outra força policial, de natureza civil, executar atividades que ficaram comprovadas no relatório da comissão da verdade, de desrespeito aos direitos fundamentais. O DOPS era uma delegacia, não um quartel da PM.

Sequer se pode aceitar a aclamada incompatibilidade entre a temática de direitos humanos e o ensino-formação nas academias policiais-militares. A temática é abordada primeiramente no que podemos chamar de “Livro da Lei” da PMESP, que é o GESPOL – Sistema de Gestão da Polícia Militar – que tem como pilares doutrinários a Gestão pela Qualidade, a Polícia Comunitária e os Direitos Humanos. Segue ainda de forma transversal em todos os cursos da Polícia Militar (de soldado a coronel), sendo tema obrigatório e recorrente até mesmo nas instruções de tiro defensivo na preservação da vida – Método Giraldi – metodologia nascida na PMESP e reconhecida pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (que trata da temática de Direitos Humanos e Direito Internacional Humanitário) como o melhor método de treinamento policial.

Em vez de falar em desmilitarização como solução para a segurança pública devemos investir num problema que, para alguns, é espinhoso, e que passa pelo chamado ciclo completo de polícia. Relatório produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que menos de 10% dos inquéritos policiais chegam à autoria dos homicídios, e que, ainda, desses 10%, de reconhecimento de autoria do crime 80% são em casos de prisão em flagrante delito, na sua maioria conduzida por policiais militares. Portanto, não é a desmilitarização que vai destravar a segurança pública, mas sim a adoção do ciclo completo de polícia e a extinção do arcaico inquérito policial que, por sinal, só existe no Brasil e em outros dois países.

Com um pouco de pesquisa séria é possível encontrar um país da América do Sul exemplo de excelência, o Chile, em que os Carabineiros (instituição militar) exibem uma taxa de 95% de elucidação de crime. Para não sair do Brasil, veja a Polícia Militar de Santa Catarina que, atuando com o Termo Circunstanciado, vem apresentando resultados de excelência, sendo referencial para todas as polícias militares brasileiras e da Europa, pois tem exportado tecnologia para França e Espanha.

Portanto, se vamos realmente falar sobre a mudança da Segurança Pública, enfoquemos os reais problemas.

Coronel PM Elias Miler da Silva
Presidente da DEFENDA PM – Associação de Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar




quarta-feira, 30 de julho de 2014

Pesquisa diz que 77,2% dos policiais são a favor da desmilitarização da PM

Fabiana Maranhão
Do UOL, em São Paulo
  • Policiais militares participam de cerimônia de formatura no centro de São Paulo
    Policiais militares participam de cerimônia de formatura no centro de São Paulo
Uma pesquisa feita com policiais de todo o país, lançada nesta quarta-feira (30) em São Paulo, revelou que a maioria diz ser a favor da desmilitarização da PM. Ainda segundo o estudo, um terço dos policiais brasileiros pensa em sair da corporação na qual trabalham.
O estudo foi realizado com 21.101 policiais militares, civis, federais, rodoviários federais, bombeiros e peritos criminais de todos os Estados. Os profissionais foram ouvidos entre os dias 30 de junho e 18 de julho.
A pesquisa "Opinião dos Policiais Brasileiros sobre Reformas e Modernização da Segurança Pública" foi promovida pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pelo Centro de Pesquisas Jurídicas Aplicadas da Fundação Getúlio Vargas e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.
Perguntados sobre a hierarquia policial, 77,2% dos entrevistados disseram não concordar que as polícias militares e os corpos de bombeiros militares sejam subordinados ao Exército, como forças auxiliares, demonstrando que são a favor da desmilitarização da PM.
"Se considerarmos apenas os policiais militares, 76,1% defendem o fim do vínculo com o Exército. O que é um sinal claro de que o Brasil precisa avançar na agenda da desmilitarização e reforma das forças de segurança", afirma Renato Sérgio de Lima, vice-presidente do Conselho de Administração do fórum e pesquisador da FGV.
De acordo com a pesquisa, 53,4% discordam que os policiais militares sejam julgados pela Justiça Militar. Para 80,1% dos policiais, há muito rigor em questões internas e pouco rigor em assuntos que afetam a segurança pública.

Nova polícia

Mais da metade dos policiais (51,2%) afirmaram que as atuais carreiras policiais não são "adequadas" e deveriam mudar.
Eles deram suas opiniões sobre qual deveria ser o modelo da polícia brasileira: 27,1% deles sugeriram a criação de uma nova polícia "de caráter civil, com hierarquia e organizada em carreira única"; outros 21,86% apontaram como solução a unificação das polícias militares com as civis, "formando novas polícias estaduais integradas e civis".
Dos entrevistados, 83,2% concordaram que os regimentos e códigos disciplinares precisam ser modernizados e adequados à Constituição Federal de 1988.

