Letalidade policial: 1992 x 2025 
Hoje (2), o massacre do Carandiru completa 33 anos sob um cenário preocupante: o estado de São Paulo registrou aumento de 83,8% no número de mortes causadas por PMs em serviço entre 2023 e 2024.
Os números foram divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com o lançamento do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública em julho.
São Paulo registra o maior aumento no número de mortes decorrentes de intervenção policial de todo o país. Considerando policiais civis e militares, em serviço e de folga, o aumento foi de 60%.
Os valores são puxados pela PM, que registrou 649 mortes causadas por policiais em serviço em 2024, contra 353 em 2023, e 126 mortes provocadas por policiais de folga, contra 104 em 2023. A Polícia Civil do estado registrou queda nas mortes causadas por seus agentes em serviço e fora do trabalho.
Sob comando do governador bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (Progressistas-SP), se acumulam denúncias de abuso policial e casos de mortes de inocentes.
O massacre do #Carandiru foi há mais de três décadas, mas os dados mostram que violações como essa não ficaram no passado. Em meio à impunidade, o caso ainda transcende o sistema prisional e oferece subsídios para um debate mais amplo sobre o genocídio reincidente provocado pelo Estado brasileiro contra as populações negras e pobres.
“Os caminhos tortuosos percorridos [desde o massacre do Carandiru] indicam que a sociedade brasileira não foi capaz de efetivamente apaziguar seus inúmeros conflitos. Rememorar o massacre do Carandiru significa interpelar mais uma vez os valores da sociedade brasileira, com a expectativa de que no futuro, massacres não sejam mais nem desejáveis, nem possíveis.”
A afirmação é de Marcos César Alvarez e Maria Gorete Marques de Jesus, pesquisadores do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP), e de Ariadne Natal, pesquisadora de pós-doutorado do Peace Research Institute de Frankfurt (PRIF), em artigo de opinião publicado no #BrasildeFato em setembro de 2022.

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