Policiais foram acionados para uma ocorrência de perturbação do sossego e, mesmo após o som ter sido desligado, agrediram a família
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Uma festa de aniversário em Planaltina (DF) terminou com seis pessoas da mesma família presas pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). O caso aconteceu nessa segunda-feira (20/7), por volta da 0h20, após a corporação ser acionada para atender a uma ocorrência envolvendo perturbação do sossego no local. Os moradores da residência, porém, acusam os militares de agressão e truculência durante a abordagem.
Veja vídeo:
Segundo o relato do aniversariante, Caio Alecrim, 31 anos, ele é dono de um lava-jato e de uma distribuidora de bebidas. Ambas funcionam lado a lado. No domingo (19/7), ele decidiu fazer uma festa e, por morar em um apartamento, optou por comemorar no lugar onde funciona seu estabelecimento.
De acordo com o comerciante, os convidados eram todos membros da família — incluindo algumas crianças. A distribuidora que funciona ao lado estava aberta no momento da festa, mas não tinha qualquer relação com a comemoração, contou Caio ao Metrópoles.
Pouco depois da 0h, quatro viaturas da PMDF apareceram no local após terem sido acionadas para atender a uma ocorrência de som alto em uma distribuidora. Segundo Caio, assim que os policiais chegaram, o som foi desligado e ele explicou à equipe que a situação não tinha relação com a distribuidora, apesar de ser o dono do local. Ainda assim, os militares pediram que os parentes de Caio fossem embora do lugar.
Em um dos vídeos gravados, é possível ver o momento em que os policiais solicitaram que os familiares deixassem o local e a família questionou por quê precisariam sair. “É tudo família, não tem por que sair”, falou a irmã de Caio enquanto gravava os vídeos.
A partir desse momento, um policial foi até o carro, pegou um spray de pimenta e acionou contra o rosto de Caio — que estava parado na frente da corporação. Perto do comerciante estava a sobrinha dele, uma criança de 6 anos.
Ação truculenta
O comerciante entrou para o estabelecimento e trancou o portão. Outro vídeo mostra um policial puxando a esposa de Caio, de 27 anos, pelo braço, enquanto outros tentam arrombar o portão. Assim que os militares conseguiram entrar no comércio, eles passam a agredir o comerciante. Toda ação foi registrada em um vídeo gravado pela irmã de Caio.
Ao Metrópoles, ele contou que, durante a agressão, os policiais chegaram a quebrar a lanterna do carro de um cliente que estava estacionado no comércio.
A esposa do dono da distribuidora também foi agredida. Três policiais imobilizaram a mulher no chão e a colocaram dentro da viatura seminua. Segundo eles, não tinha nenhuma policial mulher atuando na ocorrência. Toda a situação ainda ocorreu na frente dos filhos do casal — o mais novo, de 3 anos, se escondeu embaixo de uma mesa.
Policiais denunciaram desacato
Ao todo, seis pessoas foram presas e encaminhadas à 16ª Delegacia de Polícia. No local, os policiais registraram um boletim de ocorrência de ameaça, resistência e desacato.
Segundo o boletim, os policiais teriam solicitado que o som fosse desligado e avisaram que, caso não fosse, a equipe poderia dar voz de prisão. Após isso, os presentes teriam começado a agir com hostilidade, xingado e ameaçado os policiais.
Ainda de acordo com a versão dada pela corporação no Boletim de Ocorrência, a família teria fechado o portão temendo ser presos, momento em que foi necessário usar spray de pimenta para desobstruir a passagem.
Segundo a equipe policial, quando eles entraram na casa, os presentes passaram a arremessar diversos objetos contra os militares. Por esse motivo teria sido necessário o emprego de bastão policial.
Todos os seis envolvidos foram submetidos ao exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML).
Ao Metrópoles, a família contou que está com bastante dor no corpo, parte deles ficaram com alguns hematomas devido à ação dos policiais. Caio contou que a esposa, desde segunda, ainda não conseguiu sair de casa, com medo de tudo o que ocorreu.
“Minha esposa não sai de casa, não sai para trabalhar, está com vergonha”, contou.
O que diz a PMDF
Em nota, a Polícia Militar informou que “parte dos presentes passou a desacatar e ameaçar os policiais militares, utilizando expressões ofensivas, além de impedir a atuação das equipes ao fechar e trancar o portão do estabelecimento, recusando-se a cumprir as determinações policiais”.
“Diante da resistência apresentada e da necessidade de cumprir uma ordem legal, foi empregado instrumento de menor potencial ofensivo e técnicas de controle. O emprego desses recursos tem justamente como finalidade reduzir e cessar a resistência, evitando a escalada da intervenção e uma possível agressão física, de modo a permitir que os policiais militares executem sua função dentro da legalidade, com a preservação da integridade física dos envolvidos, dos próprios policiais e de terceiros”, informou a corporação em nota.
A nota da PM ainda afirma que dois policiais sofreram lesões e que um equipamento foi danificado. A Corregedoria da Corporação ainda deve verificar se houve excesso pela parte dos policiais.
“A Polícia Militar do Distrito Federal informa, ainda, que a Corregedoria da Corporação realizará a apuração das condutas individuais e a análise dos procedimentos adotados pelas equipes, a fim de verificar se houve eventual descumprimento da legislação, dos protocolos institucionais e dos procedimentos previamente estabelecidos pela Corporação”.

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