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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

'Quem paga mal, paga duas vezes': investigação aponta rede de extorsão no sistema de Justiça do Pará

 Ministério Público diz que grupo cobrava dinheiro para favorecer investigados e combinava valores e alvos em mensagens e áudios.

Por Fantástico

  • Uma investigação do Ministério Público do Pará aponta para um suposto esquema de extorsão envolvendo um delegado da Polícia Civil, um promotor do Ministério Público e um juiz do Tribunal de Justiça.

  • Segundo a investigação, a rede atuava desde 2021 e montava uma espécie de “justiça paralela”, cobrando propina de suspeitos em troca de decisões ou encaminhamentos favoráveis.

  • Em gravações reunidas na apuração, o delegado nega para uma mulher que esteja extorquindo, mas o material aponta que, em conversas privadas, valores e cobranças aparecem de forma explícita.

Mensagens de texto e de áudio revelam uma rede de corrupção no Pará

Mensagens de texto e de áudio revelam uma rede de corrupção no Pará

Imagens de uma câmera de segurança mostram o momento em que um homem é atropelado enquanto se exercita em uma ciclofaixa, no fim da madrugada, em Belém (PA). A vítima sobrevive e o caso vira notícia. O motorista é identificado — e a investigação abre caminho para algo maior: uma apuração que agora expõe suspeitas de corrupção dentro do sistema de justiça do Pará.

A história é o ponto de partida de uma reportagem do Fantástico, que revela um suposto esquema de extorsão envolvendo um delegado da Polícia Civil, um promotor do Ministério Público e um juiz do Tribunal de Justiça. Segundo a investigação do Ministério Público do Pará, a rede atuava desde 2021 e montava uma espécie de “justiça paralela”, cobrando propina de suspeitos em troca de decisões ou encaminhamentos favoráveis.

No caso do atropelamento, uma parente do motorista reconhece o responsável pelo inquérito quando vê o delegado na televisão. Ela manda um áudio ao delegado Arthur Afonso Nobre de Araújo Sobrinho, dizendo que “criou” ele e que trabalhou com a mãe dele. A mulher afirma que policiais estariam pedindo dinheiro para “aliviar” a situação do atropelador.

"Acho que foi tu que pediu um valor muito alto para eles pagarem. Parece que R$ 25 mil", revela áudio da parente.

Em gravações reunidas na apuração, o delegado nega para a mulher que esteja extorquindo, mas o material aponta que, em conversas privadas, valores e cobranças aparecem de forma explícita. Em um dos áudios atribuídos ao delegado, ele diz: “Quem paga mal paga duas vezes”. Em outro, afirma que não vai se “queimar”:

"Nunca pense que vou me queimar por R$ 10, R$ 20, R$ 30 mil, tá bom? Não pense isso. Eu to falando sério. De homem para homem. De delegado para delegado", revela o áudio atribuído ao delegado.

O Ministério Público afirma que Arthur Nobre trocava mensagens com o superior imediato na época, o então diretor metropolitano da Polícia Civil, Carlos Daniel Fernandes de Castro. Em conversas, o diretor escreve: “Imagina se tivesse ficado muito tempo” no Denarc. O delegado responde, em áudio, que se tivesse permanecido na unidade “a gente teria apreendido droga pra...” e que os dois estariam “ricos”.

Ainda segundo a investigação, a transferência do delegado para outra delegacia, em agosto de 2023, teria sido tratada como oportunidade para arrecadar mais dinheiro. Em áudio, um escrivão diz que o local é “o lugar certo pra gente” e que ali dá para “ficar bem, sem bronca”. Em outra mensagem, o diretor responde ao delegado com ironia: “Cansado mas a fim de roubar alguém, né?”.

Os investigadores apontam também a atuação de membros do Ministério Público. Um dos citados é o promotor Luiz Márcio Teixeira Cypriano, da 2ª Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial. De acordo com o material reunido, havia conversas para combinar entregas de dinheiro e escolha de alvos.

Em janeiro de 2024, o delegado escreve: “Vou levar mais 3 hoje pro senhor” — valor que, segundo a apuração, seria R$ 3 mil em dinheiro vivo.

A investigação sustenta que o atropelamento foi usado como exemplo do funcionamento do esquema. Primeiro, o delegado envia ao promotor o vídeo do acidente. Em seguida, o promotor pede oficialmente a abertura de inquérito para dar aparência de legalidade a um caso que teria ocorrido fora da jurisdição do policial. A partir disso, Arthur Nobre assume o caso e, de acordo com o Ministério Público, cobra os R$ 25 mil.

A apuração avança para o Judiciário. Um juiz é investigado pelo Tribunal de Justiça do Pará: Jackson José Sodré Ferraz. Entre os indícios citados está a operação “Truque de Mestre”, de 2023, contra influenciadores suspeitos de promover jogos de azar. A investigação diz que, durante um plantão, o juiz autorizou buscas e prisões temporárias; o pedido foi do delegado Arthur Nobre e teve parecer favorável do promotor Luiz Márcio.

Uma das presas na operação, a influenciadora Noelle Araújo, diz em entrevista que pagou R$ 500 mil.

