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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Morte de gari baleado por empresário na rua completa um ano sem data prevista para julgamento

 Renê da Silva Nogueira Júnior confessou o crime motivado por uma briga de trânsito. Réu segue preso na Região Metropolitana de BH.

Por Giovanna Minarrini, g1 Minas — Belo Horizonte

Morte de gari Laudemir Fernandes completa um ano

Morte de gari Laudemir Fernandes completa um ano


Um ano após a morte do gari Laudemir Souza Fernandes, baleado por um empresário enquanto trabalhava na limpeza urbana de Belo Horizonte, familiares seguem sem previsão para a data do julgamento de Renê da Silva Nogueira Júnior. O homem confessou ser o autor dos disparos.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a última movimentação do processo ocorreu em 19 de junho de 2026. Na ocasião, um pedido de habeas corpus feito pelos advogados de Renê foi negado pela 8ª Câmara Criminal da Corte.

O crime, que aconteceu em agosto de 2025, foi motivado por uma briga de trânsito (relembre o caso mais abaixo). Segundo as investigações, a arma que efetuou os disparos pertencia à esposa de Renê, a delegada da Policial Civil Ana Paula Lamengo Balbino Nogueira.

Dois dias após o a morte de Laudemir, a delegada entrou em licença médica. Desde então, não voltou às atividades na polícia.

A mãe de Laudemir, Irani Fernandes, conta que a ausência do filho, que tinha 44 anos, lembrado como carinhoso e presente, é sentida na rotina.

“É uma saudade imensa, que a gente nunca esquece. Pode passar anos, mas a gente está sempre lembrando. Principalmente no dia das mães, que ele estava sempre perto”, relembra.

O empressário Renê da Silva Nogueira Júnior, casado com a delegada Ana Paula Balbino Nogueira, foi preso suspeito de atirar e matar o gari Laudemir de Souza Fernandes — Foto: Reprodução

O empressário Renê da Silva Nogueira Júnior, casado com a delegada Ana Paula Balbino Nogueira, foi preso suspeito de atirar e matar o gari Laudemir de Souza Fernandes — Foto: Reprodução

Relembre o caso

Laudemir foi baleado após Renê, então com 47 anos, se irritar com o bloqueio temporário de uma rua no bairro Vista Alegre, na Região Oeste da capital mineira, para a coleta de lixo.

Imagens de câmera de segurança flagraram o momento em que o empresário desce do próprio veículo, ameaça o motorista do caminhão e, em seguida, efetua disparos contra os garis. Laudemir foi atingido no abdômen e morreu no local.

Renê da Silva Nogueira Júnior foi preso horas após o crime, enquanto saía de uma academia em um bairro nobre de Belo Horizonte.

Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de MG (Sejusp), o réu permanece sob custódia no Presídio de Caeté, onde deu entrada em 13 de agosto de 2025.

    Esposa delegada alvo de investigação

    Já a esposa de Renê é investigada por suspeita de peculato, crime previsto no Código Penal quando um servidor público se apropria, desvia ou utiliza bens e recursos públicos em benefício próprio ou de terceiros.

    Em nota, a Polícia Civil informou que existe um processo administrativo disciplinar para apuração de eventual prática de transgressão disciplinar da delegada que está em tramitação pela Corregedoria-Geral.

    O órgão ainda ressaltou que a licença para tratamento de saúde de servidores ocorre regularmente, conforme previsão legal e mediante avaliação médica competente, observados os procedimentos administrativos aplicáveis.

    Um ano após morte de gari em BH, julgamento ainda não tem data | G1

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