Conexão Brasília Maranhão
Política, cultura e afinidades seletivas
Essa é para você que defende a polícia e a pena de morte no Brasil
Em Ceilândia, periferia do Distrito Federal, PMs assassinaram “por engano” um trabalhador e estudante universitário, na noite de quarta (3).
No Brasil inteiro, lamentam porque os jogadores argentinos “apanharam pouco” da Polícia Militar de Minas Gerais, ao final do jogo entre Atlético Mineiro e Arsenal*.
Assim como no Brasil inteiro não falta quem defenda com veemência a pena de morte e até faça campanha por ela – sem saber (a estupidez, via de regra, é fruto da desinformação) que a Carta Magna de 1988 veda a pena capital em artigo que é cláusula pétrea.
E ainda mais numerosos são os que aprovam (em muitos casos, pedem) a violência como diretriz maior da conduta policial e solução para a criminalidade e a “desordem”.
A ideologia policial no Brasil é indiscutivelmente genocida e fascista. Genocida contra os pobres, já que não há nenhuma restrição às violações de direitos básicos de pessoas, famílias e comunidades inteiras quando estas são pobres. Bate primeiro, pergunta depois.
E fascista porque, herdada da mentalidade militar**, adestra – esse é o termo – os agentes policiais para considerarem inimigo qualquer pessoa que seja suspeita ou que represente um obstáculo ou um simples incômodo à sua ação. E para inimigo, como se sabe, é mais do que legítima a ação de “neutralizá-lo”, eufemismo para dizer que os policiais têm carta branca para matar, se julgarem necessário.
E é justamente nesse ponto – o julgamento por parte do policial – que reside o perigo maior para uma sociedade que se pretende democrática. Concretamente, essa autorização tácita para matar resulta na morte de milhares de inocentes todos os anos. E não me refiro aos “acidentes” causados por balas perdidas. Falo das execuções sumárias, arbitrárias e completamente irresponsáveis, além de, obviamente, ilegais, cometidas por policiais que merecem a alcunha de bandidos de farda.
No caso de Ceilândia, o carro de três estudantes universitários – uma mulher dirigindo e dois homens de carona – foi “confundido” com o de sequestradores que estariam cometendo crimes na região. Os policiais avistaram o carro, atravessaram o canteiro central da rodovia, emparelharam com o veículo e dispararam na direção da motorista, que teve ferimentos leves, mas a bala atravessou a cabeça de José Chaves Pereira Alves, que estava no banco dianteiro do carona.
27 anos, pai de duas crianças (2 e 6 anos), esposa grávida de 8 meses, trabalhador e estudante universitário, José Alves não foi vítima apenas do bandido fardado – um sargento – que disparou contra o Fiat Uno. O jovem foi vítima também de uma sociedade que chancela a truculência da polícia, sobretudo e especialmente se for contra bandido – mesmo que nem sempre se tenha certeza se o suspeito é bandido.
Uma das coisas que mais me deixa triste e indignado em relação à nossa sociedade brasileira é essa crença patológica na violência como remédio para quase tudo, quando, na verdade, ela não resolve nada e ajuda a agravar muitos problemas graves.
Você que defende a pena de morte tem o sangue de José Alves e de todas as pessoas inocentes que são executadas diariamente pelas polícias do Brasil. Durma com isso na consciência, se puder.
Vícios e contradições policiais
– O corregedor-adjunto (em tese, função que deveria servir para aperfeiçoar – a partir das críticas e punições de más condutas – a instituição) da Polícia Militar do DF conseguiu dizer um absurdo para explicar o crimede seus subordinados: “Ainda é cedo para dizer se houve falha. A intenção era apenas atirar no pneu do carro para parar”. Ou seja, o corporativismo exacerbado não poupa nem quem deveria contribuir para a eliminação das atrocidades policiais.
– Segundo o passageiro-testemunha-do-crime que estava no banco traseiro, em entrevista ao Correio Braziliense (matéria apenas na edição impressa), o policial que atirou contra o veículo, ao ver o que havia feito, desesperou-se. Com as mãos na cabeça, dizia: “O que foi que eu fiz?!”… apesar disso, ele não está preso. Foi apenas afastado do trabalho nas ruas e vai ficar no trabalho administrativo.
– É óbvio e notório que há policiais competentes e respeitadores da lei e dos direitos fundamentais das pessoas e da coletividade. E eles são numerosos. Talvez sejam até maioria. Mas a questão não é essa. Uma corporação policial se orienta por determinadas normas e padrões, baseados em doutrinas coerentes com a visão de mundo e os interesses de quem a controla (a instituição), de modo que o “espírito de corpo” acaba prevalecendo sobre condutas individuais que sejam dissonantes da hegemonia. Em casos de ameaça à dominação, os indivíduos dissonantes são isolados ou expurgados.
– Por escrever um texto como esse e cobrar o respeito aos direitos humanos, certamente serei chamado de “defensor de bandidos”. Nada de surpreender, diante do nível de inteligência de gente que acredita de verdade que violência resolve algum problema.
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*Os vídeos mostram que a primeira agressão partiu de um policial contra um dos jogadores, que estavam errados ao abordar o árbitro ao final do jogo, mas nada – ABSOLUTAMENTE NADA – justifica a violência policial.
**Artigo muito bom sobre isso é o do Tulio Vianna na revista Fórum, “Desmilitarizar e unificar a polícia”:



Fiquei bastante satisfeita com a matérias.
O pensamento da pena capital é limitada ao uso de injeções letais ou cadeiras elétricas, que são as piores formas, pensamento errado, pois morrer por engano é a pior pena de morte que existe.
Assasinos tem que morrer, CHEGA DE IMPUNIDADE!
Enquanto existir vermes com esse pensamento. Infelizmente nao vamos mudar nada.
vamos propor uma lei que toda pessoa assine um termo dizendo que caso seja vitima de um crime, o seu autor seja executado.
Queria que esse dentista fosse seu filho. Não você porque aí não estaria aqui fazendo seu lindo discurso. Queria que fosse seu filho… aí veria se você manteria esse blá blá blá.
1. Por ser lei pétrea não quer dizer que não possa ser mudado, faça um referendo e pronto..
2. muitos inocentes já morrem na mão de marginais, iríamos trocar matar 1 inocente por erro no lugar de 1000 inocentes mortos por criminosos
3. Se há medo em cometer erros, hoje existem câmeras que não deixam dúvidas quanto a autoria.. aplique a pena de morte nesses casos e já teremos um bom ganho..
O dentista que eu havia dito que foi queimado aqui em São José dos Campos, em mais um caso absurdo, acabou de ser anunciado morto. Você tem alguma coisa agora para dizer à família dele? Envia seu discurso no cú!
Tomara que o próximo seja você mas que não te matem. Quero que você fique vivo para contar a experiência.
já exite a pena de morte,não legalmente mas no caso do dentista aqui em são josé dos campos,da dentista no abc em são paulo das pessoas que morrem em saidinhas de banco e muito mais pessoas pelo Brasil afora que são julgados e executados por marginais sem nenhuma chance de defesa
Por isso sou a favor da pena de morte para esses crimes
PENA DE MORTE JÁ!!!