Essa e a verdadeira cara da nossa Segurança Publica

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domingo, 21 de julho de 2013

Caso Rodrigo Neto

Policial militar e dois da Civil foram presos nessa quinta-feira...





Em continuidade ao cumprimento da ordem expressa do governador Antônio Anastasia, de que a Polícia Civil do Estado desmantele uma organização criminosa que, conforme rumores mencionados pelo governador, atua no Vale do Aço há pelo menos 20 anos, três policiais foram presos nessa quinta feira (25):  o policial militar Victor Emanuel Miranda de Andrade e os investigadores Jimmy Casseano e Ronaldo de Oliveira, os dois últimos lotados na Delegacia Adjunta de Repressão a Furtos e Roubos de Ipatinga.

Cabo Victor foi preso em Lavras, no Sul de Minas Gerais. Ele é apontado como autor de vários homicídios na região, dentre eles o da própria esposa, a atendente do Century Park Hotel, no bairro Ferroviários, Francislaine Simões de Oliveira Andrade, 24 anos, morta na recepção do hotel, no dia 11 de março de 2007.
Cabo Victor ficou conhecido no Vale do Aço como o “assassino da moto verde”. No ano passado ele foi levado ao banco dos réus em Ipatinga pelo homicídio de Admar de Almeida Pereira, 20 anos, assassinado a tiros em 2005. Ele foi inocentado e não atuava mais em Ipatinga. Ele servia ao 8º Batalhão de PM da cidade onde foi detido na tarde dessa quinta-feira.
Sobre o policial militar Victor Emanuel, ainda pesam outros seis assassinatos ocorridos em Ipatinga. Uma das vítimas destes homicídios atribuídos a ele foi o comerciante Ricardo de Souza Garito, 35, que morreu em 22 de abril de 2007, no bairro Canaãzinho, alvejado por três tiros na cabeça e um no pescoço disparados por um motociclista. Na época, a Promotoria Pública denunciou Victor e outro policial militar como responsáveis por essa morte.
Cleidson Mendes do Nascimento, conhecido como “Cabeça”, de 26 anos, era testemunha no caso que apurava a morte do comerciante. Ele foi assassinado também a tiros na noite de sexta-feira, 16 de setembro de 2011, na rua Caldeus, no bairro Canaãzinho.   A mãe do rapaz, a pastora evangélica Eva Mendes do Nascimento, declarou na época que seu filho passou a ser perseguido por policiais desde o dia que resolveu testemunhar no caso. Ela chegou a afirmar que alguns policiais teriam colocado drogas em sua casa para incriminar Cleidson.
Quanto aos investigadores Jimmy Casseano e Ronaldo de Oliveira, uma nota enviada a imprensa afirma que eles são suspeitos de envolvimento em crimes de homicídio em Ipatinga e cidades adjacentes. Tal como os outros policiais civis presos anteriormente, eles também foram levados para a Casa de Custódia da Polícia Civil em Belo Horizonte, para cumprir prisão temporária.
As prisões dessa quinta-feira foram feitas por homens do DIHPP – Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa, atentos aos casos da região desde a morte do jornalista Rodrigo Neto, morto a tiros em 8 de março deste ano. O jornalista participava de um programa radiofônico onde denunciava a participação de policias em vários crimes no Vale do Aço. Com as investigações acerca de sua morte ainda em andamento, um colega dele, que também atuava como repórter policial foi igualmente assassinado com tiros na cabeça, no último dia 14. A investigação da morte de Walgney Assis de Carvalho, 43 anos, também está em curso.
Insegurança na cidade
As duas mortes desencadearam um clima de tensão na região com repercussão até mesmo internacional. A atuação da Polícia Federal já é defendida por algumas pessoas.
O  próprio governador Anastasia, que visitou Ipatinga nesta quinta-feira, indagado sobre a possibilidade das apurações serem assumidas pela Polícia Federal, não descartou essa hipótese.
A assessoria confirmou no início da noite que Anastasia se reuniu com familiares dos jornalistas mortos durante sua visita a cidade. Após o encontro, o governador, em entrevista coletiva, disse estar acompanhando os casos diariamente. Informou ter lido o dossiê encaminhado pelo Comitê Rodrigo Neto e disse estar a par dos problemas ocorridos no Vale do Aço há mais de 20 anos.  De acordo com ele, “o problema é sério e tem que ser resolvido definitivamente”.
Antônio Anastasia reiterou que já determinou ao secretário de Estado de Defesa Social, Rômulo Ferraz, ao chefe da Polícia Civil, Cylton Brandão da Matta, e ao comandante geral da Polícia Militar, Márcio Sant’ana, todo o empenho para a apuração dos dois casos de maneira a ir na mais profunda raiz do problema e punir os responsáveis.
Veja também:

Polícia Civil revela nomes

Dos suspeitos de assassinarem Rodrigo Neto





 Alessandro Augusto, suspeito de participação no crime. (Foto: AKR/Jornal Vale do Aço)
IPATINGA - Nota publicada pela Polícia Civil:
"O investigador de polícia Lúcio Lírio Leal, de 22 anos, foi preso agora pela manhã, em Ipatinga, como suspeito de ter participação direta no assassinato do jornalista Rodrigo Neto. Além dele, já está preso Alessandro Augusto Neves, de 31 anos, conhecido como Pitote, outro suposto envolvido no crime, ocorrido em março deste ano.
A equipe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela apuração da morte do jornalista e também de outros casos ocorridos em Ipatinga e região, antecipa que os últimos levantamentos a respeito do assassinato de Neto estão sendo concluídos e a divulgação da motivação e da dinâmica do crime deverá ocorrer nos próximos dias.

A prisão temporária de Lúcio Leal foi expedida pela Justiça nesta segunda-feira, dia 17, atendendo ao pedido da Polícia Civil. Alessandro já havia sido condenado por tentativa de homicídio e, por esse crime, foi preso pela equipe da DHPP na sexta-feira, dia 14. Quando abordado pelos policiais, ele trazia na cintura uma pistola calibre 380, motivando sua prisão também por porte ilegal de arma. Nesta segunda, a Justiça expediu o mandado de prisão temporária, solicitada pela Polícia Civil devido ao envolvimento no assassinato do jornalista.

Lúcio Leal entrou para a Polícia Civil em 30 de junho de 2010, após ser aprovado em concurso público e concluir o curso de formação na Acadepol. Nos quase três anos como policial, ele sempre atuou em delegacias de Ipatinga e de outras cidades da região. Lúcio Leal não possui qualquer processo na Corregedoria-Geral da instituição. Já Alessandro não tem profissão definida e ficou conhecido por ter muita proximidade com policiais, principalmente na cidade de Coronel Fabriciano.

O suspeito Lúcio. (DiárioPopular)
Sob coordenação do chefe do DHPP, Wagner Pinto, as investigações estão sendo comandadas pelo delegado Emerson Crispim de Morais, da Divisão de Crimes contra a Vida, que conta, em Ipatinga, com uma equipe  composta por dois escrivães e oito investigadores. No decorrer dos trabalhos, oito policiais suspeitos de terem envolvimento com outros crimes na Região do Vale do Aço tiveram prisão temporária decretada, sendo seis policiais civis e dois militares. Dos seis policiais civis, um médico-legista de Ipatinga obteve alvará de soltura da Justiça, uma vez que as investigações apontaram que ele não possuía qualquer envolvimento com os casos sob investigação. Os demais tiveram a prisão temporária renovada e continuam presos por suspeita de envolvimento em outros crimes".
Quem deveria proteger, mata
A morte de Rodrigo Neto evidencia uma barbárie camuflada na região. Histórias nas quais alguns membros das polícias, que constitucionalmente deveriam proteger o indivíduo, teriam se aproveitado da posição que ocupam e até mesmo do armamento pago com os impostos para agirem com violência, extorquindo, explorando e até matando.

O medo de se tornar mais um alvo e vítima fez com que cada morador adotasse o silêncio. Tal atitude não é recente. Ao completar 50 anos, o caso conhecido como “O Massacre de Ipatinga”, no qual funcionários da Usiminas foram executados por policiais na porta da empresa em 7 de outubro de 1963, mostra que a população aprendeu a se calar, mesmo que para isso leve por toda a vida as marcas deste silêncio.

O governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), disse no dia 17 de abril, ao falar sobre a morte de Rodrigo Neto, que uma "organização criminosa" pode estar agindo impunemente há duas décadas na região de Ipatinga. "Não posso fazer afirmativa sobre o que aconteceu ou não aconteceu, porque eu seria leviano. Mas existem informações e rumores de que existe ali uma organização criminosa que há 20 anos comete crimes de modo impune”, declarou Anastasia. Moradores da cidade, quando se sentem seguros com o interlocutor também são capazes de revelar histórias confirmando os “rumores”.
Vereador Ipatinga


Policiais presos ipatinga

Assassinato jornalista de IpatingaChefe Polícia em Ipatinga


Investigador Fabrício e vereador

Detetive Elton são presos...



O vereador de Santana do Paraíso, Detetive Elton  e o investigador Fabrício Quenupe/Foto: Jornal Vale do Aço
IPATINGA - Foi preso nessa sexta-feira (10) o investigador Fabricio Quenupe. Morador de Ipatinga e a serviço da Polícia Civil no Vale do Aço, ele foi transferido para a região metropolitana de Belo Horizonte, em junho de 2012.
A transferência de Fabrício Quenupe e outros dois investigadores foi solicitada pela Corregedoria da Polícia Civil, após as denúncias do delegado aposentado Francisco Lemos, que afirmou existir um esquema de corrupção que envolvia, entre outros, investigadores e delegados. Fabrício foi então designado para o plantão em uma delegacia de Nova Lima na grande BH.
A prisão de Fabrício Quenupe advém do possível envolvimento em um crime de duplo homicídio ocorrido em 2010. Na época, Quenupe era investigador na 1ª Delegacia Regional de Ipatinga. O colega dele, Ronaldo Correa, que já se encontra preso em Belo Horizonte, na Casa dos Policiais, também é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil por possível participação nos homicídios.
A assessoria de comunicação da Polícia Civil confirmou em nota a prisão de Fabrício, o que também foi confirmado pelo chefe do Departamento de Investigação de Homicídio e Proteção a Pessoa de Belo Horizonte (DIHPP), Vagner Pinto.
Chefe do Departamento de Investigação de Homicídio e Proteção a Pessoa de Belo Horizonte (DIHPP), Vagner Pinto
Ao todo, são sete os agentes de segurança detidos na operação que busca apurar a morte do jornalista Rodrigo Neto e outros crimes denunciados por ele. Um dos investigados foi solto por determinação judicial.
O duplo homicídio
Os homicídios, pelos quais recaem sobre os investigadores as suspeitas, vieram a público em julho de 2010, quando os corpos de dois jovens foram encontrados às margens de uma  estrada vicinal próxima ao Córrego Boa Vista, em Ipabinha, em meio a um matagal. As marcas deixaram evidenciavam que os jovens, encontrados nus, foram executados com tiros na cabeça.
Foto: Jornal Vale do Aço
Um dos executados se chamava Glauco Antônio Lourenço, de 22 anos, acusado de ter invadido um sacolão no bairro Canaãzinho e matado o aposentado Domingos Couto de Barros, 78 anos, com um tiro no peito em um assalto.
O outro corpo era do lavador de carros Marcos Vinícius Lopes de Oliveira, de 18 anos, que estava desaparecido desde o dia 25 de junho daquele ano. Na época, algumas pessoas disseram que ele foi visto vivo pela última vez ao ser conduzido para a delegacia no centro de Ipatinga, onde atuavam os investigadores agora presos.
Vereador também na prisão
A justiça também expediu um mandado de prisão para o vereador de Santana do Paraíso, Detetive Elton Correa (PT), também investigador da Polícia Civil, eleito na última eleição.
Segundo informações de pessoas ligadas ao detetive vereador, ele informou que se apresentará à Polícia Civil de Belo Horizonte neste sábado.
Apreensão
A população da região do Vale do Aço tem vivido momentos de apreensão, exacerbada desde o último dia 8 de março, quando o jornalista Rodrigo Neto foi executado a tiros em uma avenida do bairro Canaã em Ipatinga.
Outro momento auge deste clima de receio, ante as iminências de que uma máfia atuante na região teria como alguns integrantes justamente os que deveriam proteger a leis, foi o pronunciamento do ex-vereador e delegado aposentado Francisco Lemos.
No plenário da Câmara de Vereadores de Coronel Fabriciano, da qual era o presidente, Lemos acusou nominalmente alguns integrantes da Polícia Civil de serem membros de tal grupo criminoso.
O pronunciamento foi registrado pelo PLOX, sendo um dos vídeos mais acessados do canal. Por ser uma reportagem na qual pode ser assistida toda a oratória do denunciante, a exibição do vídeo foi impactante e seguida de várias mudanças - transferência, aposentadoria, substituição - da Polícia Civil, desde os altos escalões até aos detetives agora detidos.
Clique para assistir ao depoimento de Lemos

