Justiça autorizou que Núcleo de Evidências Forenses da Promotoria faça nova perícia no celular da PM Gisele, morta com tiro na cabeça
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A Justiça autorizou que o Ministério Público de São Paulo (MPSP) realize perícia complementar no celular da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, para saber o exato momento em que mensagens — trocados com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53 — foram apagadas do aparelho.
Ela foi assassinada com um tiro na cabeça, em 18 de fevereiro, na sala do apartamento no qual vivia com o oficial, no centro paulistano. Geraldo Neto foi preso um mês depois, suspeito de feminicídio e fraude processual.
O Metrópoles revelou que a Polícia Civil, por meio de procedimentos técnicos, conseguiu recuperar as últimas conversas trocadas entre o casal, que haviam sido apagadas. O momento em que isso ocorreu, no entanto, não foi levantado na investigação do 8º DP (Brás).
Os diálogos desmentem a versão do tenente-coronel, que afirma que Gisele não aceitava o fim do casamento e, por isso, teria supostamente dado um tiro contra a própria cabeça.
Nova perícia no celular
O MPSP, por meio do Núcleo de Evidências Forenses (Nucef), pretende obter informações “não colhidas pela Polícia Civil”, entre elas, “o momento em que [foram] apagadas as mensagens”, diz trecho de documento assinado pela promotora Ingrid Braido. Ela acrescentou que isso “é possível” com base no que lhe “foi dito”.
Para isso, a Promotoria solicitou autorização para realizar a perícia complementar em um HD externo, para que o Nucef analise dados recuperados e extraídos do celular da soldado Gisele, salvos no equipamento.
O pedido foi autorizado pela juíza Michelle Cunha Carreiro, na tarde dessa quarta-feira (8/4), “respeitando a cadeia de custódia”.
A conversa recuperada
No celular do coronel, cuja perícia já foi mostrada pelo Metrópoles, não constavam conversas entre o casal em 17 de fevereiro, dia que antecedeu a morte de Gisele. Em uma das mensagens enviada à esposa, ele se define como “macho alfa“.
Isso, segundo relatório do 8º DP (Brás), “demonstra, mais uma vez, que o indiciado manuseou o celular da vítima, apagando as conversas para sustentar sua versão de que seria o responsável pelos pedidos de separação e não a vítima“.
As últimas mensagens de Gisele foram enviadas em 17 de fevereiro, entre as 22h47 e 23h. Nelas, afirma para o oficial entrar com o pedido de divórcio.
“Você confundiu carinho com autoridade, amor com obediência, provisão com submissão […] Vejo que se arrependeu do casamento, eu também, e tem todo o direito de pedir o divórcio. Não quero nada seu, como te disse, eu me viro pra sair. Tenho minha dignidade. Pode entrar com o pedido [de divórcio] essa semana.”
Cerca de oito horas e meia após essas mensagens, como indica investigação da Polícia Civil, Gisele foi baleada na cabeça, com a arma do tenente-coronel, na sala do apartamento em que moravam.
O oficial, como demonstra perícia e relatos de testemunhas, demorou quase meia hora para acionar serviços de emergência. Mesmo assim, Gisele ainda estava viva com a chegada de socorristas, que a conduziram ao Hospital das Clínicas. Ela, porém, não resistiu.
Geraldo Neto, aos policiais militares presentes e em depoimentos, afirmou que a esposa se suicidou por não aceitar o fim do casamento.
Segundo a versão do oficial, desmentida pelas mensagens recuperadas pela Polícia Civil, Gisele não teria aceitado a decisão dele.
MPSP quer descobrir quando coronel apagou conversas com PM Gisele







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