Militar ingressou na corporação em 2015 e, atualmente, é lotado no 1º Batalhão da Polícia Militar. Morte da esposa é investigada como feminicídio.
Por g1 Minas — Belo Horizonte
O sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, preso pela suspeita de matar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, de 41, está há mais de 10 anos corporação, já integrou o batalhão que faz policiamento na residência oficial do governador e fez parte da diretoria da associação de praças da PM.
Ele tem um extenso histórico de violência, já tendo sido acusado de agressão e ameaça, além de embriaguez ao volante. Também chegou a ser expulso da PM e foi readmitido por decisão judicial.
A morte da capitã Michele é investigada pela Polícia Civil como feminicídio (entenda abaixo).
Carreira na polícia e registros de violência
Eduardo Abner ingressou na Polícia Militar em 2015. Atualmente é lotado no 1º Batalhão da Polícia Militar. Após a prisão, ele foi encaminhado para o 34º Batalhão, onde permanece detido.
Eduardo Abner já chegou a integrar por oito anos o batalhão policial responsável pelo policiamento de órgãos públicos em Minas Gerais e a casa oficial do governador de Minas Gerais. Ele também integrou a diretoria da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (ASPRA/PMBM). (leia mais abaixo)
Segundo a Polícia Civil, o sargento tinha registros de violência contra mulher em 2014 e 2016. O g1 teve acesso a dois boletins de ocorrência registrados por uma ex-companheira em 2016. Em um deles, ela relatou agressões físicas. No outro, denunciou ameaças e o descumprimento de uma medida protetiva.
De acordo com um dos registros, a mulher afirmou que foi puxada pelos cabelos, arrastada até a rua, jogada no chão e atingida com um soco no rosto. Ela procurou atendimento médico e apresentava lesões em diferentes partes do corpo.
Ainda segundo a investigação, o sargento também já foi preso por embriaguez ao volante, em 2023, e recebeu sanções disciplinares ao longo da carreira.
Eduardo Abner, sargento da PM preso suspeito de matar a capitã Michele Leão em BH — Foto: Redes sociais
Batalhão que faz segurança da casa do governador
De acordo com o governo de Minas Gerais, o sargento chegou a integrar, entre os anos de 2015 e 2023, o Batalhão de Polícia de Guardas (BPG) da PM do estado. Esta é a unidade que, entre suas atribuições, realiza o policiamento ostensivo de sedes de órgãos públicos e de residências oficiais.
Abner também fez parte da diretoria da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra/PMBM) até junho do ano passado, segundo a presidência da entidade.
A associação não informou em que ano ele se tornou dirigente da Aspra, mas afirmou em nota que ele havia sido convidado quando fazia segurança da residência do ex-governador Romeu Zema (veja íntegra da nota ao fim da reportagem).
O governo de Minas nega que o sargento tenha integrado a equipe de segurança pessoal do chefe do executivo (veja íntegra da nota ao fim da reportagem).
'Relação abusiva' e 'controle psicológico'
Familiares de Michele relataram à polícia que o relacionamento do casal era marcado por sucessivas separações e reconciliações. A mãe da capitã afirmou que considerava a relação abusiva e baseada em controle psicológico.
Em depoimento, ela contou que tinha um encontro marcado com a filha na manhã de segunda-feira, mas recebeu uma ligação informando que Michele não poderia comparecer. Depois disso, enviou diversas mensagens ao longo do dia e não obteve resposta.
A mãe também afirmou que passou a desconfiar do uso de drogas pela filha após o início do relacionamento com Eduardo. Segundo relato registrado no boletim de ocorrência, outra filha da família contou que Michele considerava o companheiro uma pessoa narcisista, tentava encerrar o relacionamento e que, em uma discussão anterior, ele teria chegado a empunhar uma faca.
Entenda o caso
Imagens do circuito interno do prédio onde o casal morava, em Belo Horizonte, mostram o sargento carregando o corpo da vítima nos ombros até a garagem do edifício. Em seguida, ele coloca Michele dentro do carro e segue para o Hospital Odilon Behrens (veja imagens acima).
Segundo o boletim de ocorrência, a capitã chegou à unidade de saúde já sem vida. A equipe médica identificou traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, hematomas, marcas compatíveis com chicotadas e um corte na cabeça.
Em depoimento, Eduardo afirmou que ele e a esposa participaram de uma confraternização na residência do casal, consumiram bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy e, depois, mantiveram relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas.
Ele também declarou que Michele teria sofrido uma queda da escada da casa horas antes da morte e recusado atendimento médico.
Em nota, a defesa de suspeito informou que acompanha as investigações e afirmou ser necessário aguardar a conclusão dos laudos periciais antes de qualquer julgamento. Os advogados disseram ainda confiar no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e afirmaram que vão se manifestar no momento oportuno, preservando o direito de defesa e o sigilo do procedimento.
Nota da Aspra
"A Presidência da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (ASPRA/PMBM) vem a público esclarecer informações relacionadas ao Sargento Eduardo Abner, mencionado em um caso de grande repercussão na imprensa envolvendo sua esposa.
A ASPRA esclarece que o referido militar não integra a Diretoria da Associação desde junho de 2025, conforme comprova o ofício que acompanha esta nota.
Quando foi convidado para integrar a Diretoria da ASPRA/PMBM, o militar atuava na segurança da residência do governador do Estado de Minas Gerais, Romeu Zema.
Os fatos divulgados dizem respeito à esfera pessoal e familiar dos envolvidos, não possuindo qualquer relação com a atuação institucional da ASPRA, tampouco com atividades desempenhadas em nome desta ou de qualquer outra instituição ou entidade.
A associação reafirma seu absoluto repúdio a toda e qualquer forma de violência contra a mulher e manifesta confiança na apuração dos fatos pelas autoridades competentes, assegurando-se o devido processo legal."
Nota do governo de MG
"O Governo de Minas informa que o sargento envolvido na ocorrência desta terça-feira, em Belo Horizonte, nunca atuou no Gabinete Militar do Governador (GMG), órgão responsável pelo planejamento e pela execução das atividades de escolta e proteção física do governador, ex-governadores e demais autoridades. Dessa forma, o militar jamais integrou a equipe de segurança pessoal do chefe do Poder Executivo, não possuindo qualquer vínculo funcional com o governador nem tendo sido empregado em sua proteção.
Cabe esclarecer que o sargento serviu no Batalhão de Polícia de Guardas (BPG) da Polícia Militar de Minas Gerais, entre 2015 e 2023, unidade que, entre suas atribuições, realiza o policiamento ostensivo de sedes de órgãos públicos e de residências oficiais. Em razão da rotatividade das escalas de serviço, o militar pode ter atuado em postos dessa natureza, o que não se confunde, em nenhuma hipótese, com integrar o Gabinete Militar ou exercer a segurança pessoal de autoridades.
É possível que essa circunstância tenha dado origem à interpretação equivocada de que o sargento fazia parte da segurança do governador, o que não corresponde à realidade."
Montagem mostra fotos do suspeito, o sargento Eduardo Abner, e da capitã da PMMG Michele Leão, encontrada morta — Foto: Montagem g1
Vídeo mostra sargento carregando corpo de capitã da PM até carro antes de ir a hospital em BH — Foto: Circuito de segurança
Eduardo Abner: quem é o sargento preso suspeito de matar capitã da PM | G1

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