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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Luiz Cláudio Cunha: Amaral de Souza, recém-falecido, foi o mais medíocre governador da história do Rio Grande do Sul

20/06/2012
 às 17:00 \ Política & Cia

E fiel seguidor da ditadura militar

(Texto publicado em Sul21, em 19 de junho de 2012, por Luiz Cláudio Cunha)
AMARAL DE SOUZA (1929-2012): AS VERRUGAS DA MAL CONTADA HISTÓRIA DA DITADURA

Pinte-me como eu sou, com verrugas e tudo.
(Oliver Cromwell, 1599-1658, Lorde Protetor do
Reino Unido, ao pintor oficial da corte, Peter Lely)

Amaral de Souza: retocado... e Lorde Cromwell: com verrugas e tudo
Amaral de Souza: retocado... e Lorde Cromwell: com verrugas e tudo
Um jovem mal informado ou desatento imaginaria que o Rio Grande do Sul perdeu um gigante, na quarta-feira 13, quando morreu o ex-governador [biônico] gaúcho José Augusto Amaral de Souza, dois meses antes de completar 83 anos, vítima de complicações de um AVC que desde 2006 o confinava a uma cadeira de rodas.
Ele ganhou honras de Estado, luto oficial de três dias e os discursos e elogios de praxe da generosa tradição brasileira, que cobre qualquer morto com a pátina da complacência e repinta biografias sem as cicatrizes, espinhas e rugas conferidas pela vida política.
“Um líder importante do Rio Grande”, definiu, com exagero, o governador Tarso Genro. Foi desenhado com linhas ainda mais indulgentes pelos sete políticos de partidos e tendências diversas que o sucederam no Palácio Piratini, a partir de 1982, [esses] por decisão exclusiva do voto popular: Jair Soares (PP), Pedro Simon (PMDB), Alceu Collares (PDT), Antônio Britto (PMDB), Olívio Dutra (PT), Germano Rigotto (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB).
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Honras de estado
No limite da fidalguia, uns e outros louvaram Amaral pelos adjetivos piedosos que ocultam a rugosidade natural do último governador indicado pela ditadura dos generais de 1964: “conciliador, absoluto respeito pelos adversários, afável, vida pública sem máculas, atuação importante na política, administrador sério, importância fundamental na transição para a democracia, um amigo, grande companheiro”, e coisas do gênero.
Os sete sucessores de Amaral de Souza que alcançaram pelo voto popular o palácio que Amaral ocupou sem nenhum voto do eleitor gaúcho não cometeriam a deselegância de admitir publicamente o que muitos deles reconhecem mas ninguém diz: Amaral de Souza conseguiu ser a figura mais medíocre da safra dos quatro apagados governadores biônicos, escolhidos pelos quartéis, no período sem povo e sem liberdade que marcou o Piratini e o Rio Grande do Sul entre 1966 (dois anos após o golpe) e 1983 (dois anos antes da queda da ditadura).» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário
Operação Condor | Ricardo Setti - VEJA.com

Luiz Cláudio Cunha: Uruguai reabre na Justiça caso do sequestro de Lilian e Universindo

07/03/2012
 às 16:47 \ Vasto Mundo


Oswaldo Pires e Manoel Bezerra, advogados, com Pedro Seelig, Jo„o Augusto Rosa e Orandir Lucas, policiais de participaram do sequestro dos exilados uruguaios Lilian Celiberti e Universindo Dias
Amigos, compartilho com vocês matéria do excelente jornalista e querido amigo Luiz Cláudio Cunha, publicada no site Sul 21.
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Uruguai reabre na Justiça caso do sequestro de Lilian e Universindo

