Essa e a verdadeira cara da nossa Segurança Publica

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domingo, 1 de março de 2026

Disputas armadas e chacinas policiais expõem fracasso da segurança no Brasil, aponta Fogo Cruzado

Relatório anual do instituto revela que mortes em ações policiais mais que dobraram em 2025; confrontos entre facções cresceram 15% e atingem novas regiões

Policiais militares durante operação na favela Vila Cruzeiro, no complexo da Penha, Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 2025.

— Mauro Pimentel/AFP

27 de fevereiro de 2026


 O modelo de segurança pública adotado no Brasil permanece ancorado em estratégias que se mostram incapazes de conter a expansão de grupos armados, ao mesmo tempo em que aprofundam a letalidade da ação estatal. É o que revela o relatório anual do Instituto Fogo Cruzado, divulgado nesta sexta-feira (27), com dados da violência armada em 2025 nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Belém e Salvador.

O número de mortos em chacinas policiais (episódios com três ou mais civis mortos em ações da polícia) disparou 101% em 2025. Foram 346 mortes em 62 ocorrências, contra 172 mortes em 50 chacinas no ano anterior. Do total de 5.846 tiroteios registrados, 33% ocorreram durante ações policiais, contra 29% em 2024.

Os confrontos entre grupos criminosos por controle territorial cresceram 15% no período, evidenciando a expansão das facções e milícias em todas as regiões monitoradas. Os dados indicam que, apesar do aumento da letalidade policial, o Estado não consegue desarticular as organizações criminosas nem garantir segurança à população.

As 62 chacinas policiais registradas em 2025 representam um crescimento de 24% em relação a 2024. O total de mortos nesses episódios atingiu 346, alta de 101% na comparação anual.

Na Bahia, estado com os maiores índices de letalidade policial no país, a polícia esteve envolvida em 95 mortes em contexto de chacina em 2025, aumento de 73% ante 2024. No Pará, 46% dos tiroteios ocorreram durante ações policiais, o maior percentual entre os quatro estados monitorados.

“A política de segurança pública no Brasil permanece ancorada em estratégias ultrapassadas e comprovadamente ineficazes”, afirma o relatório. O documento aponta que o Estado segue entre os principais vetores da violência que deveria combater.

Disputas territoriais avançam

Os confrontos entre grupos armados por território cresceram 15% em 2025. O fenômeno atinge com intensidade diferentes regiões do país e rompe padrões históricos em alguns estados.

No Rio de Janeiro, a região metropolitana registrou 275 tiroteios motivados por disputas entre facções e milícias, o maior número desde o início do monitoramento do Fogo Cruzado, em 2017. O índice representa crescimento de 26% em relação a 2024. Os confrontos resultaram em ao menos 180 pessoas baleadas.

Em Pernambuco, a mudança foi ainda mais acentuada. A região metropolitana do Recife contabilizou 46 tiroteios decorrentes de disputas entre grupos armados, um aumento de 650% em relação a 2024. Sete municípios diferentes foram afetados, rompendo o padrão histórico de conflitos pontuais no estado.

Na Bahia, 44% dos tiroteios ocorreram em ações policiais, em um cenário de conflitos territoriais persistentes. No Pará, foram 43 episódios de violência armada relacionados a disputas entre grupos criminosos.

Ausência de coordenação federal

O relatório aponta que, no plano federal, os avanços foram limitados. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, apresentada como eixo central da política nacional, permanece paralisada no Congresso Nacional. Sem coordenação efetiva, os estados atuam isoladamente diante de organizações criminosas que operam em escala nacional.

“A ausência de uma política nacional articulada e consistente para enfrentar o tráfico de drogas — que vá além de ações pontuais e repressivas — cria um ambiente propício para o avanço das facções criminosas”, afirmou Cecília Olliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado.

O documento também aponta mudanças na geopolítica do tráfico internacional, com o Brasil consolidando-se como polo de refino de cocaína. Belém ocupa posição estratégica como ponto de escoamento da droga pela rota amazônica, o que amplia os impactos locais da presença das facções.

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