Essa e a verdadeira cara da nossa Segurança Publica

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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

PM que matou homem pelas costas em mercado fez terapia por um ano após reprovar em teste psicológico

 Vinicius de Lima Britto, de 24 anos, executou homem com 11 tiros em loja na zona sul de SP

Rafael Saldanha, da CNN

Policial executa jovem com tiros pelas costas em mercado na zona Sul de SP.  • Reprodução

O policial militar que matou um homem em um mercado da rede Oxxo na zona sul de São Paulo fez terapia por um ano após reprovar em um teste psicológico da PM.

Vinicius de Lima Britto, 24 anos, executou Gabriel Renan da Silva Soares, 26 , com 11 tiros em uma unidade da rede Oxxo, no dia 3 de novembro.

Ele foi preso preventivamente no dia 6 de dezembro e está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.

A CNN apurou que Vinicius foi reprovado em um teste psicológico ao tentar ingressar na Polícia Militar pela primeira vez, em 2021. A avaliação, realizada durante um concurso público para soldado de 2ª classe, apontou problemas de sociabilidade e descontrole emocional.

Após a reprovação, Vinicius iniciou um tratamento terapêutico particular por cerca de um ano, enquanto tentava ingressar na corporação novamente. A informação foi confirmada à CNN pelos advogados Victor Varvello e Carolina Marques Mendes, representantes da defesa do policial.

Depois da falha na primeira tentativa, Vinicius foi aprovado no teste em um segundo concurso, realizado no mesmo ano.

A CNN também apurou que, nesse intervalo, ele chegou a entrar com um mandado de segurança contra o resultado do primeiro teste, alegando subjetividade na análise, mas a Justiça negou o pedido e o processo foi extinto.

Na última segunda-feira (9), a Justiça de São Paulo negou um pedido de liberdade provisória da defesa de Vinicius. Segundo a decisão da juíza Michelle Porto, a ação de Vinicius ainda indica um modus operandi violento e descontrolado.

A defesa de Vinicius afirmou à CNN que vai entrar com um novo habeas corpus até esta sexta-feira (13).

"Mesmo atendendo os requisitos para substituição da prisão por cautelares, está detido no Presídio Militar, deixando mãe e namorada a toda sorte, sendo sua mãe sofredora de depressão e distúrbios psicológicos", ressalta a defesa.

O que diz a defesa

A defesa de Vinicius Britto afirma que Gabriel Soares, homem morto no Oxxo, simulou estar com uma arma após escorregar na saída do mercado. O homem ainda teria "roubado quatro vezes no mesmo dia o estabelecimento, ofendendo a dignidade do funcionário com injúria homofóbica", de acordo com a defesa.

Ainda segundo a defesa, o PM se recupera de um trauma sofrido em dezembro de 2023. Na época, Vinicius e um colega foram vítimas de uma tentativa de assalto, na qual um suspeito "colocou a arma na cabeça" dele.

O policial disparou contra o assaltante, que foi a óbito. A defesa informou que Vinicius foi investigado pela ação, mas não foi denunciado pela morte.

Sobre a reprovação no teste psicológico em 2021, a defesa destacou a seriedade do exame. "O teste possui diversas fases, entre escrita, de aptidão física e a última é o psicotécnico. A PM só vai mandar para a rua quem está apto, para vestir a farda e portar uma arma", afirmou o advogado Victor Varvello.

Varvello ainda afirmou que Vinicius é instrutor de tiro e uma pessoa "extremamente competente". Em nota, a defesa ainda afirma que não se justifica punir um crime com a vida do criminoso.

Assassinato em mercado

Imagens das câmeras de monitoramento do mercado Oxxo, na Avenida Cupecê, na zona Sul de São Paulo, mostram que Gabriel Renan da Silva Soares foi executado pelas costas pelo PM Vinicius de Lima Britto.

A versão apresentada pelo policial era de que o jovem teria mencionado e feito uma movimentação em que parecia estar armado, o que, na versão dele, justificaria os disparos.

Um atendente do mercado corroborou a narrativa, alegando que Gabriel teria dito: “Não mexe comigo, que estou armado, não quero nada do que é seu".

Porém, as imagens mostram que Gabriel entrou na loja e sai correndo após furtar itens de limpeza, quando escorrega na saída. O vídeo mostra o policial acertando a vítima pelas costas.

Veja o vídeo do momento dos disparos aqui. 

Vinicius foi preso preventivamente no dia 6 de dezembro e está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na região Norte de São Paulo.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que “familiares da vítima foram ouvidos e diligências estão em andamento para identificar e qualificar a testemunha que esbarrou na vítima durante sua fuga do estabelecimento comercial, momentos antes de ser alvejado. A Polícia Militar acompanha as investigações, prestando apoio à Polícia Civil".

"Caso as apurações apontem para a responsabilização criminal do policial militar, medidas administrativas serão adotadas, incluindo a possibilidade de processo disciplinar que poderá resultar na sua exclusão da Instituição.”

Com informações de Marcos Guedes, da CNN

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Gabriela Hardt continuará recebendo salário durante afastamento de dois anos; juíza ganhou R$ 77 mil em junho

 Magistrada perderá gratificações e outros benefícios ligados ao exercício da função. Juíza respondeu processo administrativo disciplinar em razão de atos praticados no âmbito da operação sobre desvios na Petrobras.

