A ação da PF (Polícia Federal) contra o garimpo ilegal que destruiu 71 embarcações no rio Madeira entre os municípios de Manicoré e Humaitá (AM) desencadeou uma série de protestos de moradores e autoridades, que compararam a operação nas cidades com uma guerra.
A queixa principal é que a ação usou explosivos de alto poder para destruir balsas de pequenos garimpeiros que também servem de moradia a famílias pobres. Além disso, citam que houve uso de bombas de gás e spray de pimenta contra moradores que protestavam pacificamente contra a ação.
A Defensoria Pública do Amazonas afirma que a ação gerou pânico em crianças e idosos, e pede à Justiça a proibição do uso de explosivos no rio Madeira. A PF afirma que a operação foi para cumprir uma ordem judicial.
O UOL assistiu a vídeos que mostram famílias tentando argumentar para que as pequenas balsas não sejam destruídas. Há imagens de correria, choro de crianças e de um voo rasante de helicóptero próximo aos moradores. A ação levou à suspensão de aulas e fechamento de portos.
O prefeito de Humaitá, Dedei Lobo (União), afirmou à coluna que a ação da segunda foi a mais impactante que já viu na cidade em seus quatro mandatos.
Agiram como se estivessem em uma guerra em plena orla da cidade: foi ataque com helicóptero, jogando bomba na população. Tivemos explosões fortíssimas, uma que gerou uma nuvem de fumaça de uma altura de mais de 500 metros, parecia que éramos guerrilheiros. Eles colocaram todo mundo em risco, destruíram tudo das pessoas, sem contar os 30 mil litros de óleo no rio.Dedei Lobo
O garimpo artesanal na região, diz, é a forma de sustento de cerca de 7.000 famílias no curso do rio Madeira, e a destruição dessas pequenas balsas significa dar fim à única fonte de renda dessas pessoas.
"Eu defendo que se faça a legalização desses pequenos extrativistas, senão o que vamos entregar essa atividade a grandes mineradoras. São famílias que vivem disso há anos. Há um impacto gigante para nossa cidade", diz.
Dedei afirma que das 71 embarcações destruídas na ação, apenas cerca de sete eram dragas de grande porte. "Essas grandes eram de pessoas que não são daqui, que não defendemos. Mas o resto era balsa de trabalho familiar, que a gente defende porque é o pequeno extrativista que veio da castanha, que veio borracha, que faz pra sobreviver", completa.








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