Caso Soldador Natanael
Segundo declarações de Francisco Lemos, o caso do soldador Natanael Alves, 25 anos, foi o “estopim” para que ele convocasse a imprensa e fizesse as denúncias. O soldador foi apresentado por Lemos como uma vítima de policiais civis que, de acordo com Lemos, estavam tentando fazer uma “armação” para incriminar alguns policiais militares responsáveis pela prisão em fragrante de uma advogada, que, de acordo com a PM, teria oferecido R$10.000 de suborno para liberar um traficante.
Clique para ver a entrevista de Natanael e reportagem sobre a sua execução a tiros
Após a fala de Lemos, o soldador Natanel conversou com a imprensa e confirmou as acusações dizendo que fora intimidado para que mentisse e acusasse os policiais militares de tê-lo torturado.
O delegado regional na época, João Xingó, alvo direto das acusações de Lemos, anunciou que ficaria afastado de seu cargo, o que seria só por alguns dias, mas não voltou a atividade, indo para a aposentadoria.
Delegado Xingó, ladeado por delegados que atuavam em Coronel Fabriciano
Ele negou as acusações feitas por Lemos e disse não entender por que o vereador que outrora o elogiava, naquele ato, chamou-o publicamente de “bandido”.
O investigador Fabrício Quenupe, preso ontem, chegou a Câmara de Vereadores minutos após Lemos começar sua fala com as acusações. A Casa do Legislativo funcionava em um prédio perto da Delegacia de Polícia. Ele e alguns colegas da Polícia que o acompanhavam interromperam o pronunciamento do vereador e trocaram acusações com ele.
IpatinhaO investigador Fabrício Quenupe (camiseta rosa) e os seus colegas chegaram durante a fala de lemos
O clima ficou tenso. Os jornalistas chegaram a temer por um enfrentamento a tiros, já que tanto o denunciante como os denunciados estavam armados.
O soldador Natanael foi assassinado com vários tiros no dia 28 de outubro do ano passado em um bairro de Coronel Fabriciano. Os crimes que culminaram com sua morte entraram para o “time” dos vários para os quais a Polícia não apontou solução.
O inquérito  que apura a morte do soldador está sendo conduzido por uma equipe da Delegacia de Homicídios de Betim. De acordo com as últimas informações da Assessoria de Imprensa da Polícia Civil, as investigações, que correm em segredo, estavam avançadas.
 
ProtestoIpatinga
Vereador Ipatinga
Policiais presos ipatingareporter assassinado em Ipatinga

Assassinato jornalista de IpatingaChefe Polícia em Ipatinga

Fora de ordem

Fora de ordem..

