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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

ATUALIDADES
31/07/2012 às 16:31 Ângela Rodrigues - jornalismo@portalamazonia.com

Família vítima do Esquadrão da Morte ainda aguarda indenização no Acre

O crime da motosserra envolvia um forte esquema de Narcotráfico, com ramificações em todas as esferas institucionais do Acre.


O crime da motosserra envolvia um forte esquema de Narcotráfico no Acre – Foto: divulgação
RIO BRANCO –Novamente o “crime da motoserra” – que tinha como líder o ex-coronel da Polícia Militar do Acre e ex-deputado federal Hildebrando Pascoal – volta a ganhar repercussão nacional. Parente de vítimas do “esquadrão da morte”, Emanuela Oliveira Firmino afirmou em entrevista que ainda aguarda uma decisão favorável por parte do Estado para a reparação dos danos sofridos.
Emanuela é filha única do mecânico Agilson Santos Firmino, o Baiano, que teve seu corpo mutilado ainda vivo por uma motoserra. O irmão dela, de apenas 13 anos, também foi assassinado por não saber informar o paradeiro do pai.
Logo que aconteceu o bárbaro crime, que teve como método de tortura uma motoserra usada para esquartejar a vítima ainda viva, a família da jovem abandonou o Estado, deixando tudo que tinha para trás, temendo novos ataques. Segundo ela, até agora, os parentes não receberam indenização.
Para embasar o pedido impetrado pelo Ministério Público Estadual do Acre (MPE), foi alegada a participação de parlamentares, policiais civis e militares nas práticas criminosas, em obediência as ordens expressas de Hildebrando Pascoal, que comandava o internacionalmente o conhecido “Esquadrão da Morte”.
MPE teve indenização negada
Em entrevista ao portalamazonia.com, o procurador do Ministério Público Estadual do Acre (MPE) Sammy Barbosa confirmou o pedido de indenização a favor da família da vítima no valor de R$ 2 milhões. O procurador destaca que o pedido foi apresentado como parte da ação condenatória ao réu Hildebrando Pascoal, mas teria sido negado pela Justiça acreana, tendo, inclusive, o órgão recorrido da decisão favorável ao réu.
Sammy Barbosa aconselhou que, caso a filha de Baiano decida ingressar com uma ação contra o Estado, deverá aguardar que seja esgotado todos os recursos, em virtude do processo não ter sido transitado e julgado, ou seja, concluído. “Atualmente, o processo encontra-se em fase de recurso, tanto por parte do MPE, que pede o aumento da pena, como a indenização aos familiares da vítima e de outro lado também por parte do réu. Caso seja negado o pedido na estância superior, a família tem uma segunda opção, que é pedir uma  indenização civil, mas isso somente será possível quando o processo for transitado e julgado”, explicou.
Prisão domiciliar
Na última quinta-feira (26) a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre negou por unanimidade o pedido impetrado pelo advogado de defesa do réu Hildebrando Pascoal para o cumprimento da pena em Regime Domiciliar. A defesa alegava que a saúde do acusado está debilitada.
Na semana passada, Hildebrando Pascoal foi hospitalizado no Hospital das Clínicas em Rio Branco com problemas de hipertensão e teve seu quadro clínico agravado, sendo por duas vezes levado às pressas para o atendimento de urgência do Pronto Socorro.
Entenda o caso
Agílson Santos Firmino, o baiano, foi morto em julho de 1996. Os restos mortais da vítima foram jogados em via pública. O filho de Baiano, de 13 anos, também foi morto em represálias à fuga da vítima. O crime da motosserra colocou o Acre em evidência por envolver um forte esquema de Narcotráfico, com ramificações em esferas institucionais.
Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual, a vítima teve os olhos perfurados, os braços, pernas e pênis amputados com a utilização de uma motosserra, além de ter um prego cravado na testa. Baiano prestava serviços para Hildebrando e foi brutalmente assassinato por não saber o paradeiro de Itamar Pascoal, irmão de Hidelbrando Pascoal, encontrado morto dias depois envolto em mistério.
Hildebrando acumula uma extensa lista de crimes e condenações. Entre cumpre pena na penitenciária de segurança máxima Antonio Amaro Alves por homicídios, tráfico internacional de drogas, formação de quadrilha e ainda crimes eleitorais envolvendo venda de votos e troca por cocaína.
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