Essa e a verdadeira cara da nossa Segurança Publica

Essa e a verdadeira cara da nossa Segurança Publica
Mostrando postagens com marcador Empresário negro preso sem razão revela momentos de terror nas mãos da PM. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Empresário negro preso sem razão revela momentos de terror nas mãos da PM. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Empresário negro preso sem razão revela momentos de terror nas mãos da PM

Empresário negro foi imobilizado e algemado após questionar abordagem truculenta de policiais. Luang Senegambia Dacach Gueye passou por momentos de tensão e ameaças na viatura e na delegacia

empresário negro preso terror polícia militar rio de janeiro racismo
(reprodução/facebook)

Por Sheila Fonseca, Cultura Livre – Via Sheila Fonseca

Na última terça-feira (14) o ator e designer Luang Senegambia Dacach Gueye, proprietário da marca de roupas com inspiração na cultura africana Senegâmbia, veio a público utilizando o seu perfil pessoal em rede social para denunciar o episódio de racismo institucional ocorrido no dia 12 de novembro do ano passado, em que foi vítima de detenção arbitrária e abordagem truculenta da PMdurante o evento Mimo Festival, no Rio de Janeiro.
Fui acusado de desobediência”, diz Luang.
No dia 12 de novembro de 2016, às 16 horas fui abordado por dois policiais em frente a Praça Paris [no bairro da Glória, Zona Sul do Rio], onde acontecia um festival de música. Questionei o motivo da abordagem e aleguei que estava apenas de passagem, não vendo motivo para ser revistado. Disseram que eu era suspeito. Perguntei: Suspeito de que?. Aleguei que a única explicação para eles me pararem é porque sou preto e eles racistas. Então fui imobilizado, cercado por uns 6 ou 8 policiais, algemado e levado para delegacia do Catete.” revela.
Segundo o empresário, foram momentos de tensão que incluíram ameaças veladas dos policiais: “Na viatura e na delegacia, diferentes PM´s em diferentes momentos repetiam com naturalidade uma afirmação bizarra: ‘Sorte tua que tu não tá na baixada…’ ”
Luang, que não recebeu cópia do boletim de ocorrência, ainda foi condenado a pagar multa de R$900,00 “Na delegacia não havia tinta de impressora, então não fiquei com nenhuma cópia do registro. Fui no JECRIM e, hoje, descobri que fui condenado a pagar 900,00 reais. ”
Está marcada para o mês de abril uma audiência de conciliação onde o empresário ficará frente-a-frente com os policias e o juiz para apuração dos fatos. Na avaliação de Luang, não há dúvidas de que foi um episódio de racismo:
Para aqueles que tem dificuldade de entender o racismo, é isso. Para aqueles que o tema da apropriação cultural é uma abstração, disputa de argumento, e ou motivo de piadas, lhes digo que é apenas mais um das centenas de elos que, assim como a sexualização da mulher preta, a romantização da favela, parecem inofensivos, mas mantem a corrente do racismo apertada fortemente ao redor de milhões de brasileiros e brasileiras, antes, durante e depois do que uma pessoa branca “defender” o direito de usar um turbante.
O racismo torce o braço, algema, taca na viatura e toma a tua grana e todos sabemos, mata.