Não se pode cobrar racionalidade de facções criminosas, mas polícia também não deve ter cheque em branco para garantir a segurança

11 de novembro de 2012 | 2h 07



OSCAR VILHENA VIEIRA E THEO DIAS - PROFESSORES DA DIREITO GV - O Estado de S.Paulo

Na ordem natural das coisas, policial tem que chegar vivo em casa e suspeito de crime deve ser submetido ao Judiciário. Essa ordem está subvertida em São Paulo, onde inocentes e culpados estão sendo executados, em espiral de violência que aterroriza a população dos bairros pobres. Momentos de anomia servem de álibi para pessoas ligadas ao crime e alguns maus policiais fazerem acertos de contas.
Veja também:
link Os mortos do dia
PM e morador se estranham durante Operação Saturação, contra a violência, na Vila Brasilândia - Filipe Araujo/Estadão
Filipe Araujo/Estadão
PM e morador se estranham durante Operação Saturação, contra a violência, na Vila Brasilândia
Esse círculo vicioso deve ser interrompido. Cabe ao Estado restabelecer a ordem com firmeza, inteligência, transparência e legalidade. Não se pode negociar, ceder ou cobrar racionalidade de facções criminosas, mas não pode ser outra a expectativa com relação a agentes públicos. A polícia não deve ter cheque em branco para garantir segurança. Polícia sem controle é Gestapo, fator de insegurança social. Das autoridades se espera mensagens inequívocas de respeito policial à legalidade.
Na condução desta crise, o discurso do governo é confuso. Ora se minimiza a importância do PCC, em contraste com informações trazidas pelo Ministério Público, ora se fala em guerra PM x PCC. De um lado, a falta de transparência estatal, do outro uma sociedade atônita, que não sabe mensurar a extensão do chamado "crime organizado" em São Paulo. A falta de uma compreensão realista do fator PCC espelha, em grande medida, a crônica falta de integração entre as polícias e o MP, instituições que não costumam trabalhar juntas e não compartilham informações.
Não há, tampouco, que se falar em estado de guerra. A segurança urbana deve ser alcançada dentro da normalidade. Ao impor seu poder, o Estado deve fazer transparecer sua superioridade moral. Poder e direito devem ser conceitos indissociáveis: não deve haver poder sem direito, não há direito sem poder.
A recente história de sucesso no controle de homicídios em São Paulo se deu com paralela redução dos níveis de uso da força letal pela polícia. É preciso, contudo, estar atento ao risco de involução da política de segurança para o período pré-Mário Covas, do modelo "Rota na rua". O discurso do governo no âmbito do controle da polícia é inconsistente. De um lado, houve investimento em treinamento, formação e punição, objetivando redução de abusos; do outro, oficiais são alçados a cargos de comando na Polícia Militar (Rota, por exemplo) sem que seus históricos na carreira e discursos demonstrem compromisso com contenção no uso da força.
Não se pretende aqui, de cátedra, ministrar fórmulas milagrosas para o problema. Neste momento de crise, o foco deve estar na repressão, com uso de inteligência e dentro de parâmetros legais. A Polícia Civil deve investigar as mortes e, assim, nortear o trabalho repressivo da PM. Ocupação policial (não militar) de territórios problemáticos do ponto de vista criminal pode ser um dos caminhos, desde que o Estado não abandone os locais no vácuo da saída das câmeras de TV. O problema nesses locais não é apenas o Estado ausente, mas o Estado presente somente pela via repressiva.
Por outro lado, não se pode perder de vista o sistema penitenciário, ferida sempre aberta. A ausência de rebeliões é indicativa de um inquestionável poder do Estado ou há também a presença de organizações criminais que exercem funções regulatórias no sistema, por via da força e do assistencialismo? O PCC não é a Máfia, São Paulo não é a Sicília, mas o secretário da Segurança age sem transparência quando minimiza tal "organização" como um grupo de 30 ou 40 traficantes presos. Se assim é, por que não são definitivamente controlados?
Sobre o tema prisional, pensando em um sistema penal socialmente eficaz, Legislativo e Judiciário deveriam valorizar o instituto das penas alternativas, bem como numa legislação mais racional sobre drogas, para evitar que jovens condenados por furtos ou por pequenos tráficos façam "estágio" na cadeia e retornem às ruas arregimentados por grupos criminosos.
Com a volta da normalidade, é necessário retomar o caminho que vinha dando certo na área de homicídios, mas que ainda não repercutiu nos crimes contra o patrimônio. A complexidade causal da questão criminal indica que a resposta repressiva deve estar articulada com intervenções nos campos da inteligência policial, do planejamento urbano, da educação, do lazer, do transporte, do policiamento comunitário, da política de drogas, do controle de armas. Com forte presença do poder municipal, essa é a receita que vem dando certo em Nova York, Bogotá, Medellín.
Segurança pública não é tema para apenas uma secretaria estadual. O governo federal não deve entrar com "ajuda", caridade ou intervenção militar, mas com desempenho eficiente de suas próprias competências: controle de fronteiras (armas e drogas), fiscalização de empresas de segurança privada, constituição de bancos de dados criminais nacionais, Polícia Federal, etc.
Por fim, o potencial inovador dos novos modelos de segurança pública reside na ênfase depositada na participação dos cidadãos. O que se espera não é a constituição de uma "sociedade de controle", com o cidadão convertido em policial, mas a democratização da atividade da polícia. Por democratização, entenda-se a existência de canais de participação social nos processos decisórios relacionados ao exercício da função policial (policiamento comunitário, por exemplo), a qualificação e valorização do policial, bem como a existência de mecanismos de prevenção e punição de abusos policiais. O que se espera não é o cenário idílico de uma "comunidade" sem conflitos, mas um modelo pluralista de segurança, capaz de viabilizar a coexistência pacífica entre as inúmeras realidades de insegurança e expectativas de segurança que constituem o espaço urbano.  
*  
OSCAR VILHENA VIEIRA THEO DIAS SÃO PROFESSORES DA DIREITO GV
ESTADO.COM.BR -