Por Mariana Laboissière, Márcio Falcão, g1 PR e TV Globo — Curitiba

CNJ decide afastar juíza que atuou na Lava Jato

CNJ decide afastar juíza que atuou na Lava Jato


A juíza Gabriela Hardt, afastada por dois anos do cargo pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por atos praticados durante a atuação na Operação Lava Jato, continuará recebendo salário. A decisão foi tomada pelo órgão na terça-feira (4) e confirmada em apuração da TV Globo.

Durante os dois anos de afastamento, ela deixará de receber benefícios vinculados ao exercício da função, como gratificações.

    Segundo dados do Portal da Transparência do CNJ, em junho de 2026, Gabriela teve remuneração bruta de R$ 77.983,48 e líquida de R$ 56.161,46. Os valores consideram penduricalhos, que variam mês a mês. O subsídio fixo da magistrada é de R$ 39.753,21.

    A apuração foi aberta pelo CNJ em 2024 depois que uma fiscalização feita pela Corregedoria apontou supostas irregularidades na validação por Gabriela Hardt de um acordo que tinha o objetivo de criar uma fundação privada que seria abastecida com recursos da Lava Jato, a partir do pagamento de multas de empresas condenadas. Os valores chegariam a R$ 2 bilhões.

    A aplicação da punição contra a magistrada foi aprovada por unanimidade. E, por 10 votos a 4, prevaleceu a sanção de dois anos.

      A juíza conduziu a operação no período em que assumiu a 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná. Atualmente, ela está na 23ª Vara Federal em Curitiba.

      Hardt foi substituta do ex-juiz Sergio Moro nos processos da Lava Jato. Em 2019, ela condenou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do sítio de Atibaia. A decisão foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

      Ela também foi acusada de plagiar uma sentença de Moro no processo. Relembre abaixo.

      Hardt assumiu temporariamente a 13ª Vara Federal durante as férias e o afastamento do juiz Eduardo Appio, afastado após uma investigação apontá-lo como autor de uma ligação telefônica com tom de ameaça ao filho de um desembargador federal.

      Quem é Gabriela Hardt

      Juíza Gabriela Hardt assumirá os processos da Lava Jato  — Foto: Eduardo Matysiak/Futura Press/Estadão Conteúdo

      Juíza Gabriela Hardt assumirá os processos da Lava Jato — Foto: Eduardo Matysiak/Futura Press/Estadão Conteúdo

      Hardt é paranaense, tem 47 anos e cresceu em São Mateus do Sul, a 150 quilômetros de Curitiba. O pai dela trabalhava em uma unidade da Petrobras que fica na cidade.

      Formada em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde o ex-juiz Sérgio Moro dava aulas, ela prestou concurso para a Justiça Federal em 2007 e foi nomeada juíza dois anos depois, para uma vaga em Paranaguá, no litoral do estado.

      Em 2014, foi nomeada juíza substituta na 13ª Vara Federal e assumia os trabalhos quando o juiz Sergio Moro saía de férias.

      Em uma dessas ocasiões, em maio de 2018, Gabriela Hardt mandou prender o ex-ministro José Dirceu, que, na sequência, conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).

      Em novembro daquele ano ela assumiu o cargo e ficou à frente da 13ª Vara Federal de forma provisória quando Moro deixou a magistratura para virar ministro do governo Bolsonaro.

      A juíza também foi responsável por reconhecer legalidade nas palestras ministradas pelo presidente Lula às empreiteiras investigadas na operação. Ela também liberou parte dos valores de recursos e bens do então ex-presidente que estavam bloqueados.

      Em 2019, a defesa de Lula citou a repetição errônea da palavra "apartamento" como um indício de que Gabriela teria plagiado texto de Sergio Moro no processo do sítio de Atibaia, como publicado pelo jornal O Globo. Ela negou o plágio e alegou ser comum que os juízes federais aproveitem sentenças de colegas para não ter de começar a redigir uma decisão do zero.

      Hardt afirmou que fez a sentença com base na do colega e esqueceu de tirar a palavra "apartamento". Ela frisou, contudo, que a fundamentação e os fatos narrados eram diferentes no documento por ela redigido.

      Também em 2019, a juíza determinou a operação da Polícia Federal que investigava ameaças contra Moro vindas de uma facção. Nove pessoas foram presas.

      Fora da magistratura, a juíza é atleta. Ela começou a nadar ainda jovem e competiu em provas de maratonas aquáticas, nadando cinco quilômetros em águas abertas.

      Afastamento

      A apuração foi aberta pelo CNJ em 2024, depois que uma fiscalização feita pela Corregedoria apontou supostas irregularidades na validação por Gabriela Hardt de um acordo que tinha o objetivo de criar uma fundação privada que seria abastecida com recursos da Lava Jato, a partir do pagamento de multas de empresas condenadas. Os valores chegariam a R$ 2 bilhões.

      O afastamento do cargo, chamado de "pena de disponibilidade", é a segunda sanção mais grave prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman). O magistrado fica afastado, mas continua com vencimentos proporcionais e fica proibido de exercer outras funções, como advocacia ou cargo público.

      O conselheiro Rodrigo Badaró, relator do processo, avaliou que houve falta de cautela da juíza que homologou o acordo em menos de 48 horas, sem a prudência devida.

      "Ninguém quer demonizar o interesse de recuperar dinheiro para o Brasil, mas nossa obrigação aqui é verificar se a juíza naquele momento deveria ter tido mais cuidado, adentrado mais na questão, deveria ter notificado as partes, consultado órgãos", disse.

      O conselheiro afirmou que não há indícios de que Hardt tenha atuado com intuito de proveito próprio.

      Gabriela Hardt: juíza afastada continuará recebendo salário | G1