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segunda-feira, 20 de abril de 2026

OAB pede afastamento de delegado após prisão de advogada em escritório no interior de Goiás

 Entidades apontam possível abuso de autoridade e violação de prerrogativas na detenção de Áricka Cunha, em Pirenópolis

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Justiça  • atualizado em 17/04/2026 às 15:27

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Nacional e a seccional de Goiás atuam de forma conjunta para garantir o afastamento do delegado envolvido na prisão da advogada Áricka Cunha, ocorrida dentro de seu escritório, em Pirenópolis (GO). As entidades também requerem a apuração imediata dos fatos e a aplicação das sanções cabíveis previstas em lei.

Em nota, o presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, afirmou que a condução da profissional “é incompatível com a ordem jurídica” e pode configurar, em tese, abuso de autoridade. Segundo ele, o episódio representa ainda uma grave violação das prerrogativas garantidas pelo Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94). “O livre exercício da advocacia não admite constrangimentos ilegais nem medidas arbitrárias por parte de agentes públicos”, destacou.

Desde o início do caso, o presidente da OAB-GO, Rafael Lara Martins, acompanhou a situação e prestou assistência à advogada, acionando o Sistema de Defesa das Prerrogativas. Para ele, a atuação do delegado foi “desrespeitosa, ilegal e flagrantemente arbitrária”. Lara também defendeu a apuração rigorosa da conduta pela entidade correicional competente.

A estrutura nacional de defesa das prerrogativas da OAB segue mobilizada e atua em conjunto com a seccional goiana para garantir a responsabilização dos envolvidos e evitar a repetição de casos semelhantes. A entidade reafirmou que não tolerará violações ao exercício da advocacia e que adotará todas as medidas institucionais necessárias para assegurar o respeito à Constituição. 


Entenda o caso

A advogada Áricka Cunha foi presa na tarde de quarta-feira (15), em Cocalzinho de Goiás, após uma publicação em rede social. A detenção foi realizada pelo delegado Christian Zilmon Mata dos Santos, que apontou suposta difamação contra sua pessoa.

Segundo informações apuradas, a advogada teria divulgado trechos de um despacho de arquivamento relacionado a uma ocorrência policial, relatando sua experiência pessoal e fazendo críticas ao sistema com base em procedimento administrativo público. O conteúdo incluía expressões como “resultado: arquivamento” e “motivo: fato atípico e falta de efetivo”.

O delegado da Polícia Civil de Goiás, Christian Zilmon Mata dos Santos, afirmou que a prisão da advogada ocorreu após uma sequência de condutas que, segundo ele, incluíram difamação em rede social, desacato, injúria e desobediência. “Ela difamava aqui em rede social a minha pessoa. Ela falava que não [houve registro da] ocorrência e mesmo assim não foi feito nada por causa da pessoa dela. Mas, na verdade, tinha uma justificativa, que era por causa de falta de efetivo e também tinha muito procedimento ativo, e mesmo assim ela continuou.”

Ele também defendeu a legalidade da medida adotada. “Então é uma situação chata, porque é moradora do município, mas a gente tem que cumprir a lei, ninguém está acima da lei, nem eu, nem ela, ninguém. Não pode ter desobediência à lei, as pessoas não podem achar que estão acima da lei e podem sair ofendendo, e falam qualquer tipo de atrocidade, que não vai dar em nada.”

Imagens mostram o momento em que o delegado se dirige ao escritório da advogada e realiza a prisão no local de trabalho, o que gerou forte repercussão nas redes sociais e entre profissionais do Direito. “Se isso acontece comigo, advogada, dentro do meu espaço de trabalho… imagine com quem não tem voz”, escreveu a advogada em postagem feita nas redes sociais. Confira o momento da abordagem:

Áricka permaneceu detida até por volta das 22h, sendo liberada após pagamento de fiança de R$ 10 mil. Há relatos de que o valor teria sido exigido em espécie, o que pode ter dificultado a liberação imediata.


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