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sexta-feira, 13 de julho de 2018

PM dá 'gravata' em ambulante no Brás e revolta testemunhas; veja vídeos

Vendedor ambulante foi abordado para apreensão de mercadorias e reagiu segurando carrinho. Cadeira foi jogada em direção a PMs, que ameaçaram e agrediram pedestres.



Por G1 SP, São Paulo
 
PM dá gravata em vendedor ambulante no Brás, no Centro de São Paulo
PM ameaça testemunhas que defendem ambulante

Um policial militar deu uma “gravata”, espécie de golpe no qual a vítima é imobilizada com um braço em volta do pescoço, em um vendedor ambulante na tarde deste sábado (3) no Brás, região central de São Paulo. A ação, que foi filmada (veja vídeos), ocorreu durante a apreensão de mercadorias do camelô, conhecido na região como Índio. Ninguém foi detido, segundo a polícia.


O PM permaneceu por mais de um minuto e meio com o braço em volta do pescoço do homem. A ação gerou protesto de pedestres que passavam pelo local e buzinadas de motoristas que ficaram parados no trânsito enquanto o PM agia e impedia a passagem dos carros por uma faixa da via. Um dos PMs chegou a ameaçar testemunhas e acertou um homem com golpes de cacetete.


A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que "a PM considera que a ação foi legítima", que os vídeos não mostram "toda a sequência dos eventos" e que houve "resistência do ambulante e de outras pessoas presentes". Além disso, a pasta informou que os PMs que estavam no local relataram que outro ambulante jogou água quente contra os policiais militares (veja a íntegra da nota da SSP ao final desta reportagem).


G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa da PM, que informou não ter registrado o caso. Também não há ocorrência registrada no 8º nem no 12º distritos policiais, que cobrem a região.


A agressão ocorreu na esquina das ruas Casemiro de Abreu e Oriente, região de forte comércio popular e com a presença de muitos vendedores ambulantes. Três policiais abordaram o homem que sofreu a agressão, mas somente um deles permaneceu com o braço em volta do pescoço do vendedor. Segundo testemunha, o vendedor levou a gravata depois de segurar o carrinho de mercadorias, cheio de camisetas, que os PMs ameaçaram apreender.


Enquanto o PM dava a gravata no homem, outras pessoas se aproximaram, próximo ao semáforo, e pediram para que ele fosse solto. “É um trabalhador”, gritou uma das pessoas. “Ele não tá fazendo nada, não, mano”, gritou um pedestre que passava pelo local. Enquanto um PM permanecia com o vendedor, os outros dois conversavam com as pessoas que criticavam a ação.


Na gravação, é possível ver o vendedor gritar e pedir “por favor” para que não levem a mercadoria dele. “Eu preciso dessa mercadoria, cara. Por favor, eu preciso dessa mercadoria pra trabalhar”, gritava o homem enquanto o PM o segurava


Em determinado momento, testemunhas tentaram pegar a mercadoria que os PMs queriam apreender. Um dos vídeos mostra que um PM se exaltou e ameaçou as pessoas. "Se vier pegar aqui vai levar. Vai levar", grita o policial, que logo em seguida é atingido por um banquinho de plástico vindo da rua. O mesmo policial tenta pegar o celular da testemunha que fez o vídeo. Em seguida, o PM corre em direção a um homem e o atinge com golpes de cacetete

Pedestres continuaram reclamando da ação. "Vai prender ladrão", gritam no vídeo.


Segundo testemunha, as mercadorias foram levadas pelos PMs, mas o vendedor ambulante não foi detido


Veja a íntegra da nota da Secretaria de Segurança Pública:



A Polícia Militar informa que PMs destacados para a Atividade Delegada apreenderam mercadoria irregular na região do Brás. Em análise preliminar, a PM considera que a ação foi legítima. As cenas apresentadas foram editadas sem mostrar toda a sequência dos eventos. As imagens não mostram a resistência do ambulante e de outras pessoas presentes antes de o vendedor ser contido. Os PMs que estavam no local relataram que outro ambulante jogou água quente, usada para cozinhar alimentos, contra eles. Após a apreensão da mercadoria, os ânimos se acalmaram. Não houve detidos. No entanto, vale reforçar que qualquer pessoa que tiver reclamações quanto à atuação de agentes pode formalizar queixa na Corregedoria da PM para a devida apuração dos fatos.



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