Insatisfação com a profissão

Os policiais também responderam questões ligadas às condições de trabalho. Segundo a pesquisa, 34,4% dos policiais afirmaram que pretendem sair da corporação "assim que surgir outra oportunidade profissional". E 55,1% disseram que planejam se aposentar onde trabalham atualmente.
Perguntados se, caso pudessem escolher, optariam novamente pela carreira na sua corporação, 43,7% falaram que sim; 38,8% responderam que não.
Sobre as dificuldades que enfrentam na rotina de trabalho, mais de 80% deles citaram baixos salários, leis penais que consideram "inadequadas", contingente policial insuficiente, falta de uma política de segurança pública e formação e treinamento insuficientes.
 
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BRASIL - A polícia brasileira é dividida entre a militar, que é responsável pelo policiamento ostensivo, e a civil, que se encarrega das investigações dos crimes. As duas atuam nos Estados. O país também possui a Polícia Federal, de caráter civil e atuação nacional Ricardo Moraes/ Reuters
 

Perfil dos entrevistados

Dos policiais que participaram do projeto, mais da metade (52,9%) é da Polícia Militar. Outros 22% são da Polícia Civil. A maioria (63,5%) tem ensino superior completo ou especialização, e grande parte (44,4%) trabalha em média oito horas por dia.
 
Em relação à formação, 37,5% dos policiais tiveram de seis a 12 meses de aulas durante curso para ingressar na corporação; 34,2% tiveram de três a seis meses.
 
Sobre a renda mensal, 27,2% deles ganham de R$ 5.000 a R$ 10 mil; 26,2%, de R$ 2.000 a R$ 3.000; e 20,9%, de R$ 3.001 a R$ 4.000. O valor é líquido, incluindo os adicionais.
 
"Não obstante tecnicamente os dados não se constituírem em um retrato exato das opiniões de todos os policiais brasileiros, eles nos autorizam algumas análises e hipóteses exploratórias sobre reformas das polícias no Brasil e incentivam a participação destes profissionais na definição dos rumos de suas instituições", diz texto da pesquisa.


domingo, 1 de junho de 2014

A polícia militar é uma das instituições mais racistas de nosso país. As centen…

“A polícia militar é uma das instituições mais racistas de nosso país. As centenas de mortes que ocorrem todos os dias nas favelas Brasil afora mostram que a política do governo para a população negra e pobre é apenas uma: a da criminalização. Por isso exigimos a desmilitarização da PM. Pobreza se combate com saúde, educação e emprego”, afirma o diretor do Sindicato Célio Dias da Silva.
Estudo sobre violência policial revela racismo da PM
www.geledes.org.br
A cada quatro mortos pela polícia, três são negros.Homens negros, sobretudo jovens, são as principais vítimas da violência policial em São Paulo. É o que indica um estudo feito pela Gevac (Grupo de Estudos sobre Violên…
Fonte: DasLutas
A cada quatro mortos pela polícia, três são negros.Homens negros, sobretudo jovens, são as principais vítimas da violência policial em São Paulo. É o que indica um estudo feito pela Gevac...
GELEDES.ORG.BR



Estudo sobre violência policial revela racismo da PM

Estudo sobre violência policial revela racismo da PM

 

A cada quatro mortos pela polícia, três são negros.

Homens negros, sobretudo jovens, são as principais vítimas da violência policial em São Paulo. É o que indica um estudo feito pela Gevac (Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos) da Universidade Federal de São Carlos. O resultado mostra que entre os casos de morte provocada por policiais, 61% das vítimas eram negros. 

Nesse cenário, há ainda um outro dado também alarmante: 57% dos negros que morrem em ações policiais têm menos de 24 anos. Segundo a pesquisadora Jackeline Sinhoretto, responsável pelo estudo, o dado é preocupante já que, nessa idade, nenhuma outra política pública de prevenção surtiu efeito. 

“A primeira intervenção de política de segurança pública, com pessoas entre 12, 14 e 16 anos, é a ação violenta da polícia”, explicou.
Para Sinhoretto, devido à discrepância do número de mortes entre negros e brancos, o racismo institucional “está claramente desenhado” e parte de dentro das corporações militares, com o pressuposto de que os jovens negros, como indivíduos, são passíveis de cometer violência. 

"Não é possível, entretanto, analisar se os negros cometem ou não mais crimes", analisa o estudo.

Esse pressuposto faz com que essas pessoas sejam mais vigiadas e, portanto, sejam mais surpreendidas ao cometerem delitos.

Crimes impunes
Apesar da violência contra negros ser maior, apenas 1,6% dos assassinatos cometidos por policiais resulta em inquérito para apurar as circunstâncias em que as mortes aconteceram. 

A grande maioria dos casos é arquivada pela corregedoria, com o pressuposto de que os policiais agiram dentro da lei. 

“A possibilidade de que esses policiais tenham agido com excesso de força não é sequer apurada, o que indica que há conivência das próprias agências responsáveis por fazer o controle policial”, afirma a pesquisadora. 

"A polícia militar é uma das instituições mais racistas de nosso país. As centenas de mortes que ocorrem todos os dias nas favelas Brasil afora mostram que a política do governo para a população negra e pobre é apenas uma: a da criminalização. Por isso exigimos a desmilitarização da PM. Pobreza se combate com saúde, educação e emprego”, afirma o diretor do Sindicato Célio Dias da Silva.

Para o estudo, foram analisados 939 casos de ações policiais entre os anos de 2009 e 2011.