Caso na GMP: veja quem estava de plantão em ocorrência com suspeita de omissão

Raphael Pontes
26 de abril de 2026 às 06:00
Modificado em 28/04/2026, 15:27
Viaturas da Guarda Metropolitana em frente à base da Graciosa, onde ocorreu o caso investigado (Reprodução/X da Prefeitura de Palmas)
A sindicância que apura possível omissão de servidores da Guarda Metropolitana de Palmas (GMP) durante uma ocorrência envolvendo uma mulher em situação de vulnerabilidade, nas proximidades da Base da Graciosa, detalha quem integrava a equipe de plantão no dia 15 de fevereiro deste ano
O Jornal do Tocantins apurou que estavam de serviço os agentes Ronaldo Borges Rodrigues, Alessandro Gomes Neves e Jacqueline Pereira Cursino. A investigação administrativa conduzida pela Corregedoria analisou documentos operacionais, colheu depoimentos e avaliou material audiovisual antes de apresentar o relatório final. A conclusão indica que não há atribuição uniforme de conduta entre os servidores, o que levou à recomendação de análise individualizada das responsabilidades.
Segundo o relatório, Ronaldo Borges Rodrigues, na condição de inspetor e comandante da guarnição, aparece com a imputação mais gravosa em tese. A análise aponta que, por ocupar posição de liderança, caberia a ele adotar ou determinar providências diante da situação, sendo avaliada possível omissão funcional incompatível com o dever de comando e fiscalização.
Em relação a Alessandro Gomes Neves, integrante da equipe de serviço, a sindicância identifica indícios de que ele sabia da situação e não agiu como deveria, o que motivou a necessidade de apuração punitiva específica quanto ao dever funcional de intervenção e comunicação.
Versão da defesa
A defesa do guarda metropolitano Alessandro Gomes Neves afirmou, em nota, que não há prova concreta de conduta irregular atribuída ao servidor e que a vinculação ao caso se baseia em "suposições e conjecturas". Os advogados também apontam possíveis falhas no procedimento administrativo, como ausência de oportunidade para apresentação de defesa prévia, não realização de perícia no celular e falta de oitiva de testemunha considerada essencial. A defesa sustenta que Alessandro possui histórico funcional sem punições ao longo de mais de 20 anos de serviço e declara confiança de que os fatos serão esclarecidos pelas vias legais (veja nota na íntegra no final da matéria).
O JTo também tenta contato com o agente Ronaldo Borges Rodrigues e mantém o espaço aberto para manifestação.
Vídeo mostra o homem em cima da mulher visivelmente vulnerável (Reprodução/TV Anhanguera)
Condutas distintas
Já a servidora Jacqueline Pereira Cursino aparece em situação distinta. Conforme a apuração, os elementos reunidos indicam que ela não viu o que aconteceu na hora e soube depois da ocorrência, o que a posiciona em outro nível de análise quanto à eventual responsabilidade administrativa.
Com base nessas diferenças, o comando da corporação determinou o prosseguimento das medidas administrativas de forma individualizada, com abertura de sindicância punitiva voltada especialmente aos dois primeiros agentes citados.
No caso de Jacqueline, a decisão administrativa autorizou o retorno às atividades, ao considerar a ausência, neste momento, de elementos que indiquem participação com o mesmo grau atribuído aos demais.
Dupla apuração
A apuração administrativa ocorre em paralelo à investigação criminal conduzida pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), por meio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Palmas. O procedimento tramita em segredo de Justiça.
O caso ganhou repercussão após denúncia envolvendo possível omissão durante atendimento a uma ocorrência com potencial relevância penal. As investigações seguem em andamento nas esferas administrativa e criminal.
Agentes da Guarda Metropolitana de Palmas (Lia Mara/ Secom Palmas)
NOTA OFICIAL -- À IMPRENSA - Guarda Metropolitano ALESSANDRO GOMES NEVES
A defesa do Guarda Metropolitano ALESSANDRO GOMES NEVES, vem a público esclarecer os fatos recentemente divulgados acerca da ocorrência envolvendo suposta omissão durante plantão da Guarda Metropolitana de Palmas.
Inicialmente, é imprescindível destacar que não há qualquer prova concreta de que o servidor tenha praticado qualquer conduta irregular, sendo sua vinculação aos fatos baseada exclusivamente em meras suposições e conjecturas, conforme se extrai do próprio procedimento administrativo instaurado.
O Guarda Metropolitano ALESSANDRO GOMES NEVES é servidor público há décadas, possuindo histórico funcional absolutamente ilibado (mais de 23 anos sem nenhuma punição), sem qualquer registro anterior que desabone sua conduta.
No caso em apuração, a Defesa já demonstrou, inclusive em medida judicial, que o procedimento administrativo foi conduzido com graves violações ao contraditório e à ampla defesa, não tendo sido oportunizado ao servidor sequer apresentar defesa prévia ou alegações finais, tampouco produzir provas essenciais à demonstração de sua inocência .
Além disso, chama atenção o fato de que:
Não foi o Guarda Metropolitano ALESSANDRO GOMES NEVES que gravou qualquer vídeo;
Não foi realizada perícia técnica no aparelho celular do servidor, embora ele tenha se colocado voluntariamente à disposição para tal análise;
Testemunha essencial não foi ouvida, mesmo sendo peça-chave para o esclarecimento dos fatos;
O próprio relatório administrativo admite que a autoria seria apenas "possível", sem qualquer certeza ou prova objetiva.
Ou seja, trata-se de um cenário em que não há prova, apenas suposição, o que é absolutamente incompatível com qualquer responsabilização, seja administrativa ou penal.
A defesa confia que os fatos serão devidamente esclarecidos pelas vias legais e reafirma que o Guarda Metropolitano ALESSANDRO GOMES NEVES é inocente e jamais praticou qualquer ato de omissão ou irregularidade funcional
Por fim, ressalta-se a importância de que a apuração dos fatos ocorra com responsabilidade, respeito às garantias legais e sem prejulgamentos, evitando-se condenações antecipadas no âmbito da opinião pública.
A verdade será restabelecida
A defesa reafirma plena confiança nas instituições e no trabalho da Justiça, com a convicção de que, ao final das apurações, a verdade dos fatos será devidamente esclarecida.
Atenciosamente,
Defesa do Guarda Indiano Soares Advocacia Criminal
Palmas TO, 27 de abril de 2026.
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