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quarta-feira, 6 de maio de 2026

PM Gisele: ao se aposentar, coronel preso evitou perda de rendimentos

 Tenente-coronel Geraldo Rosa Leite Neto perdeu o salário da PM ao ser preso sob suspeita de feminicídio. Como alternativa, ele se aposentou

Reprodução

Policial miltiar de São Paulo, com boina - Metrópoles
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Preso por acusação de matar a esposa, a soldado PM Gisele Santana, de 32 anos, o tenente-coronel Geraldo Rosa Leite Neto, 53, evitou perder os rendimentos mensais ao se aposentar da Polícia Militar.

O agente teve o salário suspenso no mesmo dia em que foi detido e levado ao Presídio Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, em 18 de março, exatamente um mês após a morte de Gisele, em 18 de fevereiro.

De acordo com o Portal da Transparência do governo do estado, em fevereiro deste ano, ele recebeu R$ 28.946,81 em rendimento bruto e R$ 15.092,39 em salário líquido.

Sem os rendimentos da Polícia Militar, tenente-coronel pediu para se aposentar da corporação, direito que pode usufruir desde 2016. A transferência para a reserva foi publicada na última quinta-feira (2/4) no Diário Oficial.

Com 30 anos de carreira, durante a aposentadoria, ele deve receber uma alta porcentagem da remuneração que ganhou enquanto policial militar, como prevê a legislação previdenciária brasileira.

Ao Metrópoles, o advogado de Geraldo, Eugênio Malavasi, afirmou que o tenente-coronel “tomou uma decisão particular, após ter cumprido, com êxito, sua missão na salvaguarda dos cidadãos, bem como alcançado o tempo de serviço e a devida contribuição previdenciária”.

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Gisele foi encontrada morta em fevereiro
Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio
Oficial ignorou recomendação e cruzou a porta do imóvel acompanhado por policiais

Pode perder a patente

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) esclareceu que Geraldo ainda pode ser demitido da Polícia Militar e perder a patente de tenente-coronel, independentemente de estar na reserva ou não.

“A passagem para a reserva não interfere na responsabilização penal ou disciplinar do militar, que poderá ser demitido da corporação e perder o salário”, informou a pasta em nota.

perda da aposentadoria, no entanto, depende de decisão judicial definitiva. Isto é, após o trânsito em julgado de uma potencial condenação.

O tenente-coronel é alvo de um Conselho de Justificação, de um inquérito no Tribunal de Justiça Militar (TJM) e de uma ação criminal por feminicídio e fraude processual no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

É o Conselho de Justificação que pode resultar na demissão do militar. Instaurado pela SSP, o processo administrativo especial analisa a incapacidade de oficiais das Forças Armadas de permanecerem na ativa.

Ao apurar condutas irregulares, o conselho pode punir um oficial com demissão ou reforma. Os membros julgadores do caso já foram escolhidos pela pasta.


Relembre o caso


Usava salário e patente para intimidar a esposa

O tenente-coronel utilizava o salário quatro vezes maior que o da esposa, então soldado da PM, e a alta patente na corporação para intimidá-la, segundo apurou o TJM. Geraldo já chegou a ganhar R$ 30.861,87 — valor quatro vezes maior que o salário de Gisele, de R$ 7.222,33.

De acordo com o tribunal, ele usava de sua posição hierárquica como instrumento de dominação e violência contra a esposa. Testemunhas ouvidas pela investigação contaram que o oficial ia frequentemente ao local de trabalho da mulher e usava de sua autoridade para vigiar as atividades dela.

Além disso, ela era proibida de trabalhar com colegas homens e tinha sua patente menosprezada pelo marido. Ele já havia sido condenado por abuso de autoridade contra uma subordinada por um episódio de 2022, quando ainda era major e comandante do 29° Batalhão da Polícia Militar (29° BPM/M).

Prisão do coronel

A prisão do oficial Geraldo Leite Rosa Neto foi solicitada pela Polícia Civil em 17 de março, após o resultado dos laudos descartar a hipótese de suicídio sustentada por ele.

O coronel foi preso na manhã do dia 18, em um condomínio residencial de São José dos Campos, no interior, exatamente um mês após a morte da esposa.

Ao chegar às dependências ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista, o tenente-coronel foi recebido com abraços por colegas de fardaVeja:

Coronel preso por feminicídio é recebido com abraços em presídio da PM

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