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quinta-feira, 9 de abril de 2026

‘Café com teu pai’: policial da PRF é denunciado ao MPF por misoginia e atuação como influencer

 Breno Vieira Faria, do canal “Café com teu pai” e conhecido por conteúdos misóginos, é alvo de representação apresentada pela deputada Ediane Maria e pela advogada Natália Boulos

Por: Ivan LongoPublicado: 09/04/2026

Breno Faria, criador do "Café com teu pai", é denunciado ao MPF - Foto: Reprodução/YouTube

O policial rodoviário federal e influenciador digital Breno Vieira Faria se tornou alvo de uma denúncia protocolada nesta quinta-feira (8) no Ministério Público Federal (MPF), que pede a abertura de investigação por possíveis irregularidades no exercício do cargo e pela produção de conteúdos classificados como misóginos nas redes sociais.


A representação, assinada pela deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP) e pela advogada Natália Szermeta Boulos, afirma que o agente mantém “intensa atuação como influenciador digital, com milhões de seguidores e significativa monetização de conteúdo”.


Faria, de 31 anos, reúne mais de 2 milhões de seguidores somando suas redes sociais. O crescimento de audiência se intensificou a partir de fevereiro de 2025, quando passou a produzir conteúdos no canal “Café com teu pai”, uma sátira ao livro e podcast devocional “Café com Deus Pai”, reproduzindo inclusive elementos visuais da marca com adaptações irônicas.

Machosfera: conteúdos e discurso apontados como misóginos

A representação sustenta que parte relevante dos conteúdos publicados por Faria apresenta “forte carga de estereotipação e desqualificação de mulheres”.

Entre os exemplos citados, estão vídeos em que o influenciador afirma que mulheres com múltiplos parceiros seriam “vagabundas”, enquanto homens na mesma situação seriam valorizados.

Um dos conteúdos de maior alcance do criador, com milhões de visualizações em plataformas como o TikTok, gira justamente em torno dessa comparação. Nele, Faria afirma que o homem seria “quem conquista”, enquanto a mulher ocuparia o papel de “ser conquistada”, reforçando uma lógica de hierarquia entre gêneros.

Na mesma gravação, o influenciador recorre a uma encenação caricata e à analogia mencionada na representação, segundo a qual “uma chave que abre todas as fechaduras é uma chave mestra”, enquanto “uma fechadura que abre por qualquer chave não presta pra nada”.

Outros conteúdos seguem a mesma linha. Em vídeos e entrevistas, Faria afirma, por exemplo, que “mulher rodada não perde fama”, que mulheres bem-sucedidas acima dos 30 anos e solteiras seriam “problemáticas” e que homens perderiam o interesse quando “as mulheres entregam tudo”.

Em outro trecho, ele sugere que mulheres devem adotar comportamentos “doces” e evitar confrontos diretos em relações, defendendo que, diante de insatisfações, deveriam recorrer a reforços positivos — comparados por ele à forma como se treinam animais.

Também há conteúdos em que o influenciador afirma que mulheres devem “jogar o jogo” para serem escolhidas por homens e que, mesmo sendo independentes, não deveriam “esquecer seu papel” em relações e na vida doméstica.

Para as autoras da representação, esse conjunto de falas contribui para “a disseminação de discursos misóginos e discriminatórios” e reforça desigualdades de gênero no ambiente digital.

Cursos, monetização e atuação empresarial

Outro ponto central da denúncia diz respeito à exploração comercial da atividade digital.

Segundo a representação, Breno Vieira Faria comercializa cursos e produtos digitais voltados especialmente ao público feminino, com a promessa de ensinar mulheres a serem assumidas em relacionamentos, apesar de não possuir formação técnica ou habilitação profissional compatível.

O documento aponta ainda “indícios robustos” de que o policial exerce atividade empresarial ativa, participando da gestão de empresas de marketing digital e utilizando sua influência nas redes como estratégia de comercialização.

A Lei nº 8.112/1990 estabelece que servidores públicos federais não podem exercer gerência ou administração de empresas privadas, salvo exceções específicas — o que, segundo a denúncia, pode estar sendo descumprido.

Além disso, a representação menciona possível violação ao regime de dedicação exclusiva da Polícia Rodoviária Federal, citando declarações em que o próprio agente teria afirmado trabalhar apenas alguns dias por semana na corporação.

Uso de redes sociais sob questionamento

O documento também sustenta que a atuação do policial nas redes pode violar normas internas da PRF.

De acordo com a representação, a normativa da corporação veda a monetização de conteúdo e a divulgação de material discriminatório por seus integrantes.

As autoras afirmam ainda que o influenciador, ao mencionar sua vinculação com a PRF em conteúdos publicados, pode estar associando a imagem institucional da corporação a discursos considerados problemáticos.

Pedido de investigação contra criador do ‘Café Com teu Pai’

Ediane Maria e Natália Boulos solicitam ao MPF, na representação, a instauração de procedimento investigativo para apuração dos fatos.

Entre os pedidos estão a verificação de eventuais infrações administrativas, civis e penais, a requisição de informações à Polícia Rodoviária Federal e a adoção de medidas cabíveis caso as irregularidades sejam confirmadas.

O documento também menciona a possibilidade de responsabilização disciplinar e eventual exoneração do cargo público.

A denúncia chama atenção para os limites da atuação de servidores públicos nas redes sociais, especialmente quando há monetização de conteúdo e a divulgação de posicionamentos discriminatórios.

A representação sustenta que as condutas atribuídas ao policial podem violar princípios da administração pública, como a moralidade, ao reforçar “visões preconceituosas e a desigualdade de gênero”.

Outro lado

Fórum entrou em contato com Breno Vieira Faria por e-mail para solicitar um posicionamento sobre a representação e aguarda retorno. O espaço segue aberto para eventual manifestação.

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