Essa e a verdadeira cara da nossa Segurança Publica

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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Prisão temporária de policial suspeito de participar de chacina

Polícia pede prisão temporária de PM suspeito de participar de chacina
Segundo sua defesa, policial estava com duas pessoas no horário do crime. Ao todo, 18 pessoas foram assassinadas em Barueri e Osasco.
25/08/2015 19h21 - Atualizado em 25/08/2015 19h41
Do G1 São Paulo
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O soldado da Polícia Militar preso suspeito de participar da chacina que matou 18 pessoas em Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, teve a prisão temporária pedida pela Polícia Civil à Justiça nesta terça-feira (25). Segundo as investigações, ele foi reconhecido por uma testemunha.
O crime aconteceu em 13 de agosto. O policial Fabricio  Emannuel Eleutério, de 30 anos, prestava serviços administrativos no prédio das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e foi detido no prédio da Corregedoria da corporação.
Sua defesa nega as acusações. “O álibi dele são celulares onde ele realizou ligações. Ele participou de conversas em grupos de Whatsapp no momento em que os fatos estavam se desenvolvendo”, disse a advogada Flávia Artilheiro. “Além disso, ele estava acompanhado de duas outras pessoas no momento em que os fatos estavam se desenvolvendo. Então, nossa posição é que foi um infeliz equívoco esse reconhecimento.”
Decretada anteriormente, a prisão administrativa ocorreu depois que a Corregedoria ouviu um sobrevivente da Rua Suzano, um dos locais onde aconteceram ataques em Osasco.
O soldado mora em Osasco e tem uma ficha criminal longa. Ele foi investigado por participar de cinco chacinas na cidade, ficou preso no Presidio Militar Romão Gomes por dois anos e saiu no fim de abril porque o julgamento ainda não tinha sido marcado.
Ele é o primeiro suspeito preso. Ao todo, 54 policiais foram ouvidos, sendo que 18 são investigados: 11 soldados, dois cabos e cinco sargentos. Entre eles estão sete PMs de Osasco que chegaram ao mesmo tempo num bar da capital paulista depois de sair do serviço na noite da chacina.
A principal linha de investigação é que a sequência de assassinatos tenha sido uma vingança por duas mortes: a de um policial militar num posto de combustíveis, uma semana antes da chacina, e a morte de um guarda-civil de Barueri, dois dias antes dos crimes.
Segundo o coronel Ernesto Puglia Netoo, comandante do policiamento militar da Área Metropolitana 8, que inclui a região de Osasco, "todas as unidades de serviço no dia estão sendo analisadas". Ele esteve presente em uma audiência pública do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) nesta terça-feira. "Todas as viaturas têm GPS e posso descobrir o que cada viatura fez [no dia]. A Corregedoria também está acompanhando esse processo."
Suspeito
O soldado preso também prestou depoimento. Ele contou o que fazia na noite da chacina: "O declarante foi para a sua casa onde ficou até as 18h, depois saiu para buscar sua namorada no trabalho, e depois, foi levá-la para casa, lá chegando por volta das 18h30. Na residência de sua namorada, comeram pizza, e assistiram a um filme e ele dormiu".
O PM também disse “que recepcionou o motoboy que trouxe a pizza. Que não se recorda o nome da pizzaria, mas sabe que fica próxima à casa de sua namorada. [...] Por volta das 21h30, o declarante recebeu uma mensagem, via aplicativo de celular, dizendo que ocorriam diversos ataques em Osasco".
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Declaração da OEA
Em uma declaração divulgada nesta sexta-feira (21), a Organização dos Estados Americanos (OEA)condena os assassinatos e "insta o Estado a que prossiga as investigações iniciadas, esclareça o ocorrido e identifique, processe e puna os responsáveis, bem como a que adote medidas para que esses fatos não se repitam".

A Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) reagiu à declaração e disse que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)cometeu "graves erros" ao citar o número de homicídios praticados por policiais. O governo alegou ainda que a falha mostra "desinformação" e "precipitação" por parte da OEA.
"Importante, porém, salientar os claros e graves erros do restante da nota da CIDH, tanto no tocante ao número de homicídios praticado por policiais, quanto no percentual de investigações e análises pela Justiça. Infelizmente, essa falha da CIDH mostra total desinformação derivada de precipitação, ao se basear somente em matérias jornalísticas e não em dados que poderia facilmente ter obtido junto aos Poderes Executivo e Judiciário", disse o governo paulista em nota oficial enviada na manhã deste sábado (22).
Na declaração, a OEA usou dados sobre mortes em "massacres em São Paulo" e afirmou que os números indicam aumento em relação ao ano passado. A comissão também exigiu que o Brasil esclareça o ocorrido, identifique e puna os responsáveis pelos ataques em série.
Já em nota oficial, o governo também defendeu que a manifestação da CIDH é idêntica ao posicionamento imediato da SSP no sentido da investigação e esclarecimento dos ataques em série, e citou a criação de uma "força-tarefa" com policiais civis, peritos criminais e médicos legistas. A pasta também ressaltou que índice de homicídios é o aceitável pelas organizações internacionais, sendo 9,38 por 100 mil habitantes.
Questionado em coletiva de imprensa em São José do Rio Preto (SP) neste sábado sobre a declaração da OEA, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse apenas que todos os policiais estão empenhados na apuração, identificação e prisão dos criminosos, e não comentou a respeito da exigência. "As investigações estão adiantadas, mas não quero antecipar  nada porque pode prejudicar o trabalho policial. Por isso, vamos deixar apenas a Secretaria de Segurança Pública do estado falar sobre o caso."
Zilda Maria de Paula, mãe de uma das vítimas da chacina, organizou o ato ecumênico para lembrar uma semana da série de ataques em Osasco e Barueri (Foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo)Zilda Maria de Paula, mãe de uma das vítimas da chacina, organizou o ato ecumênico para lembrar uma semana da série de ataques em Osasco e Barueri (Foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo)
Ataques em série
No dia 13 de agosto de 2015, 18 pessoas foram mortas e seis ficaram feridas em ataques realizados por indivíduos armados em 10 lugares próximos, em um espaço de tempo de ao menos três horas, nas cidades de Barueri e Osasco, ambas na Grande São Paulo.
De acordo com alguns testemunhos e gravações de câmeras de segurança, um grupo de pessoas armadas usaram veículos para se locomover entre os lugares, perguntaram sobre antecedentes criminais e atiraram. Segundo as autoridades, um mesmo veículo teria sido visto em vários dos lugares onde ocorreram os crimes.
No comunicado, a CIDH informou que uma das linhas de investigação é "o possível envolvimento de membros da Polícia Militar (PM), no que teria sido uma suposta represália pelo assassinato de um policial dias antes".
Segundo dados oficiais usados pela comissão, 56 pessoas foram mortas em massacres em São Paulo em 2015. Os dados entregues pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-SP) ao Instituto Sou da Paz por meio de uma solicitação de acesso à informação indicam que isso representa um aumento em relação ao ano anterior, quando foram registradas 49 mortes em massacres em todo o ano.
A Comissão disse "tomar nota" das declarações do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que classificou os incidentes como "gravíssimos" e disse que as autoridades tentarão esclarecer "o mais rápido possível".
Além disso, tomou nota das declarações públicas do secretário de segurança pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, que assinalou que este foi "o pior massacre deste ano" no estado, e anunciou que as autoridades atuarão "rapidamente para capturar todos" que forem responsabilizados.
A CIDH exigiu a continuidade das investigações iniciadas de maneira "pronta, objetiva e imparcial", e que sejam seguidas "todas as linhas lógicas de investigação", incluindo a hipótese de que os possíveis autores possam ser oficiais de forças de segurança do estado.
A investigação "deve esclarecer as causas que conduziram a estes graves casos de violência, identificar, processar e punir os autores e satisfazer as expectativas de justiça das vítimas e seus parentes".
O estado deve, segundo a CIDH, adotar todas as medidas legais, institucionais e administrativas que forem necessárias para garantir que casos como esses não se repitam.
Profissão Repórter mostrou que depois do assassinato do policial, na madrugada seguinte, num espaço de cinco horas, houve cinco mortes na cidade e mais uma no dia seguinte.
Manifestantes protestam contra a morte de 18 pessoas em Osasco e Barueri (Foto: Carolina Dantas/G1)Manifestantes protestam contra a morte de 18 pessoas em Osasco e Barueri (Foto: Carolina Dantas/G1)
Mortes em osasco V5 (Foto: Editoria de Arte/G1)

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