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terça-feira, 1 de junho de 2021

Chacina de Costa Barros: Penso todo dia na cena do crime, diz pai de vítima...

28.nov.2015 - Roberto de Souza Penha, 16, um dos cinco jovens mortos por uma patrulha da PM que atirou contra o carro em que estavam em Costa Barros, na zona norte do Rio de Janeiro

Imagem: Reprodução/Facebook

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

07/11/2019 23h14

 Pai de uma das cinco vítimas da Chacina de Costa Barros, Jorge Roberto Penha disse hoje, durante depoimento que fez parte do julgamento de três dos quatro policiais militares acusados de matar cinco jovens com 111 tiros, em novembro de 2015 na zona norte do Rio, que se lembra diariamente na imagem do filho, Roberto de Souza Penha, 16, e outros quatro amigos mortos.

Ele contou que o crime aconteceu próximo da casa onde a família morava e foi uma das primeiras pessoas a chegar ao local. Jorge Roberto também ratificou a informação que já constava nas investigações do caso, de que os PMs teriam adulterado a cena do crime.

"Eu estava vendo TV, quando fui avisado de um crime próximo de casa. O meu filho era um trabalhador que havia saído, naquela noite, para aproveitar o seu primeiro salário. Me disse todo feliz que ia pagar tudo para os amigos naquela noite, mas acabou morto. Só eu sei como tenho vivido desde então. Penso todos os dias na cena do crime e posso garantir que uma arma foi colocada ali para forjar um auto de resistência. Nenhum deles estava armado", relatou.

O julgamento de três dos quatro PMs será concluído amanhã (8). Os PMs Antonio Carlos Gonçalves Filho, Fabio Pizza Oliveira da Silva, Thiago Resende Viana Barbosa e Marcio Darcy Alves dos Santos respondem na Justiça por homicídio, tentativa de homicídio e fraude processual. Além de Roberto de Souza Penha, foram assassinados na ocasião Wilton Esteves Domingos Júnior, 20, Carlos Eduardo da Silva de Sousa, 16, Wesley Castro Rodrigues, 25, e Cleiton Correa de Souza, 18.

Os jovens haviam passado a tarde do dia 28 de novembro de 2015 no Parque de Madureira, na zona norte da capital fluminense, comemorando o primeiro salário de Roberto. Após chegarem em casa, decidiram sair novamente para fazer um lanche. No trajeto, tiveram o carro em que estavam metralhado pelos PMs.

Wilkerson Luis de Oliveira Esteves e Lourival Júnior, que estavam em uma moto que seguia o carro, sobreviveram. Oito meses depois, Wilkerson morreu vítima de um aneurisma cerebral.

Na época, os PMs disseram que confundiram o carro no qual estava o grupo, um Fiat Pálio branco, com outro veículo, que havia sido usado para o roubo de um caminhão de bebidas próximo dali.


14 Comentários

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perito Francioni

No julgamento, a inocência do CB Oliveira foi demonstrada por mim, perito criminal oficial, apresentando falhas graves dos laudos de confronto balístico - com sinais claros de distração das peritas e fortes indícios de que um segundo laudo de confronto balístico teria sido, na realidade, cópia do primeiro. Se isso se confirmar, as peritas terão desobedecido ordem judicial e cometido o crime de falsa perícia. Além disso, outros laudos de Balística mostravam a insegurança à qual são sujeitas as provas criminais e a baixa capacidade técnica demonstrada pelas peritas que examinaram os componentes de munição.

MadBrazilian

O Brasil é um país sem impunidade! Enquanto não exigirmos leis rígidas incluíndo a pena de morte, nada vai mudar no nosso país! A história destes rapazes é uma consequência da violência sem limite e sem punidade no Brasil. Quando começarmos a limpar o país, incidentes como este vão começar a ficar raro. Policias não tem outra opção: ou matam, ou morrem! O problema é que em vários casos pessoas inocentes acabam morrendo.

Laerte MS

Triste é saber que tem pessoas que pensam que todos que vivem nas comunidades são bandidos, quando na realidade são reféns da bandidagem devido a ausência do estado.

Estou cansada

Tantos anos e este crime ainda não resolvido ou julgado. Uma afronta e desrespeito a família dos mortos. Só por aqui a policia mata tanto e com uma quantidade de tiros absurdo como se estivesse em guerra Coitada das famílias que só podem contar com a justiça divina. Além dos comentários desrespeitosos de hipócritas quanto a foto das vitimas, quanto preconceito. País de desesperança quanto a justiça.

Da7ena

Duvido muito que os PMS vão ser presos. No máximo afastados para cargo administrativo e vida que segue. Lamentável a justiça no Brasil para essas pessoas que acham que são melhores que outros.