terça-feira, 16 de julho de 2013

Fotos de policiais suspeitos

Edição do dia 16/07/2013
16/07/2013 21h33 - Atualizado em 16/07/2013 21h33

De envolvimento com tráfico são divulgadas..

A secretaria de segurança de São Paulo divulgou, nesta terça-feira (16), as fotos dos seis policiais civis suspeitos de envolvimento com traficantes de drogas e que ainda estão foragidos.

A secretaria de segurança de São Paulo divulgou, nesta terça-feira (16), as fotos dos seis policiais civis suspeitos de envolvimento com traficantes de drogas e que ainda estão foragidos.
João Carlos de Castro foi preso nesta terça-feira (16) quando levava a mulher para um hospital, em Campinas. Segundo o Ministério Público, ele é o responsável por cuidar das armas da quadrilha comandada por Wanderson de Paula Lima, o Andinho, condenado por sequestro e tráfico de drogas.
Andinho está em um presídio de segurança máxima, no interior de São Paulo. Ainda assim, segundo os promotores, dá ordens de dentro da cadeia. Na segunda, outras 13 pessoas foram presas por suspeita de ligação com o tráfico. Sete são policiais civis.
A operação começou na segunda pela sede do departamento estadual de narcóticos, o Denarc. Onze investigados trabalham ou já trabalharam lá. No fim da tarde, a Secretaria da Segurança Pública divulgou a foto dos seis investigadores que ainda não foram presos.
A Corregedoria da Polícia Civil esperava que os investigadores se apresentassem durante o dia. Como isso não aconteceu, eles são considerados foragidos. Os que já estão presos começam a ser ouvidos na quarta-feira. Os primeiros a depor serão os dois delegados do Denarc. Os dois são homens de confiança do diretor do Departamento de Repressão ao Narcotráfico.
“Um deles trabalha há muitos anos só com informações do narcotráfico aqui neste órgão, com a inteligência desse órgão, não há qualquer antecedente que indique que ele tenha vazado qualquer informação nesse sentido. E o outro já trabalhou comigo em outras oportunidades, em atividades muito graves e atividades muito importantes e nunca houve qualquer desvio do seu comportamento. Logo, eu acredito neles”, comentou Marco Antonio de Paula Santos, diretor do Denarc.
Nesta terça, o diretor anunciou como será a reestruturação do departamento mais antigo da policia paulista. Os policiais terão que seguir um roteiro, apontar o objetivo da investigação e informar aos delegados, cada passo do trabalho. Uma tentativa de impedir que policiais passem para o lado do crime.




