Processo criminal é aberto contra policiais que atiraram em carro de família em Cerro Azul

O Ministério Público do Paraná (MP) instaurou nesta quarta-feira (16) um procedimento criminal investigatório para apurar as circunstâncias da abordagem policial que terminou com o carro de uma família alvejado por mais de 20 tiros no último domingo (13), em Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba. O promotor de Justiça Rafael Bitencourt deve apurar se houve crime doloso contra a vida.
O MP descobriu que o carro da família está na oficina mecânica “Camilos Car”, em Curitiba, no bairro Portão. De acordo com a investigação, os policiais envolvidos na abordagem malsucedida pretendiam dividir o conserto do carro, porém, não poderiam ter tomado a iniciativa antes de uma perícia técnica. O MP também investiga se houve tentativa de ocultar provas. Somente nesta quarta, os policiais encaminharam fotos do carro ao MP.  Os policiais já identificados apresentaram um “termo de recolhimento” do carro.  Eles disseram que a abordagem foi um “erro de comunicação”.
O promotor marcou para terça-feira (22) uma série de depoimentos de testemunhas que estavam na praça onde a polícia disparou vários tiros antes que o motorista parasse no hospital temendo que seu filho de 1 ano tivesse sido atingido.
O comerciante Jaquerson Souza, dono do carro, afirma que não quer que o veículo seja arrumado. “O carro foi destruído, eu não sabia onde o carro estava, nem em que estado vai voltar”, contesta.  Segundo ele, o carro foi levado por um policial identificado apenas como “Fagundes”. “Eu não sabia o que fazer, estava muito nervoso e preocupado com a minha família”, afirma a vítima.
A Polícia Militar informou que será instaurado um inquérito militar para apurar as circunstâncias e a conduta dos PM’s que participaram da abordagem. A nota da PM não faz referência ao destino do veículo. O carro, com o casal e o bebê, foi atingido por mais de 20 tiros após passar por um bloqueio de policiais descaracterizados.
A polícia defende que os disparos foram feitos depois que o condutor teria tentado jogar o veículo contra os policiais. A assessoria da PM afirma que a equipe estava utilizando sinais luminosos intermitentes, na viatura, no momento da abordagem. Informação não confirmada pelas vítimas, que afirmam que os policiais estavam em um carro Corsa comum, descaracterizado, em um matagal sem iluminação. Os policiais estariam fardados, mas sem viaturas plotadas.