Essa e a verdadeira cara da nossa Segurança Publica

Essa e a verdadeira cara da nossa Segurança Publica

domingo, 4 de dezembro de 2016

×
O GloboInfoglobo Comunicação e Participações S.A.GRÁTIS - No Google Play
Ver
Abrir menuAbrir busca

Núcleo militar vai investigar corrupção nas Forças Armadas

Crimes envolveriam grandes contratos de Exército, Marinha e Aeronáutica

POR 
 
Miranda, procurador-geral: casos de corrupção espalhados no país - ANDRE COELHO / André Coelho
BRASÍLIA — O Ministério Público Militar criou um grupo para atuar no combate à corrupção nas Forças Armadas. O Núcleo de Combate à Corrupção investigará crimes cometidos por militares, que têm se sofisticado e deixou de ser algo isolado no Exército, Marinha ou Aeronáutica. O núcleo atuará em investigação financeira, combate a lavagem de dinheiro, corrupção e crime organizado.
— O crime cometido por militar hoje é mais sofisticado, mais complexo. A tecnologia ampliou as modalidades e formas de corrupção. E hoje envolve grandes contratos. Por isso é necessário criar ferramentas de apoio a essa investigação, principalmente nos casos de corrupção. E os crimes já não são mais localizados, se espalharam pelo país afora — disse o procurador-geral de Justiça Militar, Jaime de Cassio Miranda.
PAGAMENTO DE PROPINA A DESVIO DE VERBA
A portaria da Procuradoria-Geral da Justiça Militar que criou o núcleo diz que a corrupção que assola o país atinge várias esferas da administração pública, “inclusive a administração militar”, e que a investigação desses delitos requer complexidade. O procurador-geral de Justiça Militar, o civil Jaime de Cassio Miranda, explicou que o crime cometido pelos militares hoje está mais sofisticado e as investigações, a exemplo dos casos de corrupção no mundo civil, exigem cooperação e troca de informações com outros órgãos.
A capacidade das Forças Armadas de investigar crimes dessa natureza é insuficiente. Não conta com uma polícia judiciária especializada, como a Polícia Federal e a Policia Civil.
— Para se ter ideia, o próprio comandante de uma Força é o responsável pelo IPM (Inquérito Policial Militar). E o oficial encarregado para tocar a investigação, num hospital militar, por exemplo, pode ser um dentista. Ou seja, não seria o mais indicado para essa missão — diz.
Os crimes militares lembram muito as práticas dos civis. O Superior Tribunal Militar (STM) condenou quatro oficiais do Exército — três majores e um capitão — acusados de desvio de R$ 1,7 milhão do Centro de Pagamento do Exército, responsável pelo pagamentos da Força. O major, líder do esquema, cumprirá quase 10 anos de prisão, em regime fechado. O esquema envolvia 54 pensionistas laranjas em Brasília. A investigação revelou que muitos deles eram parentes de um dos oficiais. O crime ocorreu em 2002 e eles foram julgados somente em novembro de 2014. Em valor atual, o prejuízo foi de R$ 3,4 milhões.
Os hospitais militares são alvos constantes de corrupção. Quatro militares foram denunciados pela Justiça Militar de Recife por recebimento de propina de uma empresa que prestava serviço de quimioterapia para o Hospital Militar de Área. A empresa pagou R$ 334,8 mil de vantagem indevida para continuar a ser fornecedora do hospital. Entre 2008 e 2010, essa empresa privada recebeu do hospital R$ 3,8 milhões pelos serviços prestados. Todos foram denunciados por corrupção.
Em setembro, foram denunciadas sete pessoas — três militares e quatro civis — que participaram de um esquema de desvio de dinheiro num batalhão de Campina Grande (PB), que pagou R$ 156 mil por materiais de limpeza, descartáveis e de expediente que nunca foram entregues. A quantidade comprada era incompatível com necessidade do batalhão. Um dos sargentos denunciados recebeu R$ 87 mil de propina, outro sargento, R$ 31 mil e um major, R$ 30 mil. Eles respondem por corrupção ativa.

Newsletter

As principais notícias do dia no seu e-mail.
Já recebe a newsletter diária? Veja mais opções.

    VOLTAR AO TOPO

    quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

    Adolescente é morto por policiais no Morro do Borel, no Rio de Janeiro

    01/07/2016 13h48 - Atualizado em 01/07/2016 13h48

    Testemunhas dizem que PMs confundiram um saco de pipoca com drogas. Jhonata, de 16 anos, morreu com um tiro na cabeça no Morro do Borel.

