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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

RECONSTITUIÇÃO DE MORTE NO ANDARAÍ MOSTRA QUE PM DO BOPE PODIA OUVIR SOM DA FURADEIRA

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Peritos da Polícia Civil fizeram nesta quinta-feira a reconstituição da operação do Bope em que um PM matou Hélio Barreira Ribeiro, de 47 anos, ao confundir com uma arma a furadeira que a vítima segurava. O crime aconteceu no dia 19 de maio num acesso ao Morro do Andaraí, que depois foi ocupado pelo Bope, para a implantação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).
Um perito subiu a escada do terraço da casa Hélio, onde ele foi atingido, com a furadeira na mão. A cena foi fotografada a uma distância de 30 metros, para mostrar o ponto de vista do cabo do Bope Leonardo Albarello na hora do disparo. Em seguida, o perito ligou o aparelho. Em depoimento, Leonardo disse que não havia escutado o barulho da ferramenta. Mas durante a reconstituição o som pôde ser ouvido. Em outro momento, o policial no local do disparo gritou: “Larga! Larga!” O grito não foi escutado pelo perito com a furadeira.
Leonardo Albarello não participou da reconstituição. Ele foi representado por um colega, que estava a seu lado na hora do tiro. O policial orientou a perícia com informações sobre a posição de Hélio. Já Regina Célia Canelas Ribeiro, de 44 anos, viúva da vítima, acompanhou o trabalho no terraço da casa. Foi ela que segurou a escada para Hélio usar a furadeira.
O laudo da perícia deve ser entregue na segunda-feira à 20DP (Vila Isabel). Depois da reprodução, a delegada Leila Goulart Souza disse que o trabalho confirmou tanto a versão da mulher da vítima, como a do PM que baleou Hélio.
– A intenção era reproduzir o que aconteceu, esclarecer dúvidas e verificar se dava para confundir a furadeira com uma arma – disse a delegada.
O advogado Donato Ferreira, que representa a família da vítima, criticou a reconstituição.
– A perícia era desnecessária, porque o fato já está esclarecido. Só serviu para abrir a ferida da família – criticou.
FONTE: O Globo
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