Uma operação policial no Rio de Janeiro desenvolvida pelo Bope - Batalhão de Operações Policiais Especiais - teria deixado cinco traficantes mortos e apreendido seis fuzis, drogas e quinze milhões de reais em dinheiro vivo.
Entretanto, após a tal operação, os policiais registraram na delegacia como material apreendido, apenas os fuzis e os pacotes contendo drogas. A grana sumiu, evaporou...
De acordo com uma detalhada denúncia recebida pela Corregedoria, no decorrer da operação na favela, os policiais foram levados por um bandido encapuzado ao ponto exato da mata no alto do morro onde o dinheiro estava enterrado dentro de tonéis. Um capitão do Bope ficou encarregado de dividir a grana. No Morro da Covanca funciona atualmente uma espécie de central de abastecimento de drogas da facção Comando Vermelho - daí a existência de tanto dinheiro vivo escondido.
Na última quinta-feira (9), após receber a denúncia, a Corregedoria Interna da Polícia Militar promoveu uma verdadeira "devassa" no quartel do Bope e nas casas dos policiais envolvidos. O dinheiro não apareceu.
Um soldado e um major foram presos. O major imediatamente pagou fiança - talvez até utilizando uma ínfima parte da grana sumida - e foi solto.
Todas estas investigações fazem parte de um Inquérito Policial Militar (IPM) sobre desvios de conduta no Bope que a PM afirma estar transcorrendo em sigilo.
O Bope sempre manteve para a sociedade uma imagem de absoluta correção, reverenciada inclusive no filme "Tropa de Elite".
Fatos como esse e outros que são mencionados numa reportagem publicada esta semana pela revista Veja, desmontam e fazem cair por terra esse espelho de postura ética.
Entre os casos relatados na reportagem, grampos da polícia mostram os negócios ilícitos de um sargento com um traficante em que se faz menção, inclusive, a outros membros da corporação, sugerindo a ação de uma quadrilha interna.
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Ator Paulo Betti participa de ato ecumênico no Complexo da Maré que relembra os dez mortos na operação policial no mês passado
O ator Paulo Betti esteve no ato ecumênico em homenagem às dez pessoas mortas na operação do Bope (Batalhão de Operações Especiais) em junho no Complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro, na tarde desta terça-feira (2). "As instituições precisam dar ao povo mais do que elas estão dando e de forma mais clara, sem corrupção. Quem está no governo não pode ficar tão folgado como está", afirmou.
VEJA DIVULGADO PELA PM MOSTRA HOMENS ARMADOS
Ele disse que tem acompanhado as manifestações no Brasil, mas só pôde participar desta, que caiu em um dia em que não estava gravando. "Foi um absurdo essa violência que aconteceu na Maré. Nós da classe artística estamos solidários com vocês [moradores]. É um momento muito estimulante no Brasil, uma chacoalhada geral para que as coisas não continuem como estão", disse o ator.
A manifestação reúne cerca de 2.000 pessoas. A estimativa é de policiais militares que fazem a segurança no local do protesto. A manifestação fechou a pista da direita da avenida Brasil, sentido zona oeste, na altura da passarela 9.
O ato contou ainda com a participação do MC Leonardo, que cantou o rap "Eu só quero é ser feliz", de pastores que fizeram uma reza e de um grupo de teatro. O estudante Andrey da Silva, 17, faz parte do grupo do Centro de Artes da Maré, que prestou a homenagem aos mortos na operação do Bope. Dez jovens se deitaram no chão com panos pretos e fizeram um minuto de silêncio. "Os panos pretos representam nosso luto e deitamos no chão para mostrar a morte dessas pessoas", disse. "A Maré não está mais apagada, tem gente com educação, trabalhadora, precisa de respeito."
A Polícia Militar entrou na comunidade no fim da tarde do dia 24 de junho, em busca de homens que aproveitaram uma manifestação nas proximidades para promover arrastão, roubando mercadorias de lojas e assaltando motoristas que passavam pela avenida Brasil. Entre os mortos, estão um policial do Bope e outros três moradores que não tinham antecedentes criminais.
Processo
O motorista Cláudio Duarte Rodrigues, 41, um dos feridos na operação do Bope, afirmou que pretende entrar com um processo contra o Estado. Ele participa do ato ecumênico em memória dos mortos que reúne cerca de 400 pessoas na comunidade, segundo a Polícia Militar.
Rodrigues contou que chegava em casa na noite do dia 24 de junho, quando foi atingido. "Era por volta de 23h30, eu estava na van, voltando do trabalho. O caveirão estava logo atrás. Eles (a polícia) começaram a atirar e me atingiram", disse ele, que está andando de muletas. "Vou entrar com um processo contra o Estado e pedir uma indenização."
Morador da Maré há 41 anos, Rodrigues acredita que a manifestação no complexo de favelas pode contribuir para melhorar a entrada da polícia no local. "Esperamos chamar a atenção das autoridades para que a polícia entre com mais cautela na favela. Aqui tem criança, jovem, trabalhador", disse ele, que passou um dia internado no Hospital Geral de Bonsucesso, onde foi submetido a uma cirurgia.
Vitória das ruas: o que mudou após os protestos pelo Brasil24 fotos
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ROYALTIES PARA EDUCAÇÃO E SAÚDE: Cartaz pede investimento em saúde e educação e questiona realização da Copa. Na madrugada do dia 26 de junho, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 5.500/2013 que destina 75% dos royalties do petróleo para a educação e os 25% restantes para a área da saúde. O projeto foi aprovado por consenso, após negociação entre as lideranças. Originalmente, o PL destinava 100% dos royalties para educação. O texto segue para o Senado Leia maisReprodução/Facebook
Falta de respeito
"Tudo de ruim acontece aqui dentro, porque a gente se cala. Se botar a boca no mundo, a polícia não vai mais chegar aqui de forma truculenta", diz a ascensorista Maria José Pereira, 41, moradora há 40 anos do Complexo da Maré. Segundo Maria, a polícia não tem respeito por quem mora na favela. "Aqui é na base do tapa na cara, do esculacho. Em abril, a polícia chegou aqui e entrou na minha casa. Eu fui acordada com um fuzil na cara", conta. "As pessoas têm medo de vir, mas têm que protestar."
Ela contou que as entradas do Bope na Maré têm sido constantes este ano. No dia da operação que terminou com a morte das dez pessoas, ela estava chegando ao complexo. "Fiquei do lado de fora esperando acabar para entrar. Era muito tiro. Bandido tem que prender, e não matar", disse. "Matar é um troféu para eles [policiais]."