"O advogado me cobrou para tentar resolver a nossa vida. De que forma? Não me interessa", revela a influenciadora.

A investigação indica que um dos suspeitos de intermediar repasses é Caio Ferraz, filho do juiz.

  • O delegado Arthur Nobre foi afastado, mas segue recebendo salário de R$ 28 mil. Já foi preso três vezes, é réu e responde em liberdade. O advogado dele afirmou que irá se manifestar nos autos;
  • O promotor Luiz Márcio está afastado, mas segue recebendo salário de R$ 68 mil e sua defesa diz que, por ora, opta pelo silêncio;
  • Carlos Daniel Castro foi afastado, sua defesa diz que está "em fase de análise criteriosa e aprofundada dos autos" e que "atuará em conformidade com os parâmetros legais e constitucionais".

Mensagens de texto e de áudio revelam uma rede de corrupção no Pará — Foto: Reprodução/TV Globo

Mensagens de texto e de áudio revelam uma rede de corrupção no Pará — Foto: Reprodução/TV Globo

PM de folga agride homem durante abordagem; policiais não reagem |


RJ: major da Polícia Militar agride empregada doméstica


26 de jul. de 2022

Ex-delegado do Dops do ES é condenado por ocultar cadáveres na ditadura


Cláudio Antônio Guerra foi condenado a sete anos em regime semiaberto e pagar R$ 10,2 mil pela ocultação dos corpos de 12 pessoas durante a ditadura militar.Imagem: Gabriel Lordello-16.mar.19/Folhapress

Do UOL, em Sâo Paulo

13/06/2023 12h52

A Justiça Federal de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, condenou o ex-delegado do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) do Espírito Santo por ocultação de cadáveres.

O que aconteceu?

Cláudio Antônio Guerra foi condenado a cumprir sete anos em regime semiaberto. O ex-delegado também terá que pagar 308 dias-multa com base no valor de 1/30 do salário mínimo vigente na época da denúncia ao órgão, equivalente a R$ 10,2 mil
A ação ajuizada pelo MPF envolve o desaparecimento de 12 das 136 pessoas consideradas desaparecidas pela Comissão Nacional da Verdade. As vítimas são: Ana Rosa Kucinski Silva, Armando Teixeira Frutuoso, David Capistrano da Costa, Eduardo Collier Filho, Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, João Batista Rita, João Massena Melo, Joaquim Pires Cerveira, José Roman, Luís Inácio Maranhão Filho, Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto e Wilson Silva.


A Justiça Federal aceitou os argumentos do MPF sobre a inaplicabilidade da Lei da Anistia. Segundo o MPF, os crimes de ocultação de cadáveres, cometidos entre 1974 e 1975, permanecem sem solução até hoje, o que ultrapassa a delimitação temporal da lei, que abrange crimes cometidos entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979.

O órgão também considerou a jurisprudência de cortes internacionais e considerou que a Lei da Anistia não é compatível com a Convenção Interamericana de Direitos Humanos. A sentença considera que a Corte e outras decisões semelhantes não condizem com o dever dos Estados de investigar e punir violações dos direitos humanos.

A denúncia feita pelo procurador da República Guilherme Garcia Virgílio foi apresentada, em julho de 2019. "O comportamento do réu se desviou da legalidade, afastando princípios que devem nortear o exercício da função pública por qualquer agente do Estado", afirmou na ação.

A condenação pode ser contestada e Guerra pode recorrer em liberdade. UOL tenta contato com o ex-delegado. Em caso de retorno, o texto será atualizado.

Quem é Claudio Antonio Guerra?

O ex-delegado confessou ter ocultado os corpos das 12 pessoas em seu livro autobiográfico, Memórias de Uma Guerra Suja. Na publicação, ele afirma que os corpos foram retirados da Casa da Morte, em Petrópolis, e o DOI-Codi, no Rio de Janeiro, e incinerados na Usina Cambahyba, em Campos dos Goytacazes.

Além da ocultação de cadáveres, Guerra já revelou sua participação em sequestros, torturas e mais de 20 homicídios, segundo o Memorial da Resistência de São Paulo.

Atualmente ele trabalha como ministro da Assembleia de Deus e prefere ser chamado de Pastor.

                                            O ex delegado não foi julgado, mas homenageado por seus crimes.
possivelmente julgado por apoiadores.
                               

    

Cláudio Antônio Guerra foi condenado a cumprir sete anos em regime semiaberto. O ex-delegado também terá que pagar 308 dias-multa com base no valor de 1/30 do salário mínimo vigente na época da denúncia ao órgão, equivalente a R$ 10,2 mil








Tática dos covardes para esconder seus crimes. Ou usam  a tática velhinho doente ou se enfiam no esconderijo a igreja..
Não são homens para assumir seu crimes e enfrentar a justiça de cabeça erguida, Covardes
                                       

              



A imagem de militares escondendo o rosto durante julgamento de Dilma Rousseff remete ao julgamento dela em 1970, quando ainda militante da luta armada, onde a cena icônica mostra dois militares abaixando a cabeça e cobrindo o rosto, um possível sinal de constrangimento ou reação à sua postura firme e ao contexto de tortura, sendo um momento marcante na memória de seu passado como presa política.