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domingo, 12 de julho de 2026

MP prende dois policiais do Denarc suspeitos de cobrar propina para ajudar traficante do PCC

 Além das prisões, também havia mandados de busca e apreensão na sede do departamento, no centro de São Paulo.

Por Bruno Tavares, TV Globo

Operação prende policiais do Denarc suspeitos de cobrar propina para ajudar traficante do PCC

Operação prende policiais do Denarc suspeitos de cobrar propina para ajudar traficante do PCC


Uma operação do Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaeco, da Corregedoria da Polícia Civil e da Polícia Federal prendeu na manhã desta quarta-feira (10) dois policiais civis do Denarc suspeitos de cobrar propina para ajudar um traficante do Primeiro Comando da Capital (PCC).

O advogado do traficante também foi preso por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.

Um terceiro policial também era alvo da operação, mas não havia pedido de prisão contra ele.

Além das prisões, havia mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e, inclusive, na sede do Denarc, que é o Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico, no bairro do Bom Retiro, centro de São Paulo.

A pedido do Gaeco, a Justiça também determinou o arresto, sequestro e bloqueio de bens no valor de R$ 1 milhão, exatamente a quantia paga pelo advogado aos policiais, segundo a investigação.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que "não tolera desvios de conduta por parte de seus agentes e que todas as medidas administrativas cabíveis serão adotadas, sem prejuízo das apurações criminais e disciplinares". (Leia a íntegra abaixo.)

Investigação

Denarc, no Bom Retiro, em São Paulo — Foto: Reprodução

Denarc, no Bom Retiro, em São Paulo — Foto: Reprodução

Os promotores afirmam que, no ano passado, policiais prenderam, em flagrante, um homem que transportava 345 kg de substâncias entorpecentes no fundo falso de um caminhão frigorífico.

Por meio da quebra do sigilo telemático (dados digitais) dos investigados, os promotores puderam acessar um vídeo com um diálogo sobre o pagamento de propina para barrar a investigação contra um traficante de drogas conhecido como "Costurado", integrante do PCC.

Mesmo com a identificação de um laboratório de refino ligado a "Costurado" na cidade de Jarinu, a investigação contra ele foi paralisada.

O vídeo, gravado em 23 de maio de 2024, registra uma videochamada entre três dos quatro alvos da operação. O quarto alvo da operação também foi citado nas conversas. Pouco tempo depois deste contato, policiais compraram imóveis, que, segundo os promotores, já ostentavam patrimônio incompatível com os valores que percebem do Estado.

O advogado, Ademilson Alves de Brito, já foi condenado a 30 anos de prisão por extorsão mediante sequestro e associação criminosa. Em 2006, ele manteve uma criança em cativeiro por 64 dias. Foi preso e depois colocado em liberdade, em 2010.

A defesa dele não foi localizada pela reportagem.

O que diz a SSP

Abaixo, leia a íntegra da nota da Secretaria da Segurança Pública:

"A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informa que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha e presta apoio à operação deflagrada nesta quarta-feira (10) pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. A ação tem como alvos um advogado e três policiais civis do Denarc, investigados por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.

A SSP reforça que não tolera desvios de conduta por parte de seus agentes e que todas as medidas administrativas cabíveis serão adotadas, sem prejuízo das apurações criminais e disciplinares. A pasta permanece colaborando com as autoridades responsáveis para o completo esclarecimento dos fatos."

MP prende policial suspeito de cobrar propina para ajudar traficante | G1

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