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domingo, 10 de maio de 2026

Laudo com vídeo em 3D foi base para relatório que aponta morte de JK pela ditadura; assista

 Imagens tridimensionais simulam momento da batida de acidente de carro que matou ex-presidente Juscelino Kubitscheck, em 1976. Nova versão sobre caso precisa ser aprovada por comissão de desaparecidos políticas para se tornar oficial.

Por Leonardo Milagres — Belo Horizonte

Vídeos em 3D recriam acidente de JK. Créditos: Ricardo Dachtelberg e Sergio Ejzenberg

Vídeos em 3D recriam acidente de JK. Créditos: Ricardo Dachtelberg e Sergio Ejzenberg


Uma perícia encomendada pelo Ministério Público Federal (MPF) foi um dos documentos que embasou o relatório com uma nova versão sobre a morte de Juscelino Kubitscheck. O parecer da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) diz que o ex-presidente foi morto em 1976 pela ditadura militar, e não vítima de um acidente de carro.

Vídeos em 3D criados pelo designer Ricardo Dachtelberg e pelo engenheiro Sergio Ejzenberg, responsável pelo laudo técnico, simulam o momento da batida que matou JK (veja acima). A animação foi produzida a pedido da promotoria, que, entre 2013 e 2019, analisou as causas da colisão por meio de um inquérito civil público (leia mais abaixo).

    Apesar do relatório da CEMDP, a nova versão ainda precisa ser aprovada em votação do colegiado da comissão para se tornar a oficial. O parecer, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, tem mais de cinco mil páginas e está sendo examinado pelos demais conselheiros para ser votado.

    "As decisões sobre o reconhecimento ou não de desaparecidos políticos são votadas em reuniões da CEMDP e aprovadas por maioria simples, conforme previsto em seu regimento. Ressalta-se que o relatório em questão segue em análise pelos membros da Comissão e ainda não foi submetido à votação", disse, em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).

    Ao longo dos anos, diversas teorias sugeriram que o episódio poderia se tratar de um atentado político no contexto da ditadura no Brasil. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade descartou que os militares tiveram participação na morte do ex-presidente. No entanto, em fevereiro de 2025, o governo Lula decidiu reabrir o caso.

    O perito contratado pelo MPF contestou análises anteriores e rejeitou a hipótese de que o acidente tenha sido provocado por uma colisão entre o Chevrolet Opala de JK e um ônibus antes de o veículo se chocar contra uma carreta. Ele também concluiu que a investigação foi "prejudicada pela perda e destruição de provas materiais".

    Simulação 3D

    Especialista em transportes, Sergio Ejzenberg foi convidado pelo MPF para examinar o material produzido em 1976 e 1996 pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que fundamentou a tese oficial de choque do coletivo no Opala. O engenheiro analisou os laudos existentes do caso e, em 2019, preparou um novo estudo sobre o acidente.

    A simulação 3D mostra, de vários ângulos, o carro, onde estavam o ex-presidente e o motorista Geraldo Ribeiro, atravessando para o outro lado da Rodovia Presidente Dutra, em Resende (RJ), na frente de um ônibus da Viação Cometa. Em seguida, o veículo, ao invadir a contramão, colide de frente com um caminhão.

    Em nenhum momento do vídeo, o Opala de JK bate com o coletivo, o que contradiz a hipótese apresentada à época do acidente e reafirmada pela Comissão Nacional da Verdade.

    Acidente com carro de JK em 1976 — Foto: MPF/Reprodução

    Relatório diz que JK foi morto pela ditadura militar, e não vítima de acidente

    Relatório diz que JK foi morto pela ditadura militar, e não vítima de acidente

    Conclusões da perícia

    A partir das análises periciais, o engenheiro apresentou conclusões como:

    • o ônibus não estava trafegando em excesso de velocidade e não teve qualquer participação no acidente;
    • o carro de JK também não trafegava em excesso de velocidade;
    • a inexistência de marcas de frenagem do carro de JK, o que impossibilita descartar a hipótese de sabotagem do veículo;
    • os laudos produzidos à época apresentam "erros técnicos, falhas, omissões e suposições não comprovadas", além de contradição.

    Ainda segundo o perito, a colisão não foi um "típico 'acidente' de trânsito, existindo evidências que demonstram que o automóvel teria seguido em direção à pista oposta em rota de colisão, com inexplicável e pouco crível falta de mínima reação evasiva de seu condutor".

    Ejzenberg declarou que não era possível comprovar nem descartar as teses de mal súbito do motorista de JK e de sabotagem do automóvel, mas alertou que a investigação estava "prejudicada pela perda e destruição de provas materiais".

    Caso arquivado

    Apesar das contatações da perícia, o MPF descartou a adoção de novas medidas judiciais e extrajudiciais em relação ao caso e decidiu arquivá-lo em 2019, considerando "falta de provas e materialidade".

    No inquérito, o órgão destacou que JK era constantemente monitorado pela ditadura militar "por representar uma força política e popular". No entanto, por causa das falhas apresentadas na primeira investigação, concluiu que "a verdade dos fatos é impossível de ser alcançada".

    "Trazer a público as provas angariadas ao longo de seis anos de investigação sobre fato histórico e controverso da sociedade brasileira, por si só, já cumpre em grande parte o fomento ao direito à verdade que o MPF almeja", afirmou o procurador Paulo Sérgio Ferreira Filho.

    Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil de 1956 a 1961 — Foto: Arquivo público/DF

    Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil de 1956 a 1961 — Foto: Arquivo público/DF

    Quem foi JK

    Juscelino Kubitscheck ficou conhecido pela transferência da capital do país para Brasília e pelo projeto de modernização pela aceleração do processo de industrialização, conhecido como "50 anos em 5".

    Após deixar a presidência da República, foi eleito senador e tomou posse já em 1961. Com a eclosão do golpe militar de 1964, JK teve os direitos políticos cassados.

    Morte de JK: laudo com vídeo 3D foi base para novo relatório | G1

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