    Diego HaidarRio de Janeiro

    Um adolescente de 16 anos morreu com um tiro na cabeça no Morro do Borel, na Zona Norte doRio de Janeiro. A polícia disse que Jhonata Dalber Matos Alves foi atingido durante um tiroteio. Já os moradores do morro falam que os PMs confundiram um saco de pipoca com drogas.
    Um vídeo, feito por um morador, mostra o desespero das pessoas enquanto policiais militares levavam o adolescente desacordado para o carro. “Eu cheguei do trabalho, a mãe dele me deu uma ligada, pedindo saquinho de pipoca. O Jhonata chegou, pegou o saco de pipoca e, simples, desceu. Assim que ele desceu começou o tiro. Deram um tiro primeiro, que eu acho que foi a hora que pegou nele, e começou o pessoal a gritar. Eles começaram a dar um tiro atrás do outro. Não foi troca de tiros. Foi eles, só os 'polícia' dando tiro. Não tinha bandido, não tinha ninguém na hora. Foi confundido saco de pipoca com droga. O Jhonata não usa droga, não é usuário de nada”, relata uma testemunha.
    A polícia tem outra versão e disse que o adolescente foi atingido durante um tiroteio entre PMs e traficantes no Morro do Borel. Ele levou um tiro na cabeça e foi levado para o hospital, mas não resistiu e morreu.
    A comunidade do Borel tem uma Unidade de Polícia Pacificadora desde 2010. A morte do adolescente vai ser investigada pela Divisão de Homicídios. A Polícia Civil deve ouvir testemunhas e os PMs envolvidos no caso.
    O corpo de Jhonata está no Instituto Médico Legal. “Não tinha confronto no morro. A única coisa que o meu neto foi fazer no morro foi pegar uns saquinhos de pipoca, porque hoje era a festa do irmão dele no colégio. Por que ele não rendeu meu neto? Por que ele não mandou o meu neto parar em vez ao de dar tiro?”, questiona o avô do garoto, Antônio Alves.
    A Secretaria de Segurança disse que foi feita uma perícia no local e que não foi encontrado nenhum saquinho de pipoca, como dizem os parentes e as testemunhas. Segundo o delegado responsável pelo caso, FábiA Secretaria de Segurança disse que foi feita uma perícia no local e que não foi encontrado nenhum saquinho de pipoca, como dizem os parentes e as testemunhas. Segundo o delegado responsável pelo caso, Fábio Cardoso, os policiais disseram que Jhonata também teria trocado tiros com a polícia, mas nenhuma arma foi encontrada na perícia.
    http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2016/07/adolescente-e-morto-por-policiais-no-morro-do-borel-no-rio-de-janeiro.html

    Mãe de adolescente morto em ação policial lamenta perda, no ES

    26/10/2016 07h40 - Atualizado em 26/10/2016 07h40


    Mãe contou que sonho de Wedeson Souza era ser policial. 
    Morte motivou ataques a carro do Correios, da TV Gazeta e a lojas.

