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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Mortes por policiais de folga

25/09/2013 - 03h00

Em SP batem recorde em dez anos


 
AFONSO BENITES
DE SÃO PAULO
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O número de homicídios cometidos por PMs de folga tem batido recorde em 2013 em relação aos últimos dez anos no Estado de São Paulo.
Levantamento da Folha com base em dados da corregedoria da corporação mostra que os profissionais que estavam fora do horário de expediente foram responsáveis de janeiro a julho por 129 homicídios dolosos (intencionais, desde um crime passional até a reação a um roubo).
É um crescimento de 52% em relação ao mesmo período do ano passado (85) ou de 55% em relação a 2003 (83).
Editoria de arte/Folhapress
De dez anos para cá, só em 2011 tinha havido mais de cem mortos por PMs sem farda nos sete primeiros meses do ano (na época, 109 casos).
O aumento da letalidade fora do horário de expediente ocorre ao mesmo tempo em que há redução das mortes provocadas por PMs em confrontos, no serviço, como adiantou a Folha em junho.
O número caiu 41% nos primeiros sete meses deste ano em relação ao mesmo período de 2012 (de 290 para 172).
Especialistas em segurança apontam duas explicações para esse fenômeno:
1) Os PMs ainda convivem com a tensão de serem atacados após a morte de 106 deles na crise de violência de 2012; por isso, estariam mais propensos a reagir na folga;
2) Ao mesmo tempo, houve medidas da Secretaria da Segurança Pública para conter os confrontos de PMs em serviço, como novos procedimentos em perseguições (como evitar entrar sozinhos em imóveis invadidos por ladrões) e a restrição ao socorro de crimes graves nas ruas.
"Quando você vê um monte de colegas seus sendo mortos, não pensa duas vezes antes de reagir a um assalto", diz Samira Bueno, secretária-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Para ela, porém, os policiais deveriam ser mais bem preparados para evitar que outras mortes ocorressem.
Por outro lado, a quantidade de PMs vítimas de homicídios tem caído em 2013.
De janeiro a julho do ano passado, 42 policiais morreram na folga e nove em confrontos. No mesmo período deste ano, foram 28 mortos na folga e nove em serviço.
COLETES
O comandante da PM, coronel Benedito Meira, diz que a elevação das mortes por PMs de folga ocorre principalmente porque os criminosos estão "mais ousados".
"Essas mortes acontecem em um contexto de aumento de crimes contra o patrimônio. Os policiais são parte da sociedade e, se ela é vítima desses criminosos, nós também somos", afirmou.
A diferença, no entanto, é que o policial costuma estar armado mesmo na folga e é treinado para reagir.
Segundo Meira, nesse cenário, a orientação dada nos quartéis é para que, mesmo na folga, os PMs usem coletes a prova de balas e, quando se deparar com um crime, aja. "O PM tem o dever de agir, mesmo na folga", disse.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Corregedoria da PM investiga Policial

19/02/2013 15h18
Acusado de agressão
  Policial Fabionei responde a denúncia de espancamento contra um office boy; PM diz que militar terá direito à ampla defesa e ao contraditário


Janaina Ribeiro

O policial militar identificado, até agora, apenas como Fabionei, lotado no Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran), será investigado pela corregedoria da corporação. Será publicado no boletim interno da Polícia Militar desta quarta-feira (20) o procedimento administrativo que vai apurar a conduta do acusado de espancar um office boy, no último dia 02. A vítima fez uma denúncia formal contra o militar à Polícia Civil, à Corregedoria da Polícia Militar e ao Ministério Público Estadual.
No procedimento que será instaurado neste dia 20, um capitão, de uma unidade diferente daquela à qual serve o cabo Fabionei, será designado para investigar a denúncia de agressão formalizada pela família de José Carlos da Silva Santos. Ele terá 30 dias para realizar a apuração, prazo que poderá ser prorrogado por igual período.

De acordo com o corregedor-geral da PM, coronel Louvercy Monteiro de Oliveira, Fabionei terá direito à ampla defesa. “A Constituição Federal garante ao acusado o direito à defesa e ao contraditório. Então, vamos ouvir o militar e avaliar até que ponto a suposta conduta dele como pessoa civil tem relação com a sua postura como policial. Ainda não se pode afirmar que o comportamento do militar interfere nas funções dele no exercício de seu trabalho. É para isso que a investigação vai acontecer”, explicou o oficial.

Segundo o corregedor, até que o procedimento administrativo ordinário seja concluído, o cabo Fabionei deverá permanecer trabalhando normalmente no Batalhão de Trânsito. “Isso só não ocorrerá caso o comandante do BPTran ou o relator do procedimento entenda que a permanência do militar na sua atividade vai comprometer o trabalho policial ou o nome da corporação”, disse Louvercy Monteiro de Oliveira.

O caso
José Carlos da Silva Santos acusa o policial Fabionei de ter sido agredido pelo militar no início da manhã do último dia 02. A briga teria sido provocada porque o office boy pedira para que o militar não deixasse seus dois cachorros fazerem necessidades fisiológicas no estacionamento da empresa onde a vítima trabalha.

Segundo a esposa de José Carlos, o militar não teria gostado da interferência do office boy e, não só deixou os pit bulls urinarem no estacionamento, como ele próprio também teria feito o mesmo e, em seguida, ido até a direção da vítima, espancado-a.

José Carlos sofreu fraturas de mandíbula e no nariz, tendo vários dentes quebrados. Ele foi socorrido para o Hospital Geral do Estado e depois permaneceu internado no Hospital Arthur Ramos, só recebendo alta quatro dias depois. No dia 06, ele registrou um boletim de ocorrência contra Fabionei e realizou exame de corpo delito.

Nessa segunda-feira, José Carlos e a esposa procuraram a Corregedoria da PM e o Ministério Público Estadual para formalizar a denúncia.