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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Familiares de caminhoneiro morto por policial querem justiça

Eles foram ao Departamento Médico Legal de Vitória (DML), na manhã desta quarta-feira (09), para liberar o corpo da vítima

09/11/2011 - 10h39 - Atualizado em 09/11/2011 - 10h39
gazeta online
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Atualizada às 15h11
foto: Nestor Müller - NA
Família do caminhoneiro Antônio Pereira no DML de Vitória
A esposa do caminhoneiro chora após reconhecer o corpo do marido no DML de Vitória. Ela estava acompanhada do filho, também abalado (de camisa preta) 

Familiares do caminhoneiro Antônio Rodrigues, de 53 anos, morto na tarde desta terça-feira (08), após uma discussão de trânsito na BR 101 com um policial militar, foram ao Departamento Médico Legal de Vitória (DML), na manhã desta quarta-feira (09), para liberar o corpo da vítima.

O filho do caminhoneiro, Paulo Vitor dos Santos Rodrigues, 24 anos, e a esposa da vítima, Maria do Livramento de Araújo Silva, chegaram ao DML por volta de 8h40. A esposa está muito abalada e diz não acreditar no que aconteceu com o marido.

"Não é verdade o que ele está falando que agiu em legitima defesa. Testemunhas que assistiram e viram ele (o marido) pedindo pelo amor de Deus para ele não atirar. Mas, o soldado continuou atirando, não dando chance de Antônio se defender", ressaltou a esposa do caminhoneiro.

Ela contou ainda, que os dois planejavam viajar com o filho de 12 anos para Salvador, na Bahia, na próxima sexta-feira (11), para aproveitar o feriado prolongado.

Já o filho enfatizou que quer justiça. Ele conta que ficou sabendo da morte do pai no final da tarde de terça-feira. O rapaz disse ainda que o pai trabalhava em uma transportadora há um ano e era uma pessoa amiga, que não gostava de confusão e muito voltado para a família.

"Isso foi um tapa na minha cara e da sociedade. Matar uma pessoa desse jeito, sem motivos. Só porque ele é uma autoridade, pode fazer isso? Se muita autoridade começar a matar assim, o que vai ser de nós? Deixo na mão de Deus e espero justiça", desabafou.

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Antônio deixa seis filhos de seus três casamentos. O caminhoneiro morava no bairro Marcílio de Noronha, Viana. O corpo será velado na casa de familiares, no bairro Vila Nova, no mesmo município. Já o sepultamento está previsto para a manhã desta quinta-feira, às 10 horas, no cemitério Eldourado, em Viana.

Antônio Rodrigues foi morto com quatro tiros pelo soldado Saulo Oliveira de Souza, de 30 anos, após uma briga de trânsito. O acidente seguido de assassinato aconteceu por volta das 15h desta terça-feira, no Km 262, próximo à entrada do bairro Barcelona, na Serra.

O delegado Josafá da Silva, chefe da Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) da Serra, disse na manhã desta quarta que o soldado Saulo Oliveira de Souza continua preso no quartel da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória. O delegado preferiu não dar detalhes sobre o depoimento do acusado.

"O militar está à disposição da Justiça e só ela pode determinar se ele vai continuar preso ou não. Tenho um prazo de 10 dias para concluir o inquérito", destacou o delegado. Josafá garantiu que nenhuma pessoa será ouvida nesta quarta-feira.

O caso

Seria apenas um acidente, com prejuízos materiais. Mas, no meio da BR 101, na Serra, o motorista de um dos veículos, um soldado da Polícia Militar, sacou uma arma e matou com três tiros no peito e um no abdômen o caminhoneiro que conduzia o outro veículo. Aos 52 anos e em serviço, Antônio Rodrigues teria implorado para não ser morto. Saulo Oliveira de Souza, 30, no entanto, cometeu o crime, mesmo estando acompanhado da mulher e da filha, de apenas 2 anos.

O acidente seguido de assassinato aconteceu por volta das 15h desta terça-feira. O fato revoltou quem passava pelo local, no Km 262, próximo à entrada do bairro Barcelona. A indignação foi tanta que a rodovia logo foi fechada, em protesto.

Confira galeria de fotos 

Fotos: Chico Guedez - GZ


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