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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Pipoqueiro é imobilizado com mata-leão por PM em São Paulo

 Aconteceu durante uma fiscalização, na tarde da última terça-feira (4/6), quando o homem reagiu por ter o carrinho recolhido pela falta de licença

05/06/2024

Policial deu "mata-leão" em pipoqueiro em SP

crédito: Reprodução/Arquivo pessoal

Um pipoqueiro de 42 anos foi abordado e imobilizado com um mata-leão por um policial militar durante uma fiscalização da Prefeitura de São Paulo, na zona leste da capital, na tarde dessa terça-feira (4/6). O caso ocorreu na rua Vilela, no Tatuapé, na região de uma escola.

Imagens que circulam na internet mostram policiais militares abordando o ambulante, que trabalha com um carrinho de pipoca na região. O homem teria reagido à abordagem de agentes da prefeitura que recolheriam o carrinho por não ter licença.  

Um dos policiais imobiliza o homem no chão e aplica um mata-leão, um tipo de imobilização realizada por meio de pressão no pescoço. O homem aparenta desmaiar e tem alguns espasmos. Ainda assim, o policial continua a imobilizá-lo, desta vez com um dos joelhos na região entre o peito e abdômen da vítima.

As pessoas ao redor gritam para os policiais dizendo que o homem estava morrendo, afirmam que ele é trabalhador e pedem que a ação seja interrompida, mas outro militar, que está em pé, usa um spray de pimenta na direção dessas pessoas.

"As circunstâncias do ocorrido são apuradas pelas polícias Civil e Militar. Na tarde desta terça-feira (4), policiais militares realizaram a abordagem a um homem, de 42 anos, que relatou não ter autorização da prefeitura para trabalhar como ambulante", respondeu a SSP (Secretaria da Segurança Pública).

Ainda segundo a pasta, foi registrado um boletim de ocorrência no 30° Distrito Policial (Tatuapé), como resistência, desobediência, ameaça e lesão corporal.

A Polícia Militar instaurou uma investigação preliminar, que analisará além das imagens da ação, as presentes nas câmeras corporais dos policiais.

Em entrevista ao programa Balanço Geral da TV Record, o pipoqueiro, identificado como Manuel Ferreira de Albuquerque, reclamou da abordagem.

"O jeito que eles vêm abordar a gente, um trabalhador de rua, não pode ser desse jeito. A única coisa é que eu fiquei segurando a minha força de trabalho. Só foi isso. Por que passar por isso? Sendo que você está trabalhando?", questionou.

Ele disse que se sentiu humilhado.

  • "Eu apaguei, urinei, não me lembro de nada. [É] Humilhante, todo mundo vê. Não é desse jeito que abordam, por mais irregular que esteja o trabalho, não pode ser desse jeito. A polícia precisa ser bem preparada", afirmou.

A prefeitura foi questionada sobre a fiscalização e o motivo de a polícia ter sido acionada, mas não respondeu até esta publicação.

O local onde o ambulante foi abordado é muito próximo de onde um homem de 70 anos foi morto por um policial militar na tarde de 7 de maio de 2024. Segundo a assessoria de imprensa da corporação, policiais militares do 8° Batalhão de Polícia Militar Metropolitano realizavam patrulhamento quando suspeitaram de dois homens que estavam em uma motocicleta trafegando pela rua Platina. No momento da abordagem, houve um disparo.

  • O tiro acertou o idoso, que estava na calçada e nada tinha a ver com a abordagem. O socorro chegou a ser acionado, mas o homem morreu.

O autor do disparo, que não teve a identidade e nem a patente reveladas, afirmou aos seus superiores que o disparo foi acidental. Ele foi preso em flagrante e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital.