- Sunday, 07 de June de 2026
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul condenou o influenciador digital e podcaster Diego Santana Correa Oliveira, conhecido publicamente como Soldado Corrêa, ao pagamento de uma indenização de R$ 200 mil por danos morais coletivos.
A punição foi motivada pela disseminação de notícias falsas envolvendo a inundação histórica do município de São Leopoldo durante a crise climática que assolou o estado em maio de 2024.
A decisão atende a um pedido jurídico da Procuradoria-Geral do Município, que acionou o judiciário para conter a propagação de boatos que prejudicavam as ações de resgate e a segurança pública, ainda cabe recurso.
De acordo com o processo judicial, o influenciador publicou vídeos em plataformas como TikTok, Instagram e YouTube afirmando erroneamente que a enchente na cidade teria sido provocada pelo rompimento de uma barragem que supostamente operava sem manutenção há 13 anos.
O caso ganhou ampla repercussão nacional após as declarações enganosas virem à tona e serem replicadas durante a participação do militar em programas de entrevistas na internet, como o Fala Glauber Podcast.
Nas gravações de grande alcance, o réu também acusou falsamente as autoridades locais de perseguirem e processarem cidadãos que tentavam alertar a população sobre o suposto perigo estrutural.
Na sentença, a juíza Maria Aline Cazali Oliveira da 2° Vara Cível de São Leopoldo responsável destacou que a liberdade de expressão não pode ser utilizada como escudo para propagar mentiras que geram pânico generalizado na sociedade, especialmente durante cenários de calamidade pública.
Natural da Bahia, onde atua como soldado da Polícia Militar baiana, Diego Santana Correa Oliveira acumula centenas de milhares de seguidores na internet sob a alcunha de Soldado Corrêa.
O policial e produtor de conteúdo digital frequentemente se envolve em polêmicas públicas fora de seu estado de origem. Conhecido por suas declarações incisivas e de forte teor político, o influenciador baiano já acumulou punições na esfera militar em sua corporação nativa, incluindo sanções disciplinares e ordens de prisão decretadas pela Corregedoria por condutas inadequadas e publicações de sorteios comerciais online.
Suas postagens também já resultaram em punições por cometer apologia à letalidade policial e proferir ofensas contra autoridades federais e do Judiciário. O caso de São Leopoldo soma-se ao histórico de ações virtuais do militar que extrapolaram as normas regulamentares da segurança pública.
Além da sanção financeira, cujo valor será revertido integralmente para o Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano de São Leopoldo, a Justiça determinou obrigações rígidas de imagem ao podcaster.
Ele foi ordenado a publicar uma retratação oficial com a devida correção dos fatos em todos os seus perfis na internet, mantendo o conteúdo em destaque por um período contínuo de 90 dias.
A decisão também exigiu a exclusão definitiva de todas as mídias falsas publicadas anteriormente, sob pena de aplicação de uma multa diária fixada em R$ 10 mil em caso de descumprimento das ordens.
Investigações técnicas e relatórios de agências independentes de checagem de fatos já haviam comprovado o equívoco das declarações do influenciador bem antes do desfecho do processo.
O município de São Leopoldo sequer possui barragens de retenção em seu território urbano, sendo protegido, na verdade, por um sistema complexo de diques de contenção e casas de bombas.
O desastre na região foi causado pelo volume sem precedentes de chuva, que elevou o nível do Rio dos Sinos e provocou o extravasamento das águas, resultando em uma erosão parcial na estrutura de drenagem do Arroio João Corrêa, e não em um colapso de barragem por falta de manutenção.

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