Corregedoria irá investigar

16/07/2013 21h40 - Atualizado em 16/07/2013 21h40

Evolução patrimonial de policiais presos em SP....

Operação deteve sete policiais suspeitos de ligação com traficantes.
Justiça concedeu 13 mandados de prisão; seis seguem foragidos.

Do G1 São Paulo
Comente agora
A Corregedoria da Administração do Estado de São Paulo abriu nesta terça-feira (16) um procedimento para investigar a evolução patrimonial dos 13 policiais civis que tiveram a prisão decretada pela Justiça de Campinas por suspeita de envolvimento com traficantes. Sete deles estão presos desde segunda-feira (15) e outros seis são considerados foragidos.
A investigação foi pedida pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) com base no decreto 58.276, de agosto de 2012. Se a Corregedoria constatar uma evolução do patrimônio incompatível com os recursos recebidos pelos funcionários, os policiais civis terão 10 dias para apresentar uma justificativa. O decreto prevê afastamento e até exoneração dos servidores públicos nos casos de enriquecimento ilícito.
A investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Campinas, obteve na 6ª Vara Criminal da cidade 13 mandados de prisão contra delegados, investigadores, escrivães e carceireiros suspeitos de crimes como corrupção, extorsão, formação de quadrilha - como por exemplo associação para o tráfico de drogas. Participaram da operação cerca de 60 policiais civis.
Entre as provas contra os suspeitos estão conversas telefônicas interceptadas com autorização judicial. De acordo com o Ministério Público, os policiais civis cobravam uma anuidade de R$ 300 mil dos traficantes para não serem presos, além de uma mensalidade.
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, disse, na noite desta terça-feira (16), que no prazo de 10 dias serão anunciadas mudanças no Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), onde trabalhavam os policiais detidos.
O secretário se reuniu no fim desta tarde com o governador no Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul de São Paulo, para discutir as diretrizes destas mudanças. “Tivemos essa reunião para discutirmos as diretrizes para uma reformulação do Denarc, inclusive quanto aos mecanismos de controle e outros meio que garantam melhores resultados. Elas (diretrizes) serão definidas e anunciadas dentro de 10 dias”, afirmou, sem dar detalhes.
De acordo com Grella, seis policiais suspeitos de envolvimento com o tráfico são considerados foragidos. “Nós vamos divulgar as fotos deste policiais por meio do site da secretaria e contamos com a população para passar informações por meio do Disque-Denúncia”, disse.
Os nomes dos foragidos são Daniel Dreyer Bazzan, Danilo da Silva Nascimento, Gilson Iwamizu dos Santos, Jandre Gomes Lopes de Souza, Leonel Rodrigues Santos e Silvio Cesar de Carvalho Videira, segundo a secretaria.
O secretário fez questão de deixar claro que o governo não vai tolerar qualquer desvio de conduta por parte de policiais. "Nós sabemos que é uma minoria de policiais que macula a imagem da instituição. Por isso a nossa posição sempre firme de apoiar as investigações e de levar adiante medidas que visem responsabilizar essa minoria que trabalha contra os interesses da sociedade", declarou Grella.
Combater falhas
Em entrevista à Rádio CBN nesta terça-feira, o diretor do Denarc, Marco Antônio de Paula Santos, afirmou que é preciso combater falhas de controle no departamento para evitar os desvios. Ele citou como exemplo o monitoramento dos percursos feitos pelos carros do Denarc em São Paulo, onde haveria um controle total. Fora da capital, segundo ele, esse monitoramento não é completo.

Santos acredita ainda ser possível diminuir o efetivo de policiais no Denarc, reduzindo ações para apreender drogas e centrando nos serviços de inteligência para combater o grande traficante. Segundo ele, ao assumir a direção do Denarc havia 362 funcionários e hoje, são 318. O delegado diz acreditar que é possível enxugar ainda mais o quadro.
Policiais (Foto: Divulgação/SSP)Policiais que estão foragidos, em fotos divulgadas pela Secretaria da Segurança (Foto: Divulgação/SSP)
  
 
G1