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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Guarda envolvido em morte de adolescente


Em Heliópolis foi expulso da PM

LEONARDO GUANDELINE, O GLOBO; SPTV




Policiais agem em Heliopolis Foto de Sergio Barzaghi, Diário de S.Paulo


Policiais agem em Heliopolis Foto de Sergio Barzaghi, Diário de S.Paulo
SÃO PAULO - Um dos guardas municipais de São Caetano do Sul envolvidos no tiroteio que resultou na morte da adolescente Ana Cristina de Macedo, de 17 anos, em Heliópolis, zona sul de São Paulo, havia sido expulso da Polícia Militar de São Paulo. A Secretaria de Segurança Pública confirmou que Édson Damião Estevam, de 43 anos, fora expulso da PM em setembro de 1997. Ele trabalhou na corporação por 4 anos.
Estevam foi expulso da Polícia Militar por manter relações sexuais com uma mulher dentro do quartel do 8º Batalhão da PM, no Tatuapé, zona leste de São Paulo. De acordo com a PM, os encontros de Estevam com aconteciam dentro do horário de expediente.
Pelas normas da Guarda Civil Municipal de São Caetano do Sul, o fato de Estevam ter sido expulso da PM implicaria imediata desclassificação dele no concurso público para a guarda civil. O motivo da presença deles nos quadros do órgão, no entanto, ainda não foi esclarecido pela Prefeitura de São Caetano do Sul. A contratação do guarda aconteceu em 2006.
Estevam é um dos três guardas municipais da cidade vizinha que perseguiram um carro roubado e trocaram tiros com os bandidos dentro da Favela de Heliópolis. Ana Cristina voltava da escola quando foi atingida pelos disparos. A adolescente morava com a mãe a filha, de um ano e oito meses, em um alojamento da Prefeitura de São Paulo no bairro, à espera de um imóvel do CDHU destinado a famílias removidas. Elaplanejava formar família até o fim deste ano e ir morar com o namorado, que é pai da criança.
A morte de Ana Cristina gerou protesto e conflito entre manifestantes e a PM por dois dias consecutivos. No começo da noite desta terça-feira,cerca de 600 moradores colocaram fogo em nove veículos, entre ônibus, carros e micro-ônibus, e fizeram barricada nas ruas de Heliópolis, que é a maior favela de São Paulo. (Veja fotos do conflito)
Testemunhas disseram que Ana Cristina chegou a se esconder atrás de um veículo durante o tiroteio e teria sido confundida com um dos ladrões pelos guardas. O tiro que a matou acertou na cabeça e teria saído da arma de um dos guardas. Os três portavam revólver calibre 38, que foram recolhidos para perícia. Os guardas foram afastados dos serviços de rua e receberão apoio psicológico até o fim do inquérito.
Além de Estevam, participaram da ocorrência os guardas Luziel Pereira da Costa, de 48 anos, e Vicente Pereira Passos, de 45.
No boletim de ocorrência registrado no 95º Distrito Policial (Cohab Heliópolis), Estevam afirmou ter tentado atirar contra o pneu do Ford Ka vermelho, roubado, que estava sendo perseguido. Os dois ladrões do veículo fugiram. Uma mulher foi presa e é apontada como comparsa da dupla.
Segundo o boletim, foi Estevam quem abordou a mulher, que estaria no banco traseiro do automóvel, na Estrada das Lágrimas, próximo à Rua Cônego Xavier, onde Ana Cristina foi encontrada morta.
Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, somente após a troca de tiros, a prisão da mulher e a fuga dos ladrões de carros é que os guardas civis perceberam que a adolescente estava caída, vítima de disparo de arma de fogo.
A adolescente foi enterrada no começo desta tarde, no Cemitério de Vila Alpina, na zona leste de São Paulo.Confronto em Heliópolis dura 6 horas
O protesto da noite desta terça gerou confronto com a polícia, que foi recebida a pedradas. Os policiais revidaram com balas de borracha e bombas de efeito moral. Um deles levou uma pedrada na cabeça e ficou ferido. A PM informa que ele teve traumatismo crânio-encefálico e segue internado.
Segundo a PM, o protesto foi convocado por um bilhete que prometia cesta básica a quem participasse da manifestação. Em São Paulo, tem sido cada vez mais comum o confronto entre a polícia e moradores de favelas. Na semana passada, no Jaçanã, a morte de um adolescente gerou tumulto e confronto com a Tropa de Choque da PM. A polícia diz que o rapaz era traficante e reagiu a uma abordagem de rotina. Os moradores dizem que ele não era traficante, apenas usuário de drogas. A mãe afirmou que ele "correu como todos correm" quando viu a polícia chegar.
- O panfleto foi escrito à mão, xerocado e distribuído à população. Ele concitava a população a participar do protesto às 18h em troca de uma cesta básica - disse o capitão Maurício de Araújo, porta voz da PM, em entrevista nesta quarta-feira
Mesmo assim, ele disse que a PM não tem a intenção de ocupar Heliópolis, assim como aconteceu em fevereiro com a Favela de Paraisópolis. A Tropa de Choque da PM ocupou a favela até a 1h. Depois disso, um total de 15 viaturas com 45 homens patrulhou a favela durante toda a noite.
Vinte e uma pessoas foram detidas durante o tumulto. Três ônibus, dois microônibus e quatro carros foram queimados. Duas viaturas da PM e duas do Corpo de Bombeiros foram danificadas.





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