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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Coronel réu por feminicídio contrata perito para acompanhar processo

 Oficial da Polícia Militar segue preso suspeito pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça

Reprodução/TJM
Homem branco cabelo curto, trajando camiseta amarela com ambas as mãos para o alto. Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto - Metrópoles
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Justiça autorizou que um perito indicado pela defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, acompanhe de perto a produção das provas técnicas no processo que apura a morte da soldado Gisele Alves Santana, de 32. A decisão permite que o especialista atue como assistente, participando das perícias e apresentando análises próprias ao longo da investigação.

O aval judicial abre espaço para que a defesa tenha um olhar técnico paralelo ao trabalho oficial em um caso marcado por contradições, mensagens apagadas e questionamentos sobre o que de fato aconteceu dentro do apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro — quando Gisele foi encontrada mortalmente ferida com um tiro na cabeça.

Metrópoles entrou em contato nessa segunda-feira (30/3), sem sucesso, com o advogado Eugênio Malavasi, que coordena a defesa do oficial da PM. O espaço segue aberto para manifestações.

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Publicação no Diário Oficial garante salário integral ao coronel, que somou mais de R$ 28 mil, enquanto a PM Gisele recebia R$ 7 mil
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Dentro do apartamento, agentes evitam contato com o sangue da vítima no chão
Coronel circula pelo imóvel e questiona posição de objetos no quarto
Cabo impede a entrada e alerta que o imóvel está preservado para perícia

Perito passa a acompanhar perícias

Com a decisão, o perito particular Fabiano Abucarub, indicado pelos advogados do oficial, poderá acompanhar exames periciais, sugerir pontos de análise e elaborar pareceres técnicos sobre os resultados obtidos. Na prática, trata-se de uma atuação complementar, que não substitui o trabalho dos peritos oficiais, mas permite à defesa contestar ou reforçar interpretações sobre as evidências.

O movimento ocorre em um momento sensível do inquérito, em que laudos e análises técnicas são considerados peças-chave para esclarecer a dinâmica da morte da policial militar.

Abucarub, como consta em sua apresentação profissional, já atuou em mais de 2 mil processos no Tribunal de Justiça do Paraná, além de 1.300 na Justiça Federal, entre os quais 500 relacionados a crimes de homicídio, sexuais e acidentes.

Mensagens apagadas e recuperação de provas

Um dos pontos centrais já revelados na investigação envolve a recuperação de mensagens apagadas do celular de Gisele Alves Santana. Segundo a perícia, conversas supostamente deletadas pelo tenente-coronel foram restauradas e passaram a integrar o processo.

Nos diálogos, a soldado mencionava o desejo de se separar e chegou a afirmar que poderia formalizar o pedido de divórcio. Em uma das mensagens recuperadas, ela diz que o marido poderia “pedir”, em referência à separação, contrariando a narrativa de normalidade no relacionamento apresentada inicialmente pelo oficial.

Ele alegou ainda que Gisele não aceitava o fim do casamento, proposto por ele, resultando no suicídio que o tenente-coronel defende ter sido cometido pela esposa.

As conversas também indicam cenário de desgaste entre o casal nos dias que antecederam a morte da soldado.

Contradições no depoimento do oficial

Outro eixo da investigação são as inconsistências apontadas no depoimento de Geraldo Leite Rosa Neto. De acordo com o que já foi relatado à Justiça, há divergências entre a versão apresentada por ele e os elementos técnicos reunidos no inquérito.

Entre os pontos sob análise, estão a dinâmica do disparo, a movimentação no apartamento e o comportamento do oficial após o ocorrido. Investigadores identificaram situações que, segundo eles, não se alinham com a hipótese de suicídio sustentada pela defesa.

Essas contradições passaram a ser confrontadas com laudos periciais, imagens e outros vestígios coletados no local.

Caso segue sob investigação

Geraldo Neto está preso, desde o último dia 18, sob suspeita de matar a esposa e fraude processual. Desde o início, ele afirma que Gisele Alves Santana teria tirado a própria vida, versão que vem sendo questionada à medida que novas evidências surgem.

O comando da PM, como mostrado pelo Metrópolesavalia a possibilidade de demissão ou expulsão do oficial, em caso de comprovação de que Geraldo Neto tenha tentado interferir nas investigações e da eventual condenação pelo feminicídio da esposa.

A entrada de um perito da defesa no acompanhamento das análises técnicas deve intensificar a disputa de interpretações sobre as provas.

De um lado, a investigação busca consolidar uma linha clara sobre o que ocorreu. De outro, a defesa passa a atuar com mais profundidade sobre os elementos periciais que sustentam o caso.

O desfecho depende, agora, da convergência, ou do confronto, entre essas leituras técnicas.

Coronel réu por feminicídio contrata perito para acompanhar processo

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