MP-SP e pais da soldado são contra libertação de Geraldo Neto. Promotoria diz que oficial admitiu ter tentado contato com testemunha e que, solto, pode influenciar quem vai depor.
Por Kleber Tomaz, Karina Cordeiro, g1 SP e TV Globo — São Paulo
Tenente-coronel Geraldo Neto é acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves em SP. — Foto: Reprodução
A defesa do tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Neto, acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, pediu à Justiça de São Paulo que ele seja solto antes da decisão sobre se irá ou não a júri popular por feminicídio.
O pedido para revogar a prisão preventiva de Neto foi feito durante o interrogatório de oito horas do oficial, na última segunda-feira (5).
A soldado foi morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro no apartamento do casal. O tenente-coronel está preso desde 18 de março. Ele é réu por feminicídio e fraude processual.
Segundo a acusação do Ministério Público (MP), Neto matou Gisele por ciúmes e tentou simular um suicídio. O oficial nega o crime e afirma que a mulher tirou a própria vida após ele concordar com o pedido dela de separação.
Um laudo da Polícia Técnico-Científica, porém, apontou ser impossível que Gisele tenha atirado contra a própria cabeça. Segundo a perícia, o tiro partiu da esquerda para a direita, mas a mulher era destra.
Ministério Público
O MP se manifestou contra a soltura. Em parecer protocolado na quarta-feira (7), a promotora Ingrid Braido afirmou que continuam presentes os motivos para manter o acusado preso até o seu eventual julgamento pelo crime.
Um dos principais argumentos do MP é o próprio interrogatório de Neto. Segundo a Promotoria, o oficial admitiu ter tentado contato com a uma policial militar amiga de Gisele e testemunha do caso.
Para o MP, a tentativa de contato reforça a necessidade de manter a prisão. A promotora argumenta ainda que, caso o oficial seja levado a júri, testemunhas poderão ser ouvidas novamente no plenário e que, em liberdade, Neto poderia influenciá-las.
Família de Gisele
O tenente-coronel Geraldo Neto e a esposa, a PM Gisele Alves Santana. — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Os pais de Gisele também são contra soltura. Por meio do advogado, José Miguel da Silva Júnior, eles pediram pediram à Justiça que mantenha Neto preso.
Segundo o advogado, que também é assistente da acusação, a família da soldado alega que o oficial ainda representaria risco às testemunhas e destacam que ele mencionou durante o interrogatório nomes de pessoas submetidas a regime de proteção.
A família argumenta ainda que a posição hierárquica e os contatos acumulados pelo tenente-coronel ao longo de cerca de 35 anos na PM poderiam ser usados para interferir no processo.
Defesa de Neto
Ao pedir a liberdade, a defesa de Neto, feita pelo advogado Eugênio Malavasi, alegou que a prisão havia sido decretada para preservar a instrução processual e que a produção das provas transcorreu sem interferências.
Por isso, entende que não existiriam mais motivos para mantê-lo preso. Caso seja libertado, o oficial se comprometeu a cumprir as obrigações determinadas pela Justiça.
A Justiça ainda vai analisar o pedido da defesa e as manifestações apresentadas no processo para decidir se mantém ou revoga a prisão preventiva.
Caso PM Gisele: oficial acusado de matar esposa pede para ser solto | G1
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