Mauriciofrikaa

A matéria não cita como essa família foi destruída nesse crime bárbaro. A mãe desse cara de APENAS 16 ANOS morreu de depressão. É inimaginável o peso que esse pai carrega e ainda tem forças para dar alimentar essa matéria. eu só desejo toda a força do mundo pra esse senhor e gostaria de dizer que a justiça dos homens é falha mas todos eles vão pagar pela eternidade.

Elizane Barbosa Cavalcante

Que seja feita justiça então.

Zé Fini

Puseram o Exercito, treinado e adestrado para uma função, para fazer um serviço que não é deles, desvio de função, esse é o nome do crime.

raphaelmurdock335489734

Esse gesto na foto é característico de quem é gente boa na comunidade...


RJ: PM é condenado a 52 anos de prisão pela Chacina de Costa Barros...

 

Carro em que os jovens estavam foi alvejado por mais de 100 tirosImagem: Fabiano Rocha/Agência O Globo

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

13/11/2020 10h01Atualizada em 13/11/2020 10h18


O policial militar Thiago Resende Viana Barbosa, que participou da ação que terminou com a morte de cinco jovens em Costa Barros, na zona norte do Rio, em 2015, foi condenado a 52 anos e 6 meses de prisão por cinco homicídios duplamente qualificados. O julgamento do PM durou mais de 10 horas e a sentença foi anunciada na madrugada de hoje. Ele também foi condenado à perda de cargo público.

O crime ocorreu em 28 novembro de 2015 e ficou conhecido como a Chacina de Costa Barros. Os cinco jovens, com idades entre 16 e 25 anos, voltavam de uma comemoração quando o carro onde estavam foi alvo de disparos. O grupo comemorava o primeiro emprego de Roberto de Souza Penha, 15, que seria jovem aprendiz no Atacadão de Guadalupe, também na zona norte.

O carro deles foi alvo de mais de 100 disparos e alguns tiros atingiram as vítimas pelas costas.

Outros três homens já foram julgados pelo caso. No ano passado, o sargento Márcio Darcy dos Santos e o soldado Antônio Carlos Gonçalves Filho também foram condenados à mesma pena. Os dois estão no presídio da Polícia Militar em Niterói, na região metropolitana no Rio. Antonio ainda foi condenado a oito meses e cinco dias de detenção por fraude processual. Já Fábio Pizza Oliveira da Silva foi absolvido.

Provas plantadas, dizem testemunhas

A sentença de Thiago é do 2º Tribunal do Júri da Capital e foi presidido pelo juiz Daniel Cotta.

No julgamento, foram ouvidas cinco testemunhas. A primeira foi um dos dois jovens sobreviventes, que depôs na condição de vítima. Como é surdo, o testemunho ocorreu através de um intérprete de libras. Ele e um amigo acompanhavam de moto o carro onde estavam os cinco rapazes e conseguiram escapar dos tiros. A testemunha afirmou ter visto o carro ser alvejado pelos policiais.

A segunda testemunha, irmã de uma das vítimas, contou que ela e sua mãe foram ao local do crime assim que souberam do ocorrido, mas foram impedidas pelos policiais de chegar perto do carro onde estavam os corpos. A mulher disse, ainda, que sua mãe viu quando uma arma de brinquedo foi colocada perto de uma das rodas dianteiras do veículo por um dos PMs.

O pai de um dos jovens também foi ouvido como testemunha. Ele disse ter chegado logo após os disparos e ter visto tanto a arma de brinquedo já mencionada, como uma luva com sangue jogada na parte traseira do veículo.

Policiais foram recebidos a tiros, diz defesa

O quarto depoimento foi do major da PM Daniel de Moura, que contou que, na época dos fatos, era o comandante da companhia e que a versão que chegou até ele - e que continua sendo sustentada pela defesa - foi a de que o motorista de um caminhão de cervejas estava sendo feito refém e que, ao chegarem ao local, os policiais teriam sido recebidos a tiros pelos ocupantes do carro, tendo, então, revidado.

O último a depor foi o perito Cristiano Magalhães, contratado pela defesa de Thiago. Ele afirmou ter concluído que os disparos que atingiram o carro e mataram os cinco rapazes partiram de cima de um viaduto que fica perto do local e não das armas dos policiais.

Os cinco mortos na chacina são: Wilton Esteves Domingos Júnior, Roberto de Souza Penha, Carlos Eduardo da Silva de Sousa, Wesley Castro Rodrigues e Cleiton Correa de Souza.

UOL ainda não conseguiu contato com a defesa de Thiago.

Costa Barros: PM é condenado a 52 anos de prisão pela chacina no Rio