    Do G1 ES, com informações de A Gazeta
    Mãe mostra foto do filho que guarda no celular (Foto: Carlos Alberto Silva/ A Gazeta)Mãe mostra foto do filho que guarda no celular (Foto: Carlos Alberto Silva/ A Gazeta)
    A doméstica Adilza Moreira de Souza, de 36 anos, mãe do jovem morto em uma ação da polícia no Bairro da Penha, em Vitória, na manhã desta terça-feira (25), contou que o sonho do filho era ser policial.
    A morte do jovem de 17 anos, Wedeson Souza, motivou protestos na Avenida Leitão da Silva, em Vitória, na manhã da terça-feira. Um carro dos Correios e da TV Gazeta foram depredados. Lojas foram apedrejadas e, na comunidade, um veículo foi incendiado no meio da rua.
    Versão da polícia
    O jovem morreu durante um confronto com policiais no bairro. A PM informou que o rapaz de 17 anos já foi detido quatro vezes, sendo três por tráfico e uma por desacato. A equipe de militares fazia uma patrulha pelo bairro quado viu um grupo suspeito. Eles fugiram e o jovem acabou sendo alcançado. O rapaz lutou com um policial, levou um tiro na barriga e morreu. Os policiais disseram que acharam cocaína e crack em uma sacola com o rapaz.
    A polícia disse que o jovem morto tentou tirar a arma da polícia. "Na verdade, a informações que a gente tem até o momento dão conta de que foi uma abordagem policial e que na verdade que os indivíduos, especificamente a vítima, não atendeu os procedimentos policiais. Avançou para o policial entrou em luta corporal e, durante, o policial efetuou um único disparo", afirmou o subcomandante geral da PM Ilton Borges.
    Ainda segundo o subcomandante, todo o fato vai ser investigado. "Vai ser uma investigação na Polícia Civil e Militar, todas as informações vão ser apuradas e todas essas versões confrontadas com perícias para chegar a uma conclusão do que realmente aconteceu. O que a gente está apresentando uma versão inicial", completou.
    Líder comunitário Sandro Rocha reclamou da abordagem da polícia no bairro (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)Líder comunitário reclamou da abordagem da
    polícia no bairro (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
    Versão dos moradores
    Uma moradora que não quis dar o nome disse estava trabalhando quando a polícia chegou. "Eles fizeram essa abordagem totalmente despreparada. Jogaram bala de borracha, ameaçaram atirar essa bala no meu marido. Isso é sempre desse jeito aqui. A polícia chega achando que todo mundo é bandido", disse.
    O líder comunitário Sandro Rocha disse que o adolescente que foi morto pela polícia estava indo comprar pão, quando foi abordado.
    "Hoje de manhã o menino saiu para comprar pão e foi cruelmente assassinado por um policial, que despreparado, pensa que todo mundo é bandido. Só porque o menino é preto, de cor. Eu acho que se fosse um branquinho duvido se ele não abordava primeiro e perguntava quem é a pessoa. Mas como a gente vive numa comunidade carente, onde todo mundo é levado como suspeito. E aconteceu mais um fato, mais uma pessoa negra morrendo na comunidade periférica", disse.
    Ele ainda afirmou que a comunidade vivia há algum tempo sem nenhum conflito. "Três anos que não tem nada aqui e vem um policial que deveria proteger a gente faz uma coisa dessas aqui. A comunidade não vai ser a mesma, porque vai voltar o que era antes. E a comunidade quer justiça", completou.
    Mãe
    A mãe de Wedeson, a doméstica Adilza Moreira de Souza contou que o jovem era o mais brincalhão e divertido dos seus quatro filhos.
    “E também o mais carinhoso”, completa a própria mãe, descrevendo o filho de 16 anos. Enquanto realizava os procedimentos para retirar o corpo de Dedé do Departamento Médico Legal (DML), ela contou que o filho queria ser policial, estudava e que temia perder um filho para a violência do bairro.
    O Wedson conhecia o bairro? Sabia onde estava indo?
    Há três anos, quando houve a ocupação, os tiroteios aconteciam frequentemente, eu mudei com meus filhos para Itararé, na tentativa de protegê-los. Mas os meninos foram criados no alto do morro, iam todos os dias. Percebi que eu estava pagando aluguel à toa e voltei para lá.
    Quando foi a última vez que vocês conversaram?
    Na tarde de segunda-feira, eu deitei no sofá e ele ficou junto de mim. Conversamos muito e ele estava feliz com o fato de ter conseguido compradores para os 15 cachorrinhos que a cadela dele criou. Chegou a dizer ‘Mãe, o dinheiro vai nos ajudar com o Natal. Não será tão bom quanto do ano passado, mas ajudará’, disse meu menino.
    Por que Wedeson saiu de casa?
    Eu estava fazendo café enquanto ele saía de casa para comprar pão, como fazia todos os dias. Saiu de casa com a carteira no bolso, o celular e uma oração da igreja, como fazia todos os dias.
    Como você soube que ele havia sido baleado?
    Ele havia dado um abraço no irmão mais velho que ia sair pra trabalhar. E foi comprar o pão. Quando ouvimos os tiros, meu filho mais velho correu e viu o irmão baleado. Os PMs o colocaram dentro da viatura e meu filho mais velho foi junto, Wedeson morreu nos braços dele.
    Seu filho foi apreendido alguma vez?
    Ele já foi levado pela polícia por desacato por ter sido vítima de preconceito por ser preto e pobre, assim, era sempre abordado. Mas não havia nada de droga com ele. Meu filho queria ser policial e morreu por um tiro deles.
    Garoto já foi apreendido por tráfico e desacato
    No perfil do Facebook de Wedeson as fotos mostram um garoto que gostava de jogar futebol e ao mesmo tempo exibia fotografias de arma.
    A imagem principal do perfil do garoto, aluno do 5º ano do ensino fundamental, era o desenho de um menino negro e a frente dele dois caminhos distintos: um que indicava a escola e no outro lado, armas eram oferecidas a caminho de um presídio. A mãe afirma que nada de ilícito havia com Wedeson quando ele foi morto.

    Segundo a Polícia Civil, o adolescente foi apreendido quatro vezes. Em 2014, com 14 anos, foi flagrado, segundo a PM, com 49 buchas de maconha, 9 papelotes de cocaína e 2 pedras de crack, em junho.
    Já em novembro, ele foi levado por desacatar PMs. Em dezembro do mesmo ano, o garoto foi parar na delegacia por portar 120 buchas de maconha e 28 pedras de crack. Em 2015, aos 15 anos, foi conduzido por desacato. Por ser menor e por nenhum dos delitos oferecem risco grave, Wedeson foi reintegrado à família.
    http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2016/10/mae-de-adolescente-morto-em-acao-policial-lamenta-perda-no-es.html