Exclusivo07/08/2015 | 10h00
PM admite indícios de crime e investiga ação de policiais denunciados pela morte de Wesley Lopes, em Araquari
Corporação aguarda parecer de corregedora, que pode apontar o afastamento dos PMs
Sueli Lopes, mãe de Wesley, acompanhou audiência do caso na última quarta-feira, em AraquariFoto: Leo Munhoz / Agencia RBS
Schirlei Alves
A Polícia Militar instaurou novo procedimento administrativo para apurar o suposto envolvimento dos policiais Juan Felipe Berti, 24 anos, e Jocenir Cavejon, 28 anos, na morte de Wesley Lopes, de 25 anos. O jovem desapareceuna madrugada do dia 28 de setembro de 2013, em Araquari. Um ano depois, osrestos mortais foram encontrados em uma região de mata fechada no município. Testemunhas disseram em depoimento que teriam visto dois policiais abordarem Wesley e o levarem em uma viatura.
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De acordo com o comandante da 5ª Região da PM, tenente-coronel Benevenuto Chaves Neto, o inquérito policial militaridentificou indícios de envolvimento de Berti e Cavejon com base no rastreamento da viatura. O inquérito foi enviado à corregedoria da PM, que, por sua vez, deve enviar um parecer sobre o caso até segunda-feira.
— O novo procedimento vai ser de cunho demissionário. Se o resultado comprovar o envolvimento (dos policiais), eles podem ser destituídos (da corporação) — disse o comandante.
Um procedimento administrativo já havia sido instaurado no começo da investigação quando foi constatado o desaparecimento de Wesley. Porém, como na época ainda não havia a confirmação da morte e o procedimento interno não havia encontrado indícios contra os policiais, eles permaneceram trabalhando. Com os novos elementos de investigação e a denúncia do MP, o futuro dos PMs na corporação é incerto.
Desde que o MP apresentou a denúncia, em abril deste ano, Berti e Cavejon foram afastados do trabalho na rua e permaneceram no serviço administrativo. Os dois prestaram depoimento sobre o caso em audiência de instrução e julgamento que aconteceu na tarde desta quarta-feira, no Fórum de Araquari. Familiares da vítima, o delegado responsável pela investigação e testemunhas também foram ouvidos.
"A Notícia" teve acesso à ação doMinistério Público que denunciou os policiais por abuso de autoridade, homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A defesa alega que o crime foi plantado por traficantes da região que não queriam a presença policial no local. Os policias negam envolvimento no crime.
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De acordo com o comandante da 5ª Região da PM, tenente-coronel Benevenuto Chaves Neto, o inquérito policial militaridentificou indícios de envolvimento de Berti e Cavejon com base no rastreamento da viatura. O inquérito foi enviado à corregedoria da PM, que, por sua vez, deve enviar um parecer sobre o caso até segunda-feira.
— O novo procedimento vai ser de cunho demissionário. Se o resultado comprovar o envolvimento (dos policiais), eles podem ser destituídos (da corporação) — disse o comandante.
Um procedimento administrativo já havia sido instaurado no começo da investigação quando foi constatado o desaparecimento de Wesley. Porém, como na época ainda não havia a confirmação da morte e o procedimento interno não havia encontrado indícios contra os policiais, eles permaneceram trabalhando. Com os novos elementos de investigação e a denúncia do MP, o futuro dos PMs na corporação é incerto.
Desde que o MP apresentou a denúncia, em abril deste ano, Berti e Cavejon foram afastados do trabalho na rua e permaneceram no serviço administrativo. Os dois prestaram depoimento sobre o caso em audiência de instrução e julgamento que aconteceu na tarde desta quarta-feira, no Fórum de Araquari. Familiares da vítima, o delegado responsável pela investigação e testemunhas também foram ouvidos.
"A Notícia" teve acesso à ação doMinistério Público que denunciou os policiais por abuso de autoridade, homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A defesa alega que o crime foi plantado por traficantes da região que não queriam a presença policial no local. Os policias negam envolvimento no crime.
Reprodução de foto de Wesley Lopes
Entenda o caso
Wesley Lopes, 25 anos, desapareceu na madrugada de 28 de setembro de 2013quando saiu de casa para ir até uma lanchonete, no bairro Itinga, em Araquari. Vizinhos disseram em depoimento que viram dois policiais militares abordarem o rapaz e o levarem na viatura. Na época, quando não havia confirmação da morte, os policiais chegaram a ser indiciados por abuso de autoridade.
Um ano depois, em 17 de setembro de 2014,uma ossada foi encontrada sem o crânio em área de mata fechada, na Estrada Rio do Morro. Quatro meses depois, um exame de DNA comprovou que os restos mortais eram de Wesley.
Em abril deste ano, o Ministério Públicodenunciou os policiais pelo crime. De acordo com a denúncia, o rastreador da viatura identificou que os policiais permaneceram por 13 minutos na rua onde Wesley morava e quase duas horas depois o veículo esteve no local onde a ossada foi encontrada.
A perícia concluiu que a vítima morreu por golpes que sofreu na região das costelas e possivelmente na região do crânio.
Contraponto
Nesta quinta-feira, "AN" tentou contato por telefone com a advogada de defesa, mas o aparelho celular estava desligado e, às vezes, fora de área. Antes da audiência na quarta-feira, a advogada de defesa, Carla Simone Santos Schettert, disse que os policiais não fizeram a abordagem e não tiveram envolvimento com a morte de Wesley Lopes.
A advogada acredita que o crime pode ter sido plantado por traficantes que não queriam a presença policial no bairro. Segundo a defesa, há duas testemunhas que afirmam terem visto Wesley três dias depois do suposto desaparecimento em bares da região na companhia de pessoas desconhecidas. Outras cinco pessoas também o teriam visto em Balneário Camboriú.
A advogada garante que todas as testemunhas serão ouvidas no curso do processo. Carla também pretende solicitar uma reconstituição do crime.
Um ano depois, em 17 de setembro de 2014,uma ossada foi encontrada sem o crânio em área de mata fechada, na Estrada Rio do Morro. Quatro meses depois, um exame de DNA comprovou que os restos mortais eram de Wesley.
Em abril deste ano, o Ministério Públicodenunciou os policiais pelo crime. De acordo com a denúncia, o rastreador da viatura identificou que os policiais permaneceram por 13 minutos na rua onde Wesley morava e quase duas horas depois o veículo esteve no local onde a ossada foi encontrada.
A perícia concluiu que a vítima morreu por golpes que sofreu na região das costelas e possivelmente na região do crânio.
Contraponto
Nesta quinta-feira, "AN" tentou contato por telefone com a advogada de defesa, mas o aparelho celular estava desligado e, às vezes, fora de área. Antes da audiência na quarta-feira, a advogada de defesa, Carla Simone Santos Schettert, disse que os policiais não fizeram a abordagem e não tiveram envolvimento com a morte de Wesley Lopes.
A advogada acredita que o crime pode ter sido plantado por traficantes que não queriam a presença policial no bairro. Segundo a defesa, há duas testemunhas que afirmam terem visto Wesley três dias depois do suposto desaparecimento em bares da região na companhia de pessoas desconhecidas. Outras cinco pessoas também o teriam visto em Balneário Camboriú.
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