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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

SALVADOR

Corpo de caminhoneiro morto em ação da PF é sepultado no Bosque da Paz

A família de Márcio, abalada pelo que aconteceu, negou a versão da PF
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17/06/2015 17:11:00
(Foto: Almiro Lopes)
O corpo de Márcio Néris Santos, 35 anos, foi sepultado na tarde desta quarta-feira (17) no cemitério Bosque da Paz. O motorista de caminhão foi morto durante uma operação da Polícia Federal na terça-feira (16).
Ele não era alvo da ação, mas segundo a PF agentes o encontraram armado em um dos prédios onde foram cumpridos mandados de prisão e Márcio teria se recusado a abaixar a arma. Ele foi baleado três vezes no tórax.
A família de Márcio, abalada pelo que aconteceu, negou a versão da PF. Eles negaram que o motorista tinha uma arma - o revólver não foi apresentado e segundo a assessoria da instituição só será mostrado à imprensa ao fim do inquérito.
Márcio era pai de duas meninas e casado. Ele estava de cuecas, dormindo, segundo a família, quando a porta da casa foi arrombada. A família acredita que a PF confundiu o apartamento.
Já os agentes afirmam que o homem mirou a arma para eles da porta do apartamento, entrando depois e se recusando a se desfazer do revólver. Ele então entrou no apartamento e foi seguido pelos agentes, que atiraram para defender suas vidas, segundo nota da Polícia Federal.
Férias
Segundo a família do motorista, ele estava de férias, ontem. E, como fazia sempre, às 4h30, ele saiu de casa, no Condomínio Jardim das Orquídeas, na Estrada Velha do Aeroporto, para levar a filha de 11 meses à casa do irmão – onde a criança ficava normalmente até o fim do expediente.

De lá, deixou a esposa, Viviane Bastos Neri, no trabalho e voltou para casa antes de ir passar o dia com o avô, que está doente. Menos de uma hora depois, Márcio recebeu três tiros no tórax dentro do próprio quarto. Ele foi socorrido ao Hospital Geral do Estado (HGE), mas morreu na unidade. 

Segundo a  família,  ele trabalhava na empresa de carga Expresso Alerta Ltda, era casado há dois anos e pai de duas meninas. Os parentes garantem que ele não tinha envolvimento com o grupo acusado de roubar cargas no Porto de Aratu.


“Os policiais nem sabiam que ele era caminhoneiro, a gente que disse”, contou a cunhada Cláudia Souza. Segundo a própria PF, Márcio não era o alvo da operação, mas estaria portando uma arma quando os policiais chegaram ao endereço.

O delegado Fábio Mota Muniz, superintendente em exercício da PF na Bahia, afirmou que uma perícia foi determinada para saber se houve confronto entre Márcio e os policiais. No prédio de número 105 do condomínio, a porta do apartamento 004, onde Márcio foi alvejado, foi arrombada.

No quarto do casal, sobre a cama, ontem de manhã, havia lençóis, travesseiros e o colchão com muito sangue, além e respingos na parede que fica ao lado na cama e no berço da criança. Uma marca de tiro ficou na parede do quarto, entre a cama e o berço.
“Se eles dizem que meu marido estava armado, eu quero ver a arma, quero que a perícia me prove. Onde está a marca do tiro da posição do meu marido na cama? Ele levou três tiros, estava de cueca e com aspecto de que estava dormindo. Simplesmente foi uma ação desastrosa, eles mataram um pai de família, meu marido estava dormindo”, disse a viúva, Viviane.
Operação combateu quadrilha que agia no porto de Salvador.
 (Foto: Almiro Lopes/CORREIO)
Segundo ela, policiais chegaram a dizer que o motorista estava escondido atrás da porta. Ainda segundo familiares, Márcio não tinha arma e era evangélico. “Ele morria de medo de arma, como ele ia estar armado?”, questiona o cunhado, Roberto de Souza Lima. Segundo familiares, depois de Márcio ter sido atingido, um vizinho do andar superior foi preso pela Polícia Federal.
O CORREIO tentou contato com Expresso Alerta, sem sucesso. A PF informou, em nota, que “adotou as providências para completo esclarecimento (da morte), providenciando a apreensão da arma, a identificação da equipe, a realização dos exames periciais devidos, inclusive de local, e a oitiva dos envolvidos e testemunhas”.

A morte de Márcio também será investigada pela PF, cujo prazo para conclusão do inquérito é de 30 dias. O Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) informou que só entrará no caso mediante solicitação da Polícia Federal.

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