Testemunha brasileira vai depor em Montevidéu

No crepúsculo de fevereiro, alvorecer de 2012, a Justiça uruguaia aceitou enfim reabrir o caso dos uruguaios Universindo Rodríguez Díaz e Lílian Celiberti, sequestrados em novembro de 1978 em Porto Alegre, numa ação combinada de policiais do DOPS gaúcho e militares do Exército de Montevidéu. Agiam clandestinamente em território brasileiro no âmbito da ‘Operação Condor’, que caçava opositores das ditaduras do Cone Sul nos turbulentos anos 70 do século passado.
Universindo e Lilian, detida com seus dois filhos – Camilo (8 anos) e Francesca (3) -, foram torturados na sede do DOPS em Porto Alegre e nos quartéis de Montevidéu. Ficaram cinco anos presos, sob a falsa acusação de “invadir o país com armas e material subversivo”. Libertados em 1983, dois anos antes da queda da ditadura uruguaia, foram os primeiros presos políticos a denunciar na Justiça o regime de força, já em 1984, quando os militares ainda mantinham o poder.
Nenhum dos militares citados compareceu na época ao tribunal do Juzgado Penal de 7º Turno.
O chefe do comando uruguaio em solo gaúcho, capitão Eduardo Ferro, teve a sua intimação judicial jogada no fundo do cofre do então comandante do Exército da ditadura, general Hugo Medina. E o caso morreu ali.
Até que, em julho passado, o presidente José Mujica, um ex-guerrilheiro Tupamaro preso e torturado pelo regime militar à época, mandou um decreto à Suprema Corte revogando todos os atos administrativos que impediam o julgamento de violações aos direitos humanos pela caduca ‘Ley de Caducidad’, que os militares se concederam como garantia de impunidade. Mais de 80 casos de lesa-humanidade foram então ressuscitados, entre eles o dos sequestrados em Porto Alegre.
Durante meses, realizou-se uma garimpagem nos arquivos da Justiça para resgatar o processo ‘desaparecido’ pelo regime militar.
Reencontrado, enfim, Lilian Celiberti compareceu na terça-feira, 28 de fevereiro, ao Juizado da calle Misiones, na Ciudad Vieja de Montevidéu, onde se concentram os casos contra a ditadura, e formalizou a denúncia, aceita pela juíza Mariana Motta.
Foi ela a dura magistrada que, em fevereiro de 2011, condenou o ex-presidente Juan María Bordaberry a 30 anos de prisão por liderar o golpe de Estado de 1973 que dissolveu o Parlamento e a centenária democracia do país, também responsabilizado diretamente por 14 assassinatos e desaparecimentos forçados durante a ditadura.» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário
Operação Condor | Ricardo Setti - VEJA.com

Justiça gaúcha dá ganho de causa a jornalista em processo que lhe movia ex-policial sequestrador

25/05/2011
 às 20:02 \ Política & Cia


Documentos do inspetor Jo„o Augusto da Rosa: ação contra o jornalista Luiz Cláudio Cunha foi julgada improcedente
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul confirmou hoje, por unanimidade, a decisão da juíza Cláudia Maria Hardt que, no dia 6 de julho do ano passado, julgou improcedente a ação do inspetor aposentado do DOPS gaúcho João Augusto da Rosa, de codinome “Irno”, contra o jornalista Luiz Cláudio Cunha, autor do livro Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios (L&PM Editores 2008). Na obra, Cunha, como testemunha involuntária do caso, conta o episódio do sequestro clandestino e ilegal de um casal de militantes de esquerda uruguaios por policiais brasileiros, que os entregaram a militares do país vizinho.
Ele cobriu o caso para VEJA, de cuja sucursal em Porto Alegre era chefe. Foram, ao longo de ano e meio, 86 reportagens sobre o sequestro e suas implicações, o que valeu o Prêmio Esso de Jornalismo para a revista e o repórter.
O crime fez parte da tristemente famosa “Operação Condor”, que uniu clandestinamente as forças de repressão das ditaduras então em vigor no Cone Sul – Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Uruguai e Paraguai.
O sequestrador pedia na Justiça indenização por supostos “danos morais” devido à menção – obrigatória por ser verdade – de sua participação no sequestro de Lilian Celiberti, os dois filhos menores dela e de Universindo Diaz. “Irno” não somente participou do crime, pelo qual recebeu condenação da qual se livraria em recurso. Foi ele quem apontou uma pistola para a cabeça do jornalista, que chegou ao apartamento no qual residiam os dois uruguaios após ser alertado por um telefonema anônimo.
Os três desembargadores encarrregados do processo na 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça gaúcho não apenas decidiram em favor do jornalista, como também deram um voto de louvor à sentença de primeira instância da juíza Cláudia Maria Hardt, da 18ª Vara Cível de Porto Alegre.
Diante do resultado do julgamento, disse o jornalista:
– Tenho certeza que o acórdão, que deve ser publicado em dois ou três dias, será uma peça importante para demarcar o espaço da liberdade de expressão e a nossa conduta como jornalistas diante do aparato da repressão e os abusos